DESAFIO - Denise Rosá Branco
Se não for com você, pelo menos repasse, é útil e objetivo

No Brasil, o câncer de mama é o que mais causa mortes entre mulheres. A doença ocupa o primeiro lugar em incidência nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste, sendo responsável, respectivamente, por 22,84%, 24,14% e 23,83% dos novos diagnósticos de neoplasia realizados em mulheres.

Cerca de 80% dos tumores de mama são descobertos pela própria mulher , palpando suas mamas incidentalmente. Quando isso ocorre, eles já apresentam um tamanho grande, o que dificulta o tratamento. O que se pretende é a descoberta desses tumores de tamanho o menor possível (de 1 a 3cm) de maneira que a doença seja tratada ainda em fase inicial. Por isso é muito importante a prática periódica do auto-exame, maneira mais direta de detecção da doença.

Vale lembrar que o câncer de mama ocorre com muito mais freqüência em mulheres que nos homens, numa proporção de 100 casos femininos para um masculino.

"A partir de hoje eu, Iris, e minha filha, Denise, Estaremos expondo minha experiência ao saber da doença e o que venho fazendo desde então. Estaremos sempre mesclando dados de pesquisa com minha experiência, a fim de auxiliar no diagnóstico precoce dessa doença que tira a vida de tantas mulheres todos os ano. Esperamos que vocês gostem!

Aceitamos sugestões, críticas, histórias de quem já vivenciou algum caso. Basta enviar via e-mail para: denise_fabiane@brturbo.com.br ,ou encaminhar para o Jornal Evolução, que eles nos repassarão! Um abraço a todas!"

Parte 2

O câncer de mama é a neoplasia (qualquer tumor) maligna que mais acomete o sexo feminino, chegando a ser responsável por cerca de 20% das mortes por câncer entre as mulheres. A despeito dos enormes progressos alcançados nas últimas décadas, nos campos do diagnóstico precoce e do tratamento, a incidência de câncer de mama continua a aumentar. A American Cancer Society (Sociedade Americana do Câncer) estima que uma entre 12 mulheres desenvolverá um câncer de mama durante a vida e, a incidência desta doença aumenta com a idade.

O nome câncer abrange um vasto conjunto de doenças caracterizadas por apresentar um grupo de células que cresce sem controle algum. Geralmente, as células cumprem um ciclo de vida previsível, com células envelhecidas que morrem e novas células que ocupam o seu lugar. Porém, em certos casos, esse processo sofre alterações e o sistema imunológico não pode controlá-lo; as células se multiplicam sem controle formando tumores. Um tumor primário não se propaga a outras regiões do corpo, mas, quando faz isso, esse tumor primário é considerado canceroso ou maligno. O câncer de mama geralmente tem sua origem nas células de revestimento dos ductos mamários ou nos lóbulos da glândula mamária. Dos casos de câncer de mama, 20% apresentam características não invasivas; o resto geralmente invade os tecidos além dos ductos e da glândula mamária. O câncer de mama também afeta aos homens, porém a relação é de 1 a 100 com relação às mulheres.

Parte 3

""Ah tá! Mais uma vez falando disso? Todo mundo fala, mas nunca vi ninguém que tenha retirado a mama por causa de câncer..." Nunca viu? Engano seu! É mais comum e está mais perto do que você pensa! Eu, Iris, também achava isso! Mas bastou acontecer comigo para que eu descobrisse muitas outras mulheres conhecidas da nossa cidade que já passaram e estão passando pela mesma coisa.

"Aconteceu com você?" Sim, comigo. Em outubro de 2003 fui ao médico e ele me disse que eu estava com um tumor na mama esquerda e que precisava ser retirado. Não deu nem chance de discussão, apenas me disse que teria que operar o quanto antes, fazer radioterapia e quimioterapia. Foi um choque. Mais um nesse ano conturbado. O que eu fiz? Chorei, claro! Quem não choraria? Senti medo, com certeza. Por isso o nome da coluna: DESAFIO. Seria mais um desafio em minha vida. E nem só na minha, na vida de toda a minha família. Mas Deus só nos dá obstáculos que podemos transpor. Fui à luta!"

A origem do câncer de mama ainda é desconhecida. É sabido que não distingue classes sociais e que é rara em homens (1% dos casos). A faixa etária mais acometida varia dos 45 aos 55 anos, havendo uma tendência, atualmente, ao aumento da incidência nas faixas etárias mais jovens. O diagnóstico precoce é, sem dúvida, o fator mais importante para um bom prognóstico.

Antecedentes familiares (casos na família) de câncer de mama, especificamente na mãe e irmãs, e algumas moléstias benignas de mama, também ajudam a compor os grupos de maior risco.

Parte 4

Aproximadamente 10% da população feminina pode ser considerada de alto risco para câncer de mama; no entanto, apenas 30% desta desenvolve a doença.

Causas - O câncer precisa de vários anos para se desenvolver. O processo geralmente se inicia com uma alteração das células, que pode ser causada por diversos fatores: tipo de dieta, tabagismo, exposição ao sol, certas substâncias, radiações, etc. No desenvolvimento desse tipo de câncer têm influência direta: familiares diretos que tenham sofrido câncer de mama, uso prolongado de anticoncepcionais orais, menarca precoce (primeira menstruação antes dos 11 anos), obesidade pós-menopausa ou nunca ter engravidado.

Sintomas - A primeira suspeita ocorre quando um inchaço, de consistência diferente do resto da mama, é apalpado. Nas fases precoces, essas partes duras se deslocam por baixo da pele, enquanto que nos casos mais avançados, elas se encontram aderidas à pele. Em certos casos, não muito freqüentes, é possível sentir dor na mama sem haver nenhum ponto duro.

"Só 30% desenvolve o câncer de mama. Fui a "azarada". Mas é uma boa experiência. Depois de saber que precisava ser operada, voltei pra casa. Contei a meus filhos. O médico disse que, com o choque emocional da morte acidental de meu marido, aquela pequena calcificação que o primeiro médico que procurei disse não ser nada, progrediu rapidamente, transformando-se num tumor. Pedi a meus filhos para não comentarem com ninguém. Eu estava com uma doença que ainda é tratada como tabu.

Parte 5

Tem muita gente que acha que, se não tomar conhecimento da doença e de pessoas que a tem, não serão acometidas por ela. Ledo engano! Vocês viram: 10% da população feminina pode ser considerada de risco e 30% desenvolve a doença! Qualquer mulher pode desenvolver o câncer! Vamos nos cuidar, nos auto-examinar! Quanto antes se descobre qualquer "carocinho" no seio, mais fácil é para tratar!"

Cirurgia Conservadora - Quadrantectomia: o nome vem da palavra quadrante, ou seja, uma parte da mama é retirado (como se fosse uma fatia de pizza). Esta cirurgia sempre deverá ser complementada pela radioterapia.

Cirurgia Radical - Mastectomia: é a retirada total da mama, com ou sem o músculo peitoral (localizado logo abaixo dela).

Tanto a quadrantectomia quanto a mastectomia são geralmente acompanhadas da retirada de nódulos linfáticos da axila (linfonodos). Esses nódulos são estudados para sabermos se foram invadidos ou não pelo tumor e orientar o tratamento complementar.

"Pois é. O médico optou pela mastectomia radical em meu caso. Por quê? Afinal, ele mesmo me disse que o tumor não era assim tão grande. Mas eu tinha agravantes. Mas tinha também compensações. Primeiro, agravantes: o bico do meu seio já estava repuxado, o que levava a crer que o tumor estava muito próximo à pele. As compensações: por eu ter um seio grande, provavelmente o câncer estaria restrito à mama, sem ter atingido outros órgãos. Fiquei feliz? Mais calma? Não. Só me acalmei quando fiz os exames de tórax e ficou comprovado que o câncer estava apenas na mama. Me acalmei é modo de dizer.

Parte 6

Com os exames prontos, fui à Curitiba para outra consulta, desta vez acompanhada de minha filha, para marcar a cirurgia. Fomos prontas para ficar por lá, caso o médico decidisse marcar para o dia seguinte. O médico explicou tudo de novo. Que iria fazer a mastectomia radical por não querer correr risco de que ficasse uma célula cancerígena sequer. Que iria submeter-me à radioterapia e quimioterapia mesmo sem saber a gravidade e o tipo de tumor, porque queria que eu ficasse ao lado de meus filhos por mais uns 10 anos, pelo menos. E nos acalmou dizendo que, em seus 40 anos de experiência, já realizou mais de 3.000 cirurgias desse tipo.

Desde que fiquei sabendo que teria que fazer a cirurgia, até o dia marcado para ela, foram apenas 15 dias... Rápido. Foi bom. Assim, não deu tempo para ficar pensando em besteiras. Então, no dia 16 de outubro de 2003, meu afilhado levou a mim e minha filha para Campo Largo, onde seria operada."

Diagnósticos - A mamografia ou radiografia de mamas é o método mais efetivo para identificar o câncer. Existem dois tipos de mamografias: de controle (procedimentos de rotina) e de diagnóstico (para examinar áreas específicas, em que uma dureza foi apalpada). Em mulheres jovens, grávidas ou em período de amamentação, as mamas são mais densas e a interpretação da mamografia é mais complexa do que nas mulheres mais velhas, cujas mamas apresentam alta proporção de gordura.

Parte 7

Utilizam-se as ultra-sonografias para diferenciar as massas sólidas - que poderiam ser cancerosas - dos cistos (cavidades contendo líquidos) que geralmente não são cancerosos, reduzindo assim o número de biópsias desnecessárias. A ressonância magnética pode identificar certos tumores difíceis de serem detectados nas mamografias. Para confirmar um diagnóstico de câncer de mama realiza-se uma biópsia.

"Eu havia feito uma mamografia há uns três anos atrás. Na ocasião o médico encontrou uma calcificação e disse que não tinha porque me preocupar. Não me preocupei, afinal, quando um médico te diz "não se preocupe", você não sai do consultório direto pra outro médico, certo? Você confia na experiência de seu médico. Agora, quando vêm me contar sobre ´pequenas calcificações´ digo na hora pra procurarem outro médico. Em um caso assim, o melhor é nunca deixar para depois. Eu não procurei uma segunda opinião e acabei por perder a mama..."

Tratamento - O primeiro passo para tratar o câncer de mama abrange algum tipo de procedimento cirúrgico. Uma opção é extirpar somente o tumor e certa área de tecido sadio, conservando a maioria da mama, e completar com radioterapia (com raios X de alta energia) para destruir as células que tenham ficado. A outra opção é a mastectomia, que implica a retirada total de mama. A escolha de uma ou outra técnica depende do tipo, do tamanho e do grau de expansão do tumor.

Parte 8

Em certos casos, depois da cirurgia, prescreve-se quimioterapia: o uso de fármacos que destroem seletivamente aquelas células que se multiplicam ativamente. Existem várias cirurgias que podem ser realizadas para o tratamento do câncer de mama. Mas cada caso tem suas necessidades diferentes!
"Já falei um pouco anteriormente sobre os tipos de cirurgia. No meu caso, por haver retração do mamilo, o médico decidiu por uma mastectomia radical, ou seja, a retirada total da mama e músculos adjacentes. Do lado esquerdo do peito, agora, tenho somente o mínimo de carne e a pele sobre as costelas. Por que tanto radicalismo? Para não correr riscos. Poderia ter sido retirado somente o tumor, afinal era relativamente pequeno (2,5cm de diâmetro), mas o médico quis assegurar-se de que não ficaria nenhuma célula cancerígena em meu corpo."
"Dia da cirurgia. Fui com minha mãe, claro. Para que eu pudesse ficar com ela no hospital, teria que pagar mais de R$ 800,00. Chegamos ao Hospital antes das 10h. Preenchemos a ficha de internamento. Pelas 11h buscaram minha mãe e a levaram para o quarto.
A cirurgia estava marcada para às 16h. Fiquei na recepção do hospital. O tempo passava e nada... Ninguém sabia se a cirurgia já havia terminado. Queria muito conversar com o médico. Já eram 18h e nada... Enfim, o médico saiu. Veio falar comigo. Disse-me que o tumor era maligno e bem agressivo, o que ele já suspeitava. Falou que a cirurgia tinha corrido muito bem e logo minha mãe estaria no quarto.
 
Parte 9

Pedi para vê-la. Ele me disse que fazia questão que eu estivesse no quarto quando ela voltasse.

Trouxeram minha mãe por volta das 18h40. Ela se queixava de muita dor. Revirava os olhos. Pedia água. As enfermeiras me disseram que ela não podia nem comer nem beber até o outro dia... Fique com ele até depois das 20h. O que eu podia fazer? Dizer que estava ao lado dela, que ela ficaria boa, que a dor passaria... E rezar, claro. Minha mãe estava mais calma.

No dia seguinte, cedo fui ao hospital. O médico disse que ela ficaria internada apenas um dia. Fui esperar sua alta. Aguardei das 8 até às 11h. Sem alta. Voltei no horário de visitas. Minha mãe estava bem. Deitada, ainda com as ataduras, sem comer nada. Conversamos muito. Fiquei feliz ao ver que estava bem. Minha rotina era passar o dia no hospital, esperando por notícias. Fiz amizade com as recepcionistas, que ligavam para a enfermeira chefe e esta vinha me trazer notícias de minha mãe. Pessoas muito simpáticas. Atendimento maravilhoso!

A cirurgia aconteceu na quinta. Na sexta era pra ter saído a alta, mas não saiu. Liguei para casa e pedi para que meu irmão fosse pra Campo Largo ver a mãe, porque pensei que não voltaríamos de lá antes da segunda-feira. Sábado à noite, estávamos no quarto quando o telefone tocou. Era uma mulher. Perguntou se eu poderia ir ao hospital. Fiquei apavorada, afinal, na quinta, me disseram que só ligariam se alguma coisa acontecesse a minha mãe. Em menos de cinco minutos estava na recepção do hospital.

Parte 10

Nada demais. As enfermeiras me chamaram para passar a noite com minha mãe, porque sua companheira de quarto havia recebido alta e minha mãe, devido ao soro, não conseguia se levantar sozinha da cama. Depois do susto, uma noite no hospital.

Domingo pela manhã o médico perguntou se minha mãe se sentia bem. Disse que estava de alta e poderia ir pra casa, mas tinha que tomar cuidado com o dreno, para que não infeccionasse a região onde ele estava. Nossa! Que alegria! Melhor notícia, no domingo, não poderia ter! Finalmente estávamos indo pra casa!""Domingo pelo meio-dia chegamos em casa. Que coisa boa! Foram apenas quatro dias fora, mas que pareceram uma semana! Minha mãe se sentia muito bem, sem dor, desde a sexta-feira. Colocamos o nome de "Totó" no dreno que ela tinha na região da cintura. A rotina era uma boa alimentação, bastante descansa e limpeza do Totó duas vezes ao dia, sempre marcando quanto de líquido havia saído. Pode-se dizer que a ida voltou ao normal, ao menos em relação ao trabalho".

"Depois de quatro dias no hospital, estava muito feliz por voltar pra casa. Como o médico orientou, ligava pra ela a cada dois dias, explicando tudo o que acontecera nos dois dias e tirando as dúvidas, caso houvessem. Sempre muito atencioso, marcou retorno para o sábado, ou seja, 25 de outubro. Fomos ao seu consultório, em Curitiba. Tirou alguns pontos, examinou o corte, o braço e fez com que eu mesma tirasse e colocasse a blusa.

Parte 11

Me disse que tudo estava bem e que, se não fosse ele o médico responsável pela cirurgia, nem acreditaria que faziam apenas 10 dias que eu havia sido operada. Desobstruiu uma das saídas do dreno que estava parcialmente entupida e me deixou voltar para casa."

ESTRUTURA DAS MAMAS

As glândulas mamárias, que têm como principal função a secreção do leite, estão situadas na parede anterior do tórax e se compõem de:

· Ácino - menor parte da glândula e responsável pela produção do leite durante a lactação;

· Lóbulo mamário - conjunto de ácinos;

· Lobo mamário - conjunto de lóbulos mamários que se liga à papila através de um ducto;

Parte 12

· Ductos mamários - em número de 15 a 20 canais, conduzem a secreção (leite) até a papila;

· Tecido glandular - conjunto de lobos e ductos;

· Papila - protuberância elástica onde desembocam os ductos mamários;

· Aréola - estrutura central da mama onde se projeta a papila;

· Tecido adiposo - todo o restante da mama é preenchido por tecido adiposo ou gorduroso, cuja quantidade varia com as características físicas, estado nutricional e idade da mulher.

"Meus dias eram praticamente iguais: levantar pela manhã, limpar o Totó, me vestir, tomar café e assistir TV. À tarde tinha a companhia de uma enfermeira, que atendia à porta quando chegavam visitas, que não eram poucas. Além disso, a enfermeira não tinha vergonha nenhuma de pedir para que as visitas se retirassem, caso fosse hora do meu descanso ou de minha refeição. No princípio eu ficava envergonhada, mas depois me acostumei e vi que era para meu próprio bem.

A cada dia saía menos líquido pelo dreno. Isso era bom, pois assim, ele logo seria tirado. Vocês devem estar curiosos: ‘e as atividades, os trabalhos, será que voltou tudo ao normal?’ Claro que sim! Mesmo antes da cirurgia o médico já havia orientado para que, assim que retornasse da anestesia, eu começasse a movimentar o braço esquerdo, para evitar atrofia e auxiliar na drenagem. Foi o que fiz."

Parte 13
"Quando perguntei ao médico o que minha mãe poderia ou não fazer após a cirurgia, a resposta foi rápida: pode fazer tudo o que fazia antes e mais um pouco; só não quero que levante botijões de gás industriais. Simples assim: a vida volta ao normal. Aumentam os cuidados para não se cortar, arranhar, queimar do lado esquerdo do corpo, porque foram tirados os linfonodos, que fazem a proteção do corpo conta infecções. O médico foi enfático ao dizer que, caso minha mãe se machuque, deve ir imediatamente para Curitiba, consultar com ele."

TECIDO MAMÁRIO
As mulheres mais jovens apresentam mamas com maior quantidade de tecido glandular, o que torna esses órgãos mais densos e firmes. 

Parte 14
Ao se aproximar da menopausa, o tecido mamário vai-se atrofiando e sendo substituído progressivamente por tecido gorduroso, até se constituir, quase que exclusivamente, de gordura e resquícios de tecido glandular na fase pós-menopausa.
Essas mudanças de características promovem uma nítida diferença entre as densidades radiológicas das mamas da mulher jovem e da mulher na pós-menopausa. 

"Já fazia 29 dias desde a cirurgia quando fui novamente consultar. Pouquíssimo líquido saía pelo dreno. O médico, então, tirou mais alguns pontos e retirou o dreno. Já estava tão habituada com o Totó que, ao levantar da mesa de exames, quis puxa-lo, como sempre fazia, mas já não tinha mais o dreno comigo!

Parte 15
Não foram tirados todos os pontos. Perguntei por quanto tempo mais ficaria com eles e o médico disse: ‘daqui uns sete anos eu tiro, está bem?’. O que sempre gostamos neste médico, desde o início, foi sua sinceridade e seu senso de humor. Sempre fazendo brincadeiras para nos animar, mas, quando era sério, dizia tudo o que precisava, sem rodeios".

AÇÃO HORMONAL
A mama, como outras estruturas da mulher, modifica-se durante o ciclo menstrual, pela ação do estrogênio e da progesterona, os hormônios sexuais femininos.  
A ação da progesterona, na segunda fase do ciclo, leva a uma retenção de líquidos no organismo, mais acentuadamente nas mamas, provocando nelas aumento de volume, endurecimento e dor.  
Durante esse período de sintomatologia exacerbada pelo edema, torna-se mais difícil o exame das mamas, quer seja pelo médico quer pela mulher (auto-exame). Sugere-se a realização do exame uma semana após a menstruação, período em que as mamas encontram-se menores, menos consistentes e indolores.  

A fita cor de rosa é o símbolo da consciência para a luta contra o câncer de mama.

Parte 16
"Bem que eu poderia fazer uma festa, afinal, agora estava sem o dreno e poderia, finalmente, voltar a trabalhar normalmente! Durante a consulta, o médico me deu encaminhamento para a quimioterapia e disse que, a partir da consulta com a médica responsável por essa fase do tratamento (quimioterapia), eu seria encaminhada para a radioterapia".

RADIOTERAPIA
Radioterapia é a utilização de radiação para bloquear o crescimento das células. Pode ser utilizada antes da cirurgia (para diminuir o tamanho do tumor) ou após a cirurgia (para evitar recidiva, ou seja, a volta da doença).
Este tratamento requer um especialista (radioterapeuta) e equipamento sofisticado. São feitos vários cálculos para que os raios atinjam apenas o local desejado, isto é, o tumor, e não afetem o tecido normal. Muitas vezes, isto é feito com o auxílio de um computador.
Para o início do tratamento, é feita a marcação com tinta na pele, para que a aplicação seja realizada sempre no mesmo local. Geralmente, as aplicações duram 15 minutos e devem ser feitas diariamente (de segunda a sexta-feira), variando de 25 a 30 aplicações.
Quem recebe a radiação não se torna radioativo! Geralmente este tratamento não apresenta complicações, a pele fica apenas com o aspecto de uma queimadura de sol.

Parte 17
"Marcamos o dia da consulta para a quimioterapia. Ansiosa e, por que não dizer, curiosa e apreensiva, chegamos no Instituto Halsted, onde seriam realizadas as sessões. Após um breve período de espera, fomos recebidas pela médica, muito simpática, alegre e dinâmica. Explicou rapidamente o que aconteceria, preencheu o encaminhamento para a radioterapia e marcou minha primeira sessão de quimioterapia. Saímos do consultório eram 17h. Ligamos para o hospital onde seria realizada a radioterapia, mas o atendimento era realizado somente até às 17h. Voltamos pra S.Bento."

QUIMIOTERAPIA
Podemos resumir a quimioterapia como o uso de medicamentos potentes no tratamento do câncer. É um tratamento que complementa a cirurgia, podendo ser feita antes ou após a operação.
A cirurgia e a radioterapia têm apenas efeito local, enquanto que a quimioterapia age em todo o corpo. O objetivo principal deste tratamento é evitar a volta do tumor no local ou seu aparecimento em outros órgãos.
"De volta à S.Bento, fui levar as requisições para serem autorizadas pelo plano de saúde, o que não aconteceu. Acabei por perder a primeira sessão de quimio por falta de autorização. Por doze dias tentamos a autorização e nada. Estava ficando aflita afinal, quanto antes começasse o tratamento, antes ficaria pronto. Contatamos nosso advogado e o Procon. No contrato do plano de saúde estava claro que a quimioterapia e a radioterapia tinham cobertura. Então, por que não autorizavam?"

Parte 18
Como age a quimioterapia?
O medicamento, através da corrente sangüínea, atinge todas as partes do corpo. As células que mais sofrem a ação da quimioterapia são aquelas que crescem e se dividem muito, como as do câncer. Mas outras células do nosso organismo também têm estas características e também vão ser atingidas, acarretando os efeitos colaterais ou indesejados do tratamento. São elas:
· Células produtoras dos glóbulos sangüíneos vermelhos e brancos. Efeito: anemia e diminuição da resistência a infecções.
· Células do aparelho digestivo. Efeito: náuseas, vômitos e diarréia.
· Células do sistema reprodutor. Efeito: parada da menstruação e dificuldade para engravidar.
· Células do folículo piloso. Efeito: queda de pêlos e cabelos. Porém, como são células normais elas vão se regenerar e retornar ao estado normal, com exceção daquelas do sistema reprodutor.
"Quando finalmente a autorização foi dada, já haviam passado mais de doze dias. Fomos novamente para Curitiba e, no dia 3 de dezembro de 2003, fiz toda a avaliação para a radioterapia. Passei a tarde no Hospital Nossa Senhora das Graças. Após tudo pronto, fomos para a kitinete que alugamos. Descansamos e, no outro dia, logo após o almoço, retornamos ao hospital para minha primeira sessão de radioterapia. No total seriam 30 sessões. Tudo correu bem. Não senti nada.
Do hospital fomos para o Instituto, onde receberia pela primeira vez a medicação da quimioterapia.

Parte 19
Falamos novamente com a médica, que viu meus exames e me encaminhou para um dos quartos. Sempre ouvi dizer que a quimio demorava horas! Pensei que fosse sair somente à noite do instituto, mas era preciso. Qual não foi nossa alegria quando, após apenas uma hora, eu já podia voltar para casa!"

Quanto tempo dura a quimioterapia?
A duração depende do tipo de tumor, do estágio da doença, do resultado da análise dos nódulos linfáticos, da idade da mulher e da sensibilidade individual.
"Quando me deitei para a quimio fiquei lembrando de tudo o que já ouvira falar e havia lido sobre a quimio. Estava nervosa, com medo. Fiquei perguntando para a enfermeira se iria ficar enjoada, vomitar, essas coisas. A enfermeira, muito animada me disse: ‘Claro que não! Você deve pensar que não vai sentir nada!’Assim que fiz. Pensei que não iria sentir nada, mas senti. Quando começaram a aplicar as duas injeções com medicamento em minha veia, comecei a enjoar, a ter náuseas, a enfermeira precisou me levar ao banheiro. Realmente foi uma experiência pela qual nunca havia passado."

Como é feita a quimioterapia?
O tratamento pode ser administrado por via oral, intramuscular ou por soro. Geralmente, para o câncer de mama utiliza-se a via endovenosa (soro). Na maioria das vezes, não é necessária internação.

Parte 20
A paciente passa pela consulta médica e, estando com seus exames normais, recebe o soro com medicamento durante algumas horas. Após esse período, retorna para casa.
"Sexta-feira. Fomos cedo para o hospital para a radioterapia. Avisamos, ao chegar, que teríamos que pegar o ônibus às 10h. Me atenderam logo. Fomos para a rodoviária e voltamos pra S.Bento. Minha nova batalha havia começado. Seriam 30 dias corridos de radioterapia e 8 sessões de quimioterapia, uma a cada 21 dias.
Em casa, tudo parecia melhor. Passei o fim de semana muito bem. Recebi o convite de casamento de um afilhado, com o pedido de que eu o levasse ao altar, uma vez que sua mãe já é falecida. Aceitei na hora! Depois, comecei a me preocupar com a queda de cabelo que pode ocorrer com a quimio... E se eu já estivesse careca no dia do casamento? Meus filhos me animavam e diziam para não pensar nisso. Se preciso, compraríamos uma peruca! Assim, logo chegou a segunda-feira. Dia de voltar para Curitiba para ficar mais uma semana."

Quais são os cuidados após a quimioterapia?
· Evitar tomar medicamentos sem orientação médica.
· Se, durante a administração da quimioterapia, ocorrer dor forte no braço, avisar a enfermeira. Atenção: Alguma sensação de queimação pode ocorrer com algumas drogas.

Parte 21
· No dia da quimioterapia, ingerir dieta leve, principalmente à base de líquidos. Evitar gorduras e alimentos de digestão difícil.
· Algumas pacientes referem boa aceitação a gelatina, sorvete, refrigerante e pipoca.
"Fiquei os primeiros dias com minha mãe em Curitiba. Depois de conhecer o lugar onde ela ficaria hospedada e o hospital onde faria a radioterapia, percebi que ficaria bem. A dona da kitnete é enfermeira no hospital, no setor de radioterapia. O marido dela nos levava e buscava no hospital todo dia. O médico que atendeu minha mãe na radioterapia orientou que ela precisaria descansar bastante após a sessão de radio e que poderia vir a sentir uma queimação na garganta. Para isso, ele receitou um remédio que ela deveria tomar antes das refeições.
No local das aplicações, sempre duas horas antes, era necessário passar um protetor solar fator 50. Para evitar irritação na pele, minha mãe deveria usar somente roupas de malha. Foi uma semana tranqüila. Logo a sexta-feira chegou e voltamos pra S.Bento."

HORMONIOTERAPIA
Há alguns anos, os médicos relacionaram o câncer de mama com os hormônios femininos (principalmente os estrogênios). Os tumores de mama podem ou não depender destes hormônios. Para descobrir isto, é feito um teste nas células do tumor - dosagem dos receptores de estrogênios. Este teste permite avaliar a utilidade da hormonioterapia naquele caso.

Parte 22
A hormonioterapia é feita por via oral com 1 a 2 comprimidos ao dia, durante no mínimo 2 anos, sendo o medicamento mais utilizado o tamoxifeno.
"Segunda semana em Curitiba. No calendário que tenho na kitnete vou marcando cada dia de radioterapia. Como o local é bom, tenho carona pra ir e voltar do hospital, meus filhos e eu vimos que não seria problema ficar sozinha por uns dias. Além do mais, temos comércio e não podíamos deixá-lo fechado!"

A Doença Benigna

O limite da normalidade no tecido mamário é difícil de ser definido devido às modificações dinâmicas verificadas nas mamas ao longo da vida das mulheres.

Parte 23
Daí surgir o conceito de alterações funcionais benignas da mama, antigamente denominadas doença fibrocística ou displasia mamária. Embora tais termos antigos ainda sejam utilizados pelos médicos, é importante entender que eles são sinônimos. 
Clinicamente estes termos têm sido aplicados a uma condição na qual existem alterações na palpação, associadas ou não à dor, e sensibilidade aumentada, principalmente no período pré-menstrual. Não custa lembrar que a maioria das mulheres apresenta mamas irregulares à palpação, sendo que estas irregularidades podem ser confundidas com tumores.

Cisto mamário
É a manifestação clínica e ultra-sonográfica mais freqüente encontrada na mama e que se enquadra no grupo das alterações funcionais benignas das mamas.

Fibroadenoma
Apresenta-se como nódulos de tamanhos variados, firmes e bastante móveis. São característicos da mulher jovem e têm crescimento limitado. Os fibroadenomas, como todos os tumores benignos, têm um comportamento de expansão apenas local, seu tratamento resume-se à remoção do nódulo, e o seu estudo ao microscópio, o que permite o diagnóstico diferencial de certeza com o câncer.

Parte 24
"Sexta-feira. Dia de voltar pra casa. A semana passou devagar. Vera, a enfermeira dona da kitinete me convidava para almoçar ou jantar com eles. Além disso, sempre vinha me visitar, bater papo, trocar receitas de crochê. Isso fazia o tempo passar mais rápido. Quando ia ao hospital, tinha que ter muita paciência... Pegava uma senha e aguardava, algumas vezes por mais de hora... Mas era preciso. Os enfermeiros me ajudavam a subir na mesa, me posicionar para as aplicações. Eram sempre muito legais comigo, não posso me queixar! Também, quando chegava na sexta pela manhã, eles já me passavam pra frente de outros pacientes, para que eu pudesse pegar o ônibus das 10h pra voltar pra casa!"

EXERCÍCIOS PÓS-OPERATÓRIOS
Atualmente o valor da fisioterapia e da terapia ocupacional são indiscutíveis no desenvolvimento e na manutenção das atividades de vida diária saudáveis, após a cirurgia da mama.
Quanto antes você começar um programa completo de exercícios físicos, maiores e melhores serão suas chances de reabilitação e de prevenção de complicações.
Os exercícios ajudam você a recuperar os movimentos diminuídos do braço do lado operado e a prevenir o linfedema (inchaço).
Vencendo a dor e o desconforto inicial, em pouco tempo você estará pronta para assumir todas as atividades do seu dia a dia e, conseqüentemente, sua autoconfiança.

Parte 26
PÓS-OPERATÓRIO IMEDIATO
Após a cirurgia mantenha o braço ligeiramente afastado do corpo, cerca de 20 centímetros, apoiado sobre um travesseiro, para que o cotovelo, o punho e a mão fiquem mais altos do que o ombro.

DOIS DIAS APÓS A CIRURGIA
Mexa suavemente o punho, o cotovelo e o ombro. Faça esses movimentos 10 vezes e repita-os 3 vezes ao dia.

Parte 27
Pegue uma bola de tênis ou borracha e aperte-a suavemente na mão durante 5 minutos e repita 3 vezes ao dia.

"Iniciei minha terceira semana de radioterapia. A cada dez dias, uma consulta com Dr. Celso, meu responsável nessa fase de tratamento. Rápida avaliação para ver se está tudo bem e se pode continuar o tratamento. Apenas sinto uma leve queimação na garganta, mas já estou tomando um remédio para isso. Além da medicação, devo tomar gelado: sorvete, suco, leite, água, tudo geladinho para diminuir a queimação.
Meu cabelo começou a cair. Foi ruim, é ruim. Sentia-me incomodada. Ia tomar banho, toalha ficava cheia de cabelo. Ia cozinhar, ficava com receio de que caísse cabelo na comida. Quando andava na rua, tinha a impressão de que todo mundo estava vendo meus cabelos caírem. Bastava soprar um vento mais forte e lá iam eles, voando... Já havia feito um gorrinho e o jeito foi começar a usá-lo!"

A PARTIR DO QUARTO DIA APÓS A CIRURGIA

Parte 28
"Dia do casamento. Nem lavei o cabelo com medo de que caíssem muitos e ficassem falhas. Fui, entrei com meu afilhado, tirei fotos, me diverti muito! No domingo, mais cabelos perdidos...
Semana de Natal. Radioterapia de segunda à quarta. Véspera de Natal. Muito trabalho no comércio. Arrumar pinheirinho, enfeitar a casa, colocar os presentes sob a árvore. Primeiro Natal sem meu marido. Primeiro Natal sem mama e quase sem cabelo. Em casa, os dias passam tão rápidos... Logo chegou a segunda. Seria diferente: meus dois filhos iriam comigo, afinal, estavam de férias".

A PARTIR DO QUARTO DIA APÓS A CIRURGIA

"Tomei a decisão: vou cortar todo o cabelo. Agora já se podem ver grandes falhas. Cada vez que passo a mão na cabeça, saem grandes mechas de cabelo. Chegamos em Curitiba e fomos direto ao hospital, para a radioterapia. Almoçamos e, em seguida, fomos procurar uma peruca. Quando encontramos, pedimos para a moça raspar minha cabeça.

Parte 29
Esperamos a dona do salão chegar e ela, que leva perucas para pacientes de quimioterapia, achou por bem só cortar bem rente meu cabelo, pois meu coro cabeludo estava muito delicado e poderia machucar.
Quando a mulher começou a cortar meu cabelo foi uma hora difícil Até aquele momento, quem me via e não sabia da história toda, nem se dava conta do que se passava, mas agora, todos iriam ver. E daí? Quebrem-se tabus! Fiquei careca sim, e daí? Faz parte do tratamento. O cabelo cresce de novo. Foi duro... Nós três tivemos vontade de chorar... Saímos do cabeleireiro e fomos para a quimioterapia, minha segunda sessão.”

A PARTIR DO QUARTO DIA APÓS A CIRURGIA

"Tomei a decisão: vou cortar todo o cabelo. Agora já se podem ver grandes falhas. Cada vez que passo a mão na cabeça, saem grandes mechas de cabelo. Chegamos em Curitiba e fomos direto ao hospital, para a radioterapia. Almoçamos e, em seguida, fomos procurar uma peruca. Quando encontramos, pedimos para a moça raspar minha cabeça.

Parte 30
Além disso, falou que, para 2005, estava pensando em me fazer uma mama nova... Até o momento em que o médico me falou em mama nova, em nenhum momento tinha pensado nisso. Agradeci, mas disse a ele que, por enquanto, não via necessidade de “repor” minha mama. Estava me sentindo e me aceitando muito bem assim!”

APÓS A RETIRADA DOS PONTOS E DO DRENO

“Semana mais curta. Radio na segunda e na terça. Voltar para São Bento, para passar o ano novo em casa. Retornaria para Curitiba somente na segunda, dia 05/01/2004. A rotina continuaria a mesma: radio pela manhã, descanso, papo na casa da vizinha, descanso... Assim o tempo passou. Chegou o dia da avaliação. Claro que já estava contando os dias para terminar com a radioterapia. Seriam 30 sessões. Faltavam quatro ainda! Fui conversar com o médico. Ele avaliou meu quadro, me olhou e disse: ‘Suas sessões terminam nesta sexta’. Como? Não eram 30? Muito bom! Fui dispensada!

Parte 31
Reagi muito bem ao tratamento e pude concluir com 28 sessões! Finalmente voltaria à minha vida normal!”

PEGUE E LARGUE:
Abra e levante os braços até a altura dos ombros. Dobre os cotovelos e apóie as palmas das mãos atrás da cabeça. Estique novamente os braços juntando as mãos atrás das costas, na altura da cintura. Repetir 5 vezes.

ELEVADOR:
Entrelace os dedos das mãos, dobre os cotovelos e eleve os braços até a altura dos ombros. Depois, leve os braços para cima e apóie as mãos no alto da cabeça. Continue levantando os braços até esticar os cotovelos, mantendo as mãos unidas acima da cabeça. Retorne à posição inicial. Repita 5 vezes.

“De volta em casa. Que maravilha! Agora precisava voltar à Curitiba somente uma vez a cada 20 dias, para a quimioterapia.

Parte 32
Claro que sempre contava com a disponibilidade de amigos para me levarem até o Instituto. Sempre era um passeio agradável. A única vez que minha filha não pode ir, foi a cunhada de meu filho comigo. É só para fazer companhia e chamar a enfermeira para trocar o tubo de soro, uma vez que eu não conseguia usar o telefone por estar com o braço imobilizado para aplicação do soro. Assim foram se passando, uma sessão após a outra.”

BALIZA:
Segure um bastão à frente do corpo na altura das coxas, com os braços esticados. Levante os braços acima da cabeça mantendo os cotovelos esticados. Dobre os cotovelos novamente, levando o bastão atrás da cabeça. Retorne à posição inicial. Repetir 5 vezes.
ESCALADA:
Fique de frente para uma parede com os pés próximos à mesma. Coloque as mãos na parede na altura do ombro. Com o movimento das pontas dos dedos, vá subindo os braços tão alto quanto possível. Volte à posição inicial movimentando os dedos das mãos pela parede. Descanse. Repetir 5 vezes.

Parte 33

“A cada três meses repetia os exames para controle. A médica, sempre muito animada, me incentivava, mostrando que os resultados haviam melhorado! Aliás, a médica, Dra. Cristiane Sabóia, nunca estava de mau humor. Sempre nos recebia na porta do consultório, abraçava, dava um beijo e perguntava como eu havia passado desde a última sessão. Ela dizia que era muito importante contar a minha experiência para ela, pois, para cada paciente, as reações ao tratamento eram diferentes.”

POSITIVO / NEGATIVO:
Abra os braços e levante-os à altura dos ombros com os cotovelos esticados. Rode os ombros para trás, apontando os polegares para cima (“positivo”). Rode os ombros para frente, apontando os polegares para baixo (“negativo”). Relaxe. Repetir 5 vezes.

CARROSSEL:
Amarre uma fita na maçaneta de uma porta. Segure a fita de frente para a porta. Mantenha o cotovelo esticado e faça movimentos com o braço para um lado e para o outro, formando círculos e o número oito deitado. Relaxe. Repetir 5 vezes.

Parte 34
“Em uma das vezes que fomos ao Instituto, meu sobrinho me levou. Fomos em quatro: eu, a Denise, meu sobrinho e a filha dele. Como não sabemos nos locomover de carro por Curitiba, meu sobrinho e a filha ficaram comigo no Instituto e a Denise foi ao centro buscar a autorização na Unimed, de ônibus. Para ir e voltar levava quase duas horas, uma vez que na Unimed o atendimento é por ordem de chegada. Enquanto minha filha estava no centro, conversei com a médica e ela me encaminhou para o quarto. Mas, antes disso, aconteceu algo irônico: a filha de meu sobrinho não pode ver agulhas que desmaia. Quando entramos no instituto, ela foi alertada para que não olhasse para dentro dos quartos, mas não adiantou... Antes de chegar ao último quarto, ela começou a empalidecer e meu sobrinho teve que levá-la para o carro, carregada!”

SIRI:
Com os braços esticados, levante o corpo do chão lentamente. Use as mãos para facilitar o movimento. Repetir 5 vezes.
MÃOS UNIDAS:
Junte as mãos, entrelaçando os dedos e levante os braços, esticando os cotovelos. Repetir 5 vezes.

“Minha mãe, meu exemplo, meu orgulho.
Quando soube que minha mãe estava com câncer fazia exatamente nove meses que meu pai havia morrido. Foi um grande choque. Me perguntava o que Deus estaria reservando-nos. Hoje faz um ano que minha mãe foi operada. Nesta árdua caminhada aprendi muitas coisas. Entre algumas delas, que a fé, a força de vontade e o amor podem tornar tudo possível. O exemplo que ela me deu, passando pelas primeiras, e mais difíceis, etapas do tratamento com muita alegria e disposição, sempre procurando nos tranqüilizar, me mostrou o quão grande é sua vontade de viver em plenitude e poder estar sempre comigo e com minha irmã. Nada que eu faça irá se comparar com a força e com a grandeza que minha mãe demonstrou, e continua demonstrando, nesta caminhada. Minha mãe sempre será para mim o ponto de referência, pois, com seu exemplo de luta e determinação, me fez entender a maneira verdadeira com que devemos encarar a vida, este bem precioso que nos é destinado, e que deve ser valorizado e desfrutado a cada segundo. Denilson Fabrício Rosá”

“Nada como ter Deus no coração.
Assim que minha mãe retornou da consulta em Campo Alegre, já vi que tinha coisa errada e grave... Foram raras as vezes que vi minha mãe chorar e, naquele dia, ela não conseguiu conter as lágrimas... Foi um choque. Há tão pouco tempo meu pai havia falecido repentinamente. Agora minha mãe chega dizendo que está com câncer e terá que fazer uma cirurgia o quanto antes. Muito abalada, lembro que minha mãe começou a se preocupar na hipótese da doença já ter se alastrado. Foi aí que pedi para pensarmos uma coisa de cada vez. Não adiantava querer terminar o tratamento contra o câncer, sem antes fazer a cirurgia. Assim fomos fazendo: um passo de cada vez. Quando lembro, parece mentira: seriam oito meses de quimioterapia. Hoje já se passou um ano. Minha mãe está mais alegre do que nunca! Tudo voltou: sua cor, seu sorriso, seus cabelos! Aprendi que nada deve nos abalar se temos Deus no coração. Minha mãe me ensinou isso, superando sua doença. Hoje, um ano depois, a doença regrediu. Serão mais cinco anos de tratamento com medicação diária, mas já valeu a pena! Denise Fabiane Rosá”

Parte 36
“Um ano se passou! Uma grande experiência! Deus testando nossa fé de diversas maneiras. Quando o médico deu o diagnóstico do câncer, perguntou se eu confiava nele e faria o tratamento conforme ele mandasse, o médico faria a parte dele e o Todo-Poderoso tomaria conta de nós.
Foi o que aconteceu: Deus me deu nova chance, mais algum tempo para cumprir minha missão. Não posso deixar de agradecer as pessoas que me ajudaram durante este ano de provações me incentivando, fazendo companhia, me visitando, me levando para Curitiba, Campo Largo, Campo Alegre e Campina Grande do Sul. Todos que rezaram por mim, ao jornal que deu oportunidade de expor minha experiência com o câncer e poder ajudar outros que precisavam de esclarecimento, aos que indicaram tratamentos alternativos, chás e remédios caseiros.

Confraternização das pessoas que me acompanharam, nas viagens para Curitiba,
durante o Tratamento

Parte 37
Que Deus lhes dê muitas graças para ampara outras pessoas que passam por momentos difíceis!”
“Quando minha mãe recebeu a notícia de que estava com câncer, todos ficamos apreensivos. Pensamos mil coisas. Mas sempre dizia pra mãe: temos que pensar em um passo de cada vez; agora são os exames pré-operatórios, depois a cirurgia... E assim fomos fazendo. Vou fazer um rápido cronograma de tudo:
1º/10/2003 – Consulta com especialista, em Campo Alegre. Notícia do quadro câncer na mama esquerda. Pedido de exames pré-operatórios.
8/10/2003 – 2ª consulta, desta vez em Campina Grande do Sul. Novo exame da mama, certeza do quadro. Pré-operatórios todos bons. Marcada a cirurgia.
16/10/2003 – Cirurgia em Campo Largo. Realizada na quinta. Permanência no hospital até domingo, 19/10.
19/10/2003 – Alto do hospital. Retorno para casa. Cuidados especiais com dreno e cicatriz.

MEXE - MEXE:
Junte as mãos e entrelace os dedos. Dobre os cotovelos e movimente os braços para os lados, fazendo movimentos circulares. Repita 5 vezes.

Parte 38
23/10/2003 – Primeiro retorno ao médico em Curitiba. Retirada de alguns pontos. Boa evolução, principalmente em relação aos movimentos do braço esquerdo.
15/11/12003 – Nova consulta em Curitiba. Retirada do dreno e mais alguns pontos. Como ainda restavam pontos na cicatriz, minha mãe perguntou quando o médico iria tirá-los, ao que ele respondeu: “Daqui uns sete anos, mais ou menos”. Encaminhamento para quimioterapia e radioterapia.
Entre 16/10 e 15/11 – Ligações a cada dois dias para o médico, passando informações sobre estado físico e psicológico.
17/11/2003 – Primeira consulta com médica que iria acompanhar a quimioterapia. Pedido de exames e encaminhamento para radioterapia. Marcada primeira sessão de quimioterapia.

BASTÃO NA HORIZONTAL E NA VERTICAL:
Segure um pequeno bastão nas palmas das mãos abertas. Movimente os braços para um lado e para o outro com o bastão na posição horizontal. Levante um dos braços e coloque o bastão em pé. Repita 5 vezes para cada lado.

Parte 39
20/11/2003 –
Ida ao hospital onde seriam realizadas as sessões de radioterapia. Marcada avaliação e primeira sessão para dia 03/12. Sessão de quimioterapia não pode ser realizada por falta de autorização do convênio médico.
Entre 17/11 e 04/12 – Muita discussão com relação ao plano de saúde. Auditores não queriam autorizar o tratamento do modo como a médica responsável havia optado. Somente após a modificação do tratamento a autorização foi dada.
03/12/2003 – Avaliação para início de radioterapia. Passamos a tarde no hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba.
04/12/2003 – Primeira sessão de radioterapia e quimioterapia. Fomos na expectativa dos efeitos da quimio. Nenhum efeito antes de 06/12, mas já estávamos em casa.

COÇAR AS COSTAS: Coloque uma das mãos na cintura. Leve o outro braço para trás, dobre o cotovelo e tente apoiar a palma da mão nas costas. Repita 5 vezes.

Parte 40
08/12/2003 –
Retorno à Curitiba para realização de radioterapia, que é diária. Ficamos hospedadas na casa de Vera, uma das enfermeiras do setor de radioterapia do hospital, que dispõe de kitinetes para alugar aos pacientes de outras cidades.

Casa em que moramos enquanto durou a radioterapia

29/12/2003 – Dia da segunda sessão de quimio. Como estávamos com a lanchonete fechada, fomos os três para Curitiba. Pela manhã, já quando chegamos, minha mãe fez radio. Fomos para o centro de Curitiba procurar uma peruca. Foi o dia em que cortamos todo o cabelo da mãe. Foi muito triste para todos nós. À tarde, sessão de quimio sem nenhuma reação imediata.

Parte 41
30/12/2003 – Minha mãe ligou para o médico, repassando as informações sobre o andamento do tratamento. O médico sugeriu fazer uma cirurgia de restauração de mama em 2005. Minha mãe disse a ele que está se sentindo bem com apenas uma mama e que não vê motivos para fazer a restauração.

ABRA E FECHE OS BRAÇOS:
Junte as mãos, entrelace os dedos. Dobre os cotovelos e levante os braços até a altura dos ombros. Deixe as mãos à frente do pescoço. Mantenha a posição das mãos e abaixe os braços. Repita 5 vezes.

29 a 30/12/2003 – Permanecemos os três em Curitiba. Aproveitamos para fazer algumas compras e passear. Aproveitar as férias em família!
31/12/2003 – De volta em casa, para passar o Ano Novo. Minha mãe retornaria para Curitiba somente dia 05/01/2004.

ASA DE PASSARINHO:
Braços ao lado do corpo. Cotovelos dobrados e mãos apoiadas nos ombros. - Mantenha a posição das mãos e levante os braços até à altura dos ombros. Repita 5 vezes. - Ainda com a mão nos ombros, faça movimentos de rotação para frente e para trás. Repita 5 vezes.

Parte 42
05/01/2004
– Novo ano. Durante o mês de janeiro meu irmão Fabrício estava em férias, em casa. Fui de volta à Curitiba com minha mãe. Íamos à radio pela manhã e, dia sim, dia não, passeávamos por Curitiba. Afinal de contas, minha mãe estava em tratamento para prevenção contra o reaparecimento do câncer, não inválida, que não pudesse sair de casa! Apesar do cansaço que os passeios causavam, minha mãe voltava feliz para nossa kitinete em Curitiba!

Ópera de Arame, situada no Parque das Pedreiras, junto à Pedreira Paulo Liminski, local de shows ao ar livre

Parte 43
06 a 23/01/2004 –
Continuamos com nossos passeios culturais: visitamos o Museu Niemeyer, Universidade Livre do Meio Ambiente, entre outros pontos turísticos da cidade, aproveitando ao máximo todos os momentos juntas. Nos últimos dias, precisei voltar para trabalhar, e minha mãe ficou sozinha. Vera, a dona da casa e seu esposo, tratavam minha mãe com muita atenção e carinho.

Universidade Livre
do Meio Ambiente - Unilivre, no Bosque Zaninelli
O mais novo museu de Curitiba foi inaugurado em novembro de 2002 com o nome de Novo Museu e, em 2003 seu nome foi substituído para Museu Oscar Niemeyer, em homenagem ao seu famoso arquiteto

Parte 44
Algumas reações e sensações durante a quimioterapia: coceira nos olhos, sobrancelhas e couro cabeludo. Todos os pêlos do corpo começaram a cair 20 dias após a primeira sessão. Além disso, sentia mal estar, fraqueza, enjôos, diarréia e falta de apetite. Antes de cortar o cabelo, a impressão que eu tinha era que todos viam meus cabelos caírem. Sentia muita insegurança, principalmente em meu local de trabalho. Mas, como sempre, meus filhos me davam muita força, faziam brincadeiras e levantavam meu astral. Só que, como já contei, no dia em que cortei o cabelo, todos choramos...

O Centro Cívico abriga o Palácio Iguaçu
(sede do Executivo, atrás de mim),a Assembléia Legislativa, o Tribunal de Justiça e o Fórum

“Todos dias temos provas da existência de Deus: a luz do sol, as flores no jardim a vida... mas foi numa noite de dezembro, há muitos anos atrás, que Ele se mostrou misericordioso conosco, colocando seu Filho Jesus entre nós. Por isso espero que a essência desta chama divina esteja sempre em seu coração e que ela traga um natal de paz e uma ano novo de alegrias.”

Graças a esse Deus maravilhoso que hoje estou bem, com saúde e muito feliz. Superei muitos problemas nesses últimos dois anos, mas sempre contei com a ajuda de meus amigos e familiares. Agradeço a todos que acompanharam nossa coluna até o momento e, de uma forma ou outra, pudemos ajudar.
Para o próximo ano, esperamos poder contar com o apoio e incentivo de todos novamente.
A todos os leitores, um Natal abençoado e um 2005 repleto de alegrias e realizações!
Iris Maria Rosá e Denise Fabiane Rosá Branco

Parte 45
Passagem engraçada:
Uns 20 dias após a cirurgia eu precisava ir ao banco sacar minha pensão. Mas como? Estava com o dreno e sem a mama. Todo mundo iria ficar olhando! Sem problema. Tomei banho, me vesti, procurei uma camisa mais larga entre as roupas da Denise, peguei uma toalha de mão, enrolei e a coloquei no bojo do soutien. Chamei a Denise e ela me ajudou a acertar bem a altura e tamanho do meu ‘seio novo’. Peguei uma bolsa, coloquei o dreno dentro, com minha carteira e saí. Acredito que ninguém notou, porque não percebi ninguém me observando! Foi uma experiência incrível!

Olhando pra mim, sem prestar muito atenção aos detalhes, nem se percebia que não tenho uma das mamas!

A experiência de estar careca: As pessoas que me viam sem cabelo, se afastavam por medo, como se o câncer fosse contagioso. Por usar toca, já era motivo para as pessoas passarem longe ou olharem com desconfiança. Até parece que eu deixei de ser uma pessoa ‘normal’ e passei a ser uma aberração. Ainda hoje brinco com meus filhos, em relação às pessoas que me olham espantadas: “Olha essa ali, com certeza está pensando ‘A Iris não morreu? Mas ela está com câncer’! Desde o começo, foram as brincadeiras que não me deixaram entrar em depressão!”

Dra. Cristiane Sabóia, médica que acompanhou
(e acompanha) meu tratamento quimioterápico. Sempre muito simpática também ajudou, e muito, para que eu não entrasse em depressão. Essa foto foi tirada no dia de minha última sessão de quimioterapia

Parte 46
Tratamentos alternativos: Não pensem que fiquei apenas fazendo o que o médico me mandava! Todos sabem que sempre fui uma pessoa de muita fé e, por esse motivo, sempre que alguém me dizia ‘tome esse chazinho’, eu tomava. Sugeriram-me para ir para Garuva, receber um óleo com o Frei Paulo. Fui. Disseram-me que acupun-tura, massagem, e óleos ajudariam. Fiz. Tudo é válido para melhorar. Agora, não me perguntem o que me fez ficar curada, porque não saberei dizer. Com certeza, um pouco de tudo o que eu fiz contribuiu, mas o mais certo: foi Deus que quis me curar!

Equipe de enfermagem do Instituto Halsted, em Curitiba, onde recebi minhas sessões de quimioterapia. Todas muito simpáticas e prestativas

Parte 47
Hoje, depois de 15 meses da cirurgia, relembro muitas coisas que aconteceram... As dúvidas, as ansiedades, o medo, o apoio da família e dos amigos...
Lembro da primeira vez que fui ao Instituto, para a avaliação para quimioterapia. Não sabia o que era, nem o que aconteceria comigo. Então, fiquei observando as pessoas que entravam e saíam, pacientes como eu. Algumas saíam tristes, outras alegres, umas com lenço na cabeça, outras assumindo sua ‘careca’. Havia pessoas idosas e eu pensava “essa já viveu bem m ais do que eu e ainda está aí, lutando!”. Havia pessoas jovens que me faziam pensar “tem toda a vida pela frente e já estão lutando contra essa doença terrível..”.
Mas aconteciam coisas boas. Neste primeiro dia no Instituto, ao passar pelo corredor, vi uma senhora mais idosa sentada no quarto, recebendo a medicação. Pedi licença e entrei. Perguntei a ela que tipo de câncer ela tratava e a quanto tempo. A resposta dela me fez ver que o meu caso era simples: “Faz mais de 15 anos que estou tratando de uma leucemia. Não tenho dia certo para vir fazer a aplicação. Faço os exames de controle e, dependendo do resultado, ligo pra cá e marco uma sessão.” Nossa, 15 anos! Pra mim seriam apenas oito sessões. Sabia que, depois disso seriam mais cinco anos tomando comprimidos diários, mas se fizesse uma fria comparação com aquela senhora, meu caso é muito mais simples e fácil...

Parte 48
Missas – Após a cirurgia fiquei um mês sem sair, por estar com o dreno. Depois que o médico retirou o dreno, fomos na missa. As pessoas olhavam, como que não acreditando que era eu. O mais engraçado foi quando, depois de cortar os cabelos, ia de toca ou de peruca na missa, e ninguém me reconhecia. Um dia, na missa, minha filha me viu e falou para o noivo que eu estava passando pelo corredor. Ele me olhou e não me reconheceu. Virou-se pra Denise e disse “você tem certeza que era a D. Iris? Porque eu só vi a Jaqueline e o Fabrício!”...

Susto – Depois de já estar recuperada da cirurgia, voltei a ir à missa, dar umas voltas de carro, ir almoçar fora... O interessante era ver a reação das pessoas ao me ver. Como estava sempre com um dos meus filhos, as pessoas olhavam e não me reconheciam, mas quando viam o Fabrício ou a Denise, olhavam de novo com uma cara de “nossa, é a Iris, ela não morreu!”. Bem a gente ria pela reação dos outros!
Hoje, recuperada, continuo trabalhando e muitas vezes acho engraçado o que as pessoas falam ou a maneira como agem quando me vêem. Essas experiências irei relatando nos próximos dias!

Parte 49
Após a cirurgia, ligava para o médico dia sim, dia não. Depois de 15 dias, fui a Curitiba, para um retorno. Na foto, da esquerda para a direita: Denise, Dr. Neiva, eu e Fabrício. Sempre muito atencioso, convidou-nos para conhecer a propriedade onde mora, onde também funciona um centro de equitação, a Academia do Cavalo que, além de servir de ‘hotel’ para cavalos, têm cursos de equitação e salto, além de atividades terapêuticas se utilizando de cavalos.
Menino Jean – Durante meu tratamento radioterápico, tomei conhecimento de vários casos, mas um, em especial, me tocou muito...
Estávamos na mesma casa, em kitinetes separados, e íamos de carro, juntos, ao hospital. O pequeno Jean, com uns cinco anos, fraquinho, sempre com uma toalhinha para enxugar as lágrimas. Fez a primeira cirurgia no peito, próximo ao braço esquerdo, de onde foi retirado um tumor do tamanho de uma laranja. Na segunda cirurgia, na cabeça, o corte ia de uma orelha à outra. Estava ainda sem os cabelos, com a enorme cicatriz no alto da cabeça.

A mãe de Jean contava que os médicos tinham desenganado três vezes. Mandaram levar o menino para casa e, os pais, desesperados, foram em busca de novos tratamentos. Agora havia aparecido um tumor no nariz e outro no joelho esquerdo, o qual doía muito. A mãe precisava carregar o pequeno Jean no colo, com cuidado. Na sala de espera do hospital, todos davam lugar para ele esticar as pernas. Enquanto esperava sua vez, ele chorava baixinho, enxugava as lágrimas e dizia para a mãe: ‘O médico disse para não chorar, porque a mamãe vai sofrer muito...’. As enfermeiras o colocavam na maca e a mãe ficava na outra sala, falando pra ele não se mexer, ficar quietinho que ‘a mamãe está aqui, já vai acabar, não se mexa...’.
Eu terminei meu tratamento, mas o menino Jean continuou o seu... Lembro sempre dele. Vou entrar em contato com a enfermeira Vera para ter notícias dele!

Parte 50
Minha primeira consulta com Dr. Neiva foi em Campo Alegre, quando ele me disse que eu precisava ser operado o mais breve possível. A segunda consulta foi em Campina Grande do Sul, no Hospital Angelina Caron. Lá ele confirmou tudo o que havia me dito em Campo Alegre.
Mas, enquanto esperávamos por sua chegada, estivemos com pessoas que já haviam realizado suas cirurgias e estavam fazendo radioterapia ali. Entre essas pessoas, havia um rapaz com uns 20 anos, que estava acompanhado pelo pai. Ele havia feito uma cirurgia para retirar um tumor da coluna vertebral. Precisava de ajuda para vestir a camisa, mas estava com muito bom humor. Dizia que a cirurgia foi fácil e que, agora, a radioterapia também iria tirar de letra!
Além desse rapaz, havia uma mulher, com seus trinta e poucos anos. Ela contou que havia realizado duas cirurgias na cabeça, para retirada de tumor, já estava com a terceira cirurgia marcada e dizia: ‘A cirurgia é fácil. Mais complicado é a radioterapia, pelas reações, e a quimioterapia’. Eu e minha filha só nos olhamos. Ouvindo pessoas com tão bom humor e esperança na cura, me fez ficar mais confiante!
Na quinta feira em que fui operada, não podia comer nem beber nada. Na sexta-feira foi liberado caldo de batata e chá. Legal! Traziam a tigela com o caldo e deixavam na mesa... Parecia uma delícia, mas eu não conseguia comer, porque não podia mexer os braços... Minha companheira de quarto se ofereceu para me ajudar, mas ela não podia andar... A situação era cômica: eu não podia levar a tigela até ela, e ela não podia andar até mim! Resumo: fiquei sem comer...
O que eu fiz? Passei fome? Claro que não! Como eu podia andar, fui até o posto de enfermagem e pedi um canudinho. Um tempo depois, a responsável pelas refeições entrou no quarto para saber por que eu queria um canudinho. Mostrei pra ela o problema. Ela riu, saiu, e logo voltou com meu canudinho. Não passei mais fome nem sede!

Parte 51
No sábado, após a cirurgia, minha companheira de quarto teve alta. Como eu não conseguia comer nem me levantar da cama, nem ao menos virar a folha de uma revista, a enfermeira resolveu ligar para o hotel e pedir para que a Denise fosse passar a noite comigo. Caso eu precisasse de alguma coisa, ela me ajudaria.
A noite foi tranqüila. Toda vez que eu me mexia, a Denise acordava e perguntava se eu precisava de alguma coisa. Pela manhã, a enfermeira entrou no quarto para aplicar-me a injeção. Ainda bem que eu estava acordada, ou ela teria aplicado na Denise, pois estávamos em camas trocadas!
Após voltar de Campo Largo, fiquei 30 dias sem sair de casa. Não porque não pudesse, mas porque meus filhos pediram que eu me fortalecesse. Além disso, com o dreno, sempre havia a possibilidade de pegar alguma infecção. Mas eu precisava fazer o exame de sangue, para levar à Curitiba, em meu retorno. A Denise, então, ligou para o laboratório, e a Rosi veio até minha casa para fazer a coleta. Como sempre tive as veias ‘ruins’ para coletar sangue, acabei por apelidar a Rosi de ‘vampira’. Ela sempre muito prestativa, agora com mais um agravante: tenho somente o braço direito disponível para coletar sangue! Com isso, mais demora. Mas a gente sempre brinca.
Hoje, a cada quatro meses, preciso repetir os exames. Assim que chego ao laboratório, as meninas da recepção já passam minha ficha para a ‘vampira’! É somente ela que faz coleta em mim!
Enquanto estou na lanchonete, trabalhando, muitas coisas acontecem, com ou sem relação à minha cirurgia. Algo muito engraçado é um senhor, já com mais idade que, por medo ou vergonha, não pergunta se já estou bem do câncer de mama. Ele chega e, colocando as mãos em forma de concha, como se estivesse segurando um ‘mamão’, na altura do peito, me pergunta: ‘E a senhora, tudo bem?’. É sempre uma gozação por parte de meus filhos, quando conto que ele esteve na lanchonete novamente!

Parte 52
Menino Jean – Vocês devem estar lembrados do caso do menino Jean, que contei dias atrás. Pois entrei em contato com Vera, a enfermeira dona das kitinetes em Curitiba. Ela me deu uma ótima notícia: Jean foi submetido a duas cirurgias e está em casa. Vera não tinha muitos detalhes, mas fiquei feliz em saber que Jean pode voltar para sua casa, em Forquilhinha, próximo a Florianópolis.

Feijoada – Todo ano, sempre no dia de Corpus Christy, fazemos uma feijoada para alguns convidados, que mudam a cada ano.
Apesar da morte do Pasqual, continuamos a tradição e, em 2004, mesmo sendo dois dias antes do casamento da Denise, realizamos a feijoada. Convidamos a família de meu falecido irmão. Veio minha cunhada, seus filhos, noras e netos. Eu estava carequinha, e resolvi não usar peruca nem gorro naquele dia. E ainda fiz questão de ir receber a todos na porta! A reação era sempre a mesma: espanto por me ver sem cabelos. Mas logo esse espanto passou e o almoço estava muito bom!
Casamento da Denise – Nos dias que antecederam o casamento, perguntava sempre o que a Denise achava de eu ir carequinha em seu casamento. Ela sempre me respondia a mesma coisa: ‘Isso, vai carequinha. Assim todos vão olhar pra você e eu não vou ficar envergonhada, pois não serei o centro das atenções!’.

E fui careca. A Denise entrou cantando, eu e o Fabrício logo atrás dela, de mãos dadas.O que todos pensaram? Digo que os comentários foram: ‘A noiva está cantando!’ e, logo em seguida, ‘A mãe da noiva está careca!’ e acabou a surpresa. Todos já estavam acostumados com meu novo visual!

Parte 53
Formatura do Fabrício
– Em setembro, formatura do meu filho. Meu cabelo havia crescido e eu precisei cortá-lo, afinal as pontas insistiam em levantar. Primeiro corte após o reaparecimento de meus cabelos!
Com o cabelo arrumado, roupa nova, fui à formatura. Como já era de se esperar, todos me olhavam, curiosos, mas eu estava muito bem comigo! Nada me estressa ou me deixa depressiva quando se trata da minha luta e vitória contra o câncer de mama! A formatura foi linda! Diverti-me e me emocionei muito! Nossa felicidade só teria sido maior se meu marido, Pasqual, estivesse presente para comemorar conosco esse momento tão especial para meu filho...
Careca Bonita – Uma de minhas visitas, depois de perder o cabelo, foram duas irmãs do Colégio São José. Vieram à minha casa e passaram a tarde comigo. Na hora do café, acabei por tirar o gorrinho que estava usando. Uma das irmãs disse: “Olha que careca bonita! Você deveria andar por aí sem gorrinho!”.

No Cabeleireiro – Na primeira vez que fui ao cabeleireiro após perder meus cabelos, foi na semana do casamento da Denise. Queria somente fazer os ‘pezinhos’ do cabelo. Cheguei no salão e o cabeleireiro, muito amigo e atencioso, tendo conhecimento do meu estado, pediu pra que eu me sentasse na cadeira. Colocou à minha volta a capa e tirou meu gorrinho. Todos que estavam no salão ficaram me olhando. Ele não perdeu a classe e perguntou: “D. Iris, o que a senhora quer fazer hoje?” No que eu respondi: “Não sei, estou em dúvida. Meu filho quer que eu alise meu cabelo, e minha filha, que eu faça um permanente. O que você acha?” E ele mais que ligeiro: “Pensando bem, eu deixaria do jeito que está, porque seu cabelo está lindo!”. As pessoas que estavam à nossa volta nos olhavam como se fôssemos dois loucos conversando! Foi muito engraçado!

Parte 54
E-mail – Dia 23/03 recebi um e-mail muito bonito, de um rapaz, hoje casado e com uma filha, que participou anos atrás da Perseverança, catequese que visava formação dos adolescentes para a Crisma. Eis uma parte do e-mail:
“Lamento muito o que tenha ocorrido com a Sra. mas com certeza esse era o plano de Deus, e a Sra. com sua fé e força de vontade, com o apoio de sua família venceu. Parabéns, fico feliz em vê-la bem novamente, isso traz  uma satisfação de alegria, e também de alívio, pois infelizmente não estive presente para dar-lhe apoio quando precisou, mas o faço agora, e aproveito também para demonstrar o grande respeito por todo o trabalho que a Sra. juntamente com o Pasqual sempre desenvolveram em nossa comunidade, e que a Sra. continua agora, através do Jornal, demonstrando a todos que é possível vencer, basta não desanimar, acreditar, ter fé, e o apoio de quem queremos bem. Recentemente tivemos um problema de câncer com minha sogra, câncer no Útero, o qual felizmente foi diagnosticado a tempo, já foi retirado, pelo médico Dr. Neiva, e ontem para felicidade dela a Radioterapia acabou, e não haverá necessidade de mais sessões, felizmente ela não precisou fazer Quimioterapia, pois ela também tinha a preocupação de ficar careca, mas não houve necessidade. Vocês são vencedoras, e muitas pessoas lhes admiram com certeza. Continue sua caminhada com esta fé e força de vontade, e que a saúde lhe acompanhe sempre. Um Abraço afetuoso, Sandro Luis”.
São essas poucas palavras, ou pequenos gestos que me fazem continuar minha luta contra o câncer e, principalmente, contra a falta de informação sobre o assunto e seus tratamentos!

Doença de Paget – No ano passado recebi um e-mail sobre essa doença. Falava de uma senhora que em poucos meses havia ido a óbito, após descobrir esse câncer. Não repassei de imediato, pois acabei encontrando duas versões sobre a doença. Agora, depois de conversar com o Dr. Neiva, posso repassar alguns dados.

Parte 55
Informação sobre o diagnóstico da ‘Doença Mamária de Paget’ - Doença de Paget da mama é uma forma muito rara de câncer. É caracterizada por alterações cutâneas que lembram eczema ao redor do mamilo e mama. Também pode ocorrer nas áreas cutâneas dos genitais e reto. Quando se espalha a essas áreas do corpo, a doença de Paget da mama é denominada doença de Paget extra-mamária. A doença de Paget da mama freqüentemente indica existência de outro câncer interno. Pode ocorrer em homens, assim como mulheres. A doença de Paget da mama não é a doença de Paget dos ossos. (http://www.quatrocantos.com/lendas/179_doenca_paget.htm)
Realmente a doença pode levar a óbito em pouco tempo, visto que cada organismo é diferente e reage de maneira diferente, tanto à doença, quanto ao tratamento. Como sempre, é bom ficar de olho em marcas que começam a crescer na pele, coceiras sem motivos, pequenos caroços que aparecem... Todo cuidado e precaução ajudam na hora de iniciar um tratamento que pode levar a cura!
Depressão: Muita gente comenta que pessoas com câncer ficam em depressão... Bem, eu não tive tempo para isso! Meus filhos sempre me animavam, me faziam trabalhar o corpo e a mente! Além disso, amigas vinham sempre me trazer alegria, ânimo e serviço.
Uma das amigas veio me visitar e disse: “Como você está bem de saúde! Vou trazer uma pasta com mensagens para você escolher, separar e enviar para o Informativo Paroquial”. E assim fiquei fazendo o trabalho, e a pasta está com as mensagens todas ‘ainda’ aqui em casa.
Outra amiga vinha toda semana e me motivava para voltar a trabalhar nos grupos de reflexão, que eles precisavam de minha presença, que sem o meu trabalho eles estavam se sentindo abandonados e que era muito importante a minha rápida recuperação da cirurgia para voltar ao convívio de todos.
Assim, me sentia útil. Para me animar, elas tudo faziam: me traziam trabalho e, assim, não dava tempo para ‘pensar’ em ficar desanimada, ‘pensar’ na doença, mas me fazia pensar em me recuperar o mais rápido possível para voltar a participar de tudo com todos.
Outra amiga me trouxe palavras cruzadas e bons livros para ler e por em prática o conteúdo.

Parte 56
Aconteceram coisas que, na hora, me deixaram em dúvida se realmente iriam me ajudar ou não.
Como sabem, minha cirurgia foi num quinta-feira. Na sexta a enfermeira tirou o curativo e deixou minha cicatriz livre. Pediu que eu fosse ao banheiro, tomasse um banho e, depois, me olhasse no espelho, olhasse a cicatriz, olhasse para meu rosto e dissesse: “Eu estou linda! Sou linda e estou muito bem!”. Na hora me achei horrível, mas falei para o espelho o que a enfermeira havia pedido.
Logo depois, o médico passou pelo quarto. Cheia de esperança, perguntei se iria para casa, afinal, Dr. Neiva disse que teria alta no dia seguinte. O médico me olhou e disse: “Você já viu o ‘rombo’ que você tem no peito? Você acha que vou te deixar sair hoje?”. Lá se foram minhas esperanças...
Quando voltei para casa, no domingo seguinte, todos os dias minha filha, na hora da limpeza da cicatriz, me colocava de frente ao espelho e falava: “Você já se olhou no espelho hoje? Viu como está linda? Já disse isso pra você mesma? Se ainda não o fez, está na hora!”. Eu me olhava e me via amarela, com aquele corte enorme, o dreno saindo debaixo das costelas... Estava horrível, mas me olhava no espelho e dizia: “Como estou linda hoje!”.
Se isso me ajudou? Ajudou muito. Me fez perceber que, por pior que a nossa aparência esteja, nosso interior só ficará ‘feio’ se nós permitirmos. Cada vez que me olhava no espelho e dizia estar bonita, meu interior, minha alma ficava bonita. Então, foi adeus depressão! Adeus tristeza! Eu me achava bonita e me sentia feliz!
Hoje, quando pergunto pra Denise o que ela achava de minha aparência logo após a cirurgia, ela só faz uma careta... Ela também via que eu não estava bem, mas chegava com entusiasmo e dizia: “Mãe, você está linda!”. Hoje sei que ela, meu filho, minha nora e meu genro faziam isso para me animar e agradeço por terem feito, porque ajudou, e muito, em minha recuperação!

Parte 57
“Todo dia, ao acordar, agradeço a Deus pela minha vida e pela saúde, que assim tenho grande chance de continuar vivendo. As dificuldades vamos superando com fé e, assim, vamos aproveitando as boas surpresas da vida.

Depois de tantas provas que Deus colocou em meu caminho, sabia que, um dia, receberia uma grande graça e muita alegria vinda Dele! Acontecimento maravilhoso foi o nascimento da minha 1ª neta, dia 20 de abril! Maria Eduarda nasceu com os cabelos pretos, olhos azuis, calma, sadia, um anjo a nos fazer companhia. É uma bênção na família um novo membro que nos traz muita felicidade! É uma alegria para a casa e para os amigos! Parabéns aos pais, Denise e Alaor. Obrigado, Deus, por tanto bem e tanta graça!”

Parte 58
Meia verdade - A doença de Paget
A primeira versão brasileira dessa mensagem surgiu em novembro de 2001 e se apresentava como traduzida por um médico de Santo André - SP a pedido de uma psicóloga. O texto é redigido na primeira pessoa e assinada por Fernanda, uma das vítimas da doença de Paget. A tradução é de um texto em inglês de 1999.
Em abril de 2002, houve um novo trânsito da mensagem, dessa vez intitulada “Patrícia Pillar mandou avisar...”. A atriz desmentiu a autoria e o suposto pedido de aviso.
O mesmo texto voltou a circular em junho de 2004, dessa vez mencionando outra vítima, Cláudia, falecida na última segunda-feira.
No mês seguinte, foi a vez da irmã de um amigo, cuja doença foi diagnosticada em novembro.
Em primeiro lugar, a doença de Paget existe, é uma das formas de câncer e a sua ocorrência não é muito freqüente, dizem os especialistas.
Em segundo lugar: tratando-se de assunto de saúde o melhor a fazer é conversar com o seu médico. Ele dará a orientação adequada.
Em terceiro lugar: passar adiante mensagens com essa forma de redação, imprecisa e sem referências confiáveis, pode levar ao que Taliberti, um dos nossos colaboradores, adverte:

O alerta sobre câncer de mama é válido, claro, mas a falsidade da autoria tira toda a credibilidade da mensagem.

Parte 59
Certamente, a pessoa que criou e iniciou a divulgação dessa mensagem agiu de boa fé. Não creio, no entanto, que essa seja a forma adequada de divulgar cuidados com a saúde. Inventar pessoas e situações são recursos facilmente desmascarados e não dão credibilidade à mensagem nem ao conteúdo dela.
Mais uma alerta: em questões de saúde, não se restrinja à Internet, pois a informação pode ser falsa ou incompleta. A autora de uma página que comenta essa mensagem, por exemplo, diz que ela é falsa porque a doença de Paget é uma doença dos ossos e não um tipo de câncer de mama.
A verdade é que o nome Paget é associado a um tipo (raro) de câncer de mama, a um tipo de câncer ósseo e existe, também, a doença de Paget extramamária.
Conclusão: a doença existe. O caso relatado é de difícil confirmação. Em caso de dúvida ou preocupação, converse com o seu médico.

Fonte: http://www.quatrocantos.com/lendas/ 179 doenca paget.htm

“Antes de saber que estava com câncer, tinha perdido uns quilos e, quando fui ao médico, ele recomendou que fizesse fisioterapia, para não perder massa muscular e a força nos braços e pernas. Quando foi em janeiro de 2003, o Pasqual morreu e, então, o fisioterapeuta me confortou, dizendo que Deus o queria junto de Si.
Fiz nova consulta no médico, que disse para continuar a fisioterapia, e tratou dos outros problemas que eu tinha. Quando em outubro fiquei sabendo que tinha câncer, marcado os exames e confirmada a data da cirurgia, no dia anterior fui fazer a última fisioterapia. Quando cheguei, o fisioterapeuta conversou longamente comigo. Falou-me como Deus foi bondoso comigo, me preparando para a morte do Pasqual e, após, me preparando para a cirurgia pois, apesar do diabetes e da pressão alta, estava tudo controlado para poder fazer a cirurgia imediatamente. Ele disse que Deus nos ampara, ama com amor sem medida e que eu não sabia como era grande esse amor por mim. Tenho sempre em mente as palavras que o Anderson me disse. Me desejou boa sorte e disse para que eu confiasse em Deus e no que Ele havia preparado para mim".

Parte 60
Dr. Neiva, quando da consulta anterior à cirurgia, me perguntou se eu confiava nele e se iria fazer tudo o que ele mandasse para que eu me recuperasse. Respondi que sim, que confiava inteiramente nele. Então ele disse: ‘Você vai se cuidar e obedecer, eu vou fazer a minha parte na cirurgia, e o Todo-Poderoso tomará conta de nós. Se colocou com tanta confiança nas mãos de Deus! Eu nunca tinha ouvido de um médico uma expressão tão profunda. Assim, com esta certeza do amor e do poder de Deus, tudo transcorreu bem. O médico ficou surpreso com a rápida recuperação.
Quando comecei a fazer radio e quimio em Curitiba, começou uma dor no braço direito. Passou-se duas semanas e o médico radiologista ficou preocupado. Fiz um raio X e ficou constatada um bursite. Todo dia tomava remédio contra dor, mas quando tinha que fazer rádio, a dor era muito grande. Fui em um especialista em ombro e ele receitou antiinflamatório e fisioterapia.
Quando voltei para S. Bento, depois de ficar dois meses em Curitiba, comecei a fazer a fisioterapia. Passaram-se seis meses e a dor sempre presente. O médico disse que iria passar em seis meses e de fato diminuiu, mas o braço esquerdo, que eu usava mais, começou a doer também.
Fiz ultra-sonografia e constatou-se capsulite adesiva, mais conhecida por ombro congelado. Tenho feito fisioterapia três vezes por semana e também acupuntura com a minha amiga Clara. Uma grande ajuda para não cair em depressão. Na hora da acupuntura conversamos muito e, entre os desabafos, ficava a alegria da convivência com a amiga que mora no meu coração. Quando sentia muita dor, ela aplicava as agulhas, conversava e a dor passava. Muito aprendi com ela, que sempre admirava minha vontade de viver, e bem, com a família, os amigos e a vida.
Hoje vejo com quanto amor e dedicação fui tratada, e ainda sou, por todos. Quantas vezes na casa da Clara, ficamos conversando sobre as coisas boas que me aconteceram, e sobre as coisas não tão boas, e com alguns amigos que adoeceram e tiveram que passar por momentos difíceis. Quando alguém doente me procura para pedir um conselho, ou só para desabafar, sempre fico à disposição, pois sei o quanto é importante ter ouvidos para ouvir, ombro para chorara e palavras para nos animar, consolar e seguir em frente, sempre com confiança em Deus.

Parte 61
Uma amiga, Maria Geni, veio me procurar por estar cuidando de uma pessoa que estava começando um tratamento para fazer cirurgia de um tumor no seio. Ela havia falado do meu tratamento para essa pessoa, que já estava fazendo quimioterapia e reclamava do desânimo e da fraqueza que tomava conta do corpo e da mente dela: prostrava-se na cama e de lá só levantava quando melhorava bem. Depois que fez a cirurgia (tiraram o tumor, não o seio) ela estava com medo, então a Maria Geni disse-lhe que a cirurgia dela era pequena e que em mim haviam feito uma cirurgia radical, não restando nada do seio e nem dos músculos peitorais.
Falei então para a Maria Geni fazer o exercício do espelho, para ela se amar, se valorizar e, principalmente, agradecer a Deus por estar bem e junto de sua família. Alguns dias depois ela queria mais informações e queria saber como foi a minha reação diante de tanta coisa negativa que havia acontecido. Mandei para ela um álbum com muitas fotos, de quando eu estava com o meu marido, Pasqual (sem saber o que me aguardava - a morte dele e, em seguida, minha doença), outras fotos de quando voltei da cirurgia (cicatriz), das consultas com o cirurgião - estava igual às fotos de antes da cirurgia, pois nem o Dr. Neiva acreditou que eu estivesse me recuperando tão bem! Ele disse: ‘Se eu não tivesse feito a cirurgia, não iria acreditar que era você’.

Parte 62
As fotos dos pontos turísticos de Curitiba - eu fazia radioterapia de manhã e, na parte da tarde, apesar do mal estar e fraqueza, a Denise me levava aos passeios. Às vezes não dava nem para sair do ônibus, mas mesmo assim me distraía ao ver tantas coisas bonitas. Quando andava nos lugares que tinha flores e o verde era exuberante, sempre perguntava para a Denise se ela não se envergonhava de ter a mãe careca, e ela ria e dizia: ‘Pode ficar sem a toca, pois está quente e eu não me importo’. Muitas vezes, nessa hora, eu agradecia a Deus pela vida que ele deixou eu viver por mais tempo, enquanto apreciava a natureza e as pessoas que passavam e olhavam com curiosidade minha careca. Sentia-me feliz e vencedora de mais uma etapa da vida!
Nas fotos das marcas da cirurgia e do mapeamento para a radioterapia, quando a mulher operada viu tudo e a Maria Geni falou para ela como foi a minha reação perante a vida e a recuperação, força de vontade para superar a doença e restabelecer a saúde, ela pediu para ficar mais uns dias com as fotos, além da cópia dos artigos que haviam sido publicados no Evolução.
Alguns dias depois ela mandou um recado: ‘Agradeço pelas fotos, exercícios de recuperação e tudo o que me disse para fortalecer a mente. O texto que li serviu para melhorar minha vida e não precisei mais perguntar ao médico sobre todas as dúvidas que tinha, pois ficou bem claro na minha cabeça tudo o que tinha vontade de esclarecer’.

Parte 63
Todas as manhãs, quando me acordo, agradeço a Deus por mais uma noite de descanso, apesar das dores nos ombros. À noite lembro do Todo-Poderoso, que não nos abandona nunca e dou graças a Ele pela minha vida e a vida de todos.
Um sábado, estava trabalhando, quando um amigo veio me procurar com uma jovem chorando desesperadamente. Ela não tinha esperanças de que sua mãe fosse vencer um câncer no seio. A jovem contou que a mãe estava fazendo quimioterapia, estava careca e todos desesperados com a situação de desânimo. Meu amigo pediu para que eu contasse o que havia acontecido comigo, e como eu havia vencido o medo, a doença e estava tão animada e com tanta alegria de viver.
Quando acabei de contar, a jovem já estava sorrindo das passagens engraçadas que haviam acontecido. Duas semanas depois, a mãe da jovem me procurou. Disse que estava bem, reagiu com vontade de vencer e viver melhor a vida que lhe era preciosa. Ela fez quimio, radio e, agora, fez a cirurgia e está bem. Como é bom quando podemos de, alguma maneira, ajudar os outros que não estão acreditando muito em Deus, e estando fracos na fé, vão desanimando.

Parte 64
“Tudo muda na vida da gente quando recebemos o diagnóstico de câncer, mesmo que não seja na gente, mas com alguém próximo. Foi o que aconteceu comigo. Quando minha mãe voltou da consulta, naquele primeiro dia de setembro de 2003, falou o que o médico disse e começou a chorar, o mundo parou. Eu não sabia o que fazer. Deu um branco. Aí então, propus para que pensássemos em uma coisa de cada fez: primeiro os exames, depois a cirurgia, radio e quimio... Foi o que fizemos. Mas, acredito, o mais importante, foi não esconder a doença. Imaginem se minha mãe tivesse optado esconder o câncer... Como poderia ela (e nós), ficar por mais de um ano escondida, dentro de casa, para que ninguém a visse careca? Seria impossível...
Hoje penso em tudo que mudou, e me perguntou se ficou melhor ou pior... Tem coisas que melhoraram, outras, infelizmente, pioraram. Mas minha mãe está aí, curtindo a netinha e nos dando muita alegria! Pela recuperação dela, acredito que tudo valeu a pena! Deus, a família, o médico e os amigos tiveram um papel importantíssimo nessa caminhada, e ainda têm. Todos sabemos: a luta não terminou. É uma caminhada árdua, de mais quase oito anos. Mas com força e fé, tenho certeza que superaremos tudo!”

Estou muito feliz! Domingo, 12/06, foi o batizado da minha netinha! Entre amigos, as vovós, tios e tias, foi uma celebração simples, mas cheia de significado e fé. Foi realizado na Capela do Colégio Divina São José, pelo Pe. Nivaldo, o mesmo que realizou o casamento de minha filha. Por coincidência, ao completar um ano de casamento, batizaram a filha. Foi muito bom!

Parte 65

Certa vez, quando consultava o médico, conversávamos e então eu falei: ‘Que bom que o Pasqual faleceu, porque nem sei como ele iria reagir com tudo o que aconteceu comigo. Talvez ia sofrer muito, ficaria triste, iria querer fazer o melhor, o que eu mais gostasse para aliviar meu sofrimento, meu desânimo’. Então, brincando, eu disse: ‘Pois olha só: desbundei (emagreci passei de 106 para 69 quilos), despeitei (retirei a mama esquerda) e carequei (perdi os cabelos devido à quimiote-rapia). Ainda bem que não perdi os dentes!’. O médico riu e me deu um recado muito bom: ‘O Pasqual não iria deixar de te amar pela falta dessas coisas, porque ele amava a tua pessoa, o teu interior, não o teu corpo. O amor supra tudo o que vêm atrapalhar. Esses fatos não iriam estragar o relacionamento de vocês. Veja só: em 3.000 cirurgias como a sua que eu já fiz, somente 6 casais se separaram após a cirurgia, alegando a falta da mama ser o motivo; um casal se separou após a cirurgia, mas já estavam com problemas de relacionamento antes. O índice é muito baixo. Não se preocupe. Não é a falta da mama que acaba um casamento.’

Eu, Pasqual e sua irmã, Palmira,
na última visita do Pasqual à Rodeio

Parte 66
Quando foi marcada a cirurgia, o médico me disse que, quando eu estivesse me recuperando, não ouvisse certos comentários e pedisse para as visitas se retirarem se estivessem falando coisas negativas.
Numa tarde, vieram duas senhoras me fazer companhia e conversarmos. Elas se admiraram em me ver bem e eu fiquei feliz por ver a alegria delas mas, em seguida, falaram: ‘A fulana também estava bem, mas um mês depois morreu.’. A enfermeira que me acompanhava ouviu e falou para elas: ‘Está na hora de vocês irem embora, porque a Iris precisa descansar’.
Outra vez passou uma “amiga” aqui na rua, em frente à lanchonete e eu estava varrendo. Ela parou para perguntar como eu estava e me admirei, porque fazia tempo que não falava com ela. Ela me disse: ‘Nós (outras “amigas”) só vemos você de longe, não chegamos perto para não “pegar” a doença’.
Como o médico disse: muitos comentários não devemos ouvir, pois são pessoas tão negativas e sem conhecimento, que não sabem que o câncer não é contagioso, que quando a gente visita alguém em recuperação, devemos cuidar com o que falamos, que seja positivo e não desanimador.
Agora, dias atrás, encontrei a mãe de uma amiga na rua e ela me olhou com surpresa e disse: ‘Não me conformo que você está viva, pois todos acreditavam que você morreria e não aconteceu, e vejo que você está bem’.
Cuidado quando você se assusta, para não falar negativamente ao paciente em recuperação. Eu me preparei bem para escutar e ver a reação das pessoas, mas quando a gente fica doente, existe a discriminação que nos entristece e, muitas vezes, nos abala. Mas, graças ao bom Deus, consegui superar esta fase e estou conseguindo ajudar muita gente que precisa de boas palavras.

Parte 67
Dias atrás fui a um casamento. Estava conversando com o José Maurício, meu sobrinho e afilhado, que me levou à Campo Largo e Curitiba, diversas vezes, e com a Dra. Marta, amiga de muitos anos, que mora em São Paulo. Dra. Marta me abraçou, me beijou, segurou minhas mãos e disse: ‘Você é uma vencedora. A maneira como lutou e venceu é, para nós um exemplo e nos orgulharmos de você’.
O José Maurício fez o seguinte comentário: ‘A família toda se surpreendeu com a tua reação positiva diante de uma doença tão grave’. Palavras como estas nos fazem acreditar ainda mais na bondade humana. São essas pessoas às quais o Dr. Neiva se referia, antes da cirurgia: ouça somente as pessoas que têm algo bom a te dizer.
Em minha família, a esposa de um sobrinho perdeu a mãe no ano passado, também por causa do câncer. Aconteceu de nos encontrarmos em uma festa. Cheguei para cumprientá-la e ela já começou a chorar e se lamentar pela perda da mãe. Saí da frente dela de imediato. Pouco antes a Denise a tinha cumprimentado. Ela quis se lamuriar e a Denise disse: ‘Não adianta ficar chorando e se lamentando. Meu pai morreu e eu tratei de tocar a vida. É isso que a gente tem que fazer: viver’.

Parte 68
Quando paro para pensar em tudo o que aconteceu, só posso agradecer por estar viva.
Hoje, revendo as fotos e relembrando essa caminhada, imagino o que teria sido este último ano e meio sem minha mãe.
Certamente a presença física dela é muito importante mas, como pessoa, como amiga, é muito mais, afinal foi ela que nos ensinou o que sabemos, nos orienta ainda hoje e torce por nós.
Então, me pergunto: o que eu deveria fazer para ela, além de incentivar, apoiar e acompanhar sua caminhada e sua luta pela vida?

Em frente ao consultório

Muitas vezes eu tive vontade de chorar, mas sempre procurei, perto dela, estar alegre e confiante. Muitas vezes tive vontade de desistir, porque o caminho era muito difícil. Mas não fiz porque sabia que minha mãe nunca desistiria de mim ou de meu irmão.
Agora, a cada resultado de exame que ela faz, fica a torcida para que esteja normal. E a alegria que vem quando se vê o resultado é muito grande! Claro que, há quatro meses atrás, o exame estava um pouco alterado. Preocupação novamente... Mas, assim que mostrou os exames para o Dr. Neiva, a tranqüilidade retornou, porque ele disse que nem levaria essa alteração em conta, uma vez que era mínima.
Assim vamos vivendo: cada dia de cada vez. Aprendemos que a vida só fica complicada quando queremos nos preocupar com tudo de uma só vez. Quando vamos resolvendo cada coisa a seu tempo, tudo fica fácil!

Parte 69
Quando fui ao Instituto Halsted na semana passada para consulta de controle, encontrei pessoas de S.Bento que estavam fazendo tratamento. Enquanto esperamos, conversamos com o homem que estava aguardando a esposa, que tinha feito a primeira sessão de quimioterapia e de radioterapia. Quando ela saiu, que surpresa! Era uma amiga, a Helena, que se emocionou ao me ver. Estava acompanhada da filha, que de imediato disse: ‘Eu quis levar a mãe até a sua casa para conversar, pois leio todas as semanas o artigo no jornal, mas não deu para levá-la, pois tínhamos de trazê-la para Curitiba’. Deu para sentir a tristeza e o desânimo da minha amiga diante do início do tratamento, que fará no caminho da esperança de conseguir vencer a doença. Anime-se, amiga, pois já venci esta etapa! É difícil, mas vais vencer esta batalha! Creia no Deus único e poderoso que tudo pode, e verás que a tua carga será carregada por Ele e terás muitas alerias, quando repartes o peso da doença, do desânimo e da dor com amigos e familiares. Posso ver nos membros de tua família como estás sendo tratada com muito amor e carinho, e este apoio é muito importante neste momento do tratamento. Anime-se, pois tens a força e a fé dentro de você! Deus vai reforçar a tua esperança nesta caminhada de cura e prevenção!

Parte 70
Na caminhada que estava fazendo para a cura do câncer, estava com pouco peso e fazia sessão de quimio a cada 21 dias, em Curitiba. Demorava mais ou menos 90 minutos a aplicação do medicamento. As enfermeiras, sempre muito simpáticas, delicadas e prestativas, me atendiam, além da Dra. Cristiane, que parecia uma mãe, de tão carinhosa.
Também encontrei duas crianças que estavam fazendo quimio. Pequenas, não mostravam medo por ter de aplicar o soro e a medicação. Uma delas já estava sem os cabelos e a outra começava suas aplicações. Os pais estavam junto com uma delas. Com a outra, a mãe e a avó acompanhavam. Tinha também uma jovem de 16 anos, já sem os cabelos, sozinha no quarto; então comentei com a Denise que eu e aquela senhora idosa, com leucemia já há 15 anos, já vivemos parte de nossa vida, mas essa jovem e as crianças, que têm a vida toda pela frente, com tantos sonhos para serem vividos...
Como é bom saber que a medicina está tão avançada em relação ao tratamento do câncer, que pode curar ou estacionar a doença por tempo indeterminado, deixando tempo para os seus sonhos, com as suas famílias e amizades.
Deus certamente vai orientar nossos cientistas e pesquisadores para o descobrimento da cura do câncer. Continuemos rezando por todos, para encontrarem forças para lutar e vencer!

Parte 71
Quando a gente termina de fazer a quimio e a rádio não pode pensar que terminou, pois não é verdade. Continuo tomando um comprimido por dia. Além disso, a cada quatro meses, realizo exames de sangue. Se em um desses exames aparecer alteração do controle do câncer, o médico pede outros exames, para
verificar onde está a causa.
Um dos exames é a CINTILOGRAFIA, que é um método de investigação clínica que consiste na injeção endovenosa ou ingestão de uma substância radioativa com afinidade eletiva para determinado órgão ou tecido, permitindo o estudo da distribuição topográfica do isótopo radioativo nesse órgão ou tecido por meio de um detector especial chamado câmara de cintilação ou gama-câmara. O método tornou possível o estudo anatômico e funcional de vários órgãos e tecidos, como a tiróide, rim, fígado, pulmões e cérebro, bem como o trânsito no trato digestivo, especialmente no esôfago e estômago. Ou seja, a gente ingere ou recebe um líquido na veia que se ‘gruda’ nos locais onde existam metástases ou tumores.
Existem outros exames, como a tomografia e o conhecido raio-X. Cabe ao médico decidir qual, ou quais, irá pedir. Mas em qualquer um deles, o importante é que seja feito por profissionais e o laudo feito por médico especialista em cada exame, caso contrário as dúvidas somente aumentarão.

Parte 72
Como é bom ter muitos amigos!
No “Grupo de Casais em Cristo”, onde estou há cinco anos, existe muita solidariedade, amizade, união, fé, amor ao próximo e tudo mais de bom que se possa imaginar e viver em um grupo. Quando o Pasqual faleceu, eles estiveram muito presentes em minha vida, no dia-a-dia. Em uma das visitas que me fizeram, me convidaram para continuar no grupo, apesar de estar, agora, sem o Pasqual. Aceitei e continuei a participar com alegria, e pude sentir o quanto eles me incentivam, respeitam e confiam no meu trabalho, sempre pedindo para que eu faça alguma tarefa. Vou aos encontros mensais, às novenas semanais quando posso, e me sinto dentro de uma grande família. Quando pedem uma palestra ou um trabalho em grupo, procuro fazer ou convidar alguém para fazer.

Em um dos acampamentos feitos com os filhos dos integrantes do Movimento
de Casais, no bairro Fundão, fui somente no almoço, porque estava fazendo quimioterapia e não me sentia muito bem. Muito solidária, Mariane estava usando um chapeuzinho também. Na foto, estamos nós três: eu, Mariane e Cristiano, seu marido.
Este grupo esteve sempre presente na comunidade e na minha vida. É uma
alegria só! E não deixaram de rezar e pedir a Deus pela minha saúde.. Como é bom viver assim, sendo amada, valorizada e incentivada a continuar a vida, acreditando que amanhã será sempre melhor!

Parte 73
Como descrevi no parte 71, acabada a quimioterapia eu tenho que, de tempos em tempos, realizar um exame de sangue e, a partir dele, os médicos optam por pedir ou não exames complementares. Falei da Cintilografia e, hoje, vou dar uma breve explicação da TOMOGRAFIA COMPUTADORIZA.

Em uma tomografia computa-dorizada, os fótons são coletados por um cristal cintilador ou uma fotomultiplicadora, que convertem a energia incidente em corrente elétrica, proporcional à energia dos fótons de raio-X incidentes. Nela, uma fatia do paciente, por exemplo de 10 mm de espessura, é imageada, eliminando a super-posição de estruturas adjacentes que ocorrem em radiografia convencional.

Parte 74
Temos muitos amigos que se respeitam, alimentam a amizade, o amor, a união, o diálogo e tantas vezes nossas vidas se cruzam e somos felizes, porque nos sentimos valorizados como irmãos e confiamos uns nos outros.
Quando a Denise freqüentou a catequese, era obrigatório freqüentar os círculos da Escola de Pais. Então, eu e o Pasqual, participamos por alguns anos, vindo a nos afastar por motivos particulares. Quando me convidaram para retornar à Escola de Pais eu já estava viúva, mas tem trabalho que pode ser feito, e é com alegria que participo do grupo, que é uma grande família.
Quando fiz a cirurgia, vi o quanto valem as amizades: eles me incentivam a lutar contra o ‘bichinho’ do câncer. ‘Ele é pequeno e você é grande.’ ‘Já venceu uma vez, vai vencer de novo’. Deram exemplos na família de alguém que teve que tirar o seio e, quatro anos mais tarde, apareceu nos ossos e agora está fazendo novamente a químio e está bem.
Com amigos que pesquisam, trazem remédios caseiros, incentivam na luta contra o câncer, me sinto feliz e amparada, e vejo que, graças a esse grupo e a Deus, eu e o Pasqual demos uma boa educação a nossos filhos.
Assim como com a mulher que citei no exemplo, meu câncer voltou, e também nos ossos. Já comecei novo cilo de químio e estou muito feliz com o que os médicos disseram.

Parte 75
Quando fiquei doente no hospital e durante o tratamento, sempre vinha um casal na lanchonete e perguntava pela minha saúde. Quando melhorei e já estava trabalhando, o casal continuou a freqüentar a lanchonete. Quando os atendi, a senhora me perguntou “como a senhora está de saúde?” e lhes contei o que tinha acontecido, e eles me disseram: “Todos os dias rezamos pela sua recuperação e pedimos a Deus que lhe devolva a saúde tão necessária.
Passou-se o tempo, fechamos a lanchonete para reformar, retomamos o trabalho e o casal de amigos voltou a freqüentar nossa casa com carinho, amor e simpatia de pais que ficam a cuidar de sus filhos. Preocupados com a minha saúde, continuam rezando pela minha recuperação.
Obrigada sr. Osvaldo e sra. Maria de Lourdes por ter uma fé tão grande que emociona e move montanhas. É muito gratificante ver a sua constante presença na oração por mim. Que Deus os abençoe com vida longa e saudável!

Parte 76
Em dezembro fiz os exames de rotina e me queixei para o médico de uma grande fraqueza e mal estar. Quando ia dormir, parecia que uma força sugava minha energia, sentia um suor frio e estava sem apetite. Em março fiz novos exames e levei para o médico: estava tudo em ordem, mas a fraqueza continuou. O médico deu uma pausa maior e os exames ficaram para julho.
Dr. Arno, médico do Instituo Halsted, pediu um exame extra, uma ultrasonografia, que fiz aqui em S.Bento. Quando vieram os resultados, vi que um exame não estava legal, estava bem alterado. Em Curitiba, quando o Dr. Arno analisou os resultados, mandou fazer mais três exames: raio-X de pulmão, tomografia e cintilografia. Fui a Joinville fazer os exames em uma sexta-feira e em uma segunda-feira. Na quinta-feira já estava com os resultados: no pulmão não apareceu nenhum problema; na tomografia também não, mas a cintilografia mostrava metástase em vários lugares. O médico recebeu o resultado por fax e, após, marcou cosulta com urgência.

Parte 77
Em Curitiba a Dra. Cristiane me recebeu como sempre: alegre e muito comunicativa, com carinho. Então me perguntou: ‘Sentiu saudades nossas e voltou?’ Pediu o cartão do Instituto, que eu queria ter guardado apenas por lembrança, não para usar de novo, marcando novas sessões. Me disse que o tratamento vai ser longo, em torno de 8 a 12 meses, mas se conseguir estacionar a doença, venceremos mais uma etapa. Fiz a aplicação que durou 3 horas. As anteriores eram de uma hora e meia. Durante os dias que se seguiram, foi a rotina de sempre: pele seca, boca, nariz e garganta com afta, o corpo todo dolorido como os sintomas de uma gripe, vômitos e diarréia. Antes isso durava dois dias. Dessa vez foram cinco dias sem apetite, com desânimo, lembrando que o cabelo vai cair, que as veias vão doer e mais febre, que não tinha das outras vezes.
A primeira semana passou. Na segunda estava me sentindo bem. Na terceira, já voltei para Curitiba, para a segunda sessão de quimio. Marquei consulta com o Dr. Neiva. Por telefone ele havia dito para a Denise que eu não precisava consultar com ele antes da terceira sessão. Fui ao encontro do Dr. Neiva em Campo Alegre. Como sempre, me recebeu muito bem. Mostrei as fotos da Maria Eduarda (minha neta), conversamos bastante, me explicou que o câncer nos ossos é mais fácil de tratar do que o outro que eu tinha na mama. Me animou dizendo que podemos tratar do problema como se fosse uma diabetes, através de medicação (quimio) e alimentação, e pode ficar controlado a vida inteira.
Meu afilhado foi me levar até o hospital e estava muito preocupado. Como entrou comigo no consultório e ouviu tudo o que o médico disse, ficou mais tranquilo.

Parte 78
Chegou o dia de ir de volta a Curitiba fazer a quimio. Vinte e um dias se passam muito rápido e lá estava eu e o Maurício na consulta com a Dra. Cristiane. Nestes 21 dias emagreci 3,5kg, o que ela achou muito e que o próximo mês não devo perder nada. Os sintomas e a demora foram os mesmos, com a diferença que não tive diarréia nem vômitos, só febre e mal-estar. Voltei a tomar os sucos, porque não tinha apetite, mas só por dois dias, então voltei a comer normalmente.
A Dra. Cristiane perguntou por que não perdi meus cabelos. Eu ri e disse: “Falei pra eles ficarem e eles obedeceram” (risos). A médica, assim como o Dra. Neiva comentou que eu não devo desanimar, perder meu bom humor. Não devo deixar de escrever, de passar a experiência boa para os outros, pois tudo vai me ajudar, a ter mais fé, enfrentar com amor os desafios que a vida está me propondo.

O Maurício, meu sobrinho, conversou muito comigo e disse: “Agora eu sei por que você volta sempre tão animada após as consultas! Porque os médicos te dão tantas palavras de incentivo e mostram que tem casos mais difíceis que o teu”. Aí está o lugar onde meu espírito consegue captar as coisas boas. Nos amigos, nos profissionais, nas enfermeiras (todas vieram me visitar no quarto!), na família, nesses filhos maravilhosos que tenho. O Dr. Paulo, que me acompanha devido à artrite, me disse um dia: “Como teus filhos te amam e se preocupam com você, graças à educação que você e teu marido proporcionaram. Estás tendo a tua recompensa!”.
Os cabelos começaram a cair e é muito incômodo: o travesseiro, as roupas cheias de cabelo... Quando bate o vento a gente vê os cabelos voarem... Da outra vez que cortei os cabelos choramos, porque é muito ruim saber como nos tratam com desprezo, como se fôssemos passar a doença para os outros através do ar... Também, perder a moldura do rosto traz um sentimento de desapego... As sobrancelhas também caíram... Os cílios desapareceram, ficando o rosto sem um pelo sequer, durante todo o tempo do tratamento...
Dra. Cristiane disse que farei 12 aplicações: uma a cada 21 dias. Isso passa rápido e, assim, posso fazer a corrida com a Maria Eduarda que também está ganhando cabelos e está a cada dia mais linda!

Parte 79
Muitas vezes na lanchonete, enquanto trabalho, as pessoas vêm conversar e perguntam se é verdade que eu tenho câncer, se faço quimio, etc. Eu me surpreendo com algumas:
- “Verdade que a senhora tem essa doença terrível e que dói muito fazer quimio? Minha irmã teve câncer com 35 anos e em três meses morreu!”
- “Quase não te reconheci de tão magra que você está!”
- “Por que você está usando touca? Você está com frio?”
- “É verdade que o câncer voltou e você está mal?”
Se eu estivesse mal eu não estaria trabalhando! Pessoa que nos falam assim perdem uma boa oportunidade para ficarem caladas e não irritarem. PELO AMOR DE DEUS! Quando quiserem saber alguma coisa sobre a doença, peçam informações! Não usem meu ouvido como pinico e não me tragam desânimo e preocupações desnecessárias. Saiba ser mais afetuoso, gentil, antes de ser tratado como você mereceria: com desprezo.
Mas como sempre, desejo tudo de bom para todos. Peço a Deus que dê entendimento e saúde, que você que me tratou assim, não precise nunca enfrentar uma doença, porque vais sofrer muito por ser tão pessimista. E mais uma vez vou dizer: O CÂNCER NÃO È CONTAGIOSO!
Quanto a usar touca, eu a uso para proteger minha careca do sol e do frio, e para não escandalizar essas pessoas tão ignorantes. Por mim e por meus filhos, ando sem a touca.
Deus sempre nos proporciona coisas boas, novas, maravilhosas, que logo me fazem esquecer as coisas menos agradáveis. Tenho amigos que me visitam e telefonam, trazem orações, medalhas, remédios caseiros, que me estimulam a viver bem, me sentir importante, e que o meu trabalho é importante para a comunidade.
Só tenho a agradecer a estas pessoas maravilhosas e que trazem os recados de Deus para mim, e levam os pedidos de recuperação da saúde para Deus!

Parte 80
Caí em um supermercado (estavam lavando o chão com sabão e a área não estava sinalizada). Machuquei o joelho, nada mais grave, mas tive que fazer fisioterapia. Como estava com pouco peso, o médico receitou mais fisioterapia para fortalecer os braços e as pernas. Quando terminei a fioso, no dia seguinte fui para Campo Largo - PR, onde fui submetida a uma mastectomia radical (retirada total da mama). Dr. Neiva recomendou que, assim que eu voltasse da anestesia, começasse a fazer fisioterapia. Quando acordei, a Denise estava do meu lado e imediatamente iniciou os movimentos. Quando me recuperei da cirurgia, continuei fazendo fisio na clínica. O ombro direito começou a doer e fiz um Raio-X. O médico constatou que era bursite. Novamente fazer fisio. Como estava demorando a melhorar e o braço ficando cada vez mais atrofiado, voltei para Curitiba e o Dr. Lúcio, especialista em ombro, marcou uma sessão de fisio em Curitiba. Fiquei dois dias sem dor. Comecei a fazer acupuntura uma vez por semana e fisio 3 vezes por semana. Não conseguia dormir deitada, pois os dois ombros doíam. Dormia sentada na cama ou no sofá. O braço esquerdo estava muito inchado e precisei fazer drenagem linfática. Aliviou, mas não resolveu. Fui ao Dr. Paulo e ele receitou 3 tipos de remédios contra dor. Sempre fazendo fisio, às vezes mais, às vezes menos, sempre com muita dor. Após duas semanas usando a medicação, comecei a sentir menos dores. Os exercícios foram mudados, pois estava com os dois braços atrofiados, sem poder comer, cozinhar, me vestir, tomar banho, nada sozinha, nem mesmo o sinal da cruz! Este foi um período muito difícil, mas felizmente está passando. Como sempre, minha netinha me dá muita vontade de viver e vencer essa batalha! Cada dia mais linda e esperta, está com os cabelos crescendo, como a vovó!

Parte 81
Certo dia, encontrei uma amiga na clínica, que me animou bastante, contando que ela teve quatro enfartos e sentia muita dor. Numa das vezes fizeram massagem cardíaca nela e quebraram algumas costelas. Ela me disse: “Agora sei que de dor a gente não morre. Rezava muito para passar a dor e, um dia, cessou. Foi uma surpresa não ter mais a dor. Já estava acostumada com ela”. Obrigada, Odete, por suas palavras de conforto e confiança em Deus, que me deram novo ânimo para enfrentar o tratamento e a dor. Sempre durante as sessões, converso muito com o fisioterapeuta e íamos descobrindo quantas pessoas estão doentes, com Câncer. Até mesmo o Dr. Neiva comentou, em uma das minhas consultas, que em nossa região há muitos casos.

Recentemente fiquei sabendo de uma conhecida que sempre dizia que nunca ficaria doente, por isso não precisava fazer os preventivos de mama e ginecológico. Quando resolveu fazer, o Papanicolau deu positivo, mesmo assim ela continuava dizendo que não tinha nada. Semana passada foi operada em Curitiba e, pelo que me contaram, parece que o médico já não podia fazer muita coisa. Estou rezando por ela, por mim e por todos que estão doente.
Deus há de dar forças para superarmos nossos desafios!

Parte 82
Sempre nas sessões, converso muito com a fisioterapeuta e vamos descobrindo quantas pessoas estão doentes, com câncer. Até o Dr. Neiva comentou, em uma de minhas consultas, que em nossa região há muitos casos.
Hoje, quando vou à fisio, todos os dias encontro pessoas que dizem: ‘Hoje completo 30, 40 sessões e não preciso voltar. Quantas sessões você está fazendo?’. Não sei quantas já fiz, mas estou melhorando e isso é o mais importante. Bursite, ombro congelado e, no último exame (cintilografia), câncer no ombro. Com a aplicação da quimioterapia a dor deceu. Tomo medicação só quando tenho muita dor. Hoje já posso me cobrir sozinha na cama, quando acordo ou levanto à noite, pois antes não conseguia sequer puxar a coberta.
O Fabrício, meu filho, me ajuda em tudo o que preciso: trocar de roupa, deitar, me ‘empacota’ com as cobertas nestas noites frias. Então agradeci a ele pela paciência em cuidar de mim e ele me disse: ‘Você cuidou de mim 27 anos, me dando a mão toda a noite para eu dormir. Por que não posso ajudar um pouco você também? É só lembrar o que você fez por mim durante tanto tempo’. Obrigada! Que Deus te abençõe!

Parte 83
Quando fui fazer a terceira sessão de químio, encontrei uma menina muito linda, chamada Kemili, de dois anos, com leucemia. Carequinha, muito risonha e que estava bem disposta. E passa rápido um pensamento: se o câncer desenvolve através da falta de perdão, mágoa, trauma emocional, como pode uma criança com dois anos estar com a doença em seu corpo? Como entender? É muito difícil aceitar essa doença. Neste mesmo dia levei os resultados dos exames de uma amiga muito querida para a Dra. Cristiane ver. Como minha amiga estava acamada e com muita dor, a Dra. sugeriu que fosse internada e fizesse radioterapia. Trouxe a notícia para ela e a família. Na semana seguinte já estava no hospital. Ficou internada durante semanas, fazendo a radioterapia e tomando vitaminas. As dores passaram e pôde se locomover um pouquinho. A família da D. Matilde, conseguiu agendar consulta em Curitiba para o mesmo dia que a minha consulta. Lá fomos nós, no carro da filha dela, a Mara, meu sobrinho Maurício dirigindo, eu e D. Matilde. Fizemos uma boa viagem. As enfermeiras levaram D. Matilde na cadeira de rodas e a deitaram na cama à espera da consulta. Mais tarde, ela veio ao meu quarto, enquanto eu estava recebendo a químio. Quando voltamos para casa, na despedida, dei um abraço na D. Matilde e ela me disse: ‘Como Deus foi misericordioso conosco. Fizemos uma boa viagem!’ Na semana seguinte ela foi internada no hospital em Campo Alegre, onde seu estado veio a agravar-se, falecendo a meia-noite do dia 15 de outubro. No seu sepultamento, muitos familiares e amigos foram levar à D. Matilde o seu até breve. O pouco tempo que nos conhecemos e participamos do Grupo de Reflexão ‘Caminhando com Maria’, foi uma alegria, sempre regada com muita amizade, oração e graças que recebemos de Nossa Senhora e de Jesus. Sua vida conosco nos proporcionou muitas bênçãos, exemplos de vida, exemplos de mãe, de amiga e, também, de doação aos menos favorecidos. Obrigada D. Matilde! Que do lugar que a senhora estiver, fique intercedendo por nós!

Parte 84
Como é bom ter amigos! Um veio me visitar depois de dois anos e oito meses da morte do Pasqual. Disse não ter vindo antes porque sente muito a falta do amigo. Depois, soube que fiquei doente e veio ao meu encontro, trazendo solidariedade à nossa amizade. Conversamos muito e, ao final, ele disse: “Alguns tipos de câncer são contagiosos”. Que pena! Você está mal informado! Nenhum câncer é contagioso! O câncer é uma doença que PODE ser hereditária, mas não contagiosa!
Outros amigos telefonam todas as semanas para saber como estou passando, indicar ou trazer remédios caseiros, outros ainda vem pessoalmente trazer verduras que não têm agrotóxico e falam que me admiram pela força e perseverança em estar fazendo o tratamento e a cabeça estar bem. Estou trabalhando e com vontade de fazer muito mais na vida! Isso me deixa animada para enfrentar essa fase difícil, onde sinto dores pelo corpo, a língua e a garganta ficam cheias de aftas, parece que tenho febre, tudo queima por dentro, as veias doem, sinto fraqueza que quase não consigo andar, tenho diarréia... Mas isso tudo é motivo para lutar, pois quero vencer a doença e só fazendo o tratamento tenho chance.
Agradeço ao meu amigo que trouxe cópias de um livro sobre alimentação e tratamento, dados sobre o câncer que já foram descobertos 100 tipos diferentes, 60 tipos de cura e 40 estão estudando. Assim vejo como a amizade é importante, pois a corrente de conhecimentos, troca de chás, receitas e orações me fazem sentir amada pelos amigos e recebo todos os recado que Deus me envia através deles, os AMIGOS!

Parte 85
Fomos visitar uma família amiga. Coinversamos muito, falamos sobre diversos assuntos. Mostrei minha cabeça sem touca. Quando viemos para casa o Fabrício perguntou: ‘O que será que eles pensam ao se despedir de você?’. Opções:
- Iris está bem disposta, passeando. Ela está bem.
- Será que ela vai morrer logo?
- Hoje foi uma despedida. Não vou mais vê-la...
- Como ela está bem. Nem parece doente!
- Vai vencer, com certeza!
É interessante imaginar o que os outros pensam a meu respeito, mas também percebi que, ultimamente tenho recebido muitas visitas, telefonemas, perguntando como estou e como é bom ouvir vozes amigas que nos trazem mensagens de otimismo, de fé, de amor, de esperança. Sempre digo que não estou doente, estou fazendo um tratamento para melhorar minha saúde, que está debilitada.
Na última vez que consultei com a Dra. Cristiane, perguntei-lhe: ‘Quanto tempo de vida eu tenho? De que adianta fazer tratamento se, no fim, o resultado é o mesmo?:’ Dra. Cristiane me olhou e disse: ‘Não esperava essa pergunta vinda de você. Com o tratamento, o câncer está estacionado, as dores estão passando e, assim, você tem qualidade de vida. Me admirei que você sempre está bem disposta, alegre, otimista, conta piadas divertidas, conta da Maria Eduarda que já tem mais cabelos que você’.
Com palavras assim voltei para casa, para junto dos meus familiares, que sempre me apoiam e me amam.

Parte 86
Uma amiga nos procurou, a Inês, para saber como foi a cirurgia e com quem eu a havia feito. A Denise conversou com ela. Explicou tudo, disse para ela dar uma lida na matéria no saite do Evolução. Então a Inês nos disse que iria levar sua mãe, D. Mônica, para consultar com o Dr. Neiva. D. Mônica fez o Papanicolau e deu negativo. Passados dois meses, ela começou a sentir dores e, nos exames, apareceu um tumor no útero. Fez a cirurgia, está bem, e começou a fazer a radioterapia e a quimioterapia em Curitiba.
Conversando com a Inês, indiquei a casa da Vera para ela alugar uma kitinete e fazer o tratamento, pois D. Mônica não tem ninguém para ficar de acompanhante e com a Vera é como uma família: são gentis, agradáveis, cuidadosos com quem está com a saúde debilitada. D. Mônica: que tudo dê certo na sua estada em Curitiba. Muita fé em Deus, que Ele vai lhe dar as forças necessárias para vencer mais esta etapa do tratamento. Lute para ter a vida, e com qualidade, pois o que você precisa passar não dá para transferir para outra pessoa. É uma provação que Deus te faz passar para testar tua fé Nele.
Ganhei uma oração que faço todo fim de dia:
“Ó Maria, minha querida e boa mãe, colocai sobre mim a Vossa santa mão, guardai a minha inteligência, o meu coração e os meus sentidos, para que eu não me manche com o pecado. Santificai os meus pensamentos, afetos, palavras e ações, para que possa agradar-vos, a Vós e a Jesus, vosso filho e meu Deus, e por vós alcançar o paraíso. Jesus e Maria”, dai-me a Vossa santa bênção. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito anto. Amém.

Parte 86
Mais uma viagem para Curitiba. Desta vez o Maurício não pôde me levar, porque tinha compromisso.
O Fabrício foi como motorista e companhia. Cheguei às 15:00 e saí às 18:50. Em 21 dias emagreci 2 kg mas, na consulta, a Dra. Cristiane me animou muito, pois os exames estão ótimos, não tenho anemia, a coagulação está ótima, o fígado está bom e o câncer regrediu. Ela disse ‘em time que está ganhando não se mexe’. Estou na sexta sessão de quimio. Não estou tendo tantos efeitos negativos, me sinto bem.
Voltei muito feliz, vocês nem podem imaginar o quanto, pois com boas notícias, só tenho que agradecer a Deus por novas oportunidades que está me proporcionando. Agradecer aos amigos e a minha família o incentivo para continuar o tratamento e os remédios caseiros, chás e sucos que tomo todos os dias.
O Maurício esteve me visitando. Como é bom sentir a alegria quando falei do resultado da consulta. Aquele sorriso contagiante de estar feliz mesmo com o resultado.
No grupo de reflexão todos agradecemos a Deus pela bênção da minha melhora. Agradecer o milagre da vida que recebemos gratuitamente de Deus.
Todos contaram que rezam diariamente citando meu nome nas orações. Muito obrigada! Que Nossa Senhora derrame suas bênçãos e proteja a todos!

Parte 87
Hoje fiquei pensando em tudo o que aconteceu com minha mãe... Lembrei do dia que contei a um amigo nosso que o câncer havia voltado, agora nos ossos, e que a mãe iniciaria novamente a quimio... Ele disse, indignado: “Me dá raiva saber que tem tanta gente que não vale nada e tá aí, bem, e a ‘tia’ Iris, que sempre ajudou todo mundo, tem que sofrer tanto”. Não pensem vocês que eu nunca me revoltei com essa situação.

Certamente que a primeira coisa em que se pensa é: por que ela? Por que não fulano ou ciclano... afinal, eles são pessoas que não ajudam, às vezes até atrapalham... Mas, logo em seguida, penso: quem sou eu pra julgar? Sabe lá se até não sou pior do que aqueles a quem me refiro? Sempre que acontece um caso de doença na família, a gente se revolta. É natural do ser humano. Mas isso não ajuda em nada. O melhor a fazer é fortalecer nosso coração com a oração e pedir a Deus que cure a pessoa adoentada. E, o mais importante, quando a cura acontece, agradecer a Deus pelo que Ele realizou. Se você conhece alguém que tem câncer, não se afaste. Câncer não é contagioso! Vá visitar a pessoa e lhe fale coisas boas, lhe incentive a continuar lutando! O pior da luta não é a doença, é a ausência de amigos e da família...

Parte 88
A Esperança
Que seria de nós se não existisse a esperança?
Essa doce amiga tem o dom de nos fazer sonhar e acreditar que podemos sempre melhorar o nosso dia e a nossa vida.
A Esperança é como aquela companheira que está sempre ao nosso lado nos momentos mais difíceis e humildemente se ausenta na hora da festa, nos deixando saborear o gostinho de vencer.
A Esperança não cobra ajuda, apenas nos estimula a seguir na luta.
A Esperança não julga, compreende nosso momento.
A Esperança não desiste, insiste em nos fazer feliz.
A Esperança é suave, tem um toque de mãe.
A Esperança é sopro divino, e tem energias renovadoras.
A Esperança é um porto seguro onde podemos ancorar nossos sonhos.
A Esperança é a mão que nos sustenta nas provas mais difíceis.
A Esperança é a única que quando todos se vão, está ali ao nosso lado.
A Esperança sabe das nossas dificuldades, mas conhece nossa capacidade de mudar.
A Esperança sempre acredita em nós.
A Esperança não morre nunca porque somos eternos, Somos Filhos de Deus, e DEUS habita em nós.
A Esperança existe para lembrar-nos que após cada tempestade há um novo dia que se aproxima trazendo o brilho do sol, a calma dos ventos que se transformam em brisa para acariciar nosso rosto como toque de Deus.
A esperança é a forma divina de Deus se fazer presente em nossas vidas.
A Esperança é a fé que nos move para a vida eterna.
A Esperança é seu sonho mais íntimo que a partir de agora passa a ser chamado de realidade.

Parte 88
Muitas pessoas me procuram para conversar. Veio uma senhora que é minha conhecida há muitos anos e me animou muito. Disse que eu não devo me preocupar, pois ela havia passado pela mesma situação de cirurgia e tratamento há 20 anos e está bem.
Depois da quimio, não tive mais os sintomas que tinha anteriormente quando recebia a medicação. Passei bem tranqüila e muito feliz, pois recebi várias visitas das comunidades. Estou com saudades do pessoal dos Grupos Bíblicos de Refleão. Vieram me visitar pessoas dos bairros: Bela Aliança, Centenário, Rio Vermelho Estação, Jardim São Paulo, Serra Alta e Centro. Quantas pessoas que me procuraram para contar os seus problemas de saúde, mas também trazem as soluções que resolvem suas vidas para melhor.
Enquanto vivemos a experiência de fragilidade na saúde, podemos perceber a mão de Deus nos acariciando e sustentando para que o desânimo e a depressão não tomem conta de nossa vida. Ele nos enche de graças e bens! Podemos sentir como Ele nos ama e não nos abandona!

Parte 89
Grupos encerrando atividades, amigos secretos sendo revelados, convites renovados para trabalhar nas pastorais em 2006. Quantas coisas boas e bonitas acontecendo! Se fizer uma avaliação deste ano, eu digo que foi muito bom, maravilhoso, cheio de encantos e alegrias! E muitos perguntariam: ‘você tratando tua saúde, fazendo quimioterapia e achou que foi tudo maravilhoso?’. Bem, pois as coisas positivas me surpreenderam: com a chegada da Maria Eduarda em abril foi só festa. Como diz a Dra. Cristiane, veio em boa hora esse anjo para me animar, pois todo dia tem novidades: um dia comeu algo diferente, outro perdeu os cabelos, ficou careca como eu. Para quem vai crescer os cabelos mais rápido? Vai se desenvolvendo e fico na expectativa da próxima etapa do crescimento. Cada dia uma alegria na vida e isso vai me animando, sentindo cada vez mais vontade de viver, e com alegria, pois a presença deste anjo na minha vida faz com que eu viva muito mais feliz e agradecida a Deus pelo presente que Ele me deu. Agora balbucia, grita, começa a gatinhar, ganhou dois dentinhos. Isso enleva meu espírito com amor e fé em prece de agradecimento ao bom Deus que me proporciona tanta alegria e bem estar. E nesse clima de amizade, e com a presença deste anjo chamado Maria Eduarda, peço para todos os familiares e amigos as bênçãos de Deus, em um Natal rico em saúde e que 2006 seja cheio de realizações e alegrias!

Parte 90

Quando fui para a consulta com a Dra. Cristiane, levei os resultados dos exames. Estava tudo bem: rim, fígado, anemia, etc., então dispensou os exames para a próxima consulta. Só que havia aparecido umas bolhas na cintura, com o exame descobriu que era varicela. Me receitou um remédio - 42 comprimidos custavam R$ 320,00, para tomar em uma semana de tratamento. Como estava muito caro, pedi ajuda para a Prefeitura e para a Rede Feminina de Combate ao Câncer. Quero deixar meu agradecimento a todos que ajudaram. Neste ciclo de quimioterapia não tive nenhum efeito desagradável por causa da medicação. Quando o Fabrício lembrou: ‘Amanhã temos que ir à Curitiba’, eu lhe disse: ‘Nem me lembre que já chegou a hora de voltar e fazer a quimio novamente’. Então, pensei um pouco e disse: ‘Que bom que eu vou a cada 21 dias para Curitiba. Aproveito para por os assuntos em dia, receber o incentivo da Dra. Cristiane, contar como está e mostrar as fotos da Maria Eduarda (ao lado), conversar com as enfermeiras, encontrar alguns pacientes que a gente já conhece. Cada um conta como está passando e os efeitos que sente durante o tratamento’. Por falar em Maria Eduarda, ela está cada dia mais linda! Agora está fazendo natação, e adora ir para suas aulas!

Parte 91
Muita gente acha estranho eu ficar feliz em fazer quimioterapia, mas é para pensar: e quem tem problema de rim e precisa fazer hemodiálise dia sim, dia não, é muito mais sofrido, não acha?
Fiquei muito feliz com uma visita que recebi dias atrás. Meu amigo, Zé Moreira, que há muito não via, que passou por uma experiência difícil: ficou três meses no hospital, após descobrir que estava com leucemia. Fez o tratamento em Joinville. Que bom que você venceu, Zé! Agora é só fazer o tratamento e o controle!

Dra. Cristiane e Iris Maria Rosá

Sempre que vou a Curitiba, só fico no Intituto para receber a medicação e, em seguida, volto pra casa. No fim de dezembro, pedi para ir pela manhã e encher os olhos, vendo as vitrines com coisas bonitas, novas, coloridas, modernas... Sair da mesmice. Foi muito agradável o passeio! Valeu passar uma manhã diferente. Então, uma semana após a aplicação, comecei a sentir os efeitos da quimio: aftas na boca e no nariz, diarréia, olhos inflamados, dores pelo corpo (como se fosse uma gripe forte), falta de apetite e muita fraqueza.
Mas só faltam três aplicações! Está passando rápido! Nesta última vez, dia 18/01, o José Maurício foi me levar. Aproveitamos para por em dia nossos assuntos: educação e formação dos filhos.

Parte 92
Muitas pessoas passam pela minha vida e Deus aproveita a oportunidade para me mandar as mensagens maravilhosas.
D. Lisete é uma pessoa maravilhosa, que lutou e muito contra o câncer, e é uma vencedora que, com muita fé, oração e confiança, recebeu a cura. Hoje ela passa uma mensagem muito positiva. Ela tem o dom da Palavra e usa para ser a mensageira do Divino, animando, mostrando que, tendo fé, conseguimos os milagres do dia-a-dia, tão pouco notados, pois todos têm pressa e não percebem as pequenas e preciosas mensgens e milagres da vida.


Quando a D. Lisete disse ‘Confie em Deus. Eu tive de fazer muitas cirurgias, depois de três anos voltou, fiz o tratamento e Deus usou de misericórdia para me livrar da doença e reestabelecer minha saúde. Confie no Deus maravilhoso que nos dá a vida, basta ter fé, confiar e se entregar nas mãos Dele, através da oração’.
D. Lisete, que Deus lhe abençoe!

Parte 93
Chegamos em Curitiba antes do horário da consulta, que era 14:30 mas, como havia uma emergência, fui atendida somente às 16:30. Durante esse tempo, ficamos conversando (os pacientes). Uma senhora disse que fez rádio e químio há três anos e continua tomando o remédio, mas o câncer não se manifestou mais.
Outra senhora falou que estava acompanhando uma amiga há quatro anos, quando o câncer se manifestou no intestino. Essa senhora tem um quarto preparado em seu apartamento e em sua casa de praia para a amiga, a acompanha em cada sessão de químio e disse que a amiga é mais que uma irmã para lá, que está sempre a incentivando, rezando junto, mostrando a fé em Deus e a boa hospedagem à família. Também contou que é voluntária no hospital, onde faz visitas todas as semanas. Passou a receita de vários remédios para o câncer: babosa, leiterinho de goiás, sucos...
Havia um jovem senhor que nos contou sua história: no dia 1º de janeiro de 2005 sentiu-se mal. Depois de muitos exames e uma biópsia em junho, descobriram que era câncer no baço. Em outubro foi operado. Mostrou o corte: está bem cicatrizado. No dia 1º de janeiro de 2006, sentiu-se mal novamente e foi procurar o médico. Depois de alguns exames, descobriram que era câncer no intestino e na cabeça. Está fazendo rádio. Então, ele comentou que na conversa com o médico, o profissional disse que o pior câncer é aquele que dá nos ossos. Em seguida ele me perguntou ‘e você, onde tem câncer?’. Falei que tive câncer no seio e que agora está nos ossos. O senhor ficou tão sem graça que ficou em silêncio. Acho que ele queria desaparecer dentro da xícara de chá que estava tomando.
Precisa pensar bem antes de falar alguma coisa para não passar vergonha!

Parte 94
Quando voltamos de Curitiba, o José Maurício comentou que um amiga médica tinha conversado com a Denise e o chamou para conversar alguns dias depois. Comentou que o câncer em meu organismo está no fígado e que ele ficasse prevenido para alguma surpresa e que precisaria me ajudar. José Maurício foi na próxima consulta em Curitiba para ver o que a Dra. Cristiane ia falar. Ela disse que tinha uma doença no fígado (esteatose) e que era provocada por alguns remédios. Durante três meses o José Maurício me acompanhou. No dia seguinte à aplicação da químio, comentei com a Denise e o Fabrício, e a Denise, após comentário, me disse: ‘Mâe, é verdade. Você tem câncer no fígado. Mas como a médica disse para não comentar nada, já que você estava achando que era esteatose’. Na hora fiquei muito chateada por saber desta forma e que me esconderam a verdade. PEnsei em brigar com meus filhos, mas à noite pensei bem e não falei nada. Pensei como meus filhos devem ter sofrido em saber do câncer e cada vez que eu falava alguma coisa eles sofriam por saber que estava também no fígado. Como meus filhos foram maravilhosos me poupando do sofrimento. brigado por ester gesto!

Parte 95
Alguns dias se passaram e o José Maurício veio almoçar. Quando comentei com ele: ‘Lembra daquela conversa que tivemos do câncer no fígado? É verdade e a médica e meus filhos sabiam’. Foi enorme a surpresa e a tristeza que tomou conta dele. Não teve resposta para mim e assim vou vendo quando ele cuida de mim, me ama e gosta de dialogar. Nossas viagens são animadas e, quando chegamos de volta, ainda temos assunto para passar parte da noite conversando. Como é bom ter ao meu lado uma pessoa tão querida e prestativa como você, José Maurício. Um dia você será recompensado e agora já tens as bênçãos de Deus e a proteção de Nossa Mãe do céu!
Esteatose - O acumulo de gordura no interior dos hepatócitos é um mecanismo natural, utilizado para estocar energia. A quantidade de energia acumulada na gordura é muito maior que no açúcar ou na proteína, podendo fornecer ao animal grande quantidade de energia nos momentos de necessidade. O fígado mantém dois grandes estoques de energia: a gordura e o glicogênio, que e uma glicose alterada para ser estocada. Quando permanecemos em jejum e o nível de açúcar no sangue diminui, hormônios enviam sinal ao fígado para transformar o glicogênio em glicose e manter o organismo funcionando. Se a falta de comida persistir, a gordura começa a ser utilizada, mas este processo é mais demorado. Alem disso, estudos sugerem que as células esteladas do fígado tentam controlar os níveis de colesterol no sangue transportando o colesterol para dentro do fígado. Os coelhos, por exemplo, que não tem células esteladas, sofrem muito mais com o colesterol.

Parte 96
Sempre tive um sonho: ser doadora de órgãos. Pensava que, um dia, quando chegasse a hora da passagem para a eternidade, deixaria meus órgãos para serem doados. Sempre avisei meu marido que, quando morresse, era para doar tudo que desse para aproveitar. O Pasqual era doador de órgãos e, quando renovou a carteira de motorista, desistiu da idéia, porque achou que os órgãos eram comercializados. Eu continuei como doadora. Imaginava como ficaria feliz quem recebesse o coração que continuaria amando as pessoas...
Quem ganhasse os rins para não precisar mais fazer hemodiálise... O pulmão para dar alívio na respiração... O fígado, que processa as reservas de ferro, vitaminas e minerais no corpo... Os olhos para quem já não via as paisagens que Deus nos deu, ver o sorriso de uma criança, poder olhar os olhos do ser amado e perceber todo o amor que é transmitido através de um simples olhar... Doar o maior órgão, que é a pele, para quem estivesse com dores de queimaduras... Poder aliviar o sofrimento de tantos com os órgãos que eu não iria mais usar...

“SE VOCÊ TEM UM BOM CORAÇÃO... SEJA UM DOADOR
DE ÓRGÃOS.”

O sonho se desfez quando, na primeira consulta, o médico perguntou: ‘você é doadora de órgãos?’ Eu respondi que sim. Ele disse: ‘Era doadora, agora não é mais. Mas seu eu precisar de um órgão, posso buscar? Pois não tenho medo do câncer.’ Assim é a vida... Quem quer, não pode, quem pode não faz... Um sonho desfeito para mim, mas que VOCÊ pode realizar! Lute para não perder de vista! Sonhando bastante, ao menos 50% poderás realizar. Embale teus lindos sonhos para que se tornem realidade, não como o meu, que se desfez... Seja doador de órgãos! Você fará algumas pessoas felizes!

Parte 97
Um sábado desses, logo cedo, recebi uma ligação de Curitiba, da minha sobrinha Cristiane, que esteve estudando no Chile, voltou para o Brasil - para morar em Brasília - e estava dando um curso em Curitiba, para moças.
Ela perguntou como eu estava e o que tinha acontecido, pois ela não sabia de nada: da cirurgia, do tratamento, etc. A Rosália, mãe dela, lhe disse que eu não estava muito bem. Ela foi falando que era para me preparar, rezar mais, ficar mais perto de Deus, pois quando chegamos ao fim, devemos estar mais unidos a Deus. Agradeci as palavras dela e passei a falar: ‘Se eu desanimar e ficar acamada, vai ser mais difícil para mim e para meus filhos. Se eu ficar chorando e me lamentando, não vai melhorar em nada minha vida, pelo contrário, vou me sentir sem fé e nada vai me ajudar, pois quanto menos
acreditamos, menos força para vencer temos’. Cristiane pediu para eu me calar e disse: ‘Não sabia que você está tão bem. Em vez de te consolar, você é que está me consolando. Vou pedir para as amigas rezarem para você continuar assim’. Desejou tudo de bom e desligou.
Na segunda-feira seguinte, recebi a visita do Isino e da Rosália, os netos e uma filha de Joinville, da Nilda, minha cunhada, e da Eldinéia, minha afilhada. Todos admirados por eu estar trabalhando na lanchonete e cuidando da Maria Eduarda. Achavam que eu estava tão mal que precisava ficar acamada.
Não é assim que devemos agir! Desanimar, jamais! Vamos aumentar nossa fé, se achegar mais a Deus, rezar pelos necessitados, pedir a Nossa Senhora que nos proteja.
Obrigada pela visita, queridos familiares!

Parte 98
Chegou o dia de iria para Curitiba. O José Maurício me atendeu. A Dra. Cristiane, como sempre, nos atendeu com muita cordialidade, com afetuoso abraço e beijo. Eu lhe disse que ela estava mentindo quanto ao meu estado de saúde e que não confiava mais nela, porque não me disse que o câncer também estava no fígado. Ela ouviu e me disse: ‘Mudou alguma coisa na tua vida agora que sabes que tens câncer no fígado? O laudo original está com você, eu só tenho uma cópia, você não leu?’. Eu lhe disse: ‘Li, mas não entendi, pois não compreendo as palavras técnicas que lá estão’. Dra. Cristiane leu, explicou, pediu mais um exame para ver como está o fígado, pois o exame que apresentei para ver como está o câncer baixou. Este mês faço a tomografia que a Dra. Cristiane quer ‘esfregar no meu nariz, pois melhorou bem o fígado’.
Isso que é incentivo! Depois de ouvir o paciente desabafar, lhe passar confiança e vontade de ir à luta com mais fé, com mais vontade de viver! Agradeço as palavras e rezo a Deus para que te proteja e continue esta profissional maravilhosa!

Parte 99
Amigo de nossa família, o José Moreira Bastos, mais conhecido por ‘Zé Pintor’, esteve no hospital fazendo tratamento contra a leucemia por três meses. Quando voltou para casa, veio me visitar. Como senti alegria e aconchego naquele abraço amigo! Comentou o internamento, o tratamento e como estava feliz de volta à sua casa. O Zé me disse: ‘Já que não pode ir me visitar, porque estás trabalhando, então eu virei mais vezes te visitar!’. Nas outras duas vezes que me visitou, pude sentir a alegria da comunicação, da amizade, seu sorriso, sua felicidade em estar no nosso convívio. O Zé me disse: ‘Estou te ganhando. Estou na tua frente. Terminei a quimioterapia e volto em março para fazer os exames e uma visita aos médicos, enquanto você faz químio até final de março!’ Demos boas risadas juntos e o Zé prometeu voltar mais vezes para conversar. Em um sábado avisaram que ele havia se sentido mal e o levaram para o hospital, de onde já foi encaminhado para Joinville, onde ficou na UTI. Na segunda-feira a sobrinha dele ligou avisando de seu falecimento. À noite fui até a capela para me despedir do Zé e levar um pouco de conforto para sua esposa. Havia muitas pessoas conhecidas, entre elas o Bráulio e a Belinha, que também participavam no Grupo de Jovens. Belinha disse que tinham se programado para ir visitar o Zé, mas não deu tempo, ele partiu para a eternidade. Falei para a Belinha: ‘Então se programe para me visitar, antes que chegue a minha hora, porque depois não adianta querer me visitar.’

Parte 100
No trabalho, no dia-a-dia, muita gente passa para conversar, ou se surpreende achando que eu estou acamada e me questiona. Um jovem vindo de Joinville pediu um lanche e, em seguida, perguntou: ‘Você está com frio?’. Respondi: ‘Não, mas estou fazendo tratamento e estou sem os cabelos’. E ele: ‘Queria ter certeza que você tem câncer. Eu também tenho. Fiz cirurgia no intestino, fiquei com uma bolsa coletora, houve outra cirurgia para ligar o intestino e retirar a bolsa. Na segunda vez notaram também que o fígado tinha câncer. Felizmente, depois da biópsia verificou-se que era benigno e estou curado.’ Desejou-me tudo de bom e disse que a medicina está muito avançada e, graças a Deus, muitas pessoas serão curadas.
Outra amiga perguntou para minha funcionária como eu estava, pois não sabia o que falar comigo. Achava que eu estava de cama e ela não teria palavras de conforto. Ficou muito surpresa quando me encontrou trabalhando na lanchonete e passou a tarde conversando vários assuntos. Quando foi embora, ela me disse que a tarde estava muito agradável e que aprendeu sobre muitas coisas.

Parte 102
Fez um ano (20/04) que minha neta, Maria Eduarda, nasceu. Foi um ano com muita preocupação e amor multiplicado para a família. Foram momentos de felicidades, impossíveis de relatar, mas você também pode viver a emoção de conviver com uma criatura maravilhosa que sempre trouxe muita paz e esperança. Um anjo que preenche minha vida, pois todo dia é uma festa com as novidades que este anjo sempre traz. Um dia é a atenção dela para a história que a gente lia, outro dia que ela tinha crescido e engordado... Deus sempre lhe deu boa saúde. Quando fico com ela é sempre uma festa de vida, de renovação, de alegria. Além da beleza, dos seus olhos azuis, do sorriso meigo, do carinho que me dá quando me beija e abraça, quando pega minhas orelhas e procura meus cabelos (quase inexistentes), quando tira a minha touca... Realmente este anjo chegou no momento importante e delicado de minha vida. Maria Eduarda, que Deus conserve tua inocência e alegria de viver. Admirando você, acredito que Deus não está desanimado com a humanidade, pelo contrário, acredito que Ele ama e confia no povo, colocando no meio de nós anjos de luz e de fé. Maria Eduarda, obrigada por você existir! Deus te encherá de graças pela vida afora e você será um pessoa muito feliz!

Parte 103
Fui em uma festa de aniversário e lá encontrei uma pessoa que está fazendo tratamento para melhorar sua saúde há 10 anos. Primeiro, apareceu em uma mama, que retiraram. Depois apareceu na outra que também retiraram. Agora apareceu no pescoço. Não fizeram cirurgia, mas está fazendo quimioterapia. Esta pessoa está com esperança e alegria ao dizer que a medicina está cada vez mais avançada. Isso me passa força para continuar meu tratamento e acreditar cada dia mais em Deus, que nos dá o sofrimento conforme nós o agüentamos...

O SORRISO NÃO TEM PREÇO
De graça recebemos e de graça devemos dar. A fome maior do mundo é a CARÊNCIA DE AFETO.
Quando nos encontramos em situações difíceis, aprendemos a valorizar os pequenos gestos.
Um simples sorriso, pode reacender o entusiasmo numa pessoa desanimada e triste.
Sorria, sinceramente. Dê de graça, o que de graça, você recebe! Sorria...

Parte 104
Quando vou a Curitiba, sempre tem alguma pré-ocupação... Ou é apresentação de exames, ou não estou me sentindo muito bem...
Quando olhei os resultados dos exames de sangue e da tomografia, já fiquei contente, em casa, com a família, pois mostrava que o câncer não estava mais no fígado, somente em alguns ossos! O Fabrício me levou para a consulta. A Dra. Cristiane olhou todos os exames com atenão e disse: ‘A próxima filha deve se chamar Vitória! Vencemos mais uma etapa!’ Depois de explicar bem, ela propôs fazer um reforço de três sessões de químio. Olhei para o Fabrício, que falou: ‘Você que sabe...’. A Dra. Cristiane também disse que a última palavra seria minha.
Continuar... Mais três vezes... Sentir mal estar, ir para Curitiba, mais dores para aplicar a químio, etc, etc... Vou fazer o reforço! Mais três vezes para ir à Curitiba, passear, conversar com quem for me levar. Quem já fez 20 sessões, não vai se desencorajar agora! Vou fazer as três aplicações! Acreditar mais nas orações que todos estão fazendo e que Deus já está me dando mais uma chance para viver mais e com mais qualidade de vida!

Parte 105
Muitas pessoas não se amam o suficiente e se entregam ao desânimo, depressão e a saúde fica abalada. Não se cuidando, a doença aproveita a oportunidade e se instala para não sair mais. Tinha uma amiga que teve um bebê, hoje com quatro anos, que foi desenvolvido nas trompas, nasceu ao seis meses, com 900 gramas, através de uma cesárea. Desde que fez a cirurgia, o corte não fechou mais. Ela fazia curativo todos os dias, mas o problema continuava. Foi tratando a saúde pelo Estado, onde tudo é demorado, a gente sabe. Minha amiga, acomodada, com dificuldades com o bebê, desanimada, foi ficando com a saúde mais debilitada. Quando conseguiu os exames (radiografias, ultrassonografia e consulta) para mostrar ao médico, já estava com câncer nos braços e no local da cirurgia. Quando foi exposta para ela a situação da sua saúde, ela ficou desesperada, não quiz fazer radioterapia nem quimioterapia. Como a situação estava grave, mais pessoas conversando com ela, concordou em fazer o tratamento, mas era tarde demais: em quatro meses veio a falecer. Quando ela teve o filho, tinha 140 quilos, quando faleceu estava somente com 40 quilos. Quando presencio um fracasso desses, vejo o sofrimento dos familiares, que ficam e tinham a esperança de cura, e buscam na saudade, preencher a ausência do ente querido. Não me abalo, pois minha fé é grande e me sinto estimulada a continuar o tratamento. Que Deus dê forças suficientes para que a família da minha amiga possa superar as dificuldades e a saudade.

Parte 106
Novamente em Curitiba para fazer a primeira das três sessões de reforço da quimioterapia. Quem me levou desta vez foi o Zé e a Lúcia Mello. Na recepção do Instituto as atendentes perguntaram: ‘Consulta?’ Sim e químio, reforço.
Na consulta com a Dra. Cristiane aproveitei para perguntar do fígado. Quando o câncer começa no fígado, não tem cura, mas no meu caso, foi uma metástase (célula com câncer) que originou-se do câncer inicial, que era na mama, e foi se alojar no fígado, entre outros lugares, como os ossos. Mesmo sendo primário, no fígado, dependendo o estágio, até tem cura, mas é preciso muita paciência, fé, vontade de viver, acreditar em Deus, no médico, no remédio e, principalmente, querer vencer a doença e viver!
Quando fui para o quarto, as enfermeiras perguntavam: ‘Reforcinho? Achamos que só vinha nos visitar, mas é bom se prevenir, fazer mais o reforço para garantir a saúde’.
Conversamos muito e, assim, passou mais um dia de tratamento. Vamos ver as reações durante os próximos dias.

Parte 107
Hoje eu, Denise, terei que escrever. Sei que o comentário está geral. Os fatos: minha mãe está internada, ficou 4 dias na UTI e agora está no quarto. Os boatos: não esteve ligada a nenhum outro aparelha que não o monitor cardíaco. Para que não haja dúvidas, vamos ao que aconteceu: Dia 17/05, dia da segunda sessão de reforço da quimioterapia, a mãe foi à Curitiba com o José Maurício. Tudo normal, afinal esta seria a 22ª sessão.
À noite, em casa, quando o telefone tocou, na hora disse a meu marido: ‘É a
mãe’. E ele disse: ‘Convide-a para o jantar’. Atendi e era meu primo, dizendo que, ao final da sessão, a mãe disse não estar se sentindo bem. A Dra. Cristiane a examinou e constatou uma taquicardia; disse que era reação da químio. Ao ir para o carro, a mãe disse estar se sentindo mal e com dificuldade para respirar. Novamente a Dra. Cristiane a examinou e pediu para que fosse ao hospital, porque no Instituto não havia nada que ela pudesse fazer. Então foram ao Hospital São Vicente. A mãe continuava com taquicardia e, o mais preocupante, estava entrando água no pulmão.
Imediatamente a mãe foi submetida a um eletro e foram feitos raios-X dos pulmões. Novamente meu primo ligou e pediu para irmos à Curitiba, porque a mãe ficaria internada e ele não sabia o que fazer. Foi uma correria: pega umas peças de roupa, imprime um mapa, pega endereço e telefone do hospital e sai correndo.

Parte 108
Entre a primeira ligação às 18:50 e a segunda às 20:45, procurei o endereço do hospital e o telefone. Meu marido localizou um mapa, já pensando na possibilidade de termos de ir. Saímos eu e meu irmão. Apreensivos, sem dúvida, querendo que a distância fosse menor e nós pudéssemos chegar antes. O celular ficou fora de serviço e, quando voltou, vi que o José Maurício havia tentado ligar. Retornei a ligação e ele perguntou onde estávamos. Falei que havíamos passado o Posto 21 e que em uns 45 minutos chegaríamos. Foi aí que ele nos assustou. Disse assim: ‘Quarenta e cinco minutos? Então vocês não vão mais ver a tia’. O quê? Na hora o Fabrício parou o carro. Pedi para o José Maurício repetir, e ele: ‘Vocês não vão mais ver a tia, porque a médica a está levando para a UTI’. Ufa! Que susto! Falamos com a mãe pelo telefone e ela pediu para que voltássemos para casa, mas não obedecemos.
Chegamos em Curitiba, segui o mapa até onde pude, aí paramos e pedimos informações: estávamos a duas quadras do hospital. Chegamos e a diferença no tratamento dos funcionários para conosco foram gritantes. O segurança, muito atencioso, chamou o outro que estava na recepção na hora em que a mãe deu entrada no hospital. Este segundo segurança respondeu às nossas perguntas e nos encaminhou à UTI. Como ele não podia abandonar seu posto, pediu para dois enfermeiros que estavam subindo, para nos mostrarem o caminho. Logo ao subir a rampa vimos o José Maurício e fomos conversar com ele, que estava muito apreensivo. A primeira coisa que ele nos disse foi: ‘Desculpa por não ter conseguido levar a mãe de vocês de volta pra casa’.

Parte 109
Os primeiros exames que a mãe fez no hospital foram o eletrocardiograma e o raio-X. Para quem não sabe o que são esses exames ou tem dúvidas, segue uma breve explicação:
O Eletrocardiograma (E.C.G.) é o registro extracelular das variações do potencial elétrico do músculo cardíaco em atividade.
As ondas de despolarização e repolarização que se propagam ao longo das fibras cardíacas podem ser consideradas dipolos em movimento como momentos dipolares variáveis. Estes dipolos determinam campos elétricos variáveis que podem ser detectados pela medida da diferença de potencial através de eletrodos colocados na superfície cutânea.
Desta forma, os potenciais gerados pelo coração durante o ciclo sístole-diástole (contração/relaxamento) podem ser registrados aplicando-se eletrodos em diferentes posições do corpo. Na prática, existem locais padronizados onde os eletrodos de registro são colocados, de acordo com orientações pré-estabelecidas. Na realidade, o que se mede é a diferença de potencial elétrico entre dois pontos no campo elétrico gerado pelo dipolo elétrico cardíaco ao longo do ciclo cardíaco. Os pontos de medida são escolhidos e padronizados, originando as várias derivações.

Parte 110
Normalmente são colocados 5 eletrodos à superfície corporal: um em cada punho, um em cada tornozelo e um móvel que pode ser colocado na superfície torácica sucessivamente em seis posições diferentes. Por convenção, o eletrodo do punho direito recebe o nome de R (right), o punho esquerdo de L (left) e o do tornozelo esquerdo de F (foot). O eletrodo do tornozelo direito é ligado ao fio terra.
Estes eletrodos podem ser ligados entre si de 15 maneiras diferentes. Todavia, somente 12 são utilizadas na prática médica. Cada uma destas ligações é conhecida como uma derivação do eletrocardiograma.
Raio-X - No fim da tarde de 8 de novembro de 1895, quando todos haviam encerrado a jornada de trabalho, o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen (1845-1923) continuava no seu pequeno laboratório, sob os olhares atentos do seu servente. Enquanto Roentgen, naquela sala escura, se ocupava com a observação da condução de eletricidade através de um tubo de Crookes, o servente, em alto estado de excitação, chamou-lhe a atenção: “Professor, olhe a tela!”. Nas proximidades do tubo de vácuo havia uma tela coberta com platinocianeto de bário, sobre a qual projetava-se uma inesperada luminosidade, resultante da fluorescência do material. Roentgen girou a tela, de modo que a face sem o material fluorescente ficasse de frente para o tubo de Crookes; ainda assim ele observou a fluorescência. Foi então que resolveu colocar sua mão na frente do tubo, vendo seus ossos projetados na tela. Roentgen observava, pela primeira vez, aquilo que passou a ser denominado Raio-X.
O parágrafo acima pode ser uma dramatização do que de fato ocorreu naquele dia, mas o fato que a história registra é que esta fantástica descoberta teve estrondosa repercussão, não apenas na comunidade científica, como também nos meios de comunicação de massa. Por exemplo, em 1896, menos de um ano após a descoberta, aproximadamente 49 livros e panfletos e 1.000 artigos já haviam sido publicados sobre o assunto. Um levantamento feito por Jauncey no jornal norte-americano St. Louis Post-Dispatch, mostra que, entre 7 de janeiro e 16 de março de 1896, quatorze notas foram publicadas sobre a descoberta e outros estudos relacionados.

Parte 111
Todavia, as mais conhecidas referências a essa descoberta tendem a minimizar o mérito do seu autor, enfatizando o aspecto fortuito da observação. Essa visão distorcida que se tem do trabalho de Roentgen só é eliminada quando se toma conhecimento dos seus relatos. Com 50 anos de idade na época da descoberta dos raios X, e menos de 50 trabalhos publicados, Roentgen tinha como temas prediletos as propriedades físicas dos cristais e a física aplicada (em 1878 apresentou um alarme para telefone, e em 1879, um barômetro aneróide). Sobre os raios X publicou apenas três trabalhos, e ao final da sua vida não chegou a ultrapassar a marca dos 60. Para um detentor do Prêmio Nobel de Física, esta é uma quantidade relativamente inexpressiva. Essa “pequena” produção talvez seja conseqüência do seu rigoroso critério de avaliação dos resultados obtidos. Pelo que se sabe, ele era tão cuidadoso, que jamais teve de revisar os resultados publicados. Lendo seus dois primeiros artigos sobre os raios X, percebe-se a acuidade do seu trabalho.
Além da inegável importância na medicina, na tecnologia e na pesquisa científica atual, a descoberta dos raios X tem uma história repleta de fatos curiosos e interessantes, e que demonstram a enorme perspicácia de Roentgen. Por exemplo, o físico inglês Sir William Crookes (1832-1919) chegou a queixar-se da fábrica de insumos fotográficos Ilford, por lhe enviar papéis “velados”. Esses papéis, protegidos contra a luz, eram geralmente colocados próximos aos seus tubos de raios catódicos, e os raios X ali produzidos (ainda não descobertos) os velavam. Outros físicos observaram esse “fenômeno” dos papéis velados, mas jamais o relacionaram com o fato de estarem próximos aos tubos de raios catódicos! Mais curioso e intrigante é o fato de que o físico alemão Philipp Lenard (1862-1947) “tropeçou” nos raios X antes de Roentgen, mas não percebeu. Assim, parece que não foi apenas o acaso que favoreceu Roentgen; a descoberta dos raios X estava “caindo de madura”, mas precisava de alguém suficientemente sutil para identificar seu aspecto iconoclástico. Para entender porquê, é necessário acompanhar a história dos raios catódicos.
Raios X podem ser produzidos quando elétrons são acelerados em direção a um alvo metálico (Veja o capítulo sobre A Descoberta dos Raios X para uma descrição histórica). O choque do feixe elétrons (que saem do catodo com energia da ordem de 30 Kev) com o anodo (alvo) produz dois tipos de raios X. Um deles constitui o espectro contínuo, ou bremsstrahlung em alemão, e resulta da desaceleração do elétron durante a penetração no anodo. O outro tipo é o raio X característico do material do anodo. Assim, cada espectro de raios X é a superposição de um espectro contínuo e de uma série de linhas espectrais características do anodo.

Parte 112
Ficamos esperando no Hospital, até que o enfermeiro da UTI veio para fora e nos disse que um poderia entrar. Eu entrei e fui ver a mãe. Ela estava sentada na cama, com soro no braço, eletrodos no peito e uma máscara para oxigênio, que ela não estava usando. Em cima da mesa havia um saco vermelho, que o enfermeiro disse conter todos os pertences da mãe. Conversamos um pouco. Ela quis me contar o que havia acontecido, mas disse que não precisava, para não cansá-la, mas percebi que ela estava bem lúcida e ciente do que havia acontecido. Fiquei o tempo que me foi permitido e, ao sair, falei com o médico responsável, Dr. Everson, que me disse que o histórico médico da mãe poderia ser a causa da taquicardia, assim como a quimioterapia ou mesmo um princípio de enfarto, mas que só seria possível determinar a causa após a saída dela da UTI, quando seriam feitos alguns exames.
Saí da UTI mais tranqüila. Encontrei os dois no corredor e descemos, para decidir o que fazer. Cada um ligou para casa. Decidimos voltar a São Bento e, no dia seguinte, eu e o Fabrício voltaríamos a Curitiba para conversar com a médica e ver o que seria feito dali para frente. Cheguei em casa por volta das 1:30h da manhã e tratei de dormir um pouco. No dia seguinte, meu marido ficou com a Duda em casa pela manhã e eu voltei para Curitiba. A médica disse que o que deflagrou a crise de taquicardia foi a quimioterapia. Disse também que, quando a mãe chegou ao hospital o coração dela não batia, ‘tremia’. Tudo foi feito para que os batimentos fossem normalizados. Ela teria que ficar mais um ou dois dias na UTI, uma vez que a medicação que estava sendo dada a ela só podia ser ministrada na UTI.
Ficamos esperando a visita. Entramos e ficamos com a mãe por meia hora. Demos-lhe o almoço, que os enfermeiros deixaram para que a gente aproveitasse com ela. O coração continuava acelerado, com batimentos entre 124 e 133 por minuto. Conversamos muito. Ela preocupada com a casa e o trabalho e nós preocupados com ela. Avisamos que à noite não iríamos visitá-la, só voltaríamos no outro dia. Nos despedimos e voltamos para casa.

Parte 113
Depois de visitar a mãe na UTI e conversar com a médica, voltamos para casa com os números de telefone, para ligar a qualquer hora. Na sexta-feira, fiquei para trabalhar e o Fabrício e a Jaqueline foram para Curitiba. A mãe continuava na UTI, com uma redução nos batimentos, mas ainda muito elevado. A médica estava contente com o progresso da mãe, e disse querer tirá-la o quanto antes da UTI, para evitar infecções. Apesar disso, a mãe só foi levada ao quarto na segunda-feira. Para a transferência alguém da família precisava estar lá. Pedi ao José Maurício para me levar, porque o Fabrício não podia. Chegamos no Hospital por volta das 15:00. A informação que eu tinha é que a mãe já estaria no quarto, mas ela ainda estava na UTI. Subi para ter maiores informações. Depois de muita espera, ela foi transferida para o setor 3, com umas enfermeiras muito legais. Chegou ao quarto de cadeira de rodas, usual no hospital – pacientes não podem se locomover de outra forma. A mãe parecia bem, mas quando foi passar da cadeira para a cama, me preocupei... Começou a ofegar, como se houvesse caminhado por quilômetros... As enfermeiras a deitaram e eu precisei sair do quarto e ir ao estacionamento por alguns minutos. Quando voltei, o José Maurício segurava a mãe sentada na beira da cama. Ele me disse: ‘Mal você saiu, a tia pediu para sentar porque estava sem ar’. Ficamos no quarto por muito tempo. Liguei para a médica, que disse que iria passar em uma hora. Ficamos esperando. Eram quase 21:00 quando liguei novamente para a médica. O que ouvi: ‘Estou com uma emergência aqui em outro hospital, não sei que horas vou conseguir ir ver tua mãe, mas vou ainda hoje. Não adianta vocês ficarem me esperando’. Chamamos o enfermeiro e explicamos que a mãe não conseguia ficar deitada. Ele disse que o jeito era colocá-la na poltrona. Não era confortável, mas ao menos não oferecia risca de uma queda grave. Arrumamos a mãe na cadeira, nos despedimos e saímos. Quando chegamos no carro o José Maurício me disse: ‘Eu fiz questão de vir hoje com você pra ver a tia melhor, mas ela estava do mesmo jeito que na quarta. Não gostei de ter que deixá-la assim, com a cabeça meio caída. Estava muito desconfortável, dava pra ver. Mas já que não tem jeito, vamos pra casa’.

Parte 114
Enquanto esperávamos a mãe na porta da UTI, para irmos com ela ao quarto, liguei para a médica, Dra. Edilamar, e ela me disse o seguinte: ‘Estive conversando a Dra. Cristiane e ela me disse para investir na sua mãe, porque ela tem uma netinha que precisa ver crescer e dois filhos que já perderam o pai. Disse que é para eu fazer todo o possível para que tua mãe melhore e possa ir para casa. É o que vou fazer’.
No outro dia, conversei com a médica pelo telefone. Ela me falou que ficou com a mãe por cerca de 1 hora, até que a mãe ficou mais tranqüila, mas que não conseguiu ir vê-la antes da meia-noite. Disse que era para termos calma, que agora, no quarto, a mãe começaria a progredir, apresentar melhoras maiores. Falou que iria começar uma série de exames, para descobrir o que realmente havia originado aquela taquicardia.
Devido ao tempo de UTI e a impossibilidade de usar as veias do braço esquerdo, a mãe acabou contraindo uma infecção, que acabou por passar de uma flebite generalizada no braço direito a uma trombose. O braço dela ficou muito, muito inchado. Na segunda, quando passou para o quarto, ela estava com o braço enfaixado. Nos dias subseqüentes, seu braço era submetido a compressas quentes e massagens, além de medicamento intravenoso contra infecção. Demorou alguns dias para a inflamação ceder, o que fez com que demorasse a realização do cateterismo, pois os médicos avisaram que só poderiam realizá-lo após a inflamação ceder, devido o risco de um ‘trombo’ (pedaço de inflamação) soltar-se do braço e ir para dentro do coração, ocasionando uma parada cardíaca.

Parte 115
Na terça-feira, dia 30/06, o Fabrício e eu fomos visitar a mãe. Ela estava melhor, sem falta de ar. O braço continuava inchado. Quando chegamos, ela não estava no quarto. Ficamos aguardando no corredor. Quando as enfermeiras a trouxeram para o quarto, pediram para que ficássemos fora, pois o médico iria colocar um cateter sub-clavicular (logo abaixo do ombro), para que a mãe pudesse continuar recebendo os medicamentos, uma vez que no braço era impossível. Demorou algum tempo, o médico saiu e entramos. Tinha uma enfermeira, a Sandra, que estava indignada, porque o médico não havia conseguido fazer e, por causo disso, à noite a mãe seria levada para o centro cirúrgico para a colocação de um cateter jugular (no pescoço). Ficamos conversando por um bom tempo. A mãe estava bem melhor. O braço já estava mais desinchado e doía menos.
Na quarta-feira, meu primo, o José Maurício, foi comigo visitá-la. Ficou bem mais feliz, porque a viu sentada, conversando, sem falta de ar, com o braço melhor. Deu pra ver a alegria dele de ver a sua tia melhor! Como meu marido estava em S.Paulo, combinamos que, quando ele chegasse em Curitiba, eu iria buscá-lo na rodoviária, para que ele pudesse visitar a mãe. O José Maurício e a mãe ficaram curiosos para ver como eu conseguiria entrar com meu marido, uma vez que já era fora do horário de visitas e já havia alguém com ela. Mas dei um jeitinho e ele conseguiu entrar! Foi muito boa esta visita. Todos saíram bem, contentes com a melhora apresentada pela mãe.

Parte 116
Depois da visita da quarta-feira, voltamos para São Bento muito animados. Tínhamos certeza de que a mãe estava bem. Já estava há uma semana no hospital. Conversei com a médica na quinta, por telefone. Iriam aguardar um pouco ainda para fazer o cateterismo. Como a inflamação do braço estava demorando muito para sair, resolveram fazer uma incisão e retirar a inflamação. Depois de vários dias com medicação, a inflamação estava concentrada em um só ponto, o que facilitou o procedimento.
Nos dias que se seguiram não fui mais a Curitiba. Fiquei por aqui, trabalhando e dando mais atenção à minha pequeninha. No fim de semana, o Fabrício e a noiva foram para Curitiba. O Fabrício passou o domingo todo no hospital, fazendo companhia para a mãe. Ele conseguiu uma mini-TV emprestada e, assim, ao menos o tempo passava mais depressa.
Começa uma nova semana. Finalmente o cateterismo será realizado e saberemos o que aconteceu no dia 17/05, quando a mãe se sentiu mal e foi internada... Ficamos aguardando notícias... À tarde, ligamos para a médica. O cateterismo havia sido realizado sem problemas. O que realmente aconteceu com a mãe foi um princípio de infarto. Chegamos a conclusão de que o melhor foi a mãe ter ficado em Curitiba, ao invés de tentar vir para casa.

Parte 117
O cateterismo foi realizado. Uma pequena incisão na virilha, alguns minutos de exame e pronto, já retorna ao quarto. Através desse exame descobriu-se que o que aconteceu no dia do internamento da mãe foi um princípio de enfarto. Isso mesmo: enfarto. O que ocasionou isso? As doenças anteriores da mãe: diabetes, pressão alta, hipertireoidismo e a própria quimioterapia, que acabou por inflamar o coração e desencadear o episódio. Ainda bem que a mãe estava em Curitiba, optou por ir a um hospital lá e foi prontamente atendida e medicada. Cateterismo Cardíaco - Exame cardiológico invasivo feito para diagnosticar ou corrigir problemas cardiovasculares, como por exemplo, a visualização de um estreitamento, geralmente formado por uma placa de gordura, na artéria coronária. O médico faz um corte de 2 a 3 centímetros de largura próximo à prega do cotovelo, no braço direito ou esquerdo, e seleciona um vaso sangüíneo (veia ou artéria). Também pode ser feito pela virilha. Por esse corte é introduzido o catéter (sonda de 2,7 milímetros de diâmetro e um metro de comprimento), que percorre o vaso até chegar ao coração. Pelo catéter é injetado um líquido de contraste radiológico, a base de iodo, que permite visualizar, por meio de um aparelho de raio-X, os vasos e cavidades do coração. As imagens internas do coração e/ou vasos são registradas com tecnologia digital (vídeo digital e/ou câmara multiformatos laser que auxiliam na análise posterior do exame. O cateterismo é realizado por uma equipe composta por técnico de raios-X, enfermeira(o) especialmente treinada(o) e dois cardiologistas com experiência em procedimentos de cardiologia intervencionista. Dura entre 30 e 60 minutos, em média, conforme o procedimento realizado. Feito na sala de cateterismo, com o paciente acordado (anestesia local), deitado sob um aparelho de raio-X. Só em criança é usado anestesia geral para evitar agitação.

Parte 118
Mais um dia de hospital... A mãe perdeu, de uma hora para a outra, a sensibilidade e a força no pé direito. Vamos fazer exames... Realizaram, então, um Ecodopler de membros inferiores. Ecodoppler vascular - O ultra-som foi descoberto para fins militares e com o fim da 2ª guerra mundial utilizado para a medicina. O desenvolvimento incessante dos últimos anos produziu sondas cada vez mais sensíveis, o ecocolordoppler pode ser utilizado com maior precisão para análise de diversas regiões. Cardíaca; ecocolordopplercardiograma; artérias carótidas e vertebrais; artérias renais; artéria aorta e principais ramos; artérias ilíacas; artérias dos membros inferiores; artérias dos membros superiores; veias dos membros inferiores; veias dos membros superiores; veia cava e ilíacas; veias jugulares.
Estreitamentos, alargamentos, orifícios ou oclusões podem ser bem documentados, quantificados, classificados e acompanhados sem a necessidade sofrimento ao organismo.
Para a realização do exame é necessário agendar um horário. Vários segmentos são visualizados, testados e registrados em papel. Caso o exame encontre-se em estado de normalidade ou tenha pequenas anormalidades ele será realizado em curto tempo. Caso o exame apresente anormalidades, ou seja, realizado após cirurgias este tempo poderá ser ultrapassado. Isto pode gerar algum atraso na programação prévia.
Para o EXAME VENOSO DE MEMBROS INFERIORES o paciente necessita ficar em pé em cima de um banco de madeira com o segmento a ser examinado descoberto. Para homens é sempre solicitado o uso de um traje de praia durante o exame, como, por exemplo, a sunga. Os demais exames são realizados em decúbito dorsal, ou seja, deitado.
Os EXAMES EM REGIÃO ABDOMINAL necessitam de preparo prévio com o uso de laxantes e jejum. Todas as informações serão dadas pela atendente de acordo com o exame a ser realizado. Os resultados com freqüência são entregues logo após a realização do exame com raras pequenas exceções.

Parte 119
Com a realização do cateterismo a médica pôde saber o que aconteceu no dia 17/05 e fazer um prognóstico do que faria para ajudar a mãe. Decidiu por realizar duas angioplastias. Seriam necessárias três, mas como pode ocorrer trombose, os médicos realizam apenas uma ou duas em cada intervenção. A angioplastia foi marcada para a semana seguinte.
Angioplastia - É uma técnica que utiliza um minúsculo balão inflado dentro da artéria obstruída com placas de gordura e sangue, além de uma minitela de aço que, aberta, facilita a passagem do sangue. O procedimento é usado desde 1983 nos EUA e chegou ao Brasil na década atual. Agora, os pacientes também recebem, durante a operação, uma substância que impede o reinfarto.
A substância abciximab, descoberta recentemente, impede a união de plaquetas - células sanguíneas que impedem os sangramentos. O abciximab torna mais eficiente a cirurgia e reduziu para 4% a mortalidade entre infartados atendidos em hospitais.
Não pode ser usada em pessoas com mais de 80 anos; pacientes que sofrem de doenças hemorrágicas, pois o remédio impede a coagulação; quem fez a cirurgia nos últimos 6 meses; quem sofreu derrame cerebral nos últimos dois anos. Derrame é uma hemorragia em um vaso do cérebro.

Parte 120
Durante os dias que antecederam a angioplastia, entramos em contato com a Dra. Edilamar, para saber como seria esse procedimento. Ela nos explicou que não duraria mais de 20 minutos e que, depois do procedimento, a mãe teria que permanecer 24 horas na UTI. Depois deste período na UTI, ela seria novamente transferida para o quarto e ficaria por mais dois ou três dias, recebendo alta hospitalar depois disso. A angioplastia foi marcada para a quinta-feira, dia 22/06. Me ligaram do hospital e pediram a presença de um familiar durante o tempo de procedimento. Meu primo José Maurício foi comigo. A princípio a angioplastia era para ser às 8:00, mas acabou sendo feita por volta das 11:00. Ficamos todo o tempo com a mãe, no quarto. A acompanhamos para o centro cirúrgico, aguardamos o final do procedimento e depois fomos até a porta da UTI. Quando a mãe saiu do centro cirúrgico, saiu bem, conversando com a gente. Saímos, então, para almoçar. Eram 11:30, e a visita na UTI começa às 12:00. Praticamente ‘engolimos’ a comida e voltamos para o hospital.Esperamos entrada na UTI, que atrasou, devido a procedimentos em um dos pacientes. Ficamos com a mãe até que vieram nos pedir para sair. A médica passou por lá também e disse que tudo havia corrido bem. A mãe iria descansar agora, e ficar em observação, que era praxe neste tipo de procedimento. Nos despedimos e voltamos para São Bento.

Parte 121
A mãe estava novamente na UTI, mas apenas para observação. Ficaria 24 horas, depois passaria para o quarto, onde ficaria mais dois dias, só então podendo ter alta. Na quinta ela foi submetida à angioplastia. Na sexta, quando ligamos para falar com a médica, a mãe já estava no quarto e, o melhor, receberia alta já no sábado pela manhã! Nem acreditamos em notícia tão boa! Acordamos cedo e fomos para Curitiba para buscá-la. Ficamos no hospital até perto do meio-dia, porque a Dra. Edilamar não conseguiu passar por lá antes de sua pós-graduação... Ficamos esperando, não havia outro jeito! Assim que a médica assinou a alta, colocamos a mãe no carro e voltamos para casa. Depois de 24 dias, finalmente ela viu onde o hospital ficava e como ele era por fora. Mas, o mais importante: estava voltando para casa, e bem!
A mãe estava com muita saudade e curiosa para ver a reação da Duda. Foi muito engraçado! Levei a Duda na casa da ‘vovó’. A Duda ficou olhando, desconfiada.... A mãe falava com ela e nada, nem olhava.... Aí a mãe começou a cantar a musiquinha dela.... A Duda sorriu, virou para a ‘vovó’, mas ainda não reconheceu... Ficou assim o fim de semana. Quando a mãe cantava, ela reconhecia a voz, mas quando olhava, não reconhecia a pessoa. Na segunda tudo voltou ao normal: a Duda pulando no colo da vovó, na maior alegria!

Parte 122
Depois que a mãe voltou de Curitiba, veio com dificuldades para caminhar, porque, devido ao tempo de internação, ficou com o que os médicos chamam de ‘pé diabético’ – pela falta de movimentação e dos remédios, a diabetes alterou demais e acabou por diminuir a sensibilidade do pé direito. Tudo indica que, ao começar a caminhar mais e retornar o uso diário de seus remédios, tudo volte ao normal. Dentro de 60 dias, a contar da alta, a mãe deverá voltar para novos exames. Um abraço! Denise.
“Voltei para Curitiba para consulta, com o resultado dos exames de sangue, com a Dra. Edilamar, Dra. Cristiane e Dr. Richard. Ficou combinado que me internaria para fazer os exames dentro do hospital, porque seria menos cansativo. A Nora Lea e a Denise me levaram para Curitiba, e começou uma nova etapa do tratamento. Ao retornar ao Posto 3 do hospital, reencontrei novos(as) enfermeiros(as) e os que eu já conhecia e tinha feita amizade. Dois exames foram feitos em uma clínica fora do hospital: cintilografia óssea e cintilografia coronariana. Exame demorado e, por causa da imobilidade do meu braço, com muitas dores. No primeiro exame fui à clínica às 14h e retornei ao hospital às 20h. No segundo exame, fui às 11h e retornei às 17h. O tratamento é nota mil: são atenciosos, simpáticos e isso contribui para a melhora da minha saúde.

Parte 123
No quarto passam muitos pacientes, boas companhias, se formam boas amizades. Conheci a Josy, jovem mãe de dois filhos – Karina, 16 anos e Kaio, 14 anos –, muito divertida, fez ‘festa’, apesar dos problemas de saúde. Me ajudou muito, alcançando o telefone, me acompanhando até o banheiro, fazendo o ‘trenzinho da alegria’. Deus põe em nossa vida sempre o que precisamos e assim, só podemos agradecer, pois Ele já supre as nossas necessidades. Como foi bom conhecer, fazer amizade e repartir os segredos e bons momentos no hospital com a Josy, pessoa que lutou e luta muito para manter uma família unidade e que se amam muito. Teu exemplo é para ser seguido. Trocamos endereço para continuar alimentando nossa amizade. Obrigada por você ser assim tão abençoada por Deus!
Olá! Enquanto estive hospitalizada, minha filha Denise escreveu para vocês. Agora, vou contar as coisas como eu vivenciei, desde o momento em que me senti mal no Instituto Halsted e fui hospitalizada. Só tenho que agradecer a meu sobrinho José Maurício, a meus filhos, aos amigos que foram me visitar e a todos que sempre rezaram por mim. Deus há de recompensar a todos!
No fim da aplicação do medicamento no Instituto Halsted, senti falta de ar e fui internada no Hospital São Vicente com taquicardia. Fui direto para a UTI. Quem teve o maior susto foi o José Maurício, que estava me acompanhando.

Parte 124
Na hora comunicou meus filhos e me fez companhia. Fiquei cinco dias na UTI, sendo monitorada 24 horas por dia, para saber como meu coração estava se comportando. No sábado tinha poucos pacientes internados e, como eu já tinha feito amizade com os enfermeiros(as), ficamos conversando. Eu estava sentada na poltrona, com o braço muito inchado, com flebite, por causa do soro, e os enfermeiros ficaram fazendo compressas para melhorar, aproveitando para conversar se nos conhecermos melhor. Lá, no momento de descontração, de troca de segredos, muitos contaram seus dramas da vida e também suas alegrias e dificuldades. Tem pessoas que trabalham em dois hospitais e ainda estudam à noite para se formar e poder ajudar melhor os pacientes. Deu para ver e sentir o interesse em crescer, melhorar de vida e se realizar como pessoas com grandes sonhos!”
“Uma noite, quando acordei na UTI, estava com muita falta de ar e não consegui bater a sineta para chamar a enfermeira. Uma paciente, que estava na outra cama, percebeu que eu estava passando mal e chamou por socorro. Veio a enfermeira, que disse para me acalmar, deixar o oxigênio no lugar e ver que já ia melhorar. Chamaram o médico e ele aplicou vários medicamentos, até que eu melhorei. Com o coração disparado, a sensação é de morte.

Parte 125
Tiraram o soro e, no dia seguinte, fui para um quarto na enfermaria. A médica veio e conversou. Explicou o que havia acontecido no coração – princípio de enfarto – e que o braço estava com trombose, além de que eu precisaria fazer uma série de exames para ver como agir dali para frente. A médica olhava para mim e chorava muito. Disse que eu não estava mal e que, um dia, me contaria por que chorava. Como eu sentia muita dor no braço e fraqueza, e não conseguia sair da cama ou comer, ou tomar banho sozinha, precisava sempre da ajuda das enfermeiras, ou da boa vontade de visitantes e da paciente que dividia o quarto comigo. Foram dias difíceis e que me marcaram muito, pois senti como somos pobres e não podemos fazer nada sozinhos. Nem a campainha eu conseguia tocar sozinha...

Parte 126
“Todos os dias fazia algum exame. Me levavam na cadeira de rodas ou de maca para os departamentos de exames, além dos exames de sangue, que eram realizados no quarto mesmo. As injeções eram aplicadas na barriga, porque no braço não dava, por causa da trombose. Tinha febre e a diabetes subiu muito, o que levou a médica a prescrever insulina todos os dias, de duas em duas horas. A médica vinha todos os dias, pela manhã e à noite. Numa das visitas, ela chorou e me disse que ela me via sofrer com tanta dor, em silêncio e que, mesmo assim, sorria e conversava com todos. Me disse que havia algo diferente em mim, que suportava tudo com muita fé. Que Deus é misericordioso, que vai olhar para mim e me amparar. Como eu estava muito fragilizada, chorei muito junto com a médica, que não se conformava com meu jeito sereno de viver e aceitar as coisas que não posso mudar. Ela esteve na assembléia e pediu para todos rezarem pela minha saúde, e perguntou se eu conhecia a leitura na Bíblia que falava da ovelha que vai em silêncio para o sacrifício, enquanto que o cabrito vai berrando muito. Pediu para eu pensar bem na Palavra. Foi um susto. Eu, em silêncio, pensei: vou morrer, pois dava essa impressão. A pessoa que estava internada no mesmo quarto gemia e gritava, dia e noite. Então comparei a passagem bíblica conosco. Enquanto ficava sem poder dormir, nem de dia, nem de noite, rezava por todos que precisavam”.

Parte 127
“Perdi peso e me sentia muito fraca. Não conseguia nem segurar a cabeça, quando iam me deitar. Durante os dias que passei no hospital, recebi muitas visitas de S.Bento, para me fazer companhia, me ajudar e rezar por mim. A Denise que sempre tinha que arrumar alguém para cuidar da Maria Eduarda, o Fabrício que faltava no serviço para ir me visitar, a Jaqueline, a Melita e sua nora, Élia, Ingrid, José Maurício, Rosi, Leandro e Elisete, Alaor e o Bráulio. Além das visitas que vinham ver minha colega de quarto. Fiquei muito feliz com a companhia dos filhos e dos amigos, pois a solidão dói muito. Fizeram o trabalho das enfermeiras, me deram comida e água na boca. A alegria da partilha nos bons e nos maus momentos me fizeram rir e todos que me visitaram ficaram contentes em ver que a cada dia eu ia melhorando. Como Deus é bom e sabe pôr as pessoas certas nos nossos caminhos. Quero agradecer, do fundo do coração, por ter tantos amigos e merecer atenção e preces de inúmeros amigos, que continuam rezando sem poder me visitar, pis estava no hospital, em Curitiba”.

Parte 128
Em nossa vida passam muitas pessoas diferentes. Que bom que Deus me deu a oportunidade de conhecer e partilhar alguns dias no hospital, de gente que é doente e, mesmo assim, muito divertidas ou mesmo estressadas. Tive a sorte de dividir o quarto com uma senhora que era estressada e viciada por telefone. Tinha dois celulares e ainda usava o telefone do quarto! Faltavam mãos para tantos telefones tocando e ela se estressando e me estressando também. Pediu alta e foi embora. Ela havia tido um enfarto. Outra senhora que passou dois dias no quarto foi a Sra. Vani, 80 anos, uma simpatia. Contava a sua vida da infância, juventude, e sobre sua família, seus sofrimentos e alegrias, desfilava no quarto mostrando como era 60 anos atrás, como usavam roupas bordadas, luvas, as dificuldades, a educação dos filhos, enfim, foi um prazer conhecer toda a família que ela me apresentou. Foram momentos que ficarão para sempre gravados em meu coração, pois a filha da D. Vani me ajudou, me dando o almoço e me tratou com muita delicadeza. Outra senhora era uma professora que não via a hora de voltar para seus alunos. Não quis fazer os exames porque iriam demorar dois dias e ela não agüentava ficar longe das crianças, seus filhos e alunos.

Parte 129
A última pessoa que ficou no quarto era a D. Marina... Ri muito na sua companhia, mas também, em silêncio, sofri, chorei e rezei por ela. Ela gritava muito e dizia que tinha dores e falta de ar. Quando foram pôr o soro nela, ela gritou muito. A enfermeira pediu para ela não fazer tanto estardalhaço e ela dizia ‘sou manhosa e grito e pronto’. Às vezes as enfermeiras diziam para ela silenciar como eu, que estava com dor e não gritava, e ela respondia ‘sou manhosa, grito... se a tia não grita, problema dela’. Deu um problema no pulmão e ela teve que fazer um dreno, e então aumentou o seu sofrimento... Mas a D. Marina chamou a enfermeira todas as vezes que precisei. Falava muito sobre fofocas nas famílias e seus filhos todos os dias a visitavam e lhe traziam alimentos, pois ela não gostava da comida do hospital. Os remédios orais ela só tomava com água mineral com gás. Me perguntei muitas vezes por que tive de ficar no hospital tanto tempo e acontecendo tantas coisas. Tenho uma missão, mas não sei qual é. Que Deus me ilumine para descobrir! Foi uma boa experiência minha estada no hospital.

Parte 130
A cada nova estada no hospital, novas experiências, novos amigos, novas histórias. Apesar de ficar no hospital ser muito deprimente, a gente sempre acaba por aprender alguma coisa. Por ter feito amizade com os enfermeiros do setor três, quando fui internada novamente, para a realização de exames, a Denise pediu para que, se possível, eu fuçasse em um quarto no mesmo setor. Quando subi, foi uma fila de enfermeiros para me cumprimentar, que até foi engraçado! Até a chefe da enfermagem veio me ver! Sempre muito carinhosos com todos, teve um enfermeiro que passou muito tempo comigo, conversando, me contando sobre sua vida. Além de uma paciente, acabei me tornando amiga e até confidente. São essas coisas que nos fazem viver cada dia com mais esperança de sair do hospital e ajudar os outros, nem que seja contando a minha história!

Parte 131
“Depois da temporada de 24 dias no hospital, entre maio e junho, a mãe voltou para casa, para ficar 60 dias em repouso e, depois, retornar ao hospital para refazer vários exames e ver se precisaria ou não fazer a terceira angioplastia com colocação de ‘stent’. O tempo, no hospital, passa devagar.... Em casa, parece um foguete! Logo chegou o dia de retornar. Aproveitamos para marcar com um ginecologista, com a oncologista e com a cardiologista. Por que ginecologia? Bem, depois que a mãe voltou para casa, teve um pequeno sangramento. Foi consultar aqui, com um ginecologista, que quis submetê-la a uma curetagem. Como ela estava muito fraca, não aceitou. O ginecologista, depois de fazer um ultra-som, localizou um nódulo no útero, por isso queria fazer a curetagem, para mandar o material para biópsia. Como tínhamos que levá-la novamente para Curitiba, optamos por marcar consulta com um ginecologista que a Dra. Edilamar, cardiologista da mãe, conhecia e que trabalhava no Hospital São Vicente também, para facilitar. O dia foi corrido: passamos a manhã no hospital, para que a mãe fosse atendida pela Dra. Edilamar. Foi encaminhada para um ECG de rotina. Depois disso, fomos ao Instituto Halsted, conversar com a Dra. Cristiane, a oncologista. No final da tarde, fomos ao consultório do Dr. Riszart, o ginecologista. Este último, muito simpático. Decidiu que faria a curetagem assim que a Dra. Edilamar pedisse o internamento da mãe para a realização dos exames.Fim do dia: na semana seguinte a mãe voltaria para o Hospital São Vicente para realização de exames, da curetagem e, quem sabe, da angioplastia”.

Parte 132
Depois de passar mais uns dias em casa, a mãe voltou para Curitiba, para fazer a curetagem e alguns exames. Com o problema de coração, a mãe necessita de cuidados especiais antes de qualquer intervenção cirúrgica, mesmo sendo considerada simples, como a curetagem. Ficou por uns dois dias sendo medicada e, então, foi submetida à curetagem. Até agora não pegamos o resultado da biópsia, mas, como o Dr. Riszart não entrou em contato conosco, com certeza não era nada grave. Nesta mesma internação, Dra. Edilamar achou conveniente que se fizesse a colocação do terceiro ‘stent’, que foi feito sem sobressaltos. Depois de se restabelecer da curetagem, a mãe estava de alta e voltou para casa.
Passados mais alguns dias, voltamos com a mãe para Curitiba, agora para consultar um especialista em circulação, com quem a Dra. Edilamar, muito atenciosa, conversou e marcou uma consulta. Por um capricho do destino, a mãe acabou consultando com um médico com o mesmo nome, mas que é especialista em oncologia. Tudo tem um motivo. Ao examinar a mãe, Dr. Marcelo, oncologista, disse que essa dor no braço esquerdo, constante nas últimas semanas, e o inchaço no mesmo braço, seriam decorrentes de um tumor, mas ele queria ter certeza. Para isso, pediu uma série de exames de sangue e uma tomografia. Quando vieram os resultados, a confirmação: a mãe está com um tumor na axila, além das metástases nos ossos e no fígado, que ela já tinha desde junho de 2005. O que fazer? Começar a quimioterapia o mais rápido possível. Dr. Marcelo pediu que fosse implantado um cateter permanente, para que o braço direito da mãe não fosse mais tão judiado. Internamento novamente no Hospital São Vicente.

Parte 133
Por três dias a mãe ficou internada e o médico que iria fazer a colocação do cateter, se negou. Voltamos para casa, mas com o dia e hora marcada para a colocação, com outro médico. A mãe voltou a internar-se e, agora, o procedimento foi feito. Era sexta-feira, dia 27 de outubro. Tudo transcorreu bem, a mãe voltou para casa no mesmo dia.
Na terça-feira, 31 de outubro, a mãe começou a vomitar à noite. Ligamos para a médica, Dra. Edilamar, e ela pediu para que levássemos a mãe para tomar um ampola de plasil. Assim fizemos e o enjôo e as náuseas passaram. Durante a madrugada, a mãe começou a sentir muitas dores na região direita do abdômen (barriga), mas não chamou o Fabrício. De manhã, o Fabrício me ligou e avisou que a mãe não estava muito bem. Fui para a casa dela e liguei para o Dr. Marcelo, pois imaginei que a dor seria decorrente do tumor no fígado, devido a região que a mãe apontava que doía. Ele estava em reunião e não poderia atender. Liguei então para a Dra. Edilamar, expliquei o quadro e ela pediu para que levássemos a mãe imediatamente para Curitiba, para ser examinada e medicada. Liguei para o Fabrício, arrumei umas roupas e fomos. A mãe foi gritando de dor daqui a Curitiba. Quando estávamos chegando no Ceasa, a secretária do Dr. Marcelo me ligou e pediu para que fôssemos direto ao consultório, que o doutor queria vê-la. Chegamos lá próximo ao meio-dia. A mãe recebeu uma injeção de morfina e ficou alguns minutos sem dor. O médico nos encaminhou para o Hospital Nossa Senhora das Graças, para internamento de emergência, para que ele pudesse realizar exames e ver o motivo de tantas dores. Chegamos ao hospital às 12:30. A mãe foi atendida. Aguardamos. A mãe foi medicada. Aguardamos. A enfermeira veio fazer o punção do cateter para a colocação do soro. Aguardamos. Quando, finalmente, entramos com a mãe no quarto, a dor já havia cedido um pouco e ela finalmente pôde dormir, já eram 15:40.

Parte 134
Deixamos a mãe no quarto e fomos até a Unimed, liberar a quimioterapia que, a princípio, estava marcada para aquela semana, mas que não sabíamos se seria feita ou não. Aproveitamos para fazer um lanche e voltamos ao hospital. A mãe já estava um pouco melhor, sem dor ao menos. Ficamos um pouco com ela e, como já eram quase 18:00, resolvemos voltar para S.Bento. Pelo visto, começaria mais uma maratona S.Bento-Curitiba-S.Bento.
Na sexta-feira, dia 03/11, fui cedo para Curitiba, passar o dia com a mãe. Ela estava sentada quando cheguei. Reclamava de dormência nos pés e fraqueza, mas disse que a dor do lado direito havia passado, que ela somente sentia o corpo dolorido. A dor no braço continuava. Passei o dia todo com ela, saindo apenas para almoçar. Quando estava saindo do hospital, encontrei o médico. Conversei com ele sobre os remédios que a mãe tomava em casa e que não estavam sendo ministrados do hospital e ele disse que tomaria uma providência. Voltei para casa mais tranqüila, vendo a mãe melhor.
No sábado, o Fabrício foi para Curitiba com a Jaqueline, passar o fim de semana com a mãe. A mãe gostou muito da companhia, mas, como sempre, disse que não precisava, que devíamos ficar em casa e não ficar indo para lá, que lá ela estava bem cuidada. Claro que nunca damos ouvimos a esses pedidos dela!

Parte 135
Na terça-feira à noite a Jaqueline me ligou e disse que haviam ligado do hospital, avisando que a mãe tinha sido transferida para a UTI. Quarta pela manhã liguei para o Fabrício e disse que estava indo para Curitiba, ver a mãe. Ele disse que não precisava, porque o médico havia dito a ele, na noite anterior, que a mãe só foi para a UTI porque o plantonista daquela noite não conhecia o caso dela e ele achou que ela estaria melhor assistida na UTI. Fui assim mesmo.
Cheguei ao hospital tarde. Só tinha mais 15 minutos de visita. Fui até a UTI e, logo que cheguei, vi que a mãe estava recebendo sangue. A enfermeira informou que era porque a anemia dela havia se acentuado. A médica da UTI me chamou para conversar. Disse que não havia solicitado um exame que o outro médico pedira por achar muito risco para o momento e que, através dos exames já feitos, fora constatado que havia realmente pedras na vesícula. Voltei o lado da cama da mãe e ela não conversou comigo. Fiz algumas perguntas, mas não eram respondidas. Então, veio a enfermeira e me pediu para sair, que o horário de visitas havia terminado. Me despedi da mãe e ela me disse ‘Obrigada pela visita de médico’. Foi tudo o que me disse naquele dia... Voltei para casa preocupada...

Parte 136
“Como nuvem passageira é nossa vida, e quem nos leva...
Quem nos leva é o sopro do Senhor.
Acreditamos que ao Senhor pertence tudo.
O que Ele fez, Ele fez foi por amor.

Como nuvem passageira é nossa vida, e não importa,
Não importa nem dinheiro nem poder
Feliz daquele que ao chegar aquela hora,
Está sereno e preparado pra morrer.

Somos todos como nuvem passageira,
Não importa quantos anos viveremos,
Ao chegar a nossa hora derradeira
O Senhor perguntará o que fizemos.

Lá no céu só vão entrar os amorosos,
Os que amaram como Deus mandou amar.
Quem lutou pra ver feliz outras pessoas,
Eternamente lá no céu irá morar...”
(Pe. Zezinho)

 

E a luta terminou... 1:30 da madrugada do dia 16 de janeiro de 2007, IRIS MARIA ROSÁ deu preferência por entregar-se à Nossa Senhora e, em seu colo, seguir seu destino rumo ao descanso eterno... Foram 3 anos e 3 meses de vitórias e derrotas, alegrias e tristezas... Enquanto uns reclamavam de uma dor de cabeça, a IRIS não reclamava do gosto amargo na boca, da dor no braço, da queda de cabelos, da dor na ponta de todos os dedos.... E o mais incrível é que, quem quer que viesse e fizesse a pergunta ‘Como você está?’, a IRIS respondia: ‘BEM’...
Quanta luta... Que exemplo!
Como disse o Pe. Nivaldo na celebração antes do sepultamento: ‘Não importa como se morre. Importa como se vive’!

Parte 138
Vou continuar contando a luta de minha mãe até o dia de seu falecimento... Foi triste, foi duro, mas estávamos nos preparando para isso. Como a mãe, sempre dizíamos que ela estava bem, pois estava. Mas o fígado teimou em parar de filtrar o sangue, e tudo foi piorando rapidamente.
Conforme contei na última semana de dezembro, minha mãe havia sido transferida para a UTI, para cuidados constantes. Quando voltei naquela noite para São Bento, sentei e escrevi um e-mail para o Dr. Marcelo, reclamando, pois ele nos dizia que a mãe estava melhor e eu fui para lá e a encontrei pior... Ele me respondeu que o ‘melhor’ a que ele se referia era que a dor havia cessado. Colocou o seguinte: ‘Se a mãe for morrer agora, ela morre sem dor. É a isso que me refiro. Ela está melhor, pois está sem dor.’ Deste momento em diante, sabia que teria que preparar para a perda... Na sexta-feira, dia 10/11, foi feita a quimioterapia... No domingo havíamos combinado que o Fabrício iria pela manhã ficar com a mãe e eu iria à tarde, com o Alaor e a Maria Eduarda. Conseguimos autorização do médico e do hospital para entrar com a Duda no quarto. Meu irmão foi. Quando estava chegando em Curitiba, me ligou e disse que a mãe estava de alta e que ele daria um jeito de trazê-la para casa, pois não sabíamos que ela viria no domingo e ele não havia levado nenhuma roupa... Foi muito bom vê-la chegando em casa, mas tivemos que pedir ajuda aos bombeiros, pois ela estava muito fraca e não conseguia subir as escadas de casa. Quero deixar aqui nossos agradecimentos aos bombeiros que sempre em nossas solicitações, se mostraram prestativos e atenciosos.
Desta temporada de hospital a mãe voltou para casa com os pés inchados e muito fraca. Tinha dificuldades de levantar da cama, ir ao banheiro, ir à sala assistir televisão... Mas, todos os dias, a incentivávamos a continuar lutando, a não se entregar, a fazer um esforço e sair do quarto, e ela fazia. A Duda, companheira da vovó, ajudava alcançando a ‘badala’ (bengala), levando a vovó pela mão, fazendo companhia na hora do café. Sentava na cama com a vovó e cantava para ela. Para a mãe, era uma felicidade constante ter o ‘meu anjinho’, como ela chamava a Duda, ao seu lado.

Parte 139
No dia em que visitei a mãe na UTI, o que me fez reclamar para o médico, a mãe nem conversou comigo. Depois que ela voltou para casa, perguntei se ela lembrava de eu tê-la visitado. Ela disse que sim. Então perguntei porque ela não falou comigo. Ela disse que, na cabeça dela, ela falou, ou melhor, brigou comigo por que um homem que estava no quarto disse a ela que a Duda havia morrido em um acidente de carro e que eu havia ganho R$ 10 mil para não contar pra mãe. Então ela ficou muito braba e ficava esperando que eu falasse alguma coisa sobre o acidente. E eu perguntei sobre a transfusão, sobre a sopa que ela estava tomando, sobre como ela estava se sentindo... E a mãe não me respondia nada... Isso tudo foi efeito da medicação contra dor que a mãe estava tomando: ela tinha alucinações. Tanto que, na sexta, quando o médico a transferiu novamente para o quarto, ele perguntou pra mãe se ela ainda via monstros, e ela respondeu que não.
Depois de 11 dias no hospital, mãe de volta em casa, se recuperando. Na quarta-feira, dia 15/11, nova sessão de quimioterapia. O Zé Mello levou a mãe e eu fui de companhia. Tudo transcorreu normalmente, apesar da inquietação da mãe, e a vontade de sair da sala, de ir embora. Depois da sessão, consulta com o Dr. Marcelo e retorno para casa. A mãe estava feliz. Estava voltando a mexer o braço que há um ano e meio não conseguia mover nem os dedos da mão! Era o efeito esperado da quimioterapia! As sessões de quimioterapia agora eram semanais, mas os efeitos mais brandos. Na sessão seguinte, novamente fui com a mãe. Ela estava mais calma. Demorou um pouco para que as enfermeiras conseguissem puncionar o cateter, mas a sessão foi muito boa. Novamente consulta com o Dr. Marcelo. Ele chegou no consultório, olhou para a mãe e disse: ‘Sem olhos amarelos? Você está bem, pode ir para casa, não vou te consultar hoje’. Ameaçou sair e disse: ‘Já venho te atender’. Voltou, sentou na frente da mãe e disparou: ‘Aquele dia que te internamos, nem eu nem ninguém da equipe acreditava que você sairia. Você ia morrer. A gente fez a quimioterapia para diminuir a dor, porque achávamos que você não iria resistir. Mas saiu do hospital e está aqui. Posso dizer que foi um milagre. A bola bateu na trave e voltou’. Ouvir isso assim, ‘na lata’, assusta, mas, ao mesmo tempo dá esperanças. Na semana seguinte, contagem de plaquetas muito baixa e quimioterapia suspensa.

Parte 140
Mais uma semana passou e retornamos a Curitiba para nova sessão de quimioterapia. Desta vez a mãe estava mais tranqüila. A sessão transcorreu bem, sem sobressaltos. Um único pequeno contratempo: houve dificuldade em pulsionar o cateter para iniciar a sessão, mas depois, tudo muito bem! Novamente fomos para o consultório do Dr. Marcelo. Conversou com a mãe, mostrou-se feliz por haver melhoras no quadro. Chamou a enfermeira para fazer um curativo debaixo do braço esquerdo da mãe, que, por falta de movimentação, começa a exalar um odor ruim, por ficar sempre úmido. Já começa a dar uma úlcera de contato. A enfermeira, Neusa, atendeu com muita atenção e me mostrou como fazer o curativo, três vezes ao dia. Na volta para casa, como sempre, a mãe pediu para parar no posto e comprar um pastel de pizza e um quindim pra ela, além de lanche para o Fabrício e a Jaque, o Alaor e a Duda e nosso motorista. Viagem tranqüila.
Cada vez que eu voltava de Curitiba com a mãe, depois de consultar com o Dr. Marcelo, chegava em casa e contava para meu marido o que o médico havia dito. Meu marido sempre me alertava para não ficar muito animada, porque a situação era grave. Ele sempre me pedia para ir me preparando. Ao mesmo tempo que eu sabia que era isso que deveria fazer, me lembrava das palavras otimistas do Dr. Marcelo e ‘deixava para depois’... Minha razão me fazia ficar preparada e meu coração me fazia ter esperanças. É um sentimento difícil de explicar.

Parte 141
Nem lembro quantas sessões de quimioterapia a mãe fez entre novembro e janeiro, quando faleceu... Lembro que umas duas sessões foram canceladas por baixa contagem de plaquetas. Mas apesar do cansaço, era bom ir com ela para Curitiba e vê-la voltar animada com o que o médico dizia, ou com os progressos que ela mesmo conseguia, como mexer o braço esquerdo.
Tenho certeza de que a mãe sabia que iria morrer assim, rápido. Ela sempre sabia de tudo. Na semana entre Natal e Ano Novo, minha mãe enfraqueceu bastante. Parecia que ela havia se entregado de vez à doença. Eu insistia em fazê-la sair da cama, ir pra sala, ir almoçar conosco na cozinha, mas nem sempre ela aceitava. Passamos a noite de Ano Novo com ela, eu, meu marido e a Duda. Ela praticamente nem comeu. Quando chegou na cozinha, olhou meu marido que terminava de servir à mesa e disse: ‘O cheiro está delicioso. O gosto também deve estar, mas eu sinto tudo amargo’. Depois que fomos pra casa, meu marido disse: ‘Não gostei nada do que a D. Iris disse. Minha avó também sentia tudo amargo nos últimos dias de vida e chegou a pedir vinagre para beber, para sentir o gosto’.
No domingo, dia 31/12, fomos até Oxford, na padaria, e trouxemos um pedaço de torta de maçã. Deixei pra mãe e, na segunda, quando cheguei na casa dela, me disse toda feliz: ‘Deni, a torta estava uma delícia! Senti o sabor da canela! Tinha bastante canela!’. Acho que foi o último sabor que a mãe sentiu...

Parte 142
Dia 4 de janeiro o Fabrício levou a mãe para Curitiba, com a Jaqueline. A viagem transcorreu normalmente, a mãe comendo pouco, com uma infecção na garganta, proveniente da baixa imunidade, decorrente das constantes quimioterapias...

Na sexta-feira, dia 05/01, cheguei na casa da mãe perto das 11:00 e ela ainda estava deitada. Fui no quarto, puxei as cobertas e, antes de poder dizer alguma coisa ela me pediu: ‘Não briga comigo, Deni, mas eu não quero sair da cama. Só me ajuda a ir ao banheiro e me deixa deitar de novo. Não briga comigo...’. Quase não teve forças para se levantar. O único lugar em que a mãe ia, durante seus últimos dias, era no banheiro. As únicas coisas que conseguia comer eram uva e melancia... Nem o caldo que fazíamos ela queria tomar... Foi definhando cada vez mais... Vi minha mãe perder o brilho de vida dos olhos...
Na quinta-feira, dia 11/01, fui com a mãe para Curitiba. Quem nos levou foi o Zeca, afilhado querido dela. Ela estava bem, apesar de fraca. Chegamos ao IOHC - Instituto de Oncologia e Hematologia de Curitiba, onde a mãe fazia a quimioterapia e logo fomos atendidos. Deixei o Zeca entrar com ela. Depois, ele saiu e eu entrei. Estranhei a demora das enfermeiras em pulsionar o catéter para começar a quimioterapia. Então, uma das enfermeiras veio e nos disse: ‘Dr. Marcelo mandou suspender a sessão e pediu para que a senhora vá ao Hospital Nossa Senhora das Graças e consulte na emergência, porque sua pressão está 8X5 e sua temperatura está 37º’. Lá fomos nós, novamente para o hospital. De novo o Zeca teve que levar a tia Iris para o hospital...

Parte 143

Chegamos no Hospital Nossa Senhora das Graças por volta de umas 11:30. Já quando paramos o carro, pedi ao segurança uma cadeira de rodas. Enquanto a enfermeira levava a mãe para dentro do hospital e o Zeca estacionava o carro, fui à recepção fazer os papéis para atendimento de emergência. Não demorou muito e fomos atendidas. O médico da emergência examinou e disse para mãe: ‘Tem duas opções: te dou um soro, tua pressão normaliza, você faz a quimioterapia e volta pra casa ou, como você está um pouco fraca e não consegue comer direito por causa dessa infecção na garganta, você fica uns dois dias aqui, com soro, e se fortalece’. A mãe preferiu a segunda opção e, então, o médico solicitou o internamento. Fui assinar os papéis de internamento, enquanto o Zeca ficou com a mãe. Quando voltei, o Zeca saiu. Na hora em que as enfermeiras vieram para levar a mãe para o quarto, chamei o Zeca na sala de espera, e subimos juntos. A mãe acabou ficando no mesmo quarto em que foi internada pela primeira vez neste hospital.
A mãe estava bem acomodada no quarto, então saímos para ‘almoçar’ perto das 15:00. Fizemos um lanche e, enquanto fui ao mercado comprar sabonete, pasta de dente, escova... o Zeca voltou para o hospital. Ficamos com a mãe mais um pouco e ela pediu para voltarmos durante o dia ainda, para que não ficasse preocupada de que estávamos na estrada à noite. Ainda brincamos com o Zeca que ‘você não vai querer trazer mais a tia para Curitiba, porque as últimas vezes que você veio, não conseguiu levá-la de volta pra casa’... Nos despedimos e voltamos. Na viagem de volta, disse ao Zeca que, quando entrei no hospital, senti que a mãe não voltaria pra casa... No dia do enterro da mãe, ele chegou e me disse: ‘Deni, no dia que levei a tia pra Curitiba, que a gente entrou no quarto pra deixar ela, eu sabia que ela não ia sair de lá viva, mas guardei pra mim’.

Parte 144

Chegamos em casa antes das 19:00 naquele dia. Meu marido perguntou como foi, e falei que a mãe teve o problema com a pressão e teve que ficar hospitalizada. Depois que a Duda dormiu, fiquei conversando com meu marido e disse a ele: ‘Hoje, assim que entrei na emergência do hospital, senti que a mãe não volta pra casa...’. Foi uma sensação, como que um aviso. A sexta passou e não fomos para Curitiba. Ligamos para umas amigas e elas foram passar a tarde com a mãe. No sábado, o Fabrício e a Jaqueline passaram o dia com ela e, conversando com o médico, conseguiram permissão para que eu levasse a Duda para visitá-la no domingo.
Domingo pela manhã, quando estava terminando de arrumar as coisas para ir a Curitiba, o Fabrício me liga: ‘Você vai para Curitiba? O médico acabou de ligar avisando que a mãe piorou e que é para a família ir pra lá’. Disse que já estava saindo e que ele esperasse em casa até que eu chegasse em Curitiba e verificasse a situação, se realmente era necessário que ele também fosse. Saímos. Quando entramos no hospital, vi uma mensagem do Fabrício no celular: ‘Médico ligou novamente. Mãe piorou mais. Estou saindo’. Entramos, fomos até o quarto e tive um choque, parei na porta pelo susto. Não esperava ver a mãe daquele jeito. Sabia que ela havia piorado, mas não pensei que a tal ponto... Ela estava imóvel, com a máscara de oxigênio, respirando profundamente mas sem ritmo e com os olhos cobertos por uma gaze...
Entramos no quarto, cumprimentamos ela, lhe abraçamos, beijamos e ela não esboçou nenhuma reação... Aqueles olhos parados, opacos, sem vida...

Parte 145
A Duda não quis beijar a vovó porque ficou com medo da máscara de oxigênio, mas logo foi se acostumando com o lugar e começou a brincar pelo quarto, dançando e chamando a vovó. Vez por outra pedia para deitar na cama, junto com a vovó, e ficava cantando para ela, fazendo carinho no braço, mas a mãe não reagia...
O Fabrício e a Jaqueline chegaram logo depois do meio-dia, então aproveitamos para ir almoçar. Na volta, conversei com o chefe de enfermagem. Pedi para que ele fosse sincero comigo, não se importando com o que pudesse parecer o que iria me dizer. Ele disse: ‘Sabe, pensei que tua mãe fosse morrer antes do almoço, mas tua cunhada me falou que ela é uma lutadora, e é mesmo. Mas acho que dessa noite não passa... Quer um conselho? Peça para o médico começar a sedá-la, para que ela relaxe um pouco e consiga descansar melhor...’. É duro ouvir uma coisa dessas, mas faz parte da vida da gente, quando se tem alguém doente na família.
Combinamos que eu ficaria em Curitiba, aquela noite, uma vez que o Alaor havia entrado em férias e eu não precisaria me preocupar com a Duda. Os enfermeiros também pediram para que alguém da família ficasse, pois, segundo eles, a única prescrição deixada pelo médico foi ‘Hidratação, conforto e companhia’, pois não havia mais volta do estado em que a mãe estava. Fui com o Alaor até a saída da rodoviária de Curitiba, para que a Duda dormisse e não me visse ficar em Curitiba, para evitar que ela voltasse chorando. Voltei de ônibus para o hospital, comprei um lanche e uma revista e fui para o quarto. Pelas 18:00 o Fabrício saiu para vir embora e eu fiquei, sozinha, com a mãe imóvel na cama.
Por volta das 20:20, as enfermeiras vieram no quarto para trocar a roupa de cama e as fraldas da mãe. Então parece que a mãe ‘acordou’. Ficou muito agitada, querendo tirar a máscara de oxigênio. Fui para o lado da cama dela, peguei sua mão, chamei e ela me olhou.

Parte 146
O brilho tinha voltado à seus olhos, mas ela não conseguia falar. Segurando sua mão, disse: ‘Mãe, se você me entende, aperte minha mão’. Ela apertou firmemente, me olhando fixo. Continuei: ‘Você ouviu a Duda o dia todo aqui, cantando pra você e fazendo bagunça?’ Ela apertou minha mão novamente e seus olhos se encheram de lágrimas. ‘Mãe, você está com dor?’ Ela soltou minha mão e eu fiquei feliz por ela estar confortável, sem dor. Aí, fiz uma pergunta para a qual já sabia a resposta: ‘Mãe, você quer ir para casa?’ Ela agarrou minha mão e fixou os olhos nos meus. Seu olhar foi suplicante, mas cheio de amor. Eu sabia que sua maior vontade era morrer em casa, mas a gente não tinha muito o que fazer... Foi a última vez que vi minha mãe com os olhos vívidos, se comunicando comigo...
Durante a madrugada a mãe ficou agitada mais duas vezes, mas não me ‘respondeu’ mais nada. Pela manhã, quando os enfermeiros vieram dar banho na mãe, ela parecia desperta. A enfermeira perguntou para a mãe se estava tudo bem e ela, em um grande esforço, balbuciou um ‘sim’ quase inaudível. Foi sua última palavra.
Perto das 10:00 o capelão do hospital veio ao quarto, fez uma oração e deu a Unção dos Enfermos para a mãe. Ela estava agitada. Ficava mexendo os pés e já estava ficando de atravessada na cama, com os pés para fora. Pelo meio-dia chegaram as irmãs Maria Madalena e Irmã para fazer uma visita, mas sem saber que a mãe estava assim, tão mal. Acabei cedendo aos pedidos da Ir. Maria Madalena e saí com ela, deixando a Ir. Irmã com a mãe, pois ela queria fazer uma oração especial pela mãe, para que ela descansasse sem medo e sem dor.
Logo após o almoço, passou pelo quarto uma médica da equipe do Dr. Marcelo, e me perguntou se precisávamos de alguma coisa. Pedi a ela que desse algum medicamento para que a mãe se acalmasse, pois estava querendo ‘sair da cama’.

Parte 147
Ela prontamente atendeu, pedindo aos enfermeiros que começassem a ministrar morfina a cada duas horas e iniciaram também a sedação. Por volta das 14:30, a mãe estava bem tranqüila. Meu irmão e minha cunhada já haviam chegado. As irmãs ainda estavam conosco.
Fui ao posto de enfermagem e pedi uma lista telefônica, para ligar para algumas funerárias e ver o procedimento para trazer a mãe para casa, quando ela falecesse. Deixei tratado com uma funerária que, assim que a mãe falecesse, iria ao hospital pegar a mim ou meu irmão, levaria até a loja para escolher o caixão e, depois disso, ficaria responsável por todo o serviço, tanto burocrático quanto com o corpo.
Nosso primo, Zeca, também foi ao hospital naquela tarde. Queria ver a tia pela última vez com vida, mesmo tendo a impressão de que ela não estava mais ali, conosco. Acabei voltando para casa com ele, e o Fabrício ficou com a mãe, para passar aquela noite. O que aconteceu depois da minha saída do hospital, quem vai contar é o Fabrício, que vivenciou esses momentos.

Por Fabrício Rosá
Quando cheguei ao hospital naquela tarde de segunda-feira junto com minha noiva fiquei ainda mais entristecido, pois os fatos estavam ali, aquilo tudo não era um sonho ruim. No dia e noite anteriores eu não havia descansado nada, tampouco conseguido dormir. Passei o dia falando com os médicos de minha mãe, em especial com o querido e sempre atencioso Dr. Marcelo.

Parte 148
Por mais que eu soubesse que a situação em que minha mãe se encontrava era irreversível, continuava questionando cada um dos médicos sobre o estado em que ela se encontrava. Eu esperava um milagre. A estes médicos, que com incomparável atenção, carinho e dedicação, cuidaram de minha mãe até o último instante, dedico enorme carinho e sempre estarão presentes em minhas orações.
Na manhã de segunda-feira eu e minha noiva tratamos de providenciar uma série de documentos e preparativos para irmos para Curitiba antes do meio-dia. Afinal de contas, a realidade era palpável e minha mãe não mais retornaria para casa. Nesta mesma manhã tentamos, também, entrar em contato com algum médico que tratava de outras doenças de minha mãe em São Bento do Sul para tentarmos uma transferência para sua terra natal, a fim de que ela passasse seus últimos momentos na cidade que ela tanto amava. Como todos sabem, isso não foi possível. Por volta de 11:00 do dia 15 de janeiro de 2007 partimos rumo a Curitiba.
Por mais que houvéssemos nos preparado para tudo isso, ou achávamos que havíamos nos preparado, a chegada ao quarto nº 343, do Hospital Nossa Senhora das Graças, por volta das 12:30, foi o momento mais triste de minha vida. Essas primeiras horas em que passei com minha mãe no dia 15 de janeiro de 2007 – logo ao chegar a Curitiba –, como relatei para alguns amigos mais especiais, foram horas que eu, de todo coração, gostaria de ter apagado de minha memória e de ter afastado minha mãe de todo aquele sofrimento. Desejei que ela jamais tivesse passado por todo aquele sofrimento. Desejei que fosse a mim que Deus tivesse reservado tal provação.

Parte 149
Cheguei e fui imediatamente para perto de minha mãe. Beijei-a com todo o amor que tenho no coração. Abracei-a. Acariciei-a com ternura e a confortei em meus braços. Minha mãe estava sofrendo como nunca vi alguém sofrer. Ela estava muito agitada. Torcia-se em seu leito e tinha uma expressão de quem pedia ajuda de maneira desesperada. Eu a chamava e ela fixava seu olhar no meu. Pedia para que ela se acalmasse, pois eu estava ali para cuidar dela e lhe tirar toda sua dor. Solicitamos ao médico para que providenciassem alguma medicação para cessar aquele sofrimento. As irmãs Maria Madalena e Irma, amigas de longa data, por quem tenho imensurável gratidão e amor, ficaram cuidando de nossa mãe para que eu, minha noiva e minha irmã pudéssemos almoçar. Voltamos do almoço e minha mãe ainda estava agitada, porém percebíamos que ela estava se acalmando. Havia sido medicada e, logo após, iniciaram a sedação. Naquele momento não pude mais agüentar. Sentei no chão, em um cantinho do quarto, e, sabendo que estava perdendo minha mãe para sempre, chorei como nunca havia chorado em minha vida.
Por volta das 17:00, com minha mãe já sedada e tranqüila, minha irmã e meu primo Zeca, que considero um irmão, assim como minha mãe o considerava como filho, voltaram para São Bento. Logo após o Dr. Giovanni passou no quarto para ver minha mãe. Falamos com ele e, novamente, perguntei se nada mais poderia ser feito. A resposta foi a mesma: “É só aguardar. A única coisa que podemos fazer é darmos conforto para ela descansar em paz”. Passei a tarde toda ao lado de minha mãe. Conversei muito com ela. Não parei de fazer carinho nela, beija-la e tranqüilizá-la. Falei para ela o quanto a amávamos, o quanto ela era importante e o quanto significava para sua família e amigos.

Parte 150
Lhe falei sobre toda a admiração que sentia por ela, por seu exemplo de vida e amor incondicional. Procurei deixá-la confortável, mantendo seus olhos e lábios sempre umedecidos. Algumas vezes ela fechava os lábios quando eu os molhava e suspirava, agradecendo por aquele conforto. Incontáveis as vezes que me afastei para chorar.
Passei vários momentos em silêncio, apenas fazendo carinho e segurando a mão de minha mãe. Senti um movimento mínimo em seus dedos tentando apertar minha mão. Talvez o último carinho de mãe.
 A noite se avizinhava. A mãe estava ficando visivelmente mais fraca a cada hora que se passava. Eu e minha noiva continuávamos com nossas atenções voltadas para minha mãe. Saí do quarto algumas vezes durante aquele dia para ir orar na capela do hospital. Pedia que minha mãe pudesse descansar em paz.
Naquela noite, bem como durante toda a tarde, confortei minha mãe e lhe disse que ela podia descansar em paz, pois sua missão neste mundo havia se cumprido. Ela havia criado uma família maravilhosa e, junto com meu pai, proporcionou tudo que seus filhos necessitavam nesta vida. Disse à minha mãe que ela deveria descansar pois nós estávamos bem e que ela não deveria se preocupar conosco.
Os enfermeiros, sempre atenciosos, carinhosos e prestativos, vinham ao quarto constantemente para trazer medicação, verificar a febre, dentre outros diversos cuidados. Sempre nos traziam uma palavra de conforto ou um agradecimento pelo que viveram com minha mãe nesses poucos dias. Nessas horas eu via a confirmação do quão especial fora minha mãe.

Parte 151
Por mais que nos preparamos e procuramos aceitar os desígnios de Deus, ninguém quer perder um ente querido, quiçá aquele que lhe deu a vida. As forças de minha mãe se esvaiam lenta e gradativamente. Por volta das 22:00 iniciei a oração do terço junto de minha mãe. De mãos dadas com ela, rezei o terço da maneira que eu sabia. Não havia mais nada em que se apegar, somente orar e entregar tudo nas mãos de Deus.  Resolvi rezar um rosário. Minha noiva veio me acompanhar na oração. Ao final daquele rosário minha noiva resolveu continuar rezando o terço enquanto eu me deitei na cama ao lado de minha mãe.
A madrugada chegara. A noite estava quieta e o hospital, em silêncio. Eu estava deitado ao lado da cama de minha mãe e ouvi minha noiva me chamar dizendo que a mãe estava ficando mais fraca. Fiquei ao lado de minha mãe, olhando seu semblante e acariciando-a. Enchendo-a de beijos e carinho e lhe dizendo que podia descansar em paz. Não sei como, ou por que, mas experimentei uma tranqüilidade que jamais pensei que sentiria num momento como aquele. A respiração de minha mãe estava bem curta e fraca, bem diferente daqueles longos e descompassados suspiros que a acompanhavam há mais de um dia. Chamamos um enfermeiro que a examinou e disse que ela estava prestes a descansar.

Parte 152
Ficamos ali, eu e minha noiva, fazendo o que podíamos; dando conforto, carinho, atenção e amor. O tempo passava devagar. Minha noiva perguntou se deveria ligar para minha irmã e eu disse que deveríamos esperar que a mãe descansasse. Lentamente a respiração de minha amada mãe foi cessando. Acariciei-a e a beijei. Sua respiração cessara, mas seu coração ainda batia. Sua força de viver era incrível. Após alguns instantes, Iris Maria Rosá, amada esposa, amada mãe e amada avó, deixava este mundo para se encontrar com seu amado e saudoso esposo junto de Deus, sendo acolhida nos braços de Nossa Senhora. 16 de janeiro de 2007, 1:30; minha mãe falecera com um semblante tranqüilo.
Chamamos o enfermeiro que a examinou e apenas disse que iria chamar o médico de plantão para confirmar o óbito. Ligamos para minha irmã para que ela desse a notícia aos amigos e familiares de São Bento, bem como providenciasse tudo em São Bento do Sul para o velório e sepultamento. O médico plantonista chegou e perguntou como haviam sido os últimos instantes de minha mãe, pediu licença e a examinou. Após alguns instantes confirmou o óbito e se pôs a disposição para qualquer necessidade que tivéssemos no hospital. Logo após chegaram os enfermeiros e pediram para que deixássemos o quarto para que eles pudessem transportar o corpo até o necrotério. Deixamos o quarto e fomos resolver as questões burocráticas no hospital e na funerária para liberarmos o corpo de minha mãe e transportá-lo para São Bento do Sul.
4:00 deixamos Curitiba com meu amigo Paulo que foi nos buscar junto com meu primo Zeca, que ficou na funerária para acompanhar o traslado do corpo até São Bento. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance. Ficam as lembranças maravilhosas e o exemplo de vida da mãe, da avó, da mulher. Fica apontada a direção e plantada a semente. A saudade é enorme! Seguimos em frente nos espelhando em nossos pais. Sabemos que eles nos olham lá do alto.

Por José Maurício Knop

Parte 153
Quando a Jake me ligou dia 04/01/07 para levar a madrinha a Curitiba, eu estava muito ocupado na empresa, pois havíamos voltado das férias, falei que ligaria de volta para confirmar se poderia. Na segunda dia 08/01/07 liguei para dizer que não poderia ir, pois estava com muitos problemas, mas quem atendeu o telefone foi a madrinha. “Você vai me levar à Curitiba”, com tanto carinho foram as palavras que não consegui dizer não.
 Na quarta-feira 10/01/07, não gostei de ver a madrinha naquele estado, tão fraca, quase não falava, me abraçou e sussurrou no meu ouvido, “que bom que você vai me levar a Curitiba”.
 A viagem foi num silêncio... únicas palavras eram da Denise, mãe quer água, resposta era sim, sempre com um sorriso, ela olhava para mim. Fomos no médico, e após para Unimed, no estacionamento enquanto esperávamos a Denise voltar, ela conversou comigo. Zeca já está tudo decidido entre a Denise e Fabricio, só não assinei porque quero que eles usem o dinheiro do seguro para o inventário. Brinquei com ela dizendo, “para tia, a gente vai pra casa ainda”, ela sorriu pegou na minha mão, ficamos em silencio até a Denise voltar.

No Hospital Nossa Senhora das Graças, a Denise contou em detalhes, como tudo aconteceu.
Na segunda-feira a tarde dia 15/01/07, quando vi a madrinha,  me choquei... não tem palavras para descrever esta cena, Denise, Fabricio e Jake, saíram para falar com o médico ou almoçar não me lembro, mas só tenho a agradecer por vocês me deixarem sozinho, pois chorei... falei com ela, olhar parado, agradeci por tudo o que ela me ensinou, queria ver ela pela última vez com vida, mas tinha impressão de que ela não estava mais ali.

Parte 154
Não estava dormindo quando a Denise ligou: “Às 1:40 dia 16/01/07, a mãe descansou...”
Fui para Curitiba com o Paulo e encontramos o Fabricio e Jake no Hospital, pediram que eu ficasse na funerária, para acompanhar o translado da madrinha até São Bento.
Bom, posso falar agora com certeza, de que nada acontece por acaso. Pois não tínhamos uma amizade tão grande, até o momento que eu não lembro a data, Denise me ligou para levar a Madrinha consultar com Dra. Neiva em Campo Alegre.
Participei desde o momento da notícia da doença. Viagens para Curitiba, Campo Largo e varias quimioterapias em Curitiba. Porque falo sobre isso agora, pois bem, dentre tantas viagens a madrinha comentou: ‘a última vai ser com você, Zeca’. Agora lá estava eu, Funerária Santo Antonio, esperando a madrinha para sua última viagem até São Bento do Sul.

Por Denise Rosá Branco
Voltei para casa na segunda-feira e, quando cheguei, minha sogra e minha cunhada estavam aqui. Minha sogra fez minha cunhada ficar conosco, para tomar conta da Duda e eu poder descansar. Tomei um banho e pensei em jantar e dormir, mas a Duda queria atenção, meu marido queria atenção e o sono acabou passando. Fui me deitar perto das 23:00. Estava assistindo TV com meu marido quando o telefone tocou. Olhei para ele e disse: ‘A mãe morreu’. Atendi e era o Fabrício, com a voz calma, que disse: ‘Deni, a mãe descansou. Ela parou de respirar e, por um tempo ainda, vi seu coração pulsar, então tudo parou. Era 1:30”. A luta havia chegado ao fim. A mãe havia descansado.

Parte 155
Fiquei encarregada de arrumar tudo por aqui, enquanto o Fabrício providenciava as coisas necessárias em Curitiba, para trazer a mãe para casa. Liguei para alguns amigos ‘chave’, que eu sabia que avisariam a todos os que conheciam a mãe. Liguei para o Zeca e o Paulo, um grande amigo nosso, para que fossem a Curitiba buscar o Fabrício e acompanhar a mãe na sua viagem para casa. Prontamente os dois atenderam. Passaram aqui em casa para pegar as roupas e a prótese da mãe, para que ela ficasse bem bonita em sua última aparição pública. Acordei minha cunhada, pedi para que ela fosse ficar na casa de minha mãe, caso alguém ligasse. Aí aconteceu algo muito estranho e, ao mesmo tempo, interessante. A Duda resmungou no quarto dela e o Alaor foi olhar. Voltou com os olhos arregalados: ‘Deni, você não vai acreditar nisso. A Duda me olhou, mas estava dormindo, e disse ‘vovó morreu’, e continuou dormindo’. Poucos minutos depois, a Duda acordou, veio pro meu colo e eu perguntei: ‘Você viu a vovó?’. Ela disse: ‘Vi. Vovó veio e pegou minha mão’. Tem coisas que acontecem e a gente nunca poderá explicar...
Acabamos todos indo para a casa da mãe. Deixamos tudo o que podíamos pronto, para o café e o almoço, por causa dos parentes que vêm de outras cidades. Eram 4:30 e o Fabrício ligou novamente, avisando que estava voltando com o Paulo e que o Zeca ficaria na funerária, até a mãe estar pronta para a viagem. E a Duda sem dormir... Finalmente, entre 5:00 e 5:30 consegui colocá-la na cama com minha cunhada.

Parte 156
Às 6:45 o Zeca me liga: ‘Deni, estamos chegando no Mato Preto’. E eu, meio incrédula: ‘Mas como? Vocês saíram às 5:00 de Curitiba, como já estão no Mato Preto?’ E o Zeca: ‘O cara da funerária anda mesmo e eu precisei acompanhar’. Liguei para a Belinha, que havia entrado em contato com a capela mortuária e avisei. O responsável pela capela nem havia chegado para abri-la e a mãe já estava lá. Cheguei logo depois.
A mãe estava linda, mas com uma aparência cansada. Com a roupa que escolheu para ir ao meu casamento, sua toquinha preferida e a prótese que havia ganho poucos meses antes da Rede Feminina de Combate ao Câncer, e que nem chegou a usar, estava linda! Não quis ficar o tempo todo ao lado do caixão. Pensei que ficar à distância daria oportunidade a todos que viessem se despedir de chegar perto dela. Acabou que algumas pessoas nem me viram, mas tudo bem. O dia passou lento e tranqüilo. Logo que a Duda acordou, meu marido foi em casa buscá-la e levou-a para ver a vovó. Chegou na capela, foi perto do caixão sem cerimônia. Peguei ela no colo. Ela olhou para a vovó, se virou pra mim e disse: ‘Dois, mamãe’. O Alaor ficou me olhando, sem saber do que a Duda falava. Eu disse: ‘Claro filha, a vovó tem dois seios, sim’. A Duda, tão acostumada com a vovó sempre sem a prótese, estranhou quando a viu no caixão com ela. Não quis beijar a vovó porque estava ‘gelado’, mas volta e meia chegava perto para olhá-la.

Parte 157
Chegou a hora do enterro. Fomos para a igreja, para a celebração de corpo-presente. Na segunda-feira, quando voltei de Curitiba, liguei para o Milton e pedi que ele ‘tirasse’ uma música do Pe. Zezinho, que fala sobre este momento, da morte, e pedi para que ele, o Cláudio e o Vilson tocassem na celebração, assim que a mãe morresse. Como não havia volta, fui deixando tudo pronto. Foi o que aconteceu. Cantei junto com meus amigos na celebração. Fui forte, até a hora que fomos cantar a música do Pe. Zezinho, e minha filha veio pro meu colo. Quase não consegui chegar ao final da música. Muita gente se emocionou por ver a Duda no meu colo, naquele momento. Na hora de fechar o caixão, fui me despedir da mãe. Eu a amava (amo) tanto! Foi esse o único momento desde que ela foi internada em que eu chorei. A Duda ficou braba porque estavam fechando o caixão da vovó e me deu um tapa, querendo que eu impedisse aquilo. Voltamos ao cemitério. Foram feitas as orações e cantos. A mãe, enfim, era colocada em sua ‘última morada’. Junto a nosso pai, descansaria eternamente, certa de que havia sido uma vencedora e, além de tudo, um exemplo de força e vontade de viver!

A cada dia que passa mais lembranças me vêm à cabeça... Quanta coisa boa fiz com minha mãe... Quantos momentos inesquecíveis passamos juntas, até mesmo quando ela já estava adoentada...

Parte 158
Muitas dúvidas me consomem... E se o tumor intercostal tivesse sido descoberto antes... E se a medicação oral tivesse sido suspensa antes... E se... E se... Nenhuma dessas perguntas terá resposta, ao menos não nessa vida. Quem sabe, um dia, ao me reencontrar com minha mãe, ela terá alguma resposta a me dar...
Dia 17/05, ao ler, ou melhor, reler o que meu primo Zeca escreveu, lembro de tudo o que minha mãe me falou sobre a morte de vários amigos nossos, inclusive sobre a morte de meu pai... Minha mãe tinha um dom, ou um sexto-sentido, sei lá, uma premonição, que raramente falhava. No dia em que meu pai faleceu, falei com eles por telefone 3 horas antes do afogamento. Conhecia muito bem minha mãe, e senti que ela sabia de alguma coisa mas, assim como ela, guardei em meu coração. Quando cheguei em São Francisco, a abracei e, olhando fundo em seus olhos, disse-lhe: ‘Você sabia que o pai iria morrer. Hoje de manhã, quando falei com você, você já sabia’. E ela me respondeu: ‘Pensei que fosse EU que iria morrer, porque não estava me sentindo bem’. E hoje tive essa mesma sensação, ou certeza, sei lá. Quando meu primo escreve que ‘ela ficou segurando minha mão em silêncio’, tive a certeza de que, naquela manhã, em Curitiba, minha mãe sabia que iria morrer e guardou para si. E eu, com tanta coisas na cabeça, com esse turbilhão de emoções, só consegui perceber isso hoje.

Parte 159
Sinceramente não sei o que é mais difícil: lembrar de tudo que vivi com minha mãe ou a saudade que tenho dela... Não consigo ler uma só parte da história da vida de minha mãe sem chorar... Ela era tão forte, tão alegre, com tanta vontade de viver e teve que partir tão cedo... E a cada vez que me pego a tentar achar a razão para que isso tenha acontecido, me lembro de uma música do Pe. Zezinho: “Admito que eu já duvidei, depois daquela morte repentina num farol. Depois que dos meus olhos Deus levou a luz do sol, depois daquela perda sem aviso e sem sentido. Admito que eu já duvidei.
Admito que briguei com Deus, porque não respondeu quando eu lhe perguntei por quê.
Ele, que tudo sabe, tudo pode, tudo vê, parece que não viu, nem me escutou lá no hospital.
Admito que eu fiquei de mal!
Doeu demais e, quando dói do jeito que doeu, a gente chora, grita e urra e põe pra fora aquela dor, e desafia o criador e quem se mete a defendê-lo. Comigo não foi diferente do que foi com tanta gente que perdeu algum amor. Briguei com Deus, briguei com Deus. E se eu briguei foi por saber que Deus ouvia.
Admito que eu me revoltei: onde é que estava Deus com seu imenso amor? Se Deus é amoroso, então por que deixou? Por que tinha que ser do jeito como foi?
Admito que o desafiei, por não achar sentido no que Deus fez, e nem me perguntei por que será que o fez.
Briguei com quem levara alguém que eu tanto amei! Admito que eu já blasfemei. Briguei com Deus, briguei com Deus. Briguei com Deus, mas acabei no colo dele.
Admito que voltei pra Deus e até nem sei dizer por que foi que voltei. Eu acho que voltei porque não me calei. Voltei porque, talvez, não sei viver sem crer. Admito que voltei pra Deus.
Admito que inda creio em Deus, mas tenho mil perguntas a doer em mim. Eu tenho mil perguntas para lhe fazer, espero que Ele um dia queira responder!
Ele sabe o que é que eu penso dele...”

Parte final
Por mais que a gente diga que está preparado para a morte de alguém, é mentira. A gente sempre fica a se perguntar por que e a imaginar ‘se’... No fundo a gente precisa encontrar um responsável pela morte, mas isso nem sempre é possível.
Quando a mãe me perguntou há 4 anos ‘Por que você acha que teu pai ia morrer?’ e eu respondi ‘Morreu por ser teimoso’, hoje imagino que, se perguntassem por que acho que minha mãe morreu, responderia “Porque ela cansou de ser um fardo para nós’. Mas o que ela talvez não sabia é que NUNCA foi um fardo em nossas vidas.
Tenho certeza de que fiz tudo o que pude para confrontá-la e ajudá-la até o fim.
Gostaria de ter feito muito mais. Gostaria de não ter brigado com ela na sua última semana de vida só porque ela já não tinha mais forças e ânimo para sair da cama e eu insistia nisso... Mas instintivamente sabia que, quanto mais cedo ela ficasse só na cama, mais cedo perderia suas forças e eu não queria isso, por egoísmo talvez, ou por medo de perdê-la e nunca mais poder abraçá-la...
Agora, nessa madrugada, ouvindo a chuva lá fora, tive a coragem de escrever
sobre minhas dúvidas e sentimentos... Sozinha, no escuro... Lembrando, mais uma vez, daquela mulher incrível a quem a vida inteira eu chamei de MÃE, e a quem aprendi a admirar com seus defeitos e suas qualidades, seus medos e sua força.
Pra mim ela foi um exemplo. Espero que a sua luta tenha servido de exemplo para muitos outros!
Fique com Deus, minha mãe! Te amo!

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