"Acorda, São Bento. A segurança precisa de todos nós. Quem se omite hoje pode ser a vítima de amanhã. Participe. Reivindique. Cobre. Proteste. Exija. Seja um cidadão. Cidadania se pratica cobrando nossos direitos. Segurança é dever do Estado. Vamos fazer a nossa parte e exigir que os governantes façam a deles. Acorda, São Bento". Este foi o mote da passeata realizada pela CDL na manhã de ontem, no Centro da cidade. Nós somos todos muito folgados. Acreditamos sempre que outros resolverão nosso problema e vamos transferindo as responsabilidades e nos omitindo. Existem momentos e circunstâncias em que, como se diz na gíria, a coisa começa a pegar e aí não tem mais como fazer de conta. A grave situação que passa a nos preocupar agora é que, por determinação do juiz corregedor de Mafra, nossos presos não podem mais ser transferidos para o presídio daquela cidade. Pronto! Acabou o conforto, o sossego e temos que nos mexer - e rápido! Éramos contra a construção do aterro sanitário (lixão) e estávamos tranquilos, pois o lixo, embora custasse aos nossos próprios bolsos, era transferido para Mafra. Acabou a farra. Tivemos que construir um e resolver o nosso problema. Afinal, que mal Mafra nos fez para ficar recebendo o nosso lixo? Agora estamos colocados novamente numa camisa de sete varas. Ema, ema, ema, cada um com seu problema. Os nossos presos são nosso problema, só que a solução quem tem que dar é o governo do Estado - e agora somos exigidos a cobrar, a exercer nosso direito de cidadão. O juiz criminal Cesar Tesserolli foi taxativo em seu despacho: "Votamos mas não sabemos cobrar". Então chegou a hora. Temos que exigir do governo a construção de um presídio em São Bento do Sul. Somos os maiores produtores de presos da região do Planalto Norte. E isso não é culpa das polícias, que estão trabalhando e tentando nos dar proteção. A decisão da CDL de fechar o comércio na quinta-feira, embora tenha sido mais um ato simbólico de protesto, pois foi por apenas uma hora, mostra que temos que nos envolver, reivindicar, exigir e mostrar a cara. Se ficarmos em casa, talvez esse seja um ensaio para o futuro, pois os bandidos vão ficar nas ruas e nós continuaremos a nos esconder. Assim como o voto de cada um vale igual, o seu é igual ao do médico, do empresário e do próprio governador. Na questão do protesto, da participação, da reivindicação, seu envolvimento pode ser mais valioso, para você e sua família. Os grandes empresários, as grandes lojas possuem seguros, seguranças, vigilância e embora sejam o alvo preferido de assaltantes estão sempre mais protegidos. Você embora se ache um pequeno comerciante também é o mais desguarnecido, vulnerável. A maioria dos pequenos sequer possui um vigilante noturno. Qualquer malandro pé de chinelo e principiante do crime lhe assusta e enfrenta, pois sabe que sua capacidade de reação é limitada. Não espere acontecer. Reaja agora enquanto é tempo. Reflita que um presídio não oferece risco para a população. A primeira exigência para sua instalação é o aumento do efetivo do policiamento. São gerados novos empregos com os agentes carcerários. Até a economia do Município recebe incremento em vários setores. Omitir-se é concordar com a desordem, com a criminalidade com impunidade. Depois de nada vai adiantar ficar reclamando. Afinal, você está do lado de quem? Dom bem ou do mal? Da proteção da sua família ou da liberdade para a vagabundagem? Embora estes tenham sido os apelos, muitos não se sensibilizaram e parecem viver em outro mundo. Não esqueçamos que todos nós somos, aliás penso que somos "cidadãos" e muitos infelizmente já sofreram na pela assaltos, roubos seqüestros e situações que jamais sairão de suas memórias. A maioria não demonstrou envolvimento, participação, preocupação. Esqueceram também que seus funcionários moram e vivem aqui na cidade. Que quando sofrem alguma ameaça ou mesmo são invadidos nas suas privacidades querem urgente a ação da Polícia. Até exigem viaturas em frente aos seus estabelecimentos. Principalmente lojas que apenas aqui exploram o comércio e remetem a receita para sua matriz. Uma vergonha a falta de solidariedade de comprometimento. Sequer fecharam as portas na hora em que a passeata passava em frente aos seus estabelecimentos. Acima de tudo um desrespeito que merece repúdio dos consumidores. Parabéns a diretora Zuleika Voltoline e os alunos da escola São Bento, que deram uma aula de cidadania colorindo as escadas da Igreja Matriz, aplaudindo e sendo aplaudidos por quem passava. Apenas um gesto. Presença. Solidariedade. Uma lição de como se constroem cidadãos. Valeu, gente. Que a semente lançada, a mobilização sirva para "acordar São Bento". Nós seremos e teremos o que querermos.
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