São Bento – Proporcionar um tratamento multidisciplinar e humanizado às pessoas com sofrimento mental é o objetivo do CAPS (Centro de Atendimento Psicossocial). Doenças como depressão grave, os vários tipos de esquizofrenia e o transtorno bipolar acabam tirando a autonomia necessária para executar as tarefas do cotidiano, por isso o CAPS II proporciona uma série de atividades voltadas a devolver aos seus usuários uma vida equlibrada.
Ao ser encaminhado para o CAPS por um médico da unidade de saúde do bairro, o usuário passa por uma entrevista e, se for confirmada a necessidade de atendimento no CAPS II, é encaminhado para uma avaliação médica para verificar se é necessário o uso de medicamentos. No CAPS atuam psicólogo, enfermeira, assistente social, três técnicas de enfermagem, um médico psiquiatra, terapeuta ocupacional, uma artesã, além do coordenador, técnica administrativa e auxiliar de serviços gerais. Também há parcerias com uma nutricionista e um educador físico.
Para cada usuário do CAPS é feito um Projeto Terapêutico Individual (PTI), no qual os problemas que levam ao sofrimento mental são investigados e estratégias para saná-los são construídas. Passado um mês, novo PTI é realizado avaliando os resultados e se há necessidade do usuário continuar no CAPS.
A maioria dos atendimentos ocorre em grupos, com diversas temáticas e objetivos: artesanato, caminhada, exercícios físicos, saúde, culinária, direito e cidadania, jardinagem, horta, encontro da beleza, leitura, música, entre outros. “No grupo de culinária, por exemplo, a terapeuta ocupacional pode trabalhar a independência dos usuários em cozinhar sozinho o próprio alimento. No encontro da beleza, mulheres recuperam a autoestima”, exemplifica o coordenador do CAPS, Cassiano Robert.
Trabalho em grupo
A metodologia do trabalho em grupos menores, implantada em 2015, permite que os profissionais possam dar mais atenção a cada integrante, proporcionando melhor qualidade no serviço e menor tempo de permanência. “O CAPS não é um hospital psiquiátrico, é um ambiente passageiro, pois a intenção é que o usuário do SUS em sofrimento mental fique conosco apenas o tempo necessário para retomar sua rotina social”, afirma Cassiano. Em média, seis meses são suficientes nesse processo, mas alguns casos mais complexos exigem mais tempo. Vinte e cinco pacientes são atendidos por semana, além de atendimentos domiciliares, orientações, entre outros. Às segundas-feiras, os profissionais se reúnem para avaliar os resultados obtidos.
As conquistas dos usuários do CAPS são sempre motivo de comemoração para a equipe de profissionais. “Casos de pesosas internadas várias vezes em hospitais psiquiátricos e que, após o tratamento no CAPS tiveram suas internações zeradas, demonstram que o local é adequado para promover melhor qualidade de vida a esses usuários com sofrimento mental”, observa Cassiano.
Encontros com os familiares também estão na programação. “É importante que a família participe, para não desconstruir em casa tudo o que o portador de sofrimento mental conquistou durante o tratamento no CAPS”, observa Cassiano.
A artesã Lúcia Habowsky trabalha há dois anos com usuários do CAPS. “Adoro estar com eles, sempre procuro modelos e peças novas para eles soltarem a criatividade”, conta. O CAPS atende desde pessoas que já passaram por internações psiquiátricas de longa duração até pessoas com traumas recentes, como a perda de um filho ou uma separação que tenha desencadeado depressão profunda. Mesmo quando recebe alta, o usuário retorna ao CAPS para consultas médicas, para que não interrompa a medicação receitada e assim possa conduzir normalmente sua rotina em casa, com os amigos e no trabalho.
Os atendimentos no CAPS II são realizados de segunda a sexta-feira, das 7:30 às 16:30, à rua João Pauli, 668, próximo à Mani Bebidas. Os telefones são 3635-3973 e 3634-1253.