
Foto: Bashar Taleb/AFP
Mesmo com a enxurrada de críticas internacionais — algumas vindas de seus aliados históricos —, Israel anunciou oficialmente neste domingo que o país se prepara para uma nova ofensiva na Faixa de Gaza com objetivo de tomar as áreas que ainda não foram destruídas no Norte do enclave palestino, em especial na cidade de Gaza. Em uma entrevista coletiva em Jerusalém, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que as mobilizações e os preparativos já começaram. “Dada a recusa do Hamas em depor as armas, Israel não tem outra escolha senão terminar o trabalho e completar a derrota do Hamas”, disse Netanyahu. “Desmantelar os dois redutos restantes do Hamas na Cidade de Gaza e nos campos centrais — esta é a melhor maneira de acabar com a guerra.” O Conselho de Segurança da ONU se reuniu neste domingo, um evento raro nos finais de semana, a pedido da Inglaterra, Dinamarca, França e Eslovênia para tratar do assunto. O tom foi de críticas. “Esse não é o caminho para resolver a questão, esse é o caminho para mais um banho de sangue”, afirmou o representante inglês na ONU, James Kariuki. (New York Times)
Netanyahu voltou a negar que haja fome em Gaza, mas afirmou reconhecer que há problemas na distribuição de alimentos no enclave palestino. O primeiro-ministro israelense também refutou as acusações de que Israel comete um genocídio na Faixa de Gaza. “Se nós quiséssemos cometer um genocídio nós precisaríamos exatamente de uma tarde para fazê-lo”, disse o primeiro-ministro de Israel. (Times of Israel)
As críticas à nova ofensiva não se resumiram à comunidade internacional. Em Israel cresce o apoio interno pelo fim do conflito. Também neste domingo a associação que reúne familiares dos reféns em Gaza anunciou que iniciará uma campanha para que o país faça uma greve geral para pressionar o governo a colocar um fim nos combates. No sábado, milhares de israelenses foram às ruas em Tel Aviv pedir que um cessar-fogo seja declarado e que as negociações para o retorno dos reféns sejam retomadas. (CNN)
Enquanto isso, um ataque israelense matou mais cinco jornalistas da rede Al Jazeera em Gaza neste domingo, anunciou a emissora do Catar. Entre os mortos está o jornalista Anas Al-Sharif, um dos repórteres mais conhecidos na cobertura da guerra em Gaza no canal árabe. Anas e os outros três jornalistas da emissora, junto com um quarto funcionário da rede de TV, estavam em uma tenda usada exclusivamente para cobertura jornalística em frente ao portão principal do hospital Al-Shifa. De acordo com a Al Jazeera, o ataque foi direcionado à tenda. Israel confirmou que atacou o local que abrigava dois repórteres e dois operadores de câmera de forma deliberada e acusou Anas Al-Sharif de comandar uma célula do Hamas responsável por ataques contra civis e soldados israelenses. A Al Jazeera condenou as acusações e a morte de seus funcionários. O Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) afirma que mais de 200 jornalistas palestinos foram mortos na Faixa de Gaza desde o início dos conflitos. Israel continua proibindo que jornalistas israelenses e estrangeiros entrem em Gaza para realizar coberturas jornalísticas de maneira independente. (Al Jazeera)
Catar e Egito esperam concluir uma proposta de cessar-fogo e resgate de reféns na próxima semana. Uma delegação de membros do Hamas deve chegar ao Egito hoje, na tentativa de retomar as negociações. A nova proposta surge no meio de discussões sobre a evacuação dos residentes da Cidade de Gaza, que deverá durar três meses. (Jerusalem Post)
Dahlia Scheindlin: “Outro princípio [da extrema direita israelense] é que a diplomacia acabou, pelo menos com os palestinos. Isso é um feito, considerando que as negociações oficiais estão mortas desde 2014, e que as atuais conversas de cessar-fogo são meramente negociações indiretas com um ator não estatal. Também é algo estranho de defender, considerando o quão bem-sucedida a diplomacia tem sido para Israel, desde os tratados de paz com Jordânia e Egito até os firmados com os países dos Acordos de Abraão. Embora o novo plano do gabinete para a Cidade de Gaza possa supostamente ser interrompido se as negociações com o Hamas forem reiniciadas, há poucos sinais de que Israel queira que isso aconteça”. (Haaretz)