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No Mundo da Lua - Sônia Pillon


Sônia Pillon nasceu em Porto Alegre e há duas décadas reside em Jaraguá do Sul. 

Formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduação em Produção de Texto pela Univille.

Atuou como repórter, editora, redatora e assessora de imprensa  no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Por mais de 10 anos atuou no jornal A Notícia.  

Sempre se dedicou à literatura e às ações culturais. É autora de “Crônicas de Maria e outras tantas – Um olhar sobre Jaraguá do Sul” e “Encontro com a paz e outros contos budistas”, com participação em antologias de contos, crônicas e poesias.

Publica no Jornal Evolução, no blog soniapillon.blogspot.com e na fanpage "Sônia Pillon Escritora". 

É Presidente de Honra da Seccional Jaraguá do Sul da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina (ALBSC). Integra o Grupo Gestor do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) Mestre Manequinha e o Conselho Municipal dos Direitos do Idoso de Jaraguá do Sul.


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O armário está mais leve

Sexta, 26 de outubro de 2018

 

Toda a vez que abria meu armário, ficava com a certeza de que precisava separar um tempinho a mais do dia para me desfazer de algumas roupas e acessórios. Peças antigas, “que já não servem mais”, como cantava a saudosa Elis Regina. Sabia que precisava conferir, peça por peça, devagar e criteriosamente. Liberar o espaço, desapegar. Um dos argumentos a meu favor, pela relutância em “soltar” alguns itens, é que sou cuidadosa com meus pertences. Pelo menos, procuro ser.

Sempre me perguntava se não era uma espécie de inércia em desovar, com as roupas, uma parte do passado. De tudo aquilo de bom que passou e não volta mais, a não ser pelas lembranças, que sopram como brisa e geralmente chegam sem avisar.

Quinquilharias, adornos de todo o tipo, bijuterias esquecidas em caixinhas, cartões, fotografias... Fragmentos do que já vivi. Um verdadeiro mosaico de momentos alegres, marcantes, solenes, tristes, amargos. Pensando bem, faz sentido. De forma inconsciente, muitas vezes guardamos em caixinhas pretas o que somente nós temos a chave.

Não me considero uma acumuladora compulsiva, dessas que compram freneticamente e deixam os roupeiros abarrotados.  A “falta de tempo”, ou a falta de organização para com o relógio diário, bem poderia ser outra justificativa em minha defesa. Por ter demorado tanto para dar outro destino a tudo o que não fazia mais sentido estar lá, ocupando um espaço tão precioso.

Todavia, do montante descartado do armário, uma peça se destacava entre as demais, e toda a vez que a via, ecoava em mim, em alto e bom som: “Isto não te pertence mais!”. Preta, longa, formal, pesava muito mais do que qualquer outra no meu armário. Nas últimas vezes que a vesti, a sentia como se carregasse chumbo sob meus ombros.

Semana passada chegou o momento de passar adiante aquela escura e pesada vestimenta, que por três anos usei com muito orgulho. Etapa vivida, etapa cumprida...  Por isso decidi liberar, e me libertar, daquela digna toga. E desde então, sinto que o armário está mais leve.

 

 

 

 

 



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