É AMANHÃ! Lucas Ferraz e Diego Bonomo discutem papel do Brasil em meio à guerra comercial em live da FecomercioSP
Federação tem agenda para abertura comercial brasileira que vai, justamente, na contramão de medidas protecionistas de governo dos EUA
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) vai reunir, nesta sexta-feira (30), às 10h, dois grandes especialistas em Relações Internacionais: Lucas Ferraz, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, entre 2019–2022, e professor na Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EESP), e Diego Bonomo, assessor sênior do escritório Covington & Burling LLP, em Londres, na Inglaterra.
A conversa será em uma live transmitida ao vivo no canal da Entidade no Youtube. Para participar com perguntas e sugestões de temas, é preciso fazer inscrição aqui.
O evento faz parte dos debates promovidos pelo Conselho Superior de Economia, Sociologia e Política (CSESP) e pelo Conselho de Relações Internacionais (CRI), da FecomercioSP.
A ideia é que eles discutam, principalmente, a participação do Brasil no jogo global, uma vez que o País, ainda que já tenha uma posição consolidada em mercados como o da China, ainda tem potencial de explorar novos setores, como petróleo e aeronaves comerciais.
Para isso, no entanto, o Brasil precisa superar gargalos em logística, na burocracia e na capacitação. Ferraz e Bonomo ainda vão debater as perspectivas que se abrem ao País em setores de energia sustentável, de alimentos e de insumos industriais.
Abertura comercial como agenda institucional
A FecomercioSP tem defendido, desde que o governo de Donald Trump, nos EUA, passou a impor tarifas a diferentes países do mundo, que, apesar de lamentáveis, as medidas abrem uma janela de oportunidade para o Brasil ampliar a presença nas cadeias globais de valor e se inserir com mais força no jogo de trocas internacionais, fazendo, justamente, o movimento oposto ao dos EUA.
A Entidade vem discutindo há alguns meses, com autoridades, sociedade civil e empresas, uma ampla agenda de abertura comercial, que, nesse contexto, é fundamental para o desenvolvimento nacional.
Alguns números ajudam a entender o cenário. Há quase meio século, a participação brasileira no mercado internacional é pequena, flutuando em torno de 1,5% de toda a corrente de comércio global. Além disso, dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) referentes ao ano de 2023 (último dado disponível) mostram que o Brasil é apenas o 24º maior exportador do mundo e o 27ª colocado no ranking de importações. Tudo isso mesmo tendo o nono maior Produto Interno Bruto (PIB) do planeta.
Isso acontece porque o Brasil se manteve inerte frente às transformações ocorridas no comércio internacional desde a década de 1990, período marcado pela inexistência de uma política externa e comercial que contemplasse os principais interesses da economia brasileira.
Assim, enquanto grande parte das nações promoveu mudanças nas estruturas tarifárias, reduzindo as taxas de importação sobre bens intermediários e de capital, o que permitiu o surgimento das cadeias globais de valor e de produtos made in world, o País seguiu apostando no modelo de escalada tarifária, sob uma visão mercantilista de que exportar é bom e importar é ruim, que culminou no chamado adensamento das cadeias domésticas, ou seja, o produto é inteiramente produzido dentro do País.
O resultado disso é um mercado fechado, com baixa produtividade e totalmente fora dessas cadeias.
SERVIÇO
Live | A estratégia do Brasil na guerra comercial
Data: 30 de maio (sexta-feira)
Horário: 10h
Transmissão: canal da FecomercioSP no YouTube