
(Foto Divulgação) O que vemos hoje é um circo de horrores. É como um jardim de infância frequentado por adultos, na briga do poder pelo poder simplesmente. Onde estão os cidadãos com autoridade moral para dar um basta nisso? Onde estão os luminares humanistas preocupados com o futuro de uma nação? Ou estão alheios, ou estão nessa briguinha infame pelo poder, e nesse caso deixaram de ser luminares. Quem hoje no Brasil tem autoridade moral para propor as reformas realmente necessárias para tomarmos um novo rumo? Não vemos nem na imprensa, nem no congresso nacional, nem em algum lugar visível essa pessoa ou grupo de pessoas. Estão todos envolvidos num sórdido jogo sujo de poder. Saudades de um Rui Barbosa, de um José Bonifácio, de um Tiradentes, guardadas as proporções dos problemas de cada época. Um poder judiciário muito bem pago contaminado por imparcialidades de cores ideológicas e também para espanto geral, de influências e inspirações religiosas. Um poder executivo despreparado gerencialmente, embora com certa visão social, para entender a grandeza da dinâmica do País, o tratando provincianamente par e passo com a ótica dos anos 60. Um poder Legislativo invadido por simples despachantes distritais de luxo, bem ao estilo coronelesco da política Café com Leite, que não resistiriam 5 minutos (salvo raríssimas excessões) a um debate sociológico ou filosófico mais aprofundado sobre qualquer questão. Estamos sim em maus lençóis. Não por culpa do PT, ou do PMDB, ou PSB ou PQP. Estamos em maus lençóis por culpa de uma constituição ultrapassada em vários aspectos, embora contenha alguns avanços, e por culpa do sórdido jogo do poder para obtenção de privilégios. O sentido do que seja “República”, perdeu-se com o passar dos anos. Resiste apenas em poucos redutos, que enfraqueceram-se diante de tanta podridão, das elites nepóticas que formaram uma rede de proteção ao longo de séculos, e da podridão de uma turma de falsos messias que traíram e se lambuzaram. Mas mesmo assim, o que nos resta como segurança, é apenas a constituição, que ruim ou péssima é o que deveria garantir as instituições. Mas mesmo quem deveria a guardar, nesse momento triste, a rasga conforme o vento sopra. Salve-se quem puder.