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Henrique Fendrich

rikerichgmail.com

Henrique Fendrich (Crônica de São Bento)

Jornalista são-bentense residindo em Brasília/DF


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PROGRAMA DE ÍNDIO

Segunda, 21 de fevereiro de 2011

Na semana passada, tive a oportunidade de acompanhar um programa de índio - de vários índios, na verdade. Eles vieram até Brasília porque, afinal, é o lugar onde o homem branco costuma tomar decisões importantes. Recentemente, andaram tomando algumas decisões que não repercutiram muito bem nas aldeias. Vieram com umas histórias de construir hidrelétrica, gerar energia, fazer o país crescer. Mas o índio já aprendeu que não dá para confiar em homem branco: sabe que suas terras e seu povo serão afetados. E então o índio viaja de avião e vem reclamar na capital do país.

O cacique Raoni, líder dos caiapós, aquele índio famoso que virou amigo do Sting, também veio protestar. Mas veio protestar na sua língua: ele não fala o português. Há uma centena de línguas indígenas no Brasil, mas são todas fora-da-lei. Para que uma reclamação seja considerada legítima, tem que ser feita em bom português - de preferência, seguindo a novíssima Reforma Ortográfica, que une todos os povos. Só assim teremos certeza que o pedido representa a vontade de um perfeito brasileiro.

A gente teria dificuldades para entender o que o cacique Raoni diz ainda que falasse em português. Isso porque ele usa um grande botoque: aquele negócio redondo e de madeira colocado no lábio inferior, e que estica a sua boca em uns 10 centímetros. Na cabeça, usava um belo cocar amarelo. Vestindo uma surpreendente roupa social. E calçando um par de chinelos. Tudo isso chamava a atenção de alguns homens brancos que, com a curiosidade de quem está no zoológico, não paravam de tirar fotografias.

Todos os índios que fizeram uso da palavra falaram mal do Lula como nunca antes ouvi alguém falar - talvez porque, nesse caso, eu sentisse que tinham razão. Alegavam que, desde o governo Cabral, nunca antes na história deste país haviam sido tão enganados. O governo teria dito que só faria algo depois do "sim" dos índios, mas o sim nunca veio, e nem por isso o governo deixou de fazer algo. Na verdade, o homem branco acha mesmo é que a opinião do índio não é qualificada - como pode ser, vivendo daquele jeito?

Índios de São Bento
Nem só de imigrantes vive a nossa história. Os índios que habitavam a região de São Bento ainda são pouco conhecidos - à exceção dos excelentes estudos de Henry Henkels. Nos livros de história, no entanto, nossos índios não passam de bugres que atrapalhavam a vida do homem branco. É por isso que Antônio Ferreira de Lima, o célebre caçador de bugres que foi morto por um deles, é visto como mártir. Para mim, foi  merecido.

Índio Fendrich
Essa minha cor branquela e o meu sobrenome estrangeiro escondem uma verdade: também eu sou descendente de índios. Tive um antepassado muito espertinho que resolveu se relacionar com uma índia. Ela era uma carijó cuja família havia sido aprisionada pelos primeiros curitibanos brancos. Como devia ser muito feio chamar índio de escravo, eles eram tratados como "administrados".

A índia foi batizada católica, mas nem por isso meu antepassado se casou com ela. Para casar mesmo, escolheu a filha do proprietário da índia. Mas a índia já havia deixado no mundo um filho bastardo - o ancestral de todos os Fragoso da nossa região.

Saudações!



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