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Padre Antônio Taliari
Jornalista (DRT 3847/SC)
Missionário em Rondônia, estudando em Curitiba/PR
EVANGELHO: Os chefes zombavam de Jesus dizendo: "A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o Escolhido"! Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, e diziam: "Se és o rei dos judeus, salve-se a ti mesmo"! Acima dele havia um letreiro: "Este é o Rei dos Judeus". Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: "Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós"! Mas o outro o repreendeu, dizendo: "Nem se quer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal"! E acrescentou: "Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado". Jesus lhe respondeu: "Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso" (Lc 23,35-43).
Vamos considerar uma unidade literária um pouco maior que proposta, no evangelho de domingo de 'Cristo Rei do Universo', que vai da chegada ao Calvário à morte na cruz (Lc 23,33-43). As primeiras e as últimas palavras de Jesus na cruz dirigidas ao Pai: pede perdão ao Pai pelos que o crucificaram (Lc 23,34) e entrega a vida em suas mãos (Lc 23,46). Entre as duas, uma palavra de solidariedade com os irmãos perdidos (Lc 23,43). Fala da realeza de Jesus, princípio da nossa salvação. Do seu trono, a 'Cruz', ele pronuncia o julgamento de Deus sobre os inimigos: perdoa e doa o Reino aos malfeitores.
Esta é a pista certa para compreendermos em que sentido Jesus é rei e que salvação nos traz. É um rei que exerce seu domínio servindo. É um rei cujo único poder é o poder de amar e amar até a morte. É um rei que não apela aos seus súditos para safar-se da morte, uma vez que justamente nela que ele nos salva. É um rei que reina neste mundo, mas não é deste mundo, pois reina de maneira qualitativamente nova. A sua salvação não é exatamente a que nós esperamos. É a de um Deus que se faz condenar à nossa mesma pena para poder estar conosco e levar-nos consigo à pátria da vida e da liberdade.
No alto da cruz, Jesus realiza o Reino anunciado na planície (Lc 6,20-38). Pobre, faminto, chorando, odiado, bandido, insultado e rejeitado como criminoso, Jesus ama os inimigos, faz-lhes o bem, abençoa-os, roga em seu favor, resiste ao mau carregando-o, dispõe-se a sofrer o tanto que for necessário desde que não tenha que restituir o mal com mal, dá aos outros a salvação que cada um queria segurar para si. É assim que Jesus é rei. É assim que Jesus reina. A sua realeza, de fato, revela a graça e a misericórdia de Deus: o Filho age como o Pai, não julga, não condena, perda e dá a vida pelos irmãos e irmãs.
Jesus é mártir, pois testemunha o amor do Pai por todos os filhos e filhas. Sendo e agindo assim, abre-nos o Reino. Sua cruz de justo justifica todos os injustos e salva o mundo perdido. Sua vida e sua morte são revelação e proximidade de um Deus que é amor gratuito: na sua misericórdia, faz-se próximo do pecador.
22/11/10 - Seg: Ap 14,1-3.4b-5 - Sl 23 - Lc 21,1-4
23/11/10 - Ter: Ap 14,14-49 - Sl 95 - Lc 21,5-11
24/11/10 - Qua: Ap 15,1-4 - Sl 97 - Lc 21,12-19
25/11/10 - Qui: Ap 18,1-2.21-23;19,1-3.9a - Sl 99 - Lc 21,20-28
26/11/10 - Sex: Ap 20,1-4.11.21,2 - Sl 83 - Lc 21,29-33
27/11/10 - Sáb: Ap 22,1-7 - Sl 94 - Lc 21,34-36