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No Mundo da Lua - Sônia Pillon

Sônia Pillon nasceu em Porto Alegre e há duas décadas reside em Jaraguá do Sul. 

Formada em Jornalismo pela PUC-RS e pós-graduação em Produção de Texto pela Univille.

Atuou como repórter, editora, redatora e assessora de imprensa  no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Por mais de 10 anos atuou no jornal A Notícia.  

Sempre se dedicou à literatura e às ações culturais. É autora de “Crônicas de Maria e outras tantas – Um olhar sobre Jaraguá do Sul” e “Encontro com a paz e outros contos budistas”, com participação em antologias de contos, crônicas e poesias.

Publica no Jornal Evolução, no blog soniapillon.blogspot.com e na fanpage "Sônia Pillon Escritora". 

É Presidente de Honra da Seccional Jaraguá do Sul da Academia de Letras do Brasil de Santa Catarina (ALBSC). Integra o Grupo Gestor do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) Mestre Manequinha e o Conselho Municipal dos Direitos do Idoso de Jaraguá do Sul.


As aparências que enganam



Sexta, 13 de setembro de 2019 00:00

As aparências enganam. Quem não conhece esse ditado? Quanto mais passa o tempo, mais me convenço quão sábia é essa frase. E por mais que pareça chavão, nunca é demais lembrar. Vivemos em um mundo de superficialidades, e isso é inegável. Mas, para os que buscam a essência da vida e o seu sentido verdadeiro, essa triste realidade é até esquecida. Ah, as aparências!...

 

Parecer saudável não significa ter saúde. Sorrir o tempo todo não é sinal de felicidade. Quem é um bom conselheiro, nem sempre consegue resolver os próprios problemas. Transmitir força não significa ser forte realmente. Uma embalagem de encher os olhos não basta para garantir a qualidade do conteúdo. Uma pessoa bem vestida não é sinônimo de prosperidade, muito menos de honestidade e caráter. Parecer amigo e ser amigo de verdade são coisas bem distintas. Nem tudo o que reluz é ouro, não é mesmo?

 

Você com certeza ouviu inúmeras vezes essas frases, possivelmente até à exaustão. No universo corporativo e social, somos o que aparentamos ser. E é de praxe valorizar o “ter” em detrimento do “ser”. Isso também não é novidade para ninguém. Ah, as aparências!...

 

Experimente entrar em uma loja bem arrumado e reparar como imediatamente aparece alguém sorridente e solícito. A probabilidade de ser bem atendido é muito maior do que se estiver vestindo uma roupa do dia a dia. Se não tinha reparado nisso, faça o teste. Vá às compras em um dia que você sair com pressa de casa, sem tempo para se arrumar e constatará que o atendimento poderá ser bem diferente.

 

Nessas horas, lembro de uma amiga que certa vez passou por constrangimento em uma imobiliária. Ela, que tem uma situação financeira confortável e transpira simplicidade, após ser apresentada a algumas opções de compra, se interessou por um apartamento amplo e bem localizado, mas ouviu da corretora, rispidamente: “Mas esse imóvel é de alto padrão”. Ela e o marido se entreolharam. Decidiram então procurar diretamente a sócia-proprietária da imobiliária, que prontamente fechou a venda. Ao saber disso, a corretora, que perdeu uma boa comissão, pasmem, foi tirar satisfação: “Por que vocês não compraram comigo?!”. “Porque você não acreditou que podíamos comprar”, respondeu, sem delongas, a minha amiga. Nem preciso dizer que a funcionária foi chamada à atenção e pouco depois, demitida… Será que aprendeu a lição? Ah, as aparências!...

 

Lembro também de uma outra pessoa, que foi convidada a presidir uma instituição bastante respeitada. Ela não fazia parte da “elite” da cidade. Foi questionada e desacreditada desde o início, boicotada internamente, inclusive. À certa altura, ao ver que praticamente “carregava o piano” sozinha, se desligou definitivamente da instituição e sabiamente se afastou daqueles que, no passado, chegou a considerar como “amigos”.

 

Recentemente fui convidada para um casamento fora de Santa Catarina. As reservas de horário para o penteado e a maquiagem foram feitas pelo site do salão, conceituado e com franquias em outras cidades. Cheguei de camiseta e jeans, de cara lavada. Já na entrada percebi um olhar de cima a baixo. A cabeleireira demonstrou má vontade o tempo todo, sem “paciência” para trocar ideias sobre o penteado. Tive receio de que iria danificar os fios do meu cabelo, pela maneira rude como manuseava o secador e colocava os grampos no coque.. O tempo voava e tive de sair dali pronta, já trajando o vestido longo e o sapato de salto agulha, para surpresa da cabeleireira... Ah, as aparências!...

 


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