
Foto: Evaristo Sa/AFP
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, deu 24 horas para os advogados de Jair Bolsonaro explicarem os descumprimentos da medida cautelar que proíbe o ex-presidente de usar as redes sociais, direta ou indiretamente. No início da tarde de segunda-feira, Bolsonaro foi ao Congresso para se encontrar com parlamentares aliados. Após a reunião, ele posou com a tornozeleira eletrônica e fez um breve discurso, que foi retransmitido pelas redes sociais. De acordo com Moraes, se não houver uma justificativa plausível para o que considera uma violação de sua decisão, Bolsonaro pode ser preso. (g1)
Mais cedo, Moraes proibiu a veiculação de entrevistas concedidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em qualquer rede social. O ministro, que já havia determinado na sexta-feira a proibição de Bolsonaro de acessar as redes, afirmou que a divulgação de entrevistas pode “configurar uma burla à proibição do uso de redes sociais, sob o risco de decretação de prisão de Bolsonaro”. A defesa do ex-presidente declarou que vai entrar com um recurso no STF pedindo esclarecimentos sobre a decisão. Nesta segunda-feira, a Polícia Federal informou ter concluído a perícia no pendrive encontrado no banheiro de Bolsonaro e que o dispositivo não continha informação relevante. (Folha)
No fim da noite, o ministro do STF Luiz Fux deu o único voto contrário na Primeira Turma à imposição por Moraes das medidas restritivas a Bolsonaro, encerrando a votação com placar de 4x1. Fux avaliou que não havia justificativas para a decisão e argumentou que a “amplitude das medidas impostas restringe desproporcionalmente direitos fundamentais, como a liberdade de ir e vir e a liberdade de expressão e comunicação”. O ministro já divergiu de Moraes anteriormente no julgamento da tentativa de golpe, o que o deixou de fora da lista de integrantes do STF que tiveram o visto de entrada nos EUA revogados por Donald Trump. (UOL)
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, saiu em defesa de Bolsonaro nas redes sociais. O político de extrema direita pediu que o ex-presidente brasileiro “continue lutando”. Segundo ele, o STF colocou uma tornozeleira em um homem, mas jamais poderá fazer o mesmo com o desejo de uma nação. (CNN Brasil)
Pela manhã, Bolsonaro conversou com diferentes jornalistas e deu a entender que sua nova estratégia será se distanciar do tarifaço imposto ao Brasil por Donald Trump. Em conversa com a jornalista Andréia Sadi, da TV Globo, Bolsonaro afirmou que as tarifas são “lá do governo Trump. Não tem nada a ver com a gente. Querem colar na gente os 50%. Mentira”, disse ele em entrevista por videoconferência. Bolsonaro ainda declarou que seu filho, Eduardo Bolsonaro, não tem condições de negociar com Trump por não poder falar pelo governo brasileiro. (g1)
À tarde, Eduardo Bolsonaro revelou que suas contas bancárias haviam sido bloqueadas por determinação de Alexandre de Moraes. Segundo ele, nesta segunda-feira não conseguiu realizar ao menos duas transações via Pix, o mesmo meio que seu pai, Jair Bolsonaro, usou para enviar cerca de R$ 2 milhões para auxiliá-lo nos Estados Unidos. “Estou preparado para seguir adiante mesmo sob condições difíceis”, afirmou o deputado. (Metrópoles)
Moraes também abriu uma investigação para apurar se houve uso de informação privilegiada no mercado antes do anúncio do tarifaço imposto por Trump, no dia 9 de julho. A Advocacia-Geral da União se manifestou ao STF com reportagens que indicam um movimento atípico no mercado de câmbio antes do anúncio. As matérias apontam suspeitas de que alguns investidores pareciam saber antecipadamente das medidas do presidente americano. (Globo)