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Elisa Mota

Carioca criada em Joinville, morando algum tempo em São Bento do Sul e Florianópolis.

Sou vegetariana desde os dezessete anos e recentemente me mudei para a terra do churrasco (Pelotas - RS), onde faço graduação em biotecnologia. Gosto de arte, cultura geral, animais domésticos, psiclogia, história e filosofia. Gosto de algumas pessoas também. Aprecio culinária japonesa... mas tem que ser sem carne. Gosto de escrever, desenhar, conversar, tocar violão, perder tempo na internet e dormir.


. Árvores genealógicas



Quinta, 06 de setembro de 2012 14:50

Árvores genealógicas

Árvores acumulam anéis à medida que envelhecem. Nos seres humanos, há um processo semelhante. E o que alguns enxergam como pichações do tempo nada mais são que marcas de uma vida, de trabalho, sonhos, sorrisos, pensamentos: expressões da natureza humana.

Pensamentos e sentimentos acumulados conferem a experiência para pensar com clareza, literalmente. A iluminação preenche os cabelos dos anciãos, tornando-os alvos. Alvos como as asas daqueles que em não muito tempo os levarão de volta às origens de todos os seres. Alvos da percepção alheia, por seu brilho.

Esses seres brilhantes adquirem também certa transparência. Não só pela espontaneidade que seus esquecimentos e a adaptação às novas tecnologias acabam despertando em suas relações com outros seres humanos, mas também pela pele que parece abraçar com mais força os vasos e outras estruturas cobertas por ela.

A mente torna-se mais flexível em alguns aspectos e em seus devaneios (nem sempre durante o sono), nossos ancestrais conectam-se ao invisível. O que é considerado delírio por nossa “vã filosofia” pode ser apenas amostra de “interferências” de portais a serem atravessados em breve, quando esses iluminados atingirão definitivamente a luz.

A sabedoria adquirida os obriga a diminuir a pressa e a velocidade de seus passos. Os movimentos precisam ser pensados e exigem mais cuidados. A caminhada atenta permite que nuances sejam assimiladas. Os anciãos são conhecedores das intempéries, das variações na cobertura vegetal e da transformação decorrente de mudanças imobiliárias e tecnológicas nas cidades. Foram espectadores de catástrofes e transgressões políticas. Foram atores de revoluções e da conquista de direitos.

Sobrevivem à poluição e à sobreposição do virtual sobre o real. Assistem às rápidas variações de uma sociedade às vezes impaciente com a baixa velocidade dos que ajudaram a construí-la. Talvez estejam cansados, confusos e ansiosos para o fim da jornada. Talvez queiram viver um pouco mais, para presenciarem mais alguns capítulos da história da humanidade. 

Assim como os anéis das árvores, surgem elos na vida desses seres humanos. Aqueles que se vão desmatam ligeiramente a vida dos que ficam e os lembram de que uma intensa viagem está próxima. A devastação do crescimento das cidades deixou muitas árvores sem espaço. Os seres de safras mais antigas devem ser entendidos como parte da biodiversidade e merecedores da preservação, para que continuem respirando e rendendo frutos saudáveis entre nós.


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