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Rogério Martins Simões - ROMASI


POETA, nasceu em Lisboa (Portugal)

Escreve poesia desde os 14 anos tendo adotado o heterónimo ROMASI

Em 2004 criou o blog POEMAS DE AMOR E DOR

Em 2005, com mais de 1 milhão de acessos, doente, vendo que a Parkinson tomava conta da alma e do corpo, resolveu parar

Voltou e foi graças ao blog, à sua companheira e a alguns amigos que a sua poesia não foi totalmente destruída

Participa em diversas páginas de poesia: do Brasil, Argentina, Canadá e Portugal, tem poemas seus editados por todo o Mundo

Sempre se opôs a "aprisionar" os poemas, em livros, por considerar que a poesia é universal e faz parte da humanidade                                                                                                              

É o amor e a poesia que o mantém vivo!


Veja mais colunas de Rogério Martins Simões - ROMASI

Golpe de asa no Sequeiro

Segunda, 02 de junho de 2014

O poema que hoje dou a conhecer, “Golpe de asa no Sequeiro” é aquele que dá o título ao meu livro de poesia, que vai ser lançado no próximo dia 17 de Maio de 2014, em Lisboa, Portugal.

Trata-se de uma compilação que reúne 104 poemas editados em livro pela Chiado Editora, Lisboa.

Junto um link para o YouTube onde poderão ler, e escutar este poema, declamado pela minha companheira e esposa, Elisabete Maria Sombreireiro Palma

https://www.youtube.com/watch?v=KMRujx0qP_U

Meco, 13/05/2014 01:46:26

Rogério Martins Simões

 

GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO…

Rogério Martins Simões

 

Inocento as minhas mãos.

Invento gestos.

Golpeio convenções.

Antecipo decisões

Quero chegar ao cume…

Acender o lume

E descer a vereda num sopro.

Sopra sobre mim, dá-me o trilho…

Golpe de asa no sequeiro.

 

Inocento a vida.

Piso um milho que suga um canavial.

Debruço-me nas tábuas silenciosas,

O arrabalde enxota um pombo num corte de asas.

Vou a caminho,

Se chegar tarde tarda o destino.

Chegará a tua vez…

Chega a todos,

Quero chegar ao cimo da rampa.

Não! Não preciso de campa,

E de bichinhos da seda,

Acendam o lume!

Golpe de asa no sequeiro

 

 

Inocento a minha fala. De que falo?

Falo de sofrimento?

Fala comigo!

Faz um gesto.

Falo!

Golpe de asa no sequeiro

 

Inocento a sorte. Que sorte?

Estou descalço…

Descalço os pés e coloco as botas das léguas cardadas…

Pesadas tréguas.

Falsas pistas,

Às riscas, no veludo,

É Entrudo e sambo!

Não! Não sei sambar!

Danço tudo…

Danço nas letras!

Basta um toque do moscardo e irei ao fundo.

A orquestra toca,

Na toca me afundo.

Do fundo me ergo, tudo confundo,

Volto ao colete-de-forças que me não dá tréguas.

Golpe de asa no sequeiro

 

 

Inocento a pressa. Não me empurres!

Desata o atilho e solta o rouxinol …

Golpe de asa no sequeiro

 

Inocento a ventura.

Deram-me uma haste e um pano amarelo

Fiz mastro e uma vela.

Não sei velejar!

Tropeço num novelo,

Estatelo-me ao vento.

Arrumo as botas num vão-de-escadas

Escadas não são.

Que sorte: uma tábua de salvação.

Golpe de asa no sequeiro

 

Inocento o engano!

Troco uma besta

Por dois cavalos a motor.

Trago um guindaste preso a uma retroescavadora.

Que faço com a cenoura?

Que faço com a dor?

Estendo o pano e solto a alma…

Golpe de asa no sequeiro

 

Inocento o meu coração.

Na escada, que me leva ao azul sereno, ato um laço!

Deixa que te toque no peito.

Abraço-te!

Sinto o pulsar de uma cerejeira…

Golpe de asa no sequeiro

 

Inocento a esperança.

Entrego ao destino tudo o que me cansa.

Que me cansa?

A falta de esperança?

Este viver desesperado,

Na ponta de uma navalha afiada.

Estou em brasa no cativeiro

Acerto o passo nas limitações…

Não!

Nas figueiras também crescem figos secos e ovos-moles;

Os gaiatos brincam com estrelas;

O sol brilha;

A chuva molha;

A noite apadrinha os beijos;

O vento sopra e dança

O luar distende os versos

Com versos de esperança.

 

Secam as lágrimas no estendal

Já partiu o aguaceiro…

Golpe de asa no sequeiro…

 

27-10-2011 00:08:08

(Registado no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)



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Rogério Simões


Quero agradecer a todos quantos visitaram a minha coluna. Deixo aqui um link para o local onde podem encomendar o meu livro de poesia http://www.chiadoeditora.com/index.php?page=shop.product_details

Responder      15/06/2014

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