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"A LÍNGUA NOS TORNA UMA NAÇÃO", DESTACA O PRESIDENTE DA ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL



Sexta, 12 de novembro de 2010 00:00

O presidente da Academia de Letras do Brasil, o gaúcho Mário Carabajal, atualmente residindo em Roraima, participou de evento cultural em São Bento do Sul, no último final de semana. Terminado o jantar após o encontro, Carabajal conversou com a Reportagem, abordando diferentes temas, como o advento da internet e "o sonho" de unir os escritores em um Conselho Nacional das Academias de Letras.

EVOLUÇÃO - Entrevistamos nessa ocasião, em São Bento do Sul - vindo diretamente de Roraima - o presidente da Academia da Letras do Brasil (ALB), doutor Mário Carabajal, que vai inicialmente apresentar um breve currículo.
MÁRIO CARABAJAL - Meu caro Elvis Lozeiko e prezado jornal Evolução, através do presidente Pedro Skiba, o que eu poderia dizer em termos de formação? A minha formação básica é Educação Física - licenciatura. Depois fiz outra licenciatura em Psicanálise Clínica - Filosofia. Aí fiz especializações em Tecnologia Educacional, Pesquisa Científica e Psicossomatologia. Também tenho mestrados em Psicanálise Clínica e em Relações Internacionais, além de doutorados em Psicossomatologia, Psiconeurofisiologia, Filosofia e agora, recentemente, concluindo as Ciências Educacionais - falta a defesa de tese.

EVOLUÇÃO - Mas, sobretudo, escritor?
MÁRIO CARABAJAL - Sem dúvida. As minhas buscas inclusive são em funções de sonhos, de ideais - sempre! Agora devo fazer um pós-doutorado em busca de elementos a uma pesquisa, à comprovação de uma tese voltada à criação de uma mente bioeletrográfica. Vejo a possibilidade de nós, através dessa mente bioeletrográfica, conseguirmos ir aos campos energéticos dos seres. Então imagine-se colocando um óculos simples, com uma lente eletrográfica, e conseguir ver os campos energéticos dos seres. Seria uma revolução, um novo divisor de águas na história da humanidade.

EVOLUÇÃO - Lá no início de tudo, nos primeiros anos frequentando a escola, como se deu esse processo, de fato, de começar a entrar no mundo das palavras escritas?
MÁRIO CARABAJAL - Esse início eu atribuiria ao meu pai, que era jornalista - e a um irmão, também jornalista. Em algum momento recebi de presente de uma irmã um envelope. Eu já tinha três livros publicados. Um envelope de carta, branco, simples, pequeno. Dentro do envelope tinha três artigos do meu pai. Eram artigos fantásticos, falando da Guerra da Coreia - na época dele, achei bárbara a visão de mundo do velho. Também devo parte significativa dessa caminhada literária a meu mano Edgar Hudson (in memorian). Ele era um grande pensador e escrevia também. Não tem nenhum livro publicado, mas com materiais que tem escrito em jornais, por exemplo, dá para escrever um livro. Costumo dizer que não necessariamente a pessoa tem de ter um livro nos padrões que concebemos para ser um escritor. Todo jornalista, para mim, é um escritor. O meu segundo livro foi prefaciado por ele. Aos poucos você vai se firmando, vai dando alguns passos e recebe incentivos, como eu recebi hoje aqui em São Bento do Sul - o que nos motiva a persistir mais um pouco e a não aceitar a derrota. Existe um sonho - a criação do Conselho Nacional das Academias de Letras - que iniciou em 1995, quando fiz uma proposição ao Josué Montello, então presidente da Academia Brasileira de Letras; ao Tobias Pinheiro, então presidente da Confederação das Academias de Letras do Brasil; ao José Mendonça Teles, um escritor de Goiás, também presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás; ao Miguel Jaques Trindade, da Academia Riograndense de Letras. Tem mais alguns nomes, ainda. Pedimos, na época, a abertura da Academia Brasileira de Letras - a exemplo do que estamos fazendo hoje com a Academia de Letras do Brasil, que encontra-se em quase todos os Estados. Neste ano já estivemos em solenidades em diferentes municípios - no Rio Grande do Sul, em São Paulo, em Santa Catarina, no Distrito Federal, em Goiás. Na ocasião, chegamos à conclusão que seria mais fácil criar uma nova Academia de Letras a abrir a Academia Brasileira de Letras. A nossa ALB está dentro do modelo francês, com estatuto próprio.

EVOLUÇÃO - Quando você conheceu Fídias Teles, nosso colunista?
MÁRIO CARABAJAL - Em algum momento tive contatos com os livros do Fídias Teles. Para minha surpresa, repentinamente estava em frente ao escritor e filósofo, uma pessoa que eu admirava como leitor. É uma pessoa pela qual tenho profunda admiração.

EVOLUÇÃO - O senhor não conhecia São Bento do Sul?
MÁRIO CARABAJAL - Não. Como também não conheço vários municípios do meu Estado, o Rio Grande do Sul, como São José do Norte, uma cidade portuária onde o Fídias vai dar uma palestra.

EVOLUÇÃO - Quais suas impressões sobre São Bento do Sul, não apenas como cidade mas devido ao movimento literário que encontrou aqui?
MÁRIO CARABAJAL - Como cidade, já na chegada, fiquei impressionado com a paisagem, com a limpeza. É uma cidade modelo, linda, linda. O que observei em termos de movimento literário remeto ao prefeito (Magno Bollmann). Mas aí podem me perguntar: "Mas o que tem a ver o prefeito?". Ele é o espelho da cidade, é o líder do Executivo. É uma pessoa que está aberta, como vejo os escritores também abertos. Tive a oportunidade conhecer escritores locais, como você, Elvis Lozeiko, como o Mariano (Soltys), como outros cujos nomes não me recordo agora. Olhando o seu livro, "Meudeus", pela capa dá para se ter uma ideia do conteúdo. Tem o Cléverson (Minikovsky), tem o Mariano, ambos advogados e escritores. Pelas capas e pelo pouco que li, imagino o conteúdo dessas obras. O Cléverson, em algum momento, fez uma referência, elevando a minha pessoa - dizendo que os escritores, ao contrário do passado, estão vindo até as bases. Aí eu disse: "Olha, eu vejo o contrário. Eu conseguindo me colocar diante de uma pessoa como você, Cléverson, diante de uma pessoa como o Mariano, acho que não estou vindo à base alguma". Não me interpretem mal, por favor: são bases da cultura, mas eu não estou chegando até a base como se estivesse em outra ponta de pirâmide. Existem sociedades - não é o caso da ALB - que contam com recursos internacionais de € 150 mil (Euros) mensais para investir em um grupo restrito de escritores, conseguindo fazer o nome desses escritores em todo o país e em todo o mundo.

 

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"A ALB tem ideais políticos, coisa que nossas entidades culturais não têm. A ALB, quando nasceu, já consta como entidade politicamente ativa" (Foto Elvis Lozeiko/Evolução)
 

EVOLUÇÃO - Para encerrarmos: com o advento da internet, há quem diga que o livro impresso esteja fadado à morte. Particularmente, jamais concordaremos com essa afirmativa, porque nada substitui o prazer de folhear um livro, um jornal. Qual sua opinião a respeito disso? Hoje existe o "internetês" e muitas pessoas escrevem de qualquer forma no MSN, no Orkut, no e-mail. Às vezes algumas pessoas acabam desaprendendo, se é que algum dia aprenderam a Língua Portuguesa.
MÁRIO CARABAJAL - Os dois temas são profundos e complexos caso realmente queiramos fazer uma análise crítica. Não vejo o livro impresso terminando de maneira nenhuma. Não vejo dessa forma. Mas observe o que aconteceu comigo nos últimos anos, durante os quais me dediquei muito à Academia de Letras do Brasil e defendendo teses e orientando também. Essa quantidade de compromissos fez com que eu não tivesse tempo - eu não tenho publicado. Atualmente, sem exagero, estou trabalhando com cerca de trinta livros simultaneamente. Tenho vinte e três já publicados. Entre esses trinta, não tenho conseguido melhorá-los, aprofundá-los, finalizar pensamentos, enfim. Isso pelo advento da própria internet, por exemplo. O nosso tempo é limitado. Tenho dormido, às vezes, às quatro horas da manhã, sem conseguir fazer tudo que teria para fazer no dia. A Academia de Letras do Brasil, é importante dizer, tem ideais políticos, coisa que nossas entidades culturais não têm. A ALB, quando nasceu, já consta como entidade politicamente ativa. Outras entidades fazem questão de dizer: "Somos apolíticos". A Academia de Letras do Brasil quer participar de uma mudança do Brasil e da política brasileira. Estamos trabalhando para unir todos os escritores do nosso país. Queremos unir as demais Academias de Letras, sob outras siglas, em torno do Conselho Nacional das Academias. Estamos, junto com o InBraCI - Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais, junto com a Associação Internacional Poetas del Mundo, com a Casa do Poeta Brasileiro, com a Casa do Poeta Latino-Americano, com a Academia Mundial de Direito Internacional, com a Academia Mundial de Relações Internacionais, enfim, tentando uma união da cultura brasileira, com os homens de boa vontade, para conseguirmos dar uma resposta aos sonhos que são de todos nós - que é ver um país livre de corrupção, que trabalhe com bases científicas nas tomadas de decisões. Estamos elegendo pessoas que não têm projetos. Sonhamos em ver nossas teses de mestrado e de doutorado entrando em uma linha sistêmica, de implementação pelos governos, coisa que hoje não acontece. Estou escrevendo um novo livro que propõe um novo sistema de governo.

EVOLUÇÃO - Que sistema?
MÁRIO CARABAJAL - Um governo científico. Agora, recentemente, eu estava por publicar um livro, mas optei por doá-lo, dividi-lo - então não publiquei na forma impressa, mas na internet. Em menos de uma semana já estava tendo retorno de outros países, de outros Estados. Dois ou cinco mil livros não teriam ecoado de tal forma. Agora estou com a agenda da publicação de uma tese de estágios psicomaturacionais da consciência humana. O lançamento está previsto para dezembro, com publicação em espanhol e português. Pretendo fazer uma visita aos países ibero-americanos e também aos oito países de Língua Portuguesa lançando esse material. Independentemente da publicação do livro impresso, já o disponibilizei na internet. Mas não vejo o fim do livro impresso.

EVOLUÇÃO - Sobre o "internetês"...?
MÁRIO CARABAJAL - Eventualmente - não seria hipócrita e dizer que não - eu uso "você" apenas como "vc". Normalmente escrevo corretamente, quando não há pressa maior. Acredito que você (entrevistador) já utilizou essa forma também. É uma forma que hoje está acontecendo. É muito difícil avaliarmos um processo enquanto dentro dele. Estamos vivendo esse novo momento, que vai repercutir muito certamente. Porém, é muito difícil fazer uma avaliação. Eu não me atreveria a condenar os nossos jovens que estão se comunicando através desses meios. Porém, não tem como abandonarmos a parte formal da escrita, porque é isso que nos une. É a Língua que nos torna uma nação. A língua culta não pode ser desprezada e jamais poderá perder uma linha de congruência de todos os brasileiros. Perdoem-me se estou cometendo um erro contra a Língua, mas acredito que podemos, sim, relaxar - com algumas pessoas - e usar algumas linguagens já incorporadas. Lamento decepcionar os professores de linguística, que não vão concordar.


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