A derrubada dos decretos que aumentavam o IOF reacendeu o alerta de especialistas para o risco de um “ apagão administrativo ” no país, em razão do desequilíbrio nas contas públicas . Com as finanças no vermelho, o governo federal vê sua margem de manobra cada vez mais estreita, diante das dificuldades para aumentar a arrecadação e a resistência política aos cortes de gastos. A crítica principal dos economistas recai sobre a estratégia do governo de tentar reequilibrar as contas apenas por meio do aumento de tributos, em vez de enfrentar o problema estrutural do crescimento das despesas obrigatórias. A derrota do governo na votação do IOF deixou claro que o Congresso não pretende aprovar qualquer medida que implique aumento de impostos, sobretudo no ano pré-eleitoral. Para evitar um colapso, os economistas defendem a retomada urgente do debate sobre uma reforma administrativa, a revisão de subsídios e o controle efetivo das despesas. O tempo, porém, joga contra. Se nada for feito, 2026 já promete ser um ano difícil e, em 2027, a possibilidade de um pagamento administrativo cresce exponencialmente. (g1)
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou ontem que a derrubada do aumento do IOF exigiu novos cortes no orçamento deste ano, mesmo após o governo já ter contingenciado mais de R$ 30 bilhões. Segundo Haddad, na avaliação dos juristas do governo, a decisão do Congresso de revogar o decreto que aumentou o imposto é inconstitucional. Uma saída, afirmou, seria levar a questão ao STF. Caso isso não ocorra, o governo precisará encontrar uma nova fonte de receita ou, simplesmente, realizar mais um corte no orçamento — o que, segundo ele, “vai pesar para todo mundo”. (Globo)
A possibilidade de o governo judicializar a decisão do Congresso acirrou ainda mais o clima de tensão tanto na Câmara quanto no Senado. Deputados e senadores vieram a público afirmar que o governo estaria cometendo um grave erro caso decidido não respeitar a decisão dos parlamentares. O presidente dos Republicanos, Marcos Pereira (SP), declarou que levar o caso ao STF seria um “movimento perigoso”. Pereira preside o partido ao qual também pertence o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB). (Metrópoles)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por sua vez, tenta transformar uma grande derrota parlamentar de seu governo em um ativo político para as eleições de 2026. Lula quer passar ao eleitorado a mensagem de que o Congresso tem legislado em favor dos mais ricos, em detrimento dos mais pobres. Em sua conta oficial nas redes sociais, o debate começou a ser apresentado por meio de histórias em quadrinhos, nas quais dois personagens conversaram sobre o aumento de impostos. A conclusão da narrativa é que o governo busca justiça tributária e quer que “quem tem mais pague mais”. (Estadão)
Vera Magalhães: "Os últimos dias foram marcados por lances em que a política foi posta de lado, e o fígado das principais autoridades do país disse as manobras e as decisões, com graves consequências para as contas públicas e para a vida dos brasileiros. É preciso que todos os lados parem de secretar tanta bile e voltem a agir com racionalidade." (Globo)
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