Veja abaixo as últimas movimentações do caso e o que se sabe e o que falta saber:
O relatório do TCE, apresentado em junho, colocou 18 mil inscrições sob suspeita e identificou que 832 alunos bolsistas integrais têm renda incompatível para acesso às vagas dos programas. As famílias beneficiadas irregularmente têm renda acima de um milhão e são donas de empresas e bens como carros de luxo e lanchas.
O caso foi divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) em 11 de junho. O órgão analisou as inscrições dos alunos feitas em 2024 e identificou diversas inconsistências e indícios de fraude em 18.383 cadastros. O número equivale à metade das matrículas feitas em 2024.
Os programas são recentes, criados em 2023 pelo atual governador Jorginho Mello (PL) e semelhantes entre si. São eles: Universidade Gratuita e Fundo Estadual de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior Catarinense (Fumdesc).
O governo compra vagas na rede privada e destina a estudantes em vulnerabilidade e que atendam critérios sociais e de renda, como até quatro salários mínimos de renda per capita. A única exceção é o curso de medicina, que prevê renda de até oito salários mínimos per capita.
As principais diferenças são:
Ambos os programas levam em conta, para a seleção: renda familiar per capita; situação de desemprego do aluno ou responsável legal; bens do grupo familiar; número de pessoas do grupo familiar; ser natural do estado ou morar no território catarinense há no mínimo cinco anos; e renda familiar per capita.
Na terça-feira (24), a Secretaria de Estado da Educação (SED) apresentou dados sobre os programas na Assembleia Legislativa (Alesc). A audiência pública reuniu deputados, governo, entidades educacionais e estudantes.
O estado também fará a reavaliação do cálculo que compõe o índice de carência do estudante e está trabalhando na criação de um portal da transparência com todas as informações referentes aos programas: editais, listas, relatórios, contrapartidas e valores repassados.
Resumo dos problemas encontrados:
Ao divulgar o relatório, o conselheiro e vice-presidente do TCE, José Nei Ascari, alertou sobre o parecer: "Claro que há falhas no próprio processo de concessão e de fiscalização, atribuídas tanto às instituições educacionais quanto às estruturas do governo" (assista mais abaixo).
O relatório do TCE será enviado ao Ministério Público e à Receita Federal para a abertura de processos e responsabilizações.
O governo de Santa Catarina informou que solicitou à Polícia Civil o acesso aos dados do relatório do TCE para iniciar investigação visando descobrir se estudantes utilizaram documentação falsa.
Também serão apuradas, segundo o governo, supostas consultorias criadas para facilitar o acesso ao Universidade Gratuita mediante pagamento. A investigação será conduzida pela Delegacia de Defraudações.
Em paralelo, uma parceria entre a Secretaria da Educação (SED) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) foi criada para "identificar pontos de atenção a partir do cruzamento de informações entre sistemas".