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Projeto de escola de Campo Alegre é o grande vencedor do 3º ACAMCINOBR no Rio Grande do Norte

Quinta, 26 de abril de 2018

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“Identificação de fungos liquenizados presentes nos troncos de Araucaria angustifolia da região de Campo Alegre - Santa Catarina”. O nome do projeto é longo, mas as alunas Aline Franke e Carla Roberta Detroz Vieira, do terceiro ano do Ensino Médio da Escola de Educação Básica Lebon Régis, de Campo Alegre, tratam logo de explicar o que ele significa.

“Os fungos liquenizados são associações simbióticas entre um fungo e uma alga. Estas associações resultam em talos que estão presentes principalmente em áreas úmidas e com boa iluminação. Muita gente confunde até com aqueles musgos que têm nas árvores”, esclarece Aline. Em seguida, Carla explica a escolha da Araucária para a realização do projeto. “Principalmente por ela ser uma árvore muito presente na região, e também pelas grandes possibilidades de encontrar nela os fungos liquenizados”, destacou.

Este projeto, que começou a ser delineado há um ano, recebeu em 2017 o terceiro lugar na FEBIC – Feira Brasileira de Iniciação Científica, em Jaraguá do Sul, na área de Ciências Biológicas, sendo credenciado para o 3º ACAMCINOBR - Acampamento Científico do Nordeste Brasileiro, realizado entre os dias 18 e 20 de abril de 2018, na cidade de Portalegre, Rio Grande do Norte. No evento, as alunas receberam o primeiro lugar na categoria de Ciências Biológicas e o primeiro lugar geral. Aline disse que a experiência foi muito diferenciada, principalmente pela cultura e gastronomia. "Ela permitiu conhecer novas pessoas e compartilhar os nossos conhecimentos”, completou. “O que chamou bastante a atenção foi a hospitalidade dos nordestinos. E a feira agregou bastante pelo fato de entrarmos em contato com um povo totalmente diferente, com cultura diferente, e que mesmo assim não impediu de termos uma boa convivência”, complementou Carla.

Com o resultado alcançado no Rio Grande do Norte, as alunas se credenciaram para a FEBRACE – Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, a maior do gênero na América Latina, que será realizada em março de 2019. “Agora vamos partir para as análises químicas e, a partir disso, podemos descobrir muitas coisas, desde as espécies dos fungos liquenizados até as suas utilidades. A gente quer se aprofundar bastante para alcançar uma boa classificação tanto na FEBIC 2018 quanto na FEBRACE 2019”, destacou Carla.

Os professores orientadores, Thiago Alex Dreveck, de Biologia, e Luana Pachechne, de química, explicaram que as feiras de iniciação científica diferem das mostras científicas, pois a iniciação cientifica vale-se da aplicação do método científico, dentro das normas técnicas brasileiras, exigindo a sistematização de ideias e a apresentação de resultados.  

O Projeto Científico          

As alunas explicaram que escolheram o tema, dentre as várias opções apresentadas pelos professores, movidas pela curiosidade despertada em relação aos fungos liquenizados. Elas iniciaram o projeto realizando leituras relacionadas ao tema. Foi quando puderam verificar a quase completa ausência de pesquisas específicas sobre líquens em araucárias.

A partir das leituras elas definiram a metodologia, que consistiu nas saídas de campo e na coleta dos fungos liquenizados em três áreas selecionadas – na região central de Campo Alegre, às margens da rodovia e em um ponto mais afastado do centro urbano. Foram escolhidas 20 árvores por área.

Na etapa seguinte, as alunas fizeram a classificação visual em um mural virtual (padlet) a partir dos tipos de talo e de substratos. Os resultados apontaram para um aumento na variedade de espécies em áreas menos urbanizadas. Com a efetivação da próxima etapa do projeto, envolvendo as análises químicas para a identificação das espécies, as alunas esperam colaborar nas discussões futuras a respeito da conservação dos fungos liquenizados, suas interações com outras espécies, a importância como bioindicadores da qualidade do ar, além de aplicações práticas como cosméticos, corantes e até medicamentos, inclusive no tratamento do cálculo renal.

Incentivo e repercussão

O diretor Paulo Meister destacou a importância do incentivo escolar para fazer com que o aluno saia da sua zona de conforto, expandindo o seu conhecimento. Ele destacou que, após uma resistência inicial, as alunas acreditaram, junto com os professores, no projeto. “O incentivo dos professores à curiosidade, à busca, à teimosia, ao aperfeiçoamento do conhecimento fez com que elas acreditassem no projeto, realizando-o já com o direcionamento para a apresentação na primeira feira em Jaraguá do Sul. Feira esta que foi uma motivação a mais para que elas buscassem todo este conhecimento”, salientou. “Com o terceiro lugar na FEBIC elas conseguiram a credencial para a feira no Rio Grande do Norte. E a escola abraçou a causa também na questão financeira. Buscamos apoio junto à Gerência de Educação da ADR Mafra, que viabilizou a viagem, passagens e estadia, e à Prefeitura, que efetivou os translados necessários, sendo que as inscrições foram bancadas pela APP da escola. Nada mais justo para elas que lutaram e batalharam para chegar aonde chegaram”, finalizou.

“Os alunos e professores envolvidos no projeto projetaram o nome da escola no cenário nacional”, enfatizou a gerente de Educação da Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) de Mafra, Eliane Hübl. “A Gerência de Educação e a ADR trabalharam por aproximadamente três meses para que o projeto se concretizasse. Enquanto a escola trabalho no projeto sob o ponto de vista pedagógico, nós operacionalizamos os procedimentos administrativos para viabilizar a ideia”, finalizou.

O secretário da ADR de Mafra, Abel Schroeder, parabenizou as alunas, bem como os professores e o diretor que trabalharam no projeto. “Sem dúvida alguma é uma grande conquista não só para a escola Lebon Régis, mas também para o estado de Santa Catarina”, enfatizou.

 

Na terça-feira, 24, Carla e Aline realizaram duas apresentações do projeto para todos os seus colegas da EEB Lebon Régis - no turno matutino e vespertino. A expectativa é que o resultado alcançado pelas alunas aguce a curiosidade de muitos outros jovens para que eles possam também abraçar a descoberta e a pesquisa. Esta paixão pelo conhecimento já parece fazer parte da rotina das duas vencedoras. Na entrevista com elas, uma última pergunta buscou descobrir se ambas já definiram o caminho que vão seguir no final do ano, nos processos seletivos e vestibulares que vão prestar. As duas confidenciaram que reviram as suas escolhas e agora vão optar por profissões que se relacionam com a química e a biologia, matérias que direcionaram as suas pesquisas e apontaram novos caminhos para as suas vidas.



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