
Foto: Evaristo Sa/AFP
Depois das repetidas derrotas no Congresso, o governo decidiu partir para o ataque . O Palácio do Planalto quer aprofundar a tese de que o Parlamento legisla para os mais ricos e cobra sacrifícios apenas dos mais pobres. Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou o discurso “Robin Hood” que o governo ensaiava desde o início da crise do aumento do IOF. "Nós vamos continuar fazendo justiça social. Podemos gritar, podemos falar, mas chegou o momento de fazer justiça pelo Brasil", disse ele. Na semana passada, o presidente Lula já havia usado suas redes sociais para publicar uma pequena história em quadrinhos no mesmo tom, passando a ideia de que é preciso cobrar mais impostos dos ricos para se fazer justiça tributária no país. No evento de lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar, Lula deu atração ao discurso: “Nós queremos fazer com que esse país se transforme num país justo, e ele começa a ser justo pela tributação.” (Folha)
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiu à ofensiva governamental contra o Congresso. Em um vídeo publicado em suas redes sociais na manhã de ontem, o trato deputadou de contra-atacar. Disse ser uma “fake news” o discurso de que o Congresso não olha para o povo e de que tenha traído o governo no debate sobre o IOF. Motta criticou o que chamou de discurso do “nós contra eles” e defendeu a derrubada do decreto presidencial que aumentou a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras. “A polarização política no Brasil tem cansado muita gente, e agora querem criar a polarização social”, afirmou o deputado. (Estadão)
Ontem também , o presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, definiu que o ministro Alexandre de Moraes será o relator de uma proposta de ação pelo PSOL para retomar o decreto com as mudanças no IOF, derrubando por via judicial a decisão do Congresso. O PSOL se antecipou ao próprio governo, que pretende entrar com ação semelhante. (Folha)
Lula determinou à Advocacia-Geral da União que preparasse ação semelhante à tentativa de queda ou veto do Congresso contra o decreto presidencial. No entendimento do governo, a decisão dos parlamentares é inconstitucional. O advogado-geral da União, Jorge Messias, chegou a alertar Lula de que uma judicialização do caso poderia trazer prejuízos políticos para o governo. Na interpretação de Messias, não teria razão para o governo entrar com uma ação própria no STF, já que a AGU será convocada a se manifestar por conta da ação apresentada pelo PSOL. (CNNBrasil)
Em meio a uma guerra aberta com o Congresso e com índices de aprovação cada vez mais baixos, Lula começou a semana ganhando de apresentar uma reportagem bastante negativa da revista britânica The Economist , ainda uma das publicações mais influentes do mundo. De acordo com a revista, Lula se tornou incoerente em sua política externa ao apoiar o Irã e impopular no Brasil por conta da condução débil do governo. Um economista , que no início do ano afirmou que a esquerda brasileira precisava de Lula para sobreviver, disse que o presidente brasileiro se tornou hostil ao Ocidente. (Economista)
O Planalto avisou que pretende enviar uma resposta contestando a análise da revista inglesa. (Poder360)
Míriam Leitão: "Normalmente, esse ambiente político surge quando a economia está em crise. Não é o caso agora, considerando que há uma série de indicadores bons." (Globo)
Joel Pinheiro da Fonseca: "Ou o Brasil repensa a magnitude e a impositividade das emendas ou seria melhor mudar nossa forma de governo e adotar de vez o parlamentarismo. O meio do caminho está travando nossa política" (Folha)