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Educação: Uma banana para os governos

Sexta, 20 de maio de 2011

Alunos e professores foram às ruas centrais de São Bento protestar contra o Estado e contra a Administração Municipal

 

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Manifesto de quarta-feira concentrou-se na rua Jorge Lacerda; hoje tem mais, conforme a União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Bento do Sul (Fotos Elvis Lozeiko/Evolução)
 

Um protesto surpreendeu a todos na quarta-feira de manhã, na área central de São Bento do Sul. Um grupo de estudantes, primeiramente oriundos do colégio Professor Roberto Grant, do Centro, fechou a rua Jorge Lacerda (da prefeitura). Os estudantes entoaram gritos de ordem, do tradicional "O povo, unido, jamais será vencido!" às palavras "alunos na rua: governo, a culpa é sua". Os manifestantes pedem tanto o passe livre no transporte urbano como estão apoiando a greve dos professores da rede estadual. "Os professores não são otários, pois abono não é salário", gritaram. A Polícia Militar chegou logo depois da interdição da rua Jorge Lacerda, tolerando o fechamento por alguns minutos mas depois negociando a liberação de pelo menos uma das pistas.

Além do manifesto direcionado ao governo do Estado, os alunos ainda foram para frente da prefeitura cobrar a presença do prefeito Magno Bollmann (PP) e do vice Flávio Schuhmacher (DEM). "Magno, cadê você? Eu vim aqui só para te ver" e "Flávio, cadê você? Eu vim aqui só para te ver", repetiram os jovens do Ensino Médio. Nesse momento, alunos do colégio Celso Ramos, de Oxford, já estavam participando do protesto também. O prefeito Magno, no momento, estava em Florianópolis, em uma audiência na Fundação Catarinense de Cultura, cujo tema principal era a reforma do Centro Cultural Dr. Genésio Tureck. O vice Flávio aparece pouco na prefeitura - embora continue recebendo seu salário de quase R$ 5,9 mil. Flávio se diz o "representante do governador" Raimundo Colombo na região.

 

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Professor de Sociologia do Roberto Grant, Diego Alves da Silva, o "Mandrake", registrou aos estudantes: "Vocês não estão aprendendo História - vocês estão fazendo História"
 

HISTÓRIA

Professor de Sociologia do Roberto Grant, Diego Alves da Silva, de 28 anos, o "Mandrake", foi irônico ao discursar com uma penca de bananas. "É isso que dá para comprar com o salário de professor", disse. Antes, porém, comentou aos seus alunos, também empunhando o microfone: "Vocês não estão aprendendo História - vocês estão fazendo História". Ele foi bastante aplaudido pelos estudantes. Ontem, por telefone, ele comentou que ao comprar a penca de bananas estava, na realidade, usando uma metáfora tanto para criticar o governo estadual quanto a Administração Municipal. "Ou a gente come banana e anda a pé ou anda de ônibus e fica com fome", disparou. Lideranças e membros da UMES - União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Bento do Sul participaram ativamente do protesto.

Cerca de dez professores acompanharam a manifestação. Entre eles, o também vereador Josias Terres, do DEM, partido do governador Raimundo Colombo. À imprensa, Josias enviou uma nota, se explicando. "Sou professor há dezoito anos e desde o início de minha carreira no magistério acompanho e participo pela melhoria da qualidade tanto do ensino quanto o reconhecimento salarial da classe. Durante todos esses anos entrou governo e saiu governo, e todos falaram em valorização dos professores, sem uma atitude concreta e sempre um passando para o outro, como acontece agora em que foi passado ao nosso governador Raimundo Colombo", comenta.

 

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Passe livre também foi reivindicado durante o ato
 

DIFICULDADES

"Nas minhas manifestações em prol de minha classe e por mim (...), não devo me furtar em me manifestar como professor, independente de minha participação partidária/política, momento esse em que não posso deixar meus colegas professores na mão. Enganam-se alguns que, no afã de prejudicar-me, tentam vincular uma coisa com a outra. Sou do partido do governador do Estado, entendo que o Estado tem dificuldades, porém o professor já está no aguardo há muitos anos". Josias complementa: "Como agora o Supremo Tribunal Federal deu ganho de causa para o Piso Salarial Nacional aos professores, acredito, portanto, que a lei deva ser cumprida também em Santa Catarina".

 

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Após a chegada da PM, uma das pistas da rua Jorge Lacerda foi liberada para os veículos
 

RESPONSABILIDADE

A gerente regional de Educação, Marlize Conte, disse ontem à tarde que das 45 escolas dos sete municípios da 25ª Secretaria Regional (São Bento, Rio Negrinho, Campo Alegre, Mafra, Itaiópolis, Monte Castelo e Papanduva), dezessete aderiram à paralisação, "total ou parcialmente". Marlize declarou que, no momento, não vê "necessidade de paralisação, porque eles (professores) ganharam na Justiça" o direito ao recebimento do Piso Nacional da categoria. A gerente regional afirmou que após a publicação do acórdão no Diário Oficial o governador Raimundo Colombo deve se reunir com a Secretaria da Fazenda para discutir o impacto orçamentário para cumprimento da lei - observando também a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impõe limites ao gasto com pessoal.

Marlize pede que os profissionais "respeitem quem quer trabalhar" e "que haja diálogo com os diretores", lembrando que a questão educacional não envolve apenas o assunto salarial, mas inúmeros outros, como a reposição de aulas e a responsabilidade por liberar alunos nos dias parados, por exemplo.  A rede estadual de São Bento, conforme Marlize, é composta pelos seguintes estabelecimentos: Carlos Zipperer Sobrinho (Centenário), Celso Ramos Filho (Oxford), Frederico Fendrich (Serra Alta), São Bento (Centro), Roberto Grant (Centro), Orestes Guimarães (Centro) e João Ropelato (Serra Alta).

 

NOVO ATO

Destes, apenas profissionais do Orestes não aderiram à paralisação, de acordo com Marlize. Ainda conforme ela, no colégio São Bento os professores aderiram parcialmente à greve, com aulas de 30 minutos - normalmente são 45. Ao todo, segundo Marlize, cerca de oitenta e cinco professores que atuam em São Bento aderiram à paralisação, total ou parcialmente. O presidente da União Municipal de Estudantes Secundaristas de São Bento do Sul, José Adolfo Linhares Trentini, disse na quarta-feira, durante a manifestação nas ruas centrais de São Bento do Sul, que "os protestos vão continuar". Ontem, no início da noite, ele confirmou ao Evolução que nova manifestação está marcada para hoje, sexta-feira, às 9:00, com concentração na praça Getúlio Vargas. Conforme ele, já estão confirmadas as presenças de alunos do Roberto Grant e do Celso Ramos novamente, mas alunos de outras escolas também devem participar do novo ato. (Por Elvis Lozeiko) 



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