Iniciado no município no ano de 2002 o Programa de Acolhimento Familiar Família Acolhedora é referência no Brasil e atrai a atenção de diversos municípios que vem até São Bento do Sul para conhecer o modelo aplicado.
Na última quinta-feira (21), por exemplo, o juiz da Vara da Infância e Juventude de São Bento do Sul, Dr. Rafael Espíndula Berndt, acompanhado dos integrantes da equipe de serviço social do Fórum, Isabel Bittencourt e Tiago Iraton da Silva, estiveram realizando uma visita às equipes da Secretaria de Assistência Social do município.
Na visita, Dr. Rafael conversou com equipes do Conselho Tutelar, CREAS - Centro de Referência Especializado de Assistência Social, PAEFI - Programa de Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos e com as integrantes do Família Acolhedora.
Conforme comentou a diretora do CREAS Marilene Strapassoni, a visita foi para que o novo juiz da Comarca, Dr. Rafael, pudesse conhecer e conversar com as equipes da Assistência Social. "Como o Dr. Rafael chegou ao prédio pela sala do Família Acolhedora, iniciamos a visita por ali, e a conversa foi muito positiva, pois o programa é referência nacional e tem uma ótima sintonia com o Poder Judiciário aqui no município", disse Marilene.
Nesta visita Dr. Rafael teve a oportunidade de conversar com a equipe do Serviço de Acolhimento Familiar composta pelas profissionais:
Lucinda Isabel Zöllner Krohl, coordenadora; Viviane Aparecida Hinke, assistente Social; Claudicéia F. de Oliveira Terres, pedagoga, e Maiara Dufloth Pelissa, psicóloga.
Apresentação na AMUNESC
Atendendo ao convite da AMUNESC, a equipe do Serviço de Acolhimento Familiar esteve na última semana realizando uma apresentação do programa para todos os municípios integrantes da AMUNESC, na sede da associação em Joinville.
Conforme comentou a coordenadora Lucinda Isabel Zöllner Krohl, "foi uma oportunidade muito especial, participamos de uma roda de conversa sobre acolhimento para crianças e adolescentes, e apresentamos o programa para diversos municípios que estão interessados em efetivamente aplicar o Família Acolhedora em suas estruturas", disse.
Família Acolhedora
O Serviço de Acolhimento Familiar, ou Família Acolhedora de São Bento do Sul conta atualmente com 21 famílias habilitadas, porém, há necessidade da participação de mais famílias para acolher crianças e adolescentes de 0 a 18 anos.
Através deste serviço, famílias cadastradas de forma voluntária acolhem crianças ou adolescentes temporariamente.
Estas crianças ou adolescentes, em situação de direitos violados, permanecem acolhidas com as famílias acolhedoras até que retornem às suas famílias ou, nos casos mais extremos, sejam destituídas e posteriormente adotadas por novas famílias.
Conforme as integrantes da equipe, hoje o programa necessita de mais famílias acolhedoras no município.
Para tanto, é necessário que os interessados procurem a equipe do programa na Secretaria Municipal de Assistência Social, e lá todas as informações são repassadas para avaliar as famílias interessadas em participar.
Dados do programa
Durante a apresentação realizada na AMUNESC, a equipe do serviço de Acolhimento Familiar apresentou dados históricos atualizados, conforme segue:
De julho de 2002 até abril de 2018 passaram pelo serviço um total de 161 crianças e adolescentes.
Dentre às causas que leva ao acolhimento, as que mais incidem são negligência e dependência química, porém, são registradas também situações de abusos físicos ou psicológicos, abandono, abuso sexual, dentre outras.
Destas 161 crianças ou adolescentes, 82 foram do sexo feminino e 79 do sexo masculino, e 68,3% destes, ou seja, 113 crianças ou adolescentes tem entre 0 e 5 anos de idade.
Nas demais faixas de idade, 4 crianças eram de 6 a 11 anos; 14 de 12 a 15 anos; e 33 de 16 a 18 anos.
Outro dado constatado foi o período de permanência das crianças e adolescentes no serviço de acolhimento. Conforme o levantamento realizado, 24,1% permaneceu menos de 1 mês; 20,4% permaneceu de 2 a 6 meses; 31,4% permaneceu de 7 a 12 meses; 13,9% permaneceu de 13 a 24 meses; e 10,2% permaneceu mais de 24 meses.
E quanto aos encaminhamentos dados às crianças e adolescentes desligados do Serviço de Acolhimento Familiar, 42,4% foram reintegrados às famílias; 47,9% foram encaminhados para adoção; 9,5% foram encaminhados para alguma instituição; e 0,7% completaram 18 anos no serviço.
Na data de 14 de junho o Serviço de Acolhimento Familiar contava com 19 crianças acolhidas, sendo 8 grupos de irmãos, todas em 9 das 21 famílias acolhedoras habilitadas.
Quanto ao número de crianças reintegradas em acompanhamento pela equipe, são 13 até o dia 14 deste mês.