
Foto: Anderson Barbosa
Às vésperas da entrada em vigor do tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, diante da militância petista, que as negociações com os Estados Unidos exigem cautela. “Tenho um limite de briga com o governo americano. Não posso falar tudo que eu acho que eu devo falar, eu tenho que falar o que é possível falar”, disse Lula durante a posse de Edinho Silva como novo presidente do PT. Na sexta-feira, Trump chegou a dizer à imprensa que Lula pode ligar para ele “quando quiser”. Horas depois, o petista afirmou que o governo dele “sempre esteve aberto ao diálogo”. Mas até agora os dois não se falaram. Durante encerramento do evento nacional do PT, em Brasília, Lula defendeu ainda que a postura do Brasil em defesa da soberania assusta “pessoas que acham que mandam no mundo”, sem citar diretamente Donald Trump. (g1)
Lula também falou sobre a disputa presidencial no ano que vem, dizendo que “se for candidato na eleição de 2026 não vai ser para disputar e sim para ganhar”. “Preciso estar 100% de saúde. Eu decidir ser candidato para depois acontecer comigo o que aconteceu com o Biden, jamais eu irei enganar o partido e irei enganar o povo brasileiro. Agora o que eu quero dizer para vocês é o seguinte: quando eu falo que tenho 80 anos com energia de 30, vocês podem acreditar.” (CNN Brasil)
Por falar em eleição, uma pesquisa Datafolha divulgada no fim de semana projetou o cenário eleitoral para 2026. Lula ganhou vantagem sobre bolsonaristas tanto no 1º quanto no 2º turno. Jair Bolsonaro ainda tem seu nome avaliado porque, mesmo inelegível, pode inscrever sua candidatura e esperar que ela seja barrada mais perto do pleito. Na simulação de uma reedição do segundo turno entre Lula e Bolsonaro, o presidente marca 47% e o ex-mandatário, 43%. Já numa disputa com Tarcísio de Freitas, que dava empate técnico na simulação da pesquisa anterior, o governador paulista oscilou de 42% para 41%, enquanto Lula foi de 43% para 45%. Lula tem vantagem também sobre toda a família Bolsonaro: contra Michelle (48% a 40%), Eduardo (49% a 37%) e Flávio (48% a 37%). (Folha)
A pesquisa mostrou também uma rejeição à idéia de anistia: 61% dos entrevistados dizem que não votariam em um candidato que prometesse livrar, de qualquer pena ou punição, Jair Bolsonaro, seus aliados acusados de tramar contra a democracia e os condenados pelo 8 de Janeiro. Já 19% votariam com certeza em um nome com essa agenda, e 14% talvez o fizessem. (Folha)
Coincidência ou não, governadores do espectro da direita que vinham marcando presença em atos em defesa da anistia aos envolvidos na tentativa de golpe, não compareceram ao ato convocado por bolsonaristas neste fim de semana. O próprio Jair Bolsonaro esteve ausente, já que cumpre medida cautelar que proíbe que ele saia de casa aos sábados e domingos. Já os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); do Paraná, Ratinho Júnior (PSD); de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil); e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), alegaram outros compromissos para justificar sua ausência. As manifestações ocorreram em pelo menos 20 capitais, incluindo São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza e Belém, além de Brasília. No Rio, Bolsonaro fez uma participação por videochamada. Segundo o Monitor do Debate Político e a ONG More in Common, 37,6 mil pessoas compareceram à manifestação “Reaja, Brasil: Agora é a hora” na avenida Paulista. A margem de erro de 12% indica um público entre 33,1 mil e 42,1 mil participantes. (Globo)
O pastor Silas Malafaia, organizador do evento, não poupou críticas aos governadores: “Isso prova que Bolsonaro é insubstituível! Vão enganar trouxa! E eu não sou trouxa. Estão com medo do STF, né? Por isso não vieram. Arrumaram desculpa, né? Por isso, minha gente, 2026 é Bolsonaro”. (Estadão)
Em São Paulo, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) foi a principal atração entre políticos que fizeram uso da fala durante o ato. No discurso, o parlamentar atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou a diplomacia do governo Lula (PT) e cobrou os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União). Também por vídeochamada, Nikolas mostrou o ato para Jair Bolsonaro. (Metrópoles)