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IML libera corpos só depois da chegada do ator Thiago Lacerda

Terça, 07 de junho de 2016

Thiago Lacerda tenta liberar corpo de tioThiago Lacerda tenta liberar corpo de tio Foto: Pedro Zuazo

 

O drama que seis famílias enfrentavam no IML, no Centro do Rio, teve um novo desfecho com a entrada de Thiago Lacerda na cena. Por causa de uma paralisação no serviço de necrópsia, o instituto informou que não liberaria mais nenhum corpo na tarde desta terça-feira, e estava prestes a anunciar aos familiares para quais unidades do IML os corpos seriam encaminhados. Às 15h40m, o ator chegou ao instituto para liberar o corpo de um tio, e aí tudo mudou. O diretor do Instituto, Reginaldo Franklin Pereira, reuniu todos os presentes para informar que ele mesmo tiraria o paletó para agilizar a liberação dos corpos ainda nesta terça-feira.

Ao receber a notícia de que o corpo não seria liberado, o ator ficou surpreso e chegou a fazer ligações para tentar agilizar o processo.

— Uma constatação da completa ausência do estado. É muito triste a situação do IML e as condições de trabalho dessas pessoas. A forma como o povo é tratado, como nós, brasileiros, somos judiados pela ausência do estado. É um sinal da falência do estado do Rio e sinto vergonha, como cidadão, como pessoa pública e como pai de família. Faço um apelo aos órgãos responsáveis para reconhecer o estado de emergência absoluta a que chegou o IML. Apesar do estado de calamidade, percebi que há um esforço das pessoas aqui de atenderem ao povo — disse o ator, que explicou que o falecido é seu tio de consideração.

Em poucos minutos, Thiago e os parentes foram chamados para subir à sala de direção e vão permanecer lá até a liberação do corpo. As outras famílias que estão no local reclamaram de tratamento diferenciado.

— Eles tinham dito que não havia condições de fazer a necrópsia e que os corpos seriam encaminhados para outros IMLs. Foi preciso o Thiago Lacerda chegar para o diretor decidir liberar os corpos hoje. Ele disse que entendia nossa dor e que ia inclusive tirar o paletó para, ele mesmo, fazer a necrópsia. Mas ele só entendeu nossa dor quando o ator chegou — desabafou a jornalista Denise Martins, que aguarda a liberação do padrasto.

O serviço de necrópsia foi paralisado porque os funcionários terceirizados da limpeza foram demitidos. Eles estavam sem receber há três meses e receberam o aviso prévio no último dia 18. Sem profissionais para fazer a limpeza da sala de necrópsia, os peritos chegaram a fazer vaquinha para contratar pessoas para limpar o local, de acordo com funcionários do instituto. Com o agravamento da situação, no entanto, os peritos decidiram cruzar os braços, alegando condições insalubres.

— Quando você abre um cadáver, sai muito sangue, linfa, material que estava nos intestinos. Não tem condições de trabalhar sem que haja uma equipe de limpeza. Ontem (segunda-feira) houve uma reunião entre os peritos e o diretor, na qual ficou decidido que eles iriam paralisar as necrópsias. Os corpos serão encaminhados para outros IMLs, mas que também não estão numa situação boa — explica Denise Rivera, presidente da Associação dos Peritos dos Rio.

Em nota, a Polícia Civil informou que tem se esforçado para o pagamento das empresas responsáveis pela limpeza. Até que seja regularizado o serviço, a necrópsia será feita nos IMLs de Campo Grande, Nova Iguaçu e Duque de Caxias.

LEIA A NOTA DA POLICIA CIVIL NA ÍNTEGRA:

“A Polícia Civil esclarece que tem enviado esforços junto à Secretaria de Estado de Segurança e ao Governo do Estado para pagamento das empresas responsáveis pela realização da limpeza no Instituto Médico Legal. O Departamento Geral de Polícia Técnico Científica informou que os peritos legistas alegam condições insalubres para a realização das necropsias no Instituto Médico Legal (IML) no Centro da Capital, e, por isso, até que seja regularizado o serviço de limpeza neste órgão, as necropsias serão realizadas nas unidades de Campo Grande, Duque de Caxias e Nova Iguaçu”.




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