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Alunos milionários e 18 mil matrículas sob suspeita: o que se sabe sobre indícios de fraude no pr

Quinta, 26 de junho de 2025


 

 

Alunos milionários e 18 mil matrículas sob suspeita: o que se sabe sobre indícios de fraude no programa Universidade Gratuita em SC

Além do Universidade gratuita, Fumdesc também foi alvo de apuração pelo TCE. Os dois programas oferecem bolsas a alunos que se enquadram em critérios sociais e de renda.

 

Veja abaixo as últimas movimentações do caso e o que se sabe e o que falta saber:

 

  1. Quando as inconsistências foram divulgadas?
  2.  
  3.  
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  5.  Após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontar mais de 800 alunos milionários entre os beneficiados por bolsas de estudo bancadas pelo estado, o governo de Santa Catarina detalhou mudanças na última terça-feira (24) nos dois programas de educação superior, um deles o Universidade Gratuita - que é voltado à estudantes incapazes de custear os estudos.

    O relatório do TCE, apresentado em junho, colocou 18 mil inscrições sob suspeita e identificou que 832 alunos bolsistas integrais têm renda incompatível para acesso às vagas dos programas. As famílias beneficiadas irregularmente têm renda acima de um milhão e são donas de empresas e bens como carros de luxo e lanchas.

  6. Quais são os programas do governo que oferecem as bolsas?
  7. Qual é a última atualização sobre o caso?
  8. Quais foram as principais suspeitas encontradas?
  9. Quais foram as suspeitas de maior destaque em relação ao patrimônio dos estudantes?
  10. O que o TCE falou sobre o processo criado pelo governo?
  11. O que diz o governo de Santa Catarina?

 

 

Quando as inconsistências foram divulgadas?

 

O caso foi divulgado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) em 11 de junho. O órgão analisou as inscrições dos alunos feitas em 2024 e identificou diversas inconsistências e indícios de fraude em 18.383 cadastrosO número equivale à metade das matrículas feitas em 2024.

 

Quais são os programas do governo que oferecem as bolsas?

 

Os programas são recentes, criados em 2023 pelo atual governador Jorginho Mello (PL) e semelhantes entre si. São eles: Universidade Gratuita e Fundo Estadual de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior Catarinense (Fumdesc).

O governo compra vagas na rede privada e destina a estudantes em vulnerabilidade e que atendam critérios sociais e de renda, como até quatro salários mínimos de renda per capita. A única exceção é o curso de medicina, que prevê renda de até oito salários mínimos per capita.

As principais diferenças são:

 

  • Universidade Gratuita se destina somente aos cursos de graduação prestados pelas fundações e autarquias municipais universitárias e por entidades sem fins lucrativos de assistência social. As bolsas são integrais.
  • Fumdesc destina recursos a cursos de graduação oferecidos por instituições de ensino superior mantidas por pessoas jurídicas de direito privado e outras instituições universitárias. Bolsas parciais ou integrais.

 

Ambos os programas levam em conta, para a seleção: renda familiar per capita; situação de desemprego do aluno ou responsável legal; bens do grupo familiar; número de pessoas do grupo familiar; ser natural do estado ou morar no território catarinense há no mínimo cinco anos; e renda familiar per capita.

 

Qual é a última atualização sobre o caso?

 

Na terça-feira (24), a Secretaria de Estado da Educação (SED) apresentou dados sobre os programas na Assembleia Legislativa (Alesc). A audiência pública reuniu deputados, governo, entidades educacionais e estudantes.

O estado também fará a reavaliação do cálculo que compõe o índice de carência do estudante e está trabalhando na criação de um portal da transparência com todas as informações referentes aos programas: editais, listas, relatórios, contrapartidas e valores repassados.

Quais foram as principais suspeitas encontradas?

 

Resumo dos problemas encontrados:

 

  • 4.430 alunos com inconsistência de renda declarada; 832 alunos com renda superior a R$ 1 milhão;
  • 1.699 alunos com possível vínculo empregatício;
  • 218 alunos com indícios de naturalidade divergente;
  • 117 alunos não naturais de Santa Catarina com indícios de residência em cidades de outras unidades da federação;
  • 18 alunos com CPF de familiar com registros de óbitos;
  • 302 alunos como integrantes do grupo familiar divergente entre CadÚnico, Universidade Gratuita e Fumdesc;

 

 

Quais foram as suspeitas de maior destaque em relação ao patrimônio dos estudantes?

 

 

  • 15.281 alunos com divergência sobre as informações patrimoniais.
  • Aluno pertencente a grupo familiar proprietário de carro de luxo avaliado em R$ 600 mil;
  • Aluno pertencente a grupo familiar proprietário de carro de luxo avaliado em R$ 547 mil;
  • Aluno pertencente a grupo familiar proprietário de carro de luxo avaliado em R$ 735 mil;
  • Alunos pertencentes a sete grupos familiares com empresas de capital social entre R$ 10 milhões e R$ 21 milhões;
  • Aluno pertencente a grupo familiar com imóvel avaliado em R$ 30 milhões;
  • Aluno pertencente a grupo familiar com imóvel avaliado em R$ 29 milhões;
  • Alunos com grupos familiares donos de lanchas e motos aquáticas com preços variando entre R$ 80 mil e R$ 202 mil.

O que o TCE falou sobre o processo criado pelo governo?

 

Ao divulgar o relatório, o conselheiro e vice-presidente do TCE, José Nei Ascari, alertou sobre o parecer: "Claro que há falhas no próprio processo de concessão e de fiscalização, atribuídas tanto às instituições educacionais quanto às estruturas do governo" (assista mais abaixo).

O relatório do TCE será enviado ao Ministério Público e à Receita Federal para a abertura de processos e responsabilizações.

O que diz o governo de Santa Catarina?

 

O governo de Santa Catarina informou que solicitou à Polícia Civil o acesso aos dados do relatório do TCE para iniciar investigação visando descobrir se estudantes utilizaram documentação falsa.

Também serão apuradas, segundo o governo, supostas consultorias criadas para facilitar o acesso ao Universidade Gratuita mediante pagamento. A investigação será conduzida pela Delegacia de Defraudações.

Em paralelo, uma parceria entre a Secretaria da Educação (SED) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) foi criada para "identificar pontos de atenção a partir do cruzamento de informações entre sistemas".



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