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“Ser ou não ser, eis a questão”



Quarta, 17 de fevereiro de 2016 16:49

“Ser ou não ser, eis a questão”, mas de novo essa questão? Ou melhor, ainda essa questão? Como assim? Ser o que? Não ser o que? Essa é uma dentre várias perguntas que atormentam muitas pessoas e algumas destas acabam no psicólogo para tentar responde-la. Talvez essa seja a pergunta mãe de todas as outras.

Vamos lá, quando você é um bebê as pessoas dizem o que você é. Nesta etapa fica mais fácil ser alguma coisa, afinal, você é a “coisa mais linda do mundo”, a “princesa da mamãe”, o “rapagão do papai”, “delícia da vovó”, “espertinha do vovô”, “amor da titia”, “amor da mamãe”, “amor do papai”, “amor da dinda”, enfim, amor de um monte de gente. Você é e pronto.

O problema vem quando você aprende a falar. Desde então começa uma enxurrada de perguntas sobre quem você é e o que vai ser quando crescer. E cada vez mais essas perguntas crescem e crescem, elas vem de todos os lados, de todas aquelas pessoas que te diziam o que você era e ainda do padeiro, da professora, do mecânico, dos primos, do taxista, do mundo inteiro. E isso não pára nunca mais.

Chega um momento em que as coisas ficam misturadas, vêm as perguntas sobre o que você é ou o que quer ser e também vem as respostas. Às vezes tudo tão junto que mesmo antes que você responda o inquiridor já lhe enfia garganta abaixo uma resposta. A confusão é tão grande com tantas pessoas questionando e dizendo o que você é ou deveria ser que, de repente, a angústia chega. E a angústia vai crescendo, crescendo e transborda em sintomas emocionais que levam as pessoas a finalmente dizerem que você está louco. Nesse momento você procura um psicólogo.

Em seu processo de análise, este profissional irá ser seu espelho, refletir pra você o que você está mostrando para o mundo e possibilitar que você construa com as suas palavras quem você é. Mas, isso só será possível quando você permitir-se ir se desgrudando de cada palavra alheia que te define e que te faz sofrer, de maneira concomitante você deverá assumir as palavras que te descrevem de uma forma que você ame. “A psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor”, já dizia Doutor Freud, disso pode-se concluir muitas coisas, mas uma delas é que as palavras que te definem e que você adota como suas, devem ser aquelas que despertam amor em você. Mas, não se trata apenas de dizer por aí meras palavras, trata-se de ser tais palavras, de viver tais palavras. Somente aí vem a cura e você descobrirá que as pessoas passarão a te definir de uma maneira que agrada aos seus ouvidos e traz ainda mais amor de você por você mesmo. O resultado? Saberás quem és, amarás teu ser e somente aquele que se ama é capaz de oferecer amor genuíno ao outro. E, “se é dando que se recebe”, aquele que amar, amado será.


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