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Alfabetizadores atuam para manter vínculo dos pequenos com o mundo das letras durante isolamento

Quinta, 04 de junho de 2020

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A educação em tempos de isolamento social se torna ainda mais desafiadora para crianças que estão em alfabetização. O ciclo inicial contempla alunos do 1º e 2º ano dos anos iniciais do Ensino Fundamental. A atuação da Secretaria de Estado da Educação (SED) para esse momento de pandemia e suspensão das atividades presenciais tem focado na manutenção do vínculo com esses alunos e da familiaridade com o processo de leitura e escrita.

Atualmente, 42.692 alunos estão matriculados no 1º e 2º anos do Ensino Fundamental em escolas estaduais, sendo atendidos por 1.600 professores da rede em todo o estado. Para os profissionais que atuam com a faixa etária entre 6 e 8 anos, a meta principal é promover atividades não-presenciais que insiram a criança no mundo da escrita, desenvolvendo habilidades como a autonomia, ainda que somente na perspectiva da oralidade, quando o aluno ainda não sabe ler. Outro objetivo proposto aos professores é estimular o envolvimento dos adultos por meio de atividades lúdicas com seus filhos.

A gerente de Gestão da Educação Fundamental, vinculada à Diretoria de Ensino da SED, Paula Cabral, explica que a Secretaria tem orientado os professores dos anos iniciais a trabalharem ações cujo objetivo não é alfabetizar a distância, mas gerar interação das crianças e suas famílias com a escola. “Esse contato com os professores pode fazer toda a diferença no retorno às aulas, para a continuidade do processo de alfabetização no contexto presencial”, pontua.

Formações on-line têm conteúdo sobre anos iniciais

Um ciclo de formações on-line para os professores da rede foi promovido pela SED entre os meses de abril e maio, totalizando 40 horas/aula. Para os profissionais dos anos iniciais do Ensino Fundamental o destaque foi o webinar com a professora doutora Otilia Lizete de Oliveira Martins Heinig, com o tema Práticas pedagógicas nos anos Iniciais, que abordou os eixos de aprendizagem que compõem a alfabetização: oralidade, escrita, leitura e análise linguística. O vídeo está disponível no canal das formações no YouTube, neste link.

A resiliência e adaptação têm sido características necessárias para os profissionais da educação neste período: “Estamos apoiando de todas as formas os professores da nossa rede, que estão passando por um grande processo de reinvenção e ressignificação de seu trabalho pedagógico. Nesse período, o professor tem mais um importante papel: representar a presença da escola na vida dos alunos e de suas famílias”, salienta a diretora de Ensino da SED, Zaida Rabello. O segundo ciclo de formações on-line, que inicia na segunda quinzena de junho, deve incluir outros temas relativos aos anos iniciais.

Para ampliar o repertório e encorajar os professores diante do uso das tecnologias, a diretoria de Ensino da SED ofertou ainda um documento de orientação específica aos educadores anos iniciais. Além de conteúdos pedagógicos, o documento inclui referências a materiais de livre acesso que podem ser utilizados, como plataformas, canais de contação de histórias, entre outros recursos.

Compartilhamento de experiências entre professores

O espaço de formação on-line no site da SED também contou com o compartilhamento de práticas entre professores, chamado de Mosaico de Experiências. O educador Ingobert Vargas de Souza, contador de histórias e mestre em Educação, foi um dos participantes do Mosaico. Ele explica que as aulas precisaram ser repensadas em uma perspectiva remota, mas levando em consideração que as crianças dessa etapa de ensino sequer sabem ler e escrever. Ele atua como professor do 2º e 5º anos dos anos iniciais na Escola de Ensino Fundamental Severo Honorato da Costa, em Florianópolis. A escola está localizada no bairro Pântano do Sul, em uma comunidade de pescadores no sul da Capital catarinense. Não adaptadas a computadores, as famílias do 2º ano optaram por usar apenas smartphones.

Dessa forma, o professor Ingo, como é conhecido, iniciou seus trabalhos encaminhando pelo celular acesso a leituras digitais, registros fotográficos e audiovisuais dos exercícios de leitura. As primeiras atividades encaminhadas foram exercícios de revisão daquilo que as crianças já haviam feito em sala de aula presencial, mas adaptado à realidade familiar. Como no 2º o foco é a alfabetização, o professor partiu do prazer pelo texto e avançou para atividades mais complexas, como registro escrito de pequenos textos e letra cursiva. “Isso não significa que estamos desvalorizando outras áreas do conhecimento. Pelo contrário, a ideia é levar a criança a se perceber leitora e avançar em questões de matemática, ciências, história, geografia e ensino religioso”, esclarece o professor.

Ingo também criou um canal de contação de histórias na plataforma Youtube, o “Um pingo de Histórias”.

Em diferentes cenários, o professor conta histórias para gerar prazer nas crianças pelo texto e, a partir daí, mobilizar ações que resultem em letramento literário. O desafio tem sido manter a motivação das crianças nas ações sem a mediação direta do professor. O educador conta que as relações com os pais modificaram-se bastante durante o período de isolamento social, já que o contato com as famílias passou a ser diário e os professores precisam, além de passar atividades para os alunos, auxiliar os pais na realização dos exercícios, visto que os estudantes ainda não leem. “As famílias têm exercido papel fundamental nessa questão. Estão todos envolvidos e participando, mas é evidente que precisaram passar por adequações de rotina para esse envolvimento. Não é algo resolvido ainda, mas melhora a cada nova orientação”, explica.

>>> Veja a participação do professor Ingobert Vargas na Webinar da SED: “Tecendo um mosaico de experiências em Linguagens”.

Outra professora que tem utilizado materiais em vídeo é Ana Paula Bueno, do 2º ano da EEB Luiz Coradi, em Xanxerê. Ela costuma compartilhar vídeos que ela mesma grava, como por exemplo, instruções de como fazer um ábaco (instrumento de cálculos matemáticos) em casa, com materiais simples. Depois de assistir aos vídeos, os alunos enviam fotos da montagem de seu próprio ábaco: “Além de usar o Google Meet para fazer as atividades on-line diariamente com minha turma, encaminho em um grupo da turma por um aplicativo de mensagens instantâneas, para os alunos que, por algum motivo, não podem acompanhar pela internet”. Para alunos da rede estadual sem acesso à internet a SED realiza a entrega de material impresso durante o período de isolamento social. As apostilas com as atividades preparadas pelo professor são distribuídas ao aluno, pais ou responsáveis em datas e horas agendadas, com um prazo para a entrega na escola.

O compartilhamento de vídeos gravados também tem sido a alternativa usada pela professora Rosilene Jerônimo Calegari da Rosa, do 1º ano do Instituto Estadual da Educação. Entre os conteúdos trabalhados estão as consoantes e sílabas, além de atividades como ditados de palavras.

Na avaliação do professor Ingo Vargas este período de atividades não-presenciais tem sido de grande aprendizado: “Estamos avançando com cuidado, pois é tudo muito novo para nós, mas já temos bons resultados neste processo”, finaliza.



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