São Bento – Ao contrário das mobilizações e reivindicações por obras, desta vez os moradores do bairro Schramm, proximidades da ex-Intercontinental pediram e obtiveram audiência com o prefeito municipal Fernando Tureck, para solicitar a não realização de obras anunciadas.
Por se tratar de um anexo ao antigo bairro Schramm, é assim entendido como continuidade, ligado pela rua João Baum. A parte nova, principalmente constituída pelas ruas, Travessa Castro Alves, Luiz Carlos Grossl, Vidal Ramos, Osni Roberto Tureck, Ema Pacheco e José Stiz é composta apenas de zona residencial, não existindo no espaço nenhum estabelecimento comercial de nenhuma espécie. Neste pequeno espaço, três áreas são consideradas institucionais, pois pertencem a prefeitura. Para os moradores tidas como áreas de preservação (área verde), destinadas pelos loteadores na época da urbanização.
O conflito e a não aceitação – Caso Cooperativa de Catadores
Já na administração Silvio Dreveck, os moradores foram surpreendidos com a notícia de que a área verde (institucional), da rua Luiz Carlos Grossl, havia sido destinada para a Cooperativa de Catadores construir ali seu depósito. Inconformados e revoltados os moradores procuraram a prefeitura que já havia escriturado o terreno para a cooperativa, para não permitir a obra. O mesmo só não aconteceu porque a cooperativa não possuía recursos e nem condições de obter financiamento para sua realização. Passaram-se anos e os moradores da vizinhança passaram a cuidar do terreno, onde inclusive existe uma elevadora do Samae. Fazendo roçadas, capina e plantio de árvores frutíferas e sua preservação. Daí surgiu a iniciativa de pedirem apoio aos vereadores para transformação da área em uma Praça Pública, onde deverão ser instalados uma academia de ginástica ao ar livre, parque infantil, tabela para prática de basquete e outros equipamentos, sem ônus para os cofres públicos e inclusive a manutenção e zelo dos próprios moradores. Diante desta iniciativa novamente os comentários de que lá seria construída a sede da Cooperativa dos Catadores. Este foi um dos motivos dos moradores pedirem reunião com o prefeito e apresentarem abaixo assinado com mais de 100 assinaturas e uma série de razões para que tal obra ali não vingue. Na audiência ficou esclarecido que o terreno ainda é posse da cooperativa, e que inclusive devido a débitos com a Receita Federal teria sido penhorado. O prefeito se prontificou a tomar as providências para pedir a reintegração ao Patrimônio Público, uma vez que a cláusula condicionante da doação que era a construção em determinado prazo não foi efetivada. Também o mesmo garantiu que o propalado galpão ali não será mais construído pois a prefeitura já doou nova área para a cooperativa. Resta agora as medidas judiciais para evitar que o referido terreno seja ofertado em Leilão Público, arrematado e que o novo proprietário acabe com o sonho dos moradores em obter uma praça. Eis o teor do documento entregue ao prefeito Municipal:
ABAIXO-ASSINADO
Nós abaixo-assinados, moradores do bairro Schramm, proximidades onde está sendo anunciada a construção de um galpão para a Cooperativa de Catadores de Lixo Reciclável (rua Luiz Carlos Grossl) em área de preservação, na qual os moradores já se reuniram com vereadores para pleitear a construção de uma academia ao ar livre e todos os demais equipamentos para um praça comunitária, sem ônus para o poder público municipal e ainda assumindo o compromisso de zelar e manter a mesma. Por esta razão vimos a presença de Vossa Senhoria para solicitar estudo de relocalização do referido projeto, visto que trata-se de uma região estritamente residencial onde sequer até hoje foi permitido a abertura de qualquer estabelecimento comercial. Alertamos que estaremos enviando cópia do mesmo para a Promotoria de Justiça e que esgotaremos todos os meios pacíficos e legais para impedir tal obra.
Segundo caso – Cozinha Industrial
Na mesma oportunidade foi apresentado também abaixo-assinado, cujo teor consta da matéria. A prefeitura Municipal anunciou a construção de uma Cozinha Industrial para fornecer marmitas para a população carente em terreno na rua Vidal Ramos, também institucional e que já estaria doado para o Governo do Estado que investirá na obra cerca de R$ 1.900,000,00 e que já estaria em processo de licitação para elaboração do projeto. Os moradores reuniram-se com o prefeito exatamente para comunicá-lo que não foram consultados, não houve estudo de impacto ambiental nem de vizinhança, nem sob o aspecto de trânsito e que não querem a obra.
Se a zona residencial só permite estabelecimento comerciais que assim mesmo não existem, como implantar uma Cozinha Industrial, foi um dos argumentos. Também foi lembrado que se o Estado assumiu o compromisso de construir um Presídio Industrial, em área que já lhe foi doada pela iniciativa privada, por que não lá anexar a cozinha industrial e que serviria como atividade para os presidiários, inclusive qualificando-os como garçons, chefes de cozinha e outras atividades. Lembraram ainda que não haveria nenhum custo adicional e nem necessitaria da contratação de pessoal para atuar na cozinha. Os recursos sairão do mesmo cofre e o patrão também será o mesmo. Apenas uma questão de bom senso. Nesta questão o prefeito foi resistente, pois acredita que o processo não poderá ser interrompido para não correr o risco de perder os recursos. Lembrou também que não acredita na construção do Presídio. Foi alertado pelos presentes que qualquer medida tomada com a iniciativa da construção corre o risco de sofrer ação popular, além de ser alertado pelos moradores que o terreno oferecido abriga nascentes que foram ocultadas por aterro e canalização. Participaram da reunião cerca de 40 moradores, mais os vereadores Edi Salomon, Peter Kneubüehler, Márcio Dreveck, Claudiomar Wotroba, e Lírio Volpi, com pronunciamentos dos três primeiros para um entendimento, relocalização e atendimento do pedido dos moradores que não querem a obra. Dreveck inclusive sugeriu uma nova área no Bairro Cruzeiro de propriedade do Samae. Os pronunciamento também foram favoráveis a opção da cozinha funcionar juntamente com o presídio. De qualquer forma se os moradores não forem atendidos já anunciaram recorrer a Promotoria de Justiça e também pedir o estudo do solo sobre as nascentes ali anunciadas.
ABAIXO-ASSINADO
Nós abaixo-assinados, moradores do bairro Schramm, proximidades onde está sendo anunciada a construção de uma Cozinha Industrial ( Rua Vidal Ramos ) em área de preservação, com nascentes. Por esta razão vimos a presença de Vossa Senhoria para solicitar estudo de relocalização do referido projeto, visto que trata-se de uma região estritamente residencial onde sequer até hoje foi permitido a abertura de qualquer estabelecimento comercial. Alertamos que estaremos enviando cópia do mesmo para a Promotoria de Justiça e que esgotaremos todos os meios pacíficos e legais para impedir tal obra.