| No
Brasil, o câncer de mama é o que mais causa mortes entre mulheres. A
doença ocupa o primeiro lugar em incidência nas regiões Nordeste, Sul
e Sudeste, sendo responsável, respectivamente, por 22,84%, 24,14% e
23,83% dos novos diagnósticos de neoplasia realizados em mulheres.
Cerca
de 80% dos tumores de mama são descobertos pela própria mulher , palpando
suas mamas incidentalmente. Quando
isso ocorre, eles já apresentam um tamanho grande, o que dificulta o
tratamento. O que se pretende é a descoberta desses tumores de tamanho
o menor possível (de 1 a 3cm) de maneira que a doença seja tratada ainda
em fase inicial. Por isso é muito importante a prática periódica do
auto-exame, maneira mais direta de detecção da doença.
Vale lembrar
que o câncer de mama ocorre com muito mais freqüência em mulheres que
nos homens, numa proporção de 100 casos femininos para um masculino.
"A
partir de hoje eu, Iris, e minha filha, Denise, Estaremos expondo minha
experiência ao saber da doença e o que venho fazendo desde então. Estaremos
sempre mesclando dados de pesquisa com minha experiência, a fim de auxiliar
no diagnóstico precoce dessa doença que tira a vida de tantas mulheres
todos os ano. Esperamos que vocês gostem!
Aceitamos
sugestões, críticas, histórias de quem já vivenciou algum caso. Basta
enviar via e-mail para: denise_fabiane@brturbo.com.br ,ou encaminhar
para o Jornal Evolução, que eles nos repassarão! Um abraço a todas!"
Parte
2
O câncer
de mama é a neoplasia (qualquer tumor) maligna que mais
acomete o sexo feminino, chegando a ser responsável por cerca de 20%
das mortes por câncer entre as mulheres. A despeito dos enormes
progressos alcançados nas últimas décadas, nos campos do diagnóstico
precoce e do tratamento, a incidência de câncer de mama continua
a aumentar. A American Cancer Society (Sociedade Americana do Câncer)
estima que uma entre 12 mulheres desenvolverá um câncer de mama durante
a vida e, a incidência desta doença aumenta com a idade.
O nome
câncer abrange um vasto conjunto de doenças caracterizadas por apresentar
um grupo de células que cresce sem controle algum. Geralmente, as células
cumprem um ciclo de vida previsível, com células envelhecidas que morrem
e novas células que ocupam o seu lugar. Porém, em certos casos, esse
processo sofre alterações e o sistema imunológico não pode controlá-lo;
as células se multiplicam sem controle formando tumores. Um tumor primário
não se propaga a outras regiões do corpo, mas, quando faz isso, esse
tumor primário é considerado canceroso ou maligno. O câncer de mama
geralmente tem sua origem nas células de revestimento dos ductos mamários
ou nos lóbulos da glândula mamária. Dos casos de câncer de mama, 20%
apresentam características não invasivas; o resto geralmente invade
os tecidos além dos ductos e da glândula mamária. O câncer de mama também
afeta aos homens, porém a relação é de 1 a 100 com relação às mulheres.
Parte
3
""Ah
tá! Mais uma vez falando disso? Todo mundo fala, mas nunca vi ninguém
que tenha retirado a mama por causa de câncer..." Nunca viu? Engano
seu! É mais comum e está mais perto do que você pensa! Eu, Iris, também
achava isso! Mas bastou acontecer comigo para que eu descobrisse muitas
outras mulheres conhecidas da nossa cidade que já passaram e estão passando
pela mesma coisa.
"Aconteceu
com você?" Sim, comigo. Em outubro de 2003 fui ao médico e ele
me disse que eu estava com um tumor na mama esquerda e que precisava
ser retirado. Não deu nem chance de discussão, apenas me disse que teria
que operar o quanto antes, fazer radioterapia e quimioterapia. Foi um
choque. Mais um nesse ano conturbado. O que eu fiz? Chorei, claro! Quem
não choraria? Senti medo, com certeza. Por isso o nome da coluna: DESAFIO.
Seria mais um desafio em minha vida. E nem só na minha, na vida de toda
a minha família. Mas Deus só nos dá obstáculos que podemos transpor.
Fui à luta!"
A
origem do câncer de mama ainda
é desconhecida. É sabido que não distingue classes sociais e que é rara
em homens (1% dos casos). A faixa etária mais acometida varia dos 45
aos 55 anos, havendo uma tendência, atualmente, ao aumento da incidência
nas faixas etárias mais jovens. O diagnóstico precoce é, sem dúvida,
o fator mais importante para um bom prognóstico.
Antecedentes
familiares (casos na família) de câncer de mama, especificamente
na mãe e irmãs, e algumas moléstias benignas de mama, também ajudam
a compor os grupos de maior risco.
Parte
4
Aproximadamente
10% da população feminina pode ser considerada de alto risco para câncer
de mama; no entanto, apenas 30% desta desenvolve a doença.
Causas
- O câncer precisa de vários
anos para se desenvolver. O processo geralmente se inicia com uma alteração
das células, que pode ser causada por diversos fatores: tipo de dieta,
tabagismo, exposição ao sol, certas substâncias, radiações, etc. No
desenvolvimento desse tipo de câncer têm influência direta: familiares
diretos que tenham sofrido câncer de mama, uso prolongado de anticoncepcionais
orais, menarca precoce (primeira menstruação antes dos 11 anos), obesidade
pós-menopausa ou nunca ter engravidado.
Sintomas
- A primeira suspeita ocorre
quando um inchaço, de consistência diferente do resto da mama, é apalpado.
Nas fases precoces, essas partes duras se deslocam por baixo da pele,
enquanto que nos casos mais avançados, elas se encontram aderidas à
pele. Em certos casos, não muito freqüentes, é possível sentir dor na
mama sem haver nenhum ponto duro.
"Só
30% desenvolve o câncer de mama. Fui a "azarada". Mas é uma
boa experiência. Depois de saber que precisava ser operada, voltei pra
casa. Contei a meus filhos. O médico disse que, com o choque emocional
da morte acidental de meu marido, aquela pequena calcificação que o
primeiro médico que procurei disse não ser nada, progrediu rapidamente,
transformando-se num tumor. Pedi a meus filhos para não comentarem com
ninguém. Eu estava com uma doença que ainda é tratada como tabu.
Parte
5
Tem muita
gente que acha que, se não tomar conhecimento da doença e de pessoas
que a tem, não serão acometidas por ela. Ledo engano! Vocês viram: 10%
da população feminina pode ser considerada de risco e 30% desenvolve
a doença! Qualquer mulher pode desenvolver o câncer! Vamos nos cuidar,
nos auto-examinar! Quanto antes se descobre qualquer "carocinho"
no seio, mais fácil é para tratar!"
Cirurgia
Conservadora - Quadrantectomia:
o nome vem da palavra quadrante,
ou seja, uma parte da mama é retirado (como se fosse uma fatia de pizza).
Esta cirurgia sempre deverá ser complementada pela radioterapia.
Cirurgia
Radical - Mastectomia: é
a retirada total da mama, com ou sem o músculo peitoral (localizado
logo abaixo dela).
Tanto
a quadrantectomia quanto a mastectomia são geralmente acompanhadas da
retirada de nódulos linfáticos da axila (linfonodos).
Esses nódulos são estudados para sabermos se foram invadidos ou não
pelo tumor e orientar o tratamento complementar.
"Pois
é. O médico optou pela mastectomia radical em meu caso. Por quê? Afinal,
ele mesmo me disse que o tumor não era assim tão grande. Mas eu tinha
agravantes. Mas tinha também compensações. Primeiro, agravantes: o bico
do meu seio já estava repuxado, o que levava a crer que o tumor estava
muito próximo à pele. As compensações: por eu ter um seio grande, provavelmente
o câncer estaria restrito à mama, sem ter atingido outros órgãos. Fiquei
feliz? Mais calma? Não. Só me acalmei quando fiz os exames de tórax
e ficou comprovado que o câncer estava apenas na mama. Me acalmei é
modo de dizer.
Parte
6
Com os
exames prontos, fui à Curitiba para outra consulta, desta vez acompanhada
de minha filha, para marcar a cirurgia. Fomos prontas para ficar por
lá, caso o médico decidisse marcar para o dia seguinte. O médico explicou
tudo de novo. Que iria fazer a mastectomia radical por não querer correr
risco de que ficasse uma célula cancerígena sequer. Que iria submeter-me
à radioterapia e quimioterapia mesmo sem saber a gravidade e o tipo
de tumor, porque queria que eu ficasse ao lado de meus filhos por mais
uns 10 anos, pelo menos. E nos acalmou dizendo que, em seus 40 anos
de experiência, já realizou mais de 3.000 cirurgias desse tipo.
Desde
que fiquei sabendo que teria que fazer a cirurgia, até o dia marcado
para ela, foram apenas 15 dias... Rápido. Foi bom. Assim, não deu tempo
para ficar pensando em besteiras. Então, no dia 16 de outubro de 2003,
meu afilhado levou a mim e minha filha para Campo Largo, onde seria
operada."
Diagnósticos
- A mamografia ou radiografia
de mamas é o método mais efetivo para identificar o câncer. Existem
dois tipos de mamografias: de controle (procedimentos de rotina) e de
diagnóstico (para examinar áreas específicas, em que uma dureza foi
apalpada). Em mulheres jovens, grávidas ou em período de amamentação,
as mamas são mais densas e a interpretação da mamografia é mais complexa
do que nas mulheres mais velhas, cujas mamas apresentam alta proporção
de gordura.
Parte
7
Utilizam-se
as ultra-sonografias para diferenciar as massas sólidas - que poderiam
ser cancerosas - dos cistos (cavidades contendo líquidos) que geralmente
não são cancerosos, reduzindo assim o número de biópsias desnecessárias.
A ressonância magnética pode identificar certos tumores difíceis de
serem detectados nas mamografias. Para confirmar um diagnóstico de câncer
de mama realiza-se uma biópsia.
"Eu
havia feito uma mamografia há uns três anos atrás. Na ocasião o médico
encontrou uma calcificação e disse que não tinha porque me preocupar.
Não me preocupei, afinal, quando um médico te diz "não se preocupe",
você não sai do consultório direto pra outro médico, certo? Você confia
na experiência de seu médico. Agora, quando vêm me contar sobre ´pequenas
calcificações´ digo na hora pra procurarem outro médico. Em um caso
assim, o melhor é nunca deixar para depois. Eu não procurei uma segunda
opinião e acabei por perder a mama..."
Tratamento
- O primeiro passo para tratar
o câncer de mama abrange algum tipo de procedimento cirúrgico. Uma opção
é extirpar somente o tumor e certa área de tecido sadio, conservando
a maioria da mama, e completar com radioterapia (com raios X de alta
energia) para destruir as células que tenham ficado. A outra opção é
a mastectomia, que implica a retirada total de mama. A escolha de uma
ou outra técnica depende do tipo, do tamanho e do grau de expansão do
tumor.
Parte
8
Em certos casos, depois da cirurgia, prescreve-se
quimioterapia: o uso de fármacos que destroem seletivamente aquelas
células que se multiplicam ativamente. Existem várias cirurgias que
podem ser realizadas para o tratamento do câncer de mama. Mas cada caso
tem suas necessidades diferentes!
"Já falei um pouco anteriormente sobre
os tipos de cirurgia. No meu caso, por haver retração do mamilo, o médico
decidiu por uma mastectomia radical, ou seja, a retirada total da mama
e músculos adjacentes. Do lado esquerdo do peito, agora, tenho somente
o mínimo de carne e a pele sobre as costelas. Por que tanto radicalismo?
Para não correr riscos. Poderia ter sido retirado somente o tumor, afinal
era relativamente pequeno (2,5cm de diâmetro), mas o médico quis assegurar-se
de que não ficaria nenhuma célula cancerígena em meu corpo."
"Dia da cirurgia. Fui com minha mãe,
claro. Para que eu pudesse ficar com ela no hospital, teria que pagar
mais de R$ 800,00. Chegamos ao Hospital antes das 10h. Preenchemos a
ficha de internamento. Pelas 11h buscaram minha mãe e a levaram para
o quarto.
A cirurgia estava marcada para às 16h. Fiquei
na recepção do hospital. O tempo passava e nada... Ninguém sabia se
a cirurgia já havia terminado. Queria muito conversar com o médico.
Já eram 18h e nada... Enfim, o médico saiu. Veio falar comigo. Disse-me
que o tumor era maligno e bem agressivo, o que ele já suspeitava. Falou
que a cirurgia tinha corrido muito bem e logo minha mãe estaria no quarto.
Parte 9
Pedi para
vê-la. Ele me disse que fazia questão que eu estivesse no quarto quando
ela voltasse.
Trouxeram
minha mãe por volta das 18h40. Ela se queixava de muita dor. Revirava
os olhos. Pedia água. As enfermeiras me disseram que ela não podia nem
comer nem beber até o outro dia... Fique com ele até depois das 20h.
O que eu podia fazer? Dizer que estava ao lado dela, que ela ficaria
boa, que a dor passaria... E rezar, claro. Minha mãe estava mais calma.
No dia
seguinte, cedo fui ao hospital. O médico disse que ela ficaria internada
apenas um dia. Fui esperar sua alta. Aguardei das 8 até às 11h. Sem
alta. Voltei no horário de visitas. Minha mãe estava bem. Deitada, ainda
com as ataduras, sem comer nada. Conversamos muito. Fiquei feliz ao
ver que estava bem. Minha rotina era passar o dia no hospital, esperando
por notícias. Fiz amizade com as recepcionistas, que ligavam para a
enfermeira chefe e esta vinha me trazer notícias de minha mãe. Pessoas
muito simpáticas. Atendimento maravilhoso!
A cirurgia
aconteceu na quinta. Na sexta era pra ter saído a alta, mas não saiu.
Liguei para casa e pedi para que meu irmão fosse pra Campo Largo ver
a mãe, porque pensei que não voltaríamos de lá antes da segunda-feira.
Sábado à noite, estávamos no quarto quando o telefone tocou. Era uma
mulher. Perguntou se eu poderia ir ao hospital. Fiquei apavorada, afinal,
na quinta, me disseram que só ligariam se alguma coisa acontecesse a
minha mãe. Em menos de cinco minutos estava na recepção do hospital.
Parte
10
Nada demais.
As enfermeiras me chamaram para passar a noite com minha mãe, porque
sua companheira de quarto havia recebido alta e minha mãe, devido ao
soro, não conseguia se levantar sozinha da cama. Depois do susto, uma
noite no hospital.
Domingo
pela manhã o médico perguntou se minha mãe se sentia bem. Disse que
estava de alta e poderia ir pra casa, mas tinha que tomar cuidado com
o dreno, para que não infeccionasse a região onde ele estava. Nossa!
Que alegria! Melhor notícia, no domingo, não poderia ter! Finalmente
estávamos indo pra casa!""Domingo
pelo meio-dia chegamos em casa. Que coisa boa! Foram apenas quatro dias
fora, mas que pareceram uma semana! Minha mãe se sentia muito bem, sem
dor, desde a sexta-feira. Colocamos o nome de "Totó" no dreno
que ela tinha na região da cintura. A rotina era uma boa alimentação,
bastante descansa e limpeza do Totó duas vezes ao dia, sempre marcando
quanto de líquido havia saído. Pode-se dizer que a ida voltou ao normal,
ao menos em relação ao trabalho".
"Depois
de quatro dias no hospital, estava muito feliz por voltar pra casa.
Como o médico orientou, ligava pra ela a cada dois dias, explicando
tudo o que acontecera nos dois dias e tirando as dúvidas, caso houvessem.
Sempre muito atencioso, marcou retorno para o sábado, ou seja, 25 de
outubro. Fomos ao seu consultório, em Curitiba. Tirou alguns pontos,
examinou o corte, o braço e fez com que eu mesma tirasse e colocasse
a blusa.
Parte 11
Me disse
que tudo estava bem e que, se não fosse ele o médico responsável pela
cirurgia, nem acreditaria que faziam apenas 10 dias que eu havia sido
operada. Desobstruiu uma das saídas do dreno que estava parcialmente
entupida e me deixou voltar para casa."
ESTRUTURA
DAS MAMAS

As glândulas
mamárias, que têm como principal função a secreção do leite, estão situadas
na parede anterior do tórax e se compõem de:
· Ácino
- menor parte da glândula e responsável pela produção do leite durante
a lactação;
· Lóbulo mamário - conjunto
de ácinos;
· Lobo mamário - conjunto
de lóbulos mamários que se liga à papila através de um ducto;
Parte 12
· Ductos
mamários - em número de 15 a 20 canais, conduzem a secreção (leite)
até a papila;
· Tecido
glandular - conjunto de lobos e ductos;
· Papila
- protuberância elástica onde desembocam os ductos mamários;
· Aréola
- estrutura central da mama onde se projeta a papila;
· Tecido
adiposo - todo o restante da mama é preenchido por tecido adiposo ou
gorduroso, cuja quantidade varia com as características físicas, estado
nutricional e idade da mulher.
"Meus
dias eram praticamente iguais: levantar pela manhã, limpar o Totó, me
vestir, tomar café e assistir TV. À tarde tinha a companhia de uma enfermeira,
que atendia à porta quando chegavam visitas, que não eram poucas. Além
disso, a enfermeira não tinha vergonha nenhuma de pedir para que as
visitas se retirassem, caso fosse hora do meu descanso ou de minha refeição.
No princípio eu ficava envergonhada, mas depois me acostumei e vi que
era para meu próprio bem.
A cada dia saía menos
líquido pelo dreno. Isso era bom, pois assim, ele logo seria tirado.
Vocês devem estar curiosos: ‘e as atividades, os trabalhos, será que
voltou tudo ao normal?’ Claro que sim! Mesmo antes da cirurgia o médico
já havia orientado para que, assim que retornasse da anestesia, eu começasse
a movimentar o braço esquerdo, para evitar atrofia e auxiliar na drenagem.
Foi o que fiz."
Parte
13
"Quando perguntei ao médico o que minha mãe poderia
ou não fazer após a cirurgia, a resposta foi rápida:
pode fazer tudo o que fazia antes e mais um pouco; só não
quero que levante botijões de gás industriais. Simples
assim: a vida volta ao normal. Aumentam os cuidados para não
se cortar, arranhar, queimar do lado esquerdo do corpo, porque foram
tirados os linfonodos, que fazem a proteção do corpo conta
infecções. O médico foi enfático ao dizer
que, caso minha mãe se machuque, deve ir imediatamente para Curitiba,
consultar com ele."
TECIDO
MAMÁRIO
As mulheres mais jovens apresentam mamas com maior quantidade de tecido
glandular, o que torna esses órgãos mais densos e firmes.

Parte 14
Ao se aproximar da menopausa, o tecido mamário vai-se atrofiando
e sendo substituído progressivamente por tecido gorduroso, até
se constituir, quase que exclusivamente, de gordura e resquícios
de tecido glandular na fase pós-menopausa.
Essas mudanças de características promovem uma nítida
diferença entre as densidades radiológicas das mamas da
mulher jovem e da mulher na pós-menopausa.

"Já
fazia 29 dias desde a cirurgia quando fui novamente consultar. Pouquíssimo
líquido saía pelo dreno. O médico, então,
tirou mais alguns pontos e retirou o dreno. Já estava tão
habituada com o Totó que, ao levantar da mesa de exames, quis
puxa-lo, como sempre fazia, mas já não tinha mais o dreno
comigo!
Parte 15
Não foram tirados todos os pontos. Perguntei por quanto tempo
mais ficaria com eles e o médico disse: ‘daqui uns sete
anos eu tiro, está bem?’. O que sempre gostamos neste médico,
desde o início, foi sua sinceridade e seu senso de humor. Sempre
fazendo brincadeiras para nos animar, mas, quando era sério,
dizia tudo o que precisava, sem rodeios".
AÇÃO
HORMONAL
A mama, como outras estruturas da mulher, modifica-se durante o ciclo
menstrual, pela ação do estrogênio e da progesterona,
os hormônios sexuais femininos.
A ação da progesterona, na segunda fase do ciclo, leva
a uma retenção de líquidos no organismo, mais acentuadamente
nas mamas, provocando nelas aumento de volume, endurecimento e dor.
Durante esse período de sintomatologia exacerbada pelo edema,
torna-se mais difícil o exame das mamas, quer seja pelo médico
quer pela mulher (auto-exame). Sugere-se a realização
do exame uma semana após a menstruação, período
em que as mamas encontram-se menores, menos consistentes e indolores.

A
fita cor de rosa é o símbolo da consciência
para a luta contra o câncer de mama.
Parte 16
"Bem que eu poderia fazer uma festa, afinal, agora estava sem o
dreno e poderia, finalmente, voltar a trabalhar normalmente! Durante
a consulta, o médico me deu encaminhamento para a quimioterapia
e disse que, a partir da consulta com a médica responsável
por essa fase do tratamento (quimioterapia), eu seria encaminhada para
a radioterapia".
RADIOTERAPIA
Radioterapia é a utilização de radiação
para bloquear o crescimento das células. Pode ser utilizada antes
da cirurgia (para diminuir o tamanho do tumor) ou após a cirurgia
(para evitar recidiva, ou seja, a volta da doença).
Este tratamento requer um especialista (radioterapeuta) e equipamento
sofisticado. São feitos vários cálculos para que
os raios atinjam apenas o local desejado, isto é, o tumor, e
não afetem o tecido normal. Muitas vezes, isto é feito
com o auxílio de um computador.
Para o início do tratamento, é feita a marcação
com tinta na pele, para que a aplicação seja realizada
sempre no mesmo local. Geralmente, as aplicações duram
15 minutos e devem ser feitas diariamente (de segunda a sexta-feira),
variando de 25 a 30 aplicações.
Quem recebe a radiação não se torna radioativo!
Geralmente este tratamento não apresenta complicações,
a pele fica apenas com o aspecto de uma queimadura de sol.
Parte 17
"Marcamos o dia da consulta para a quimioterapia. Ansiosa e, por
que não dizer, curiosa e apreensiva, chegamos no Instituto Halsted,
onde seriam realizadas as sessões. Após um breve período
de espera, fomos recebidas pela médica, muito simpática,
alegre e dinâmica. Explicou rapidamente o que aconteceria, preencheu
o encaminhamento para a radioterapia e marcou minha primeira sessão
de quimioterapia. Saímos do consultório eram 17h. Ligamos
para o hospital onde seria realizada a radioterapia, mas o atendimento
era realizado somente até às 17h. Voltamos pra S.Bento."
QUIMIOTERAPIA
Podemos resumir a quimioterapia como o uso de medicamentos potentes
no tratamento do câncer. É um tratamento que complementa
a cirurgia, podendo ser feita antes ou após a operação.
A cirurgia e a radioterapia têm apenas efeito local, enquanto
que a quimioterapia age em todo o corpo. O objetivo principal deste
tratamento é evitar a volta do tumor no local ou seu aparecimento
em outros órgãos.
"De volta à S.Bento, fui levar as requisições
para serem autorizadas pelo plano de saúde, o que não
aconteceu. Acabei por perder a primeira sessão de quimio por
falta de autorização. Por doze dias tentamos a autorização
e nada. Estava ficando aflita afinal, quanto antes começasse
o tratamento, antes ficaria pronto. Contatamos nosso advogado e o Procon.
No contrato do plano de saúde estava claro que a quimioterapia
e a radioterapia tinham cobertura. Então, por que não
autorizavam?"
Parte 18
Como age a quimioterapia?
O medicamento, através da corrente sangüínea, atinge
todas as partes do corpo. As células que mais sofrem a ação
da quimioterapia são aquelas que crescem e se dividem muito,
como as do câncer. Mas outras células do nosso organismo
também têm estas características e também
vão ser atingidas, acarretando os efeitos colaterais ou indesejados
do tratamento. São elas:
· Células produtoras dos glóbulos sangüíneos
vermelhos e brancos. Efeito: anemia e diminuição da resistência
a infecções.
· Células do aparelho digestivo. Efeito: náuseas,
vômitos e diarréia.
· Células do sistema reprodutor. Efeito: parada da menstruação
e dificuldade para engravidar.
· Células do folículo piloso. Efeito: queda de
pêlos e cabelos. Porém, como são células
normais elas vão se regenerar e retornar ao estado normal, com
exceção daquelas do sistema reprodutor.
"Quando finalmente a autorização foi dada, já
haviam passado mais de doze dias. Fomos novamente para Curitiba e, no
dia 3 de dezembro de 2003, fiz toda a avaliação para a
radioterapia. Passei a tarde no Hospital Nossa Senhora das Graças.
Após tudo pronto, fomos para a kitinete que alugamos. Descansamos
e, no outro dia, logo após o almoço, retornamos ao hospital
para minha primeira sessão de radioterapia. No total seriam 30
sessões. Tudo correu bem. Não senti nada.
Do hospital fomos para o Instituto, onde receberia pela primeira vez
a medicação da quimioterapia.
Parte 19
Falamos novamente com a médica, que viu meus exames e me encaminhou
para um dos quartos. Sempre ouvi dizer que a quimio demorava horas!
Pensei que fosse sair somente à noite do instituto, mas era preciso.
Qual não foi nossa alegria quando, após apenas uma hora,
eu já podia voltar para casa!"
Quanto
tempo dura a quimioterapia?
A duração depende do tipo de tumor, do estágio
da doença, do resultado da análise dos nódulos
linfáticos, da idade da mulher e da sensibilidade individual.
"Quando me deitei para a quimio fiquei lembrando de tudo o que
já ouvira falar e havia lido sobre a quimio. Estava nervosa,
com medo. Fiquei perguntando para a enfermeira se iria ficar enjoada,
vomitar, essas coisas. A enfermeira, muito animada me disse: ‘Claro
que não! Você deve pensar que não vai sentir nada!’Assim
que fiz. Pensei que não iria sentir nada, mas senti. Quando começaram
a aplicar as duas injeções com medicamento em minha veia,
comecei a enjoar, a ter náuseas, a enfermeira precisou me levar
ao banheiro. Realmente foi uma experiência pela qual nunca havia
passado."
Como
é feita a quimioterapia?
O tratamento pode ser administrado por via oral, intramuscular ou por
soro. Geralmente, para o câncer de mama utiliza-se a via endovenosa
(soro). Na maioria das vezes, não é necessária
internação.
Parte 20
A paciente passa pela consulta médica e, estando com seus exames
normais, recebe o soro com medicamento durante algumas horas. Após
esse período, retorna para casa.
"Sexta-feira. Fomos cedo para o hospital para a radioterapia. Avisamos,
ao chegar, que teríamos que pegar o ônibus às 10h.
Me atenderam logo. Fomos para a rodoviária e voltamos pra S.Bento.
Minha nova batalha havia começado. Seriam 30 dias corridos de
radioterapia e 8 sessões de quimioterapia, uma a cada 21 dias.
Em casa, tudo parecia melhor. Passei o fim de semana muito bem. Recebi
o convite de casamento de um afilhado, com o pedido de que eu o levasse
ao altar, uma vez que sua mãe já é falecida. Aceitei
na hora! Depois, comecei a me preocupar com a queda de cabelo que pode
ocorrer com a quimio... E se eu já estivesse careca no dia do
casamento? Meus filhos me animavam e diziam para não pensar nisso.
Se preciso, compraríamos uma peruca! Assim, logo chegou a segunda-feira.
Dia de voltar para Curitiba para ficar mais uma semana."
Quais
são os cuidados após a quimioterapia?
· Evitar tomar medicamentos sem orientação médica.
· Se, durante a administração da quimioterapia,
ocorrer dor forte no braço, avisar a enfermeira. Atenção:
Alguma sensação de queimação pode ocorrer
com algumas drogas.
Parte 21
· No dia da quimioterapia, ingerir dieta leve, principalmente
à base de líquidos. Evitar gorduras e alimentos de digestão
difícil.
· Algumas pacientes referem boa aceitação a gelatina,
sorvete, refrigerante e pipoca.
"Fiquei os primeiros dias com minha mãe em Curitiba. Depois
de conhecer o lugar onde ela ficaria hospedada e o hospital onde faria
a radioterapia, percebi que ficaria bem. A dona da kitnete é
enfermeira no hospital, no setor de radioterapia. O marido dela nos
levava e buscava no hospital todo dia. O médico que atendeu minha
mãe na radioterapia orientou que ela precisaria descansar bastante
após a sessão de radio e que poderia vir a sentir uma
queimação na garganta. Para isso, ele receitou um remédio
que ela deveria tomar antes das refeições.
No local das aplicações, sempre duas horas antes, era
necessário passar um protetor solar fator 50. Para evitar irritação
na pele, minha mãe deveria usar somente roupas de malha. Foi
uma semana tranqüila. Logo a sexta-feira chegou e voltamos pra
S.Bento."
HORMONIOTERAPIA
Há alguns anos, os médicos relacionaram o câncer
de mama com os hormônios femininos (principalmente os estrogênios).
Os tumores de mama podem ou não depender destes hormônios.
Para descobrir isto, é feito um teste nas células do tumor
- dosagem dos receptores de estrogênios. Este teste permite avaliar
a utilidade da hormonioterapia naquele caso.
Parte 22
A hormonioterapia é feita por via oral com 1 a 2 comprimidos
ao dia, durante no mínimo 2 anos, sendo o medicamento mais utilizado
o tamoxifeno.
"Segunda semana em Curitiba. No calendário que tenho na
kitnete vou marcando cada dia de radioterapia. Como o local é
bom, tenho carona pra ir e voltar do hospital, meus filhos e eu vimos
que não seria problema ficar sozinha por uns dias. Além
do mais, temos comércio e não podíamos deixá-lo
fechado!"
A
Doença Benigna

O limite da normalidade no tecido mamário é difícil
de ser definido devido às modificações dinâmicas
verificadas nas mamas ao longo da vida das mulheres.
Parte 23
Daí surgir o conceito de alterações funcionais
benignas da mama, antigamente denominadas doença fibrocística
ou displasia mamária. Embora tais termos antigos ainda sejam
utilizados pelos médicos, é importante entender que eles
são sinônimos.
Clinicamente estes termos têm sido aplicados a uma condição
na qual existem alterações na palpação,
associadas ou não à dor, e sensibilidade aumentada, principalmente
no período pré-menstrual. Não custa lembrar que
a maioria das mulheres apresenta mamas irregulares à palpação,
sendo que estas irregularidades podem ser confundidas com tumores.
Cisto
mamário
É a manifestação clínica e ultra-sonográfica
mais freqüente encontrada na mama e que se enquadra no grupo das
alterações funcionais benignas das mamas.
Fibroadenoma
Apresenta-se como nódulos de tamanhos variados, firmes e bastante
móveis. São característicos da mulher jovem e têm
crescimento limitado. Os fibroadenomas, como todos os tumores benignos,
têm um comportamento de expansão apenas local, seu tratamento
resume-se à remoção do nódulo, e o seu estudo
ao microscópio, o que permite o diagnóstico diferencial
de certeza com o câncer.
Parte 24
"Sexta-feira. Dia de voltar pra casa. A semana passou devagar.
Vera, a enfermeira dona da kitinete me convidava para almoçar
ou jantar com eles. Além disso, sempre vinha me visitar, bater
papo, trocar receitas de crochê. Isso fazia o tempo passar mais
rápido. Quando ia ao hospital, tinha que ter muita paciência...
Pegava uma senha e aguardava, algumas vezes por mais de hora... Mas
era preciso. Os enfermeiros me ajudavam a subir na mesa, me posicionar
para as aplicações. Eram sempre muito legais comigo, não
posso me queixar! Também, quando chegava na sexta pela manhã,
eles já me passavam pra frente de outros pacientes, para que
eu pudesse pegar o ônibus das 10h pra voltar pra casa!"
EXERCÍCIOS
PÓS-OPERATÓRIOS
Atualmente o valor da fisioterapia e da terapia ocupacional são
indiscutíveis no desenvolvimento e na manutenção
das atividades de vida diária saudáveis, após a
cirurgia da mama.
Quanto antes você começar um programa completo de exercícios
físicos, maiores e melhores serão suas chances de reabilitação
e de prevenção de complicações.
Os exercícios ajudam você a recuperar os movimentos diminuídos
do braço do lado operado e a prevenir o linfedema (inchaço).
Vencendo a dor e o desconforto inicial, em pouco tempo você estará
pronta para assumir todas as atividades do seu dia a dia e, conseqüentemente,
sua autoconfiança.
Parte 26
PÓS-OPERATÓRIO IMEDIATO
Após a cirurgia mantenha o braço ligeiramente afastado
do corpo, cerca de 20 centímetros, apoiado sobre um travesseiro,
para que o cotovelo, o punho e a mão fiquem mais altos do que
o ombro.

DOIS
DIAS APÓS A CIRURGIA
Mexa suavemente o punho, o cotovelo e o ombro. Faça esses movimentos
10 vezes e repita-os 3 vezes ao dia.

Parte 27
Pegue uma bola de tênis ou borracha e aperte-a suavemente na mão
durante 5 minutos e repita 3 vezes ao dia.

"Iniciei minha
terceira semana de radioterapia. A cada dez dias, uma consulta com Dr.
Celso, meu responsável nessa fase de tratamento. Rápida
avaliação para ver se está tudo bem e se pode continuar
o tratamento. Apenas sinto uma leve queimação na garganta,
mas já estou tomando um remédio para isso. Além
da medicação, devo tomar gelado: sorvete, suco, leite,
água, tudo geladinho para diminuir a queimação.
Meu cabelo começou a cair. Foi ruim, é ruim. Sentia-me
incomodada. Ia tomar banho, toalha ficava cheia de cabelo. Ia cozinhar,
ficava com receio de que caísse cabelo na comida. Quando andava
na rua, tinha a impressão de que todo mundo estava vendo meus
cabelos caírem. Bastava soprar um vento mais forte e lá
iam eles, voando... Já havia feito um gorrinho e o jeito foi
começar a usá-lo!"
A PARTIR
DO QUARTO DIA APÓS A CIRURGIA

Parte 28
"Dia do casamento. Nem lavei o cabelo com medo de que caíssem
muitos e ficassem falhas. Fui, entrei com meu afilhado, tirei fotos,
me diverti muito! No domingo, mais cabelos perdidos...
Semana de Natal. Radioterapia de segunda à quarta. Véspera
de Natal. Muito trabalho no comércio. Arrumar pinheirinho, enfeitar
a casa, colocar os presentes sob a árvore. Primeiro Natal sem
meu marido. Primeiro Natal sem mama e quase sem cabelo. Em casa, os
dias passam tão rápidos... Logo chegou a segunda. Seria
diferente: meus dois filhos iriam comigo, afinal, estavam de férias".
A PARTIR
DO QUARTO DIA APÓS A CIRURGIA

"Tomei a decisão:
vou cortar todo o cabelo. Agora já se podem ver grandes falhas.
Cada vez que passo a mão na cabeça, saem grandes mechas
de cabelo. Chegamos em Curitiba e fomos direto ao hospital, para a radioterapia.
Almoçamos e, em seguida, fomos procurar uma peruca. Quando encontramos,
pedimos para a moça raspar minha cabeça.
Parte 29
Esperamos a dona do salão chegar e ela, que leva perucas para
pacientes de quimioterapia, achou por bem só cortar bem rente
meu cabelo, pois meu coro cabeludo estava muito delicado e poderia machucar.
Quando a mulher começou a cortar meu cabelo foi uma hora difícil
Até aquele momento, quem me via e não sabia da história
toda, nem se dava conta do que se passava, mas agora, todos iriam ver.
E daí? Quebrem-se tabus! Fiquei careca sim, e daí? Faz
parte do tratamento. O cabelo cresce de novo. Foi duro... Nós
três tivemos vontade de chorar... Saímos do cabeleireiro
e fomos para a quimioterapia, minha segunda sessão.”
A PARTIR
DO QUARTO DIA APÓS A CIRURGIA

"Tomei
a decisão: vou cortar todo o cabelo. Agora já se podem
ver grandes falhas. Cada vez que passo a mão na cabeça,
saem grandes mechas de cabelo. Chegamos em Curitiba e fomos direto ao
hospital, para a radioterapia. Almoçamos e, em seguida, fomos
procurar uma peruca. Quando encontramos, pedimos para a moça
raspar minha cabeça.
Parte
30
Além disso, falou que, para 2005, estava pensando em me fazer
uma mama nova... Até o momento em que o médico me falou
em mama nova, em nenhum momento tinha pensado nisso. Agradeci, mas disse
a ele que, por enquanto, não via necessidade de “repor”
minha mama. Estava me sentindo e me aceitando muito bem assim!”
APÓS
A RETIRADA DOS PONTOS E DO DRENO

“Semana
mais curta. Radio na segunda e na terça. Voltar para São
Bento, para passar o ano novo em casa. Retornaria para Curitiba somente
na segunda, dia 05/01/2004. A rotina continuaria a mesma: radio pela
manhã, descanso, papo na casa da vizinha, descanso... Assim o
tempo passou. Chegou o dia da avaliação. Claro que já
estava contando os dias para terminar com a radioterapia. Seriam 30
sessões. Faltavam quatro ainda! Fui conversar com o médico.
Ele avaliou meu quadro, me olhou e disse: ‘Suas sessões
terminam nesta sexta’. Como? Não eram 30? Muito bom! Fui
dispensada!
Parte
31
Reagi muito bem ao tratamento e pude concluir com 28 sessões!
Finalmente voltaria à minha vida normal!”
|
PEGUE
E LARGUE:
Abra e levante os braços até a altura dos ombros.
Dobre os cotovelos e apóie as palmas das mãos atrás
da cabeça. Estique novamente os braços juntando
as mãos atrás das costas, na altura da cintura.
Repetir 5 vezes.
|
|
ELEVADOR:
Entrelace os dedos das mãos, dobre os cotovelos e eleve
os braços até a altura dos ombros. Depois, leve
os braços para cima e apóie as mãos no alto
da cabeça. Continue levantando os braços até
esticar os cotovelos, mantendo as mãos unidas acima da
cabeça. Retorne à posição inicial.
Repita 5 vezes.
|
“De
volta em casa. Que maravilha! Agora precisava voltar à Curitiba
somente uma vez a cada 20 dias, para a quimioterapia.
Parte
32
Claro que sempre contava com a disponibilidade de amigos para me levarem
até o Instituto. Sempre era um passeio agradável. A única
vez que minha filha não pode ir, foi a cunhada de meu filho comigo.
É só para fazer companhia e chamar a enfermeira para trocar
o tubo de soro, uma vez que eu não conseguia usar o telefone
por estar com o braço imobilizado para aplicação
do soro. Assim foram se passando, uma sessão após a outra.”
 |
BALIZA:
Segure um bastão à frente do corpo na altura das
coxas, com os braços esticados. Levante os braços
acima da cabeça mantendo os cotovelos esticados. Dobre
os cotovelos novamente, levando o bastão atrás da
cabeça. Retorne à posição inicial.
Repetir 5 vezes.
|
|
ESCALADA:
Fique de frente para uma parede com os pés próximos
à mesma. Coloque as mãos na parede na altura do
ombro. Com o movimento das pontas dos dedos, vá subindo
os braços tão alto quanto possível. Volte
à posição inicial movimentando os dedos das
mãos pela parede. Descanse. Repetir 5 vezes.
|
Parte
33
“A
cada três meses repetia os exames para controle. A médica,
sempre muito animada, me incentivava, mostrando que os resultados haviam
melhorado! Aliás, a médica, Dra. Cristiane Sabóia,
nunca estava de mau humor. Sempre nos recebia na porta do consultório,
abraçava, dava um beijo e perguntava como eu havia passado desde
a última sessão. Ela dizia que era muito importante contar
a minha experiência para ela, pois, para cada paciente, as reações
ao tratamento eram diferentes.”
|
POSITIVO
/ NEGATIVO:
Abra os braços e levante-os à altura dos ombros
com os cotovelos esticados. Rode os ombros para trás, apontando
os polegares para cima (“positivo”). Rode os ombros
para frente, apontando os polegares para baixo (“negativo”).
Relaxe. Repetir 5 vezes.
|
|
CARROSSEL:
Amarre uma fita na maçaneta de uma porta. Segure a fita
de frente para a porta. Mantenha o cotovelo esticado e faça
movimentos com o braço para um lado e para o outro, formando
círculos e o número oito deitado. Relaxe. Repetir
5 vezes.
|
Parte
34
“Em uma das vezes que fomos ao Instituto, meu sobrinho me levou.
Fomos em quatro: eu, a Denise, meu sobrinho e a filha dele. Como não
sabemos nos locomover de carro por Curitiba, meu sobrinho e a filha
ficaram comigo no Instituto e a Denise foi ao centro buscar a autorização
na Unimed, de ônibus. Para ir e voltar levava quase duas horas,
uma vez que na Unimed o atendimento é por ordem de chegada. Enquanto
minha filha estava no centro, conversei com a médica e ela me
encaminhou para o quarto. Mas, antes disso, aconteceu algo irônico:
a filha de meu sobrinho não pode ver agulhas que desmaia. Quando
entramos no instituto, ela foi alertada para que não olhasse
para dentro dos quartos, mas não adiantou... Antes de chegar
ao último quarto, ela começou a empalidecer e meu sobrinho
teve que levá-la para o carro, carregada!”
 |
SIRI:
Com os braços esticados, levante o corpo do chão
lentamente. Use as mãos para facilitar o movimento. Repetir
5 vezes.
|
 |
MÃOS
UNIDAS:
Junte as mãos, entrelaçando os dedos e levante os
braços, esticando os cotovelos. Repetir 5 vezes. |
“Minha
mãe, meu exemplo, meu orgulho.
Quando soube
que minha mãe estava com câncer fazia exatamente
nove meses que meu pai havia morrido. Foi um grande choque.
Me perguntava o que Deus estaria reservando-nos. Hoje faz um
ano que minha mãe foi operada. Nesta árdua caminhada
aprendi muitas coisas. Entre algumas delas, que a fé,
a força de vontade e o amor podem tornar tudo possível.
O exemplo que ela me deu, passando pelas primeiras, e mais difíceis,
etapas do tratamento com muita alegria e disposição,
sempre procurando nos tranqüilizar, me mostrou o quão
grande é sua vontade de viver em plenitude e poder estar
sempre comigo e com minha irmã. Nada que eu faça
irá se comparar com a força e com a grandeza que
minha mãe demonstrou, e continua demonstrando, nesta
caminhada. Minha mãe sempre será para mim o ponto
de referência, pois, com seu exemplo de luta e determinação,
me fez entender a maneira verdadeira com que devemos encarar
a vida, este bem precioso que nos é destinado, e que
deve ser valorizado e desfrutado a cada segundo. Denilson
Fabrício Rosá”
|
“Nada
como ter Deus no coração.
Assim que minha mãe retornou da consulta em Campo Alegre,
já vi que tinha coisa errada e grave... Foram raras as
vezes que vi minha mãe chorar e, naquele dia, ela não
conseguiu conter as lágrimas... Foi um choque. Há
tão pouco tempo meu pai havia falecido repentinamente.
Agora minha mãe chega dizendo que está com câncer
e terá que fazer uma cirurgia o quanto antes. Muito abalada,
lembro que minha mãe começou a se preocupar na hipótese
da doença já ter se alastrado. Foi aí que
pedi para pensarmos uma coisa de cada vez. Não adiantava
querer terminar o tratamento contra o câncer, sem antes
fazer a cirurgia. Assim fomos fazendo: um passo de cada vez. Quando
lembro, parece mentira: seriam oito meses de quimioterapia. Hoje
já se passou um ano. Minha mãe está mais
alegre do que nunca! Tudo voltou: sua cor, seu sorriso, seus cabelos!
Aprendi que nada deve nos abalar se temos Deus no coração.
Minha mãe me ensinou isso, superando sua doença.
Hoje, um ano depois, a doença regrediu. Serão mais
cinco anos de tratamento com medicação diária,
mas já valeu a pena! Denise Fabiane Rosá” |
Parte
36
“Um ano se passou! Uma grande experiência! Deus testando
nossa fé de diversas maneiras. Quando o médico deu o diagnóstico
do câncer, perguntou se eu confiava nele e faria o tratamento
conforme ele mandasse, o médico faria a parte dele e o Todo-Poderoso
tomaria conta de nós.
Foi o que aconteceu: Deus me deu nova chance, mais algum tempo para
cumprir minha missão. Não posso deixar de agradecer as
pessoas que me ajudaram durante este ano de provações
me incentivando, fazendo companhia, me visitando, me levando para Curitiba,
Campo Largo, Campo Alegre e Campina Grande do Sul. Todos que rezaram
por mim, ao jornal que deu oportunidade de expor minha experiência
com o câncer e poder ajudar outros que precisavam de esclarecimento,
aos que indicaram tratamentos alternativos, chás e remédios
caseiros.
 |
Confraternização
das pessoas que me acompanharam, nas viagens para Curitiba,
durante o Tratamento
|
Parte
37
Que Deus lhes dê muitas graças para ampara outras pessoas
que passam por momentos difíceis!”
“Quando minha mãe recebeu a notícia de que estava
com câncer, todos ficamos apreensivos. Pensamos mil coisas. Mas
sempre dizia pra mãe: temos que pensar em um passo de cada vez;
agora são os exames pré-operatórios, depois a cirurgia...
E assim fomos fazendo. Vou fazer um rápido cronograma de tudo:
1º/10/2003 – Consulta com especialista,
em Campo Alegre. Notícia do quadro câncer na mama esquerda.
Pedido de exames pré-operatórios.
8/10/2003 – 2ª consulta, desta vez em Campina
Grande do Sul. Novo exame da mama, certeza do quadro. Pré-operatórios
todos bons. Marcada a cirurgia.
16/10/2003 – Cirurgia em Campo Largo. Realizada
na quinta. Permanência no hospital até domingo, 19/10.
19/10/2003 – Alto do hospital. Retorno para casa.
Cuidados especiais com dreno e cicatriz.
 |
MEXE
- MEXE:
Junte as mãos e entrelace os dedos. Dobre os cotovelos
e movimente os braços para os lados, fazendo movimentos
circulares. Repita 5 vezes.
|
Parte
38
23/10/2003 – Primeiro retorno ao médico
em Curitiba. Retirada de alguns pontos. Boa evolução,
principalmente em relação aos movimentos do braço
esquerdo.
15/11/12003 – Nova consulta em Curitiba. Retirada
do dreno e mais alguns pontos. Como ainda restavam pontos na cicatriz,
minha mãe perguntou quando o médico iria tirá-los,
ao que ele respondeu: “Daqui uns sete anos, mais ou menos”.
Encaminhamento para quimioterapia e radioterapia.
Entre 16/10 e 15/11 – Ligações a cada dois dias
para o médico, passando informações sobre estado
físico e psicológico.
17/11/2003 – Primeira consulta com médica
que iria acompanhar a quimioterapia. Pedido de exames e encaminhamento
para radioterapia. Marcada primeira sessão de quimioterapia.
 |
BASTÃO
NA HORIZONTAL E NA VERTICAL:
Segure um pequeno bastão nas palmas das mãos abertas.
Movimente os braços para um lado e para o outro com o bastão
na posição horizontal. Levante um dos braços
e coloque o bastão em pé. Repita 5 vezes para cada
lado.
|
Parte
39
20/11/2003 – Ida ao hospital onde seriam realizadas as
sessões de radioterapia. Marcada avaliação e primeira
sessão para dia 03/12. Sessão de quimioterapia não
pode ser realizada por falta de autorização do convênio
médico.
Entre 17/11 e 04/12 – Muita discussão
com relação ao plano de saúde. Auditores não
queriam autorizar o tratamento do modo como a médica responsável
havia optado. Somente após a modificação do tratamento
a autorização foi dada.
03/12/2003 – Avaliação para início
de radioterapia. Passamos a tarde no hospital Nossa Senhora das Graças,
em Curitiba.
04/12/2003 – Primeira sessão de radioterapia
e quimioterapia. Fomos na expectativa dos efeitos da quimio. Nenhum
efeito antes de 06/12, mas já estávamos em casa.
 |
COÇAR
AS COSTAS: Coloque uma das mãos na cintura.
Leve o outro braço para trás, dobre o cotovelo
e tente apoiar a palma da mão nas costas. Repita 5 vezes.
|
Parte
40
08/12/2003 – Retorno à Curitiba para realização
de radioterapia, que é diária. Ficamos hospedadas na casa
de Vera, uma das enfermeiras do setor de radioterapia do hospital, que
dispõe de kitinetes para alugar aos pacientes de outras cidades.
 |
Casa
em que moramos enquanto durou a radioterapia
|
29/12/2003
– Dia da segunda sessão de quimio. Como estávamos
com a lanchonete fechada, fomos os três para Curitiba. Pela
manhã, já quando chegamos, minha mãe fez radio.
Fomos para o centro de Curitiba procurar uma peruca. Foi o dia em
que cortamos todo o cabelo da mãe. Foi muito triste para todos
nós. À tarde, sessão de quimio sem nenhuma reação
imediata.
Parte
41
30/12/2003
– Minha mãe ligou para o médico, repassando as
informações sobre o andamento do tratamento. O médico
sugeriu fazer uma cirurgia de restauração de mama em
2005. Minha mãe disse a ele que está se sentindo bem
com apenas uma mama e que não vê motivos para fazer a
restauração.
 |
ABRA
E FECHE OS BRAÇOS:
Junte as mãos, entrelace os dedos. Dobre os cotovelos
e levante os braços até a altura dos ombros. Deixe
as mãos à frente do pescoço. Mantenha a
posição das mãos e abaixe os braços.
Repita 5 vezes.
|
29 a 30/12/2003
– Permanecemos os três em Curitiba. Aproveitamos para
fazer algumas compras e passear. Aproveitar as férias em família!
31/12/2003 – De volta em casa, para passar
o Ano Novo. Minha mãe retornaria para Curitiba somente dia
05/01/2004.
 |
ASA
DE PASSARINHO:
Braços ao lado do corpo. Cotovelos dobrados e mãos
apoiadas nos ombros. - Mantenha a posição das
mãos e levante os braços até à altura
dos ombros. Repita 5 vezes. - Ainda com a mão nos ombros,
faça movimentos de rotação para frente
e para trás. Repita 5 vezes.
|
Parte
42
05/01/2004 – Novo ano. Durante o mês de janeiro
meu irmão Fabrício estava em férias, em casa.
Fui de volta à Curitiba com minha mãe. Íamos
à radio pela manhã e, dia sim, dia não, passeávamos
por Curitiba. Afinal de contas, minha mãe estava em tratamento
para prevenção contra o reaparecimento do câncer,
não inválida, que não pudesse sair de casa! Apesar
do cansaço que os passeios causavam, minha mãe voltava
feliz para nossa kitinete em Curitiba!
 |
Ópera
de Arame, situada no Parque das Pedreiras, junto à Pedreira
Paulo Liminski, local de shows ao ar livre
|
Parte
43
06 a 23/01/2004 – Continuamos com nossos passeios culturais:
visitamos o Museu Niemeyer, Universidade Livre do Meio Ambiente, entre
outros pontos turísticos da cidade, aproveitando ao máximo
todos os momentos juntas. Nos últimos dias, precisei voltar
para trabalhar, e minha mãe ficou sozinha. Vera, a dona da
casa e seu esposo, tratavam minha mãe com muita atenção
e carinho.
 |
Universidade
Livre
do Meio Ambiente - Unilivre, no Bosque Zaninelli
|
 |
O
mais novo museu de Curitiba foi inaugurado em novembro de 2002
com o nome de Novo Museu e, em 2003 seu nome foi substituído
para Museu Oscar Niemeyer, em homenagem ao seu famoso arquiteto
|
Parte
44
Algumas reações e sensações durante a
quimioterapia: coceira nos olhos, sobrancelhas e couro cabeludo. Todos
os pêlos do corpo começaram a cair 20 dias após
a primeira sessão. Além disso, sentia mal estar, fraqueza,
enjôos, diarréia e falta de apetite. Antes de cortar
o cabelo, a impressão que eu tinha era que todos viam meus
cabelos caírem. Sentia muita insegurança, principalmente
em meu local de trabalho. Mas, como sempre, meus filhos me davam muita
força, faziam brincadeiras e levantavam meu astral. Só
que, como já contei, no dia em que cortei o cabelo, todos choramos...
 |
O
Centro Cívico abriga o Palácio Iguaçu
(sede do Executivo, atrás de mim),a Assembléia
Legislativa, o Tribunal de Justiça e o Fórum
|
“Todos
dias temos provas da existência de Deus: a luz do sol,
as flores no jardim a vida... mas foi numa noite de dezembro,
há muitos anos atrás, que Ele se mostrou misericordioso
conosco, colocando seu Filho Jesus entre nós. Por isso
espero que a essência desta chama divina esteja sempre
em seu coração e que ela traga um natal de paz
e uma ano novo de alegrias.”
Graças
a esse Deus maravilhoso que hoje estou bem, com saúde
e muito feliz. Superei muitos problemas nesses últimos
dois anos, mas sempre contei com a ajuda de meus amigos e
familiares. Agradeço a todos que acompanharam nossa
coluna até o momento e, de uma forma ou outra, pudemos
ajudar.
Para o próximo ano, esperamos poder contar com o apoio
e incentivo de todos novamente.
A todos os leitores, um Natal abençoado e um 2005 repleto
de alegrias e realizações!
Iris Maria Rosá e Denise Fabiane Rosá
Branco
|
Parte
45
Passagem engraçada: Uns 20 dias após
a cirurgia eu precisava ir ao banco sacar minha pensão. Mas
como? Estava com o dreno e sem a mama. Todo mundo iria ficar olhando!
Sem problema. Tomei banho, me vesti, procurei uma camisa mais larga
entre as roupas da Denise, peguei uma toalha de mão, enrolei
e a coloquei no bojo do soutien. Chamei a Denise e ela me ajudou a
acertar bem a altura e tamanho do meu ‘seio novo’. Peguei
uma bolsa, coloquei o dreno dentro, com minha carteira e saí.
Acredito que ninguém notou, porque não percebi ninguém
me observando! Foi uma experiência incrível!
 |
Olhando
pra mim, sem prestar muito atenção aos detalhes,
nem se percebia que não tenho uma das mamas!
|
A experiência de estar careca: As pessoas que me viam sem cabelo,
se afastavam por medo, como se o câncer fosse contagioso. Por
usar toca, já era motivo para as pessoas passarem longe ou
olharem com desconfiança. Até parece que eu deixei de
ser uma pessoa ‘normal’ e passei a ser uma aberração.
Ainda hoje brinco com meus filhos, em relação às
pessoas que me olham espantadas: “Olha essa ali, com certeza
está pensando ‘A Iris não morreu? Mas ela está
com câncer’! Desde o começo, foram as brincadeiras
que não me deixaram entrar em depressão!”
 |
Dra.
Cristiane Sabóia, médica que acompanhou
(e acompanha) meu tratamento quimioterápico. Sempre muito
simpática também ajudou, e muito, para que eu
não entrasse em depressão. Essa foto foi tirada
no dia de minha última sessão de quimioterapia
|
Parte
46
Tratamentos alternativos: Não pensem que fiquei apenas fazendo
o que o médico me mandava! Todos sabem que sempre fui uma pessoa
de muita fé e, por esse motivo, sempre que alguém me
dizia ‘tome esse chazinho’, eu tomava. Sugeriram-me para
ir para Garuva, receber um óleo com o Frei Paulo. Fui. Disseram-me
que acupun-tura, massagem, e óleos ajudariam. Fiz. Tudo é
válido para melhorar. Agora, não me perguntem o que
me fez ficar curada, porque não saberei dizer. Com certeza,
um pouco de tudo o que eu fiz contribuiu, mas o mais certo: foi Deus
que quis me curar!
 |
Equipe
de enfermagem do Instituto Halsted, em Curitiba, onde recebi
minhas sessões de quimioterapia. Todas muito simpáticas
e prestativas
|
Parte
47
Hoje, depois de 15 meses da cirurgia, relembro muitas coisas que aconteceram...
As dúvidas, as ansiedades, o medo, o apoio da família
e dos amigos...
Lembro da primeira vez que fui ao Instituto, para a avaliação
para quimioterapia. Não sabia o que era, nem o que aconteceria
comigo. Então, fiquei observando as pessoas que entravam e
saíam, pacientes como eu. Algumas saíam tristes, outras
alegres, umas com lenço na cabeça, outras assumindo
sua ‘careca’. Havia pessoas idosas e eu pensava “essa
já viveu bem m ais do que eu e ainda está aí,
lutando!”. Havia pessoas jovens que me faziam pensar “tem
toda a vida pela frente e já estão lutando contra essa
doença terrível..”.
Mas aconteciam coisas boas. Neste primeiro dia no Instituto, ao passar
pelo corredor, vi uma senhora mais idosa sentada no quarto, recebendo
a medicação. Pedi licença e entrei. Perguntei
a ela que tipo de câncer ela tratava e a quanto tempo. A resposta
dela me fez ver que o meu caso era simples: “Faz mais de 15
anos que estou tratando de uma leucemia. Não tenho dia certo
para vir fazer a aplicação. Faço os exames de
controle e, dependendo do resultado, ligo pra cá e marco uma
sessão.” Nossa, 15 anos! Pra mim seriam apenas oito sessões.
Sabia que, depois disso seriam mais cinco anos tomando comprimidos
diários, mas se fizesse uma fria comparação com
aquela senhora, meu caso é muito mais simples e fácil...
Parte
48
Missas – Após a cirurgia fiquei
um mês sem sair, por estar com o dreno. Depois que o médico
retirou o dreno, fomos na missa. As pessoas olhavam, como que não
acreditando que era eu. O mais engraçado foi quando, depois
de cortar os cabelos, ia de toca ou de peruca na missa, e ninguém
me reconhecia. Um dia, na missa, minha filha me viu e falou para o
noivo que eu estava passando pelo corredor. Ele me olhou e não
me reconheceu. Virou-se pra Denise e disse “você tem certeza
que era a D. Iris? Porque eu só vi a Jaqueline e o Fabrício!”...
 |
Susto – Depois de já estar
recuperada da cirurgia, voltei a ir à missa, dar umas voltas
de carro, ir almoçar fora... O interessante era ver a reação
das pessoas ao me ver. Como estava sempre com um dos meus filhos,
as pessoas olhavam e não me reconheciam, mas quando viam o
Fabrício ou a Denise, olhavam de novo com uma cara de “nossa,
é a Iris, ela não morreu!”. Bem a gente ria pela
reação dos outros!
Hoje, recuperada, continuo trabalhando e muitas vezes acho engraçado
o que as pessoas falam ou a maneira como agem quando me vêem.
Essas experiências irei relatando nos próximos dias!
Parte
49
Após a cirurgia, ligava para o médico dia sim, dia não.
Depois de 15 dias, fui a Curitiba, para um retorno. Na foto, da esquerda
para a direita: Denise, Dr. Neiva, eu e Fabrício. Sempre muito
atencioso, convidou-nos para conhecer a propriedade onde mora, onde
também funciona um centro de equitação, a Academia
do Cavalo que, além de servir de ‘hotel’ para cavalos,
têm cursos de equitação e salto, além de
atividades terapêuticas se utilizando de cavalos.
Menino Jean – Durante meu tratamento radioterápico,
tomei conhecimento de vários casos, mas um, em especial, me
tocou muito...
Estávamos na mesma casa, em kitinetes separados, e íamos
de carro, juntos, ao hospital. O pequeno Jean, com uns cinco anos,
fraquinho, sempre com uma toalhinha para enxugar as lágrimas.
Fez a primeira cirurgia no peito, próximo ao braço esquerdo,
de onde foi retirado um tumor do tamanho de uma laranja. Na segunda
cirurgia, na cabeça, o corte ia de uma orelha à outra.
Estava ainda sem os cabelos, com a enorme cicatriz no alto da cabeça.
 |
A mãe de Jean contava que os médicos tinham desenganado
três vezes. Mandaram levar o menino para casa e, os pais, desesperados,
foram em busca de novos tratamentos. Agora havia aparecido um tumor
no nariz e outro no joelho esquerdo, o qual doía muito. A mãe
precisava carregar o pequeno Jean no colo, com cuidado. Na sala de
espera do hospital, todos davam lugar para ele esticar as pernas.
Enquanto esperava sua vez, ele chorava baixinho, enxugava as lágrimas
e dizia para a mãe: ‘O médico disse para não
chorar, porque a mamãe vai sofrer muito...’. As enfermeiras
o colocavam na maca e a mãe ficava na outra sala, falando pra
ele não se mexer, ficar quietinho que ‘a mamãe
está aqui, já vai acabar, não se mexa...’.
Eu terminei meu tratamento, mas o menino Jean continuou o seu... Lembro
sempre dele. Vou entrar em contato com a enfermeira Vera para ter
notícias dele!
Parte
50
Minha primeira consulta com Dr. Neiva foi em Campo Alegre, quando
ele me disse que eu precisava ser operado o mais breve possível.
A segunda consulta foi em Campina Grande do Sul, no Hospital Angelina
Caron. Lá ele confirmou tudo o que havia me dito em Campo Alegre.
Mas, enquanto esperávamos por sua chegada, estivemos com pessoas
que já haviam realizado suas cirurgias e estavam fazendo radioterapia
ali. Entre essas pessoas, havia um rapaz com uns 20 anos, que estava
acompanhado pelo pai. Ele havia feito uma cirurgia para retirar um
tumor da coluna vertebral. Precisava de ajuda para vestir a camisa,
mas estava com muito bom humor. Dizia que a cirurgia foi fácil
e que, agora, a radioterapia também iria tirar de letra!
Além desse rapaz, havia uma mulher, com seus trinta e poucos
anos. Ela contou que havia realizado duas cirurgias na cabeça,
para retirada de tumor, já estava com a terceira cirurgia marcada
e dizia: ‘A cirurgia é fácil. Mais complicado
é a radioterapia, pelas reações, e a quimioterapia’.
Eu e minha filha só nos olhamos. Ouvindo pessoas com tão
bom humor e esperança na cura, me fez ficar mais confiante!
Na quinta feira em que fui operada, não podia comer nem beber
nada. Na sexta-feira foi liberado caldo de batata e chá. Legal!
Traziam a tigela com o caldo e deixavam na mesa... Parecia uma delícia,
mas eu não conseguia comer, porque não podia mexer os
braços... Minha companheira de quarto se ofereceu para me ajudar,
mas ela não podia andar... A situação era cômica:
eu não podia levar a tigela até ela, e ela não
podia andar até mim! Resumo: fiquei sem comer...
O que eu fiz? Passei fome? Claro que não! Como eu podia andar,
fui até o posto de enfermagem e pedi um canudinho. Um tempo
depois, a responsável pelas refeições entrou
no quarto para saber por que eu queria um canudinho. Mostrei pra ela
o problema. Ela riu, saiu, e logo voltou com meu canudinho. Não
passei mais fome nem sede!
Parte
51
No sábado, após a cirurgia, minha companheira de quarto
teve alta. Como eu não conseguia comer nem me levantar da cama,
nem ao menos virar a folha de uma revista, a enfermeira resolveu ligar
para o hotel e pedir para que a Denise fosse passar a noite comigo.
Caso eu precisasse de alguma coisa, ela me ajudaria.
A noite foi tranqüila. Toda vez que eu me mexia, a Denise acordava
e perguntava se eu precisava de alguma coisa. Pela manhã, a
enfermeira entrou no quarto para aplicar-me a injeção.
Ainda bem que eu estava acordada, ou ela teria aplicado na Denise,
pois estávamos em camas trocadas!
Após voltar de Campo Largo, fiquei 30 dias sem sair de casa.
Não porque não pudesse, mas porque meus filhos pediram
que eu me fortalecesse. Além disso, com o dreno, sempre havia
a possibilidade de pegar alguma infecção. Mas eu precisava
fazer o exame de sangue, para levar à Curitiba, em meu retorno.
A Denise, então, ligou para o laboratório, e a Rosi
veio até minha casa para fazer a coleta. Como sempre tive as
veias ‘ruins’ para coletar sangue, acabei por apelidar
a Rosi de ‘vampira’. Ela sempre muito prestativa, agora
com mais um agravante: tenho somente o braço direito disponível
para coletar sangue! Com isso, mais demora. Mas a gente sempre brinca.
Hoje, a cada quatro meses, preciso repetir os exames. Assim que chego
ao laboratório, as meninas da recepção já
passam minha ficha para a ‘vampira’! É somente
ela que faz coleta em mim!
Enquanto estou na lanchonete, trabalhando, muitas coisas acontecem,
com ou sem relação à minha cirurgia. Algo muito
engraçado é um senhor, já com mais idade que,
por medo ou vergonha, não pergunta se já estou bem do
câncer de mama. Ele chega e, colocando as mãos em forma
de concha, como se estivesse segurando um ‘mamão’,
na altura do peito, me pergunta: ‘E a senhora, tudo bem?’.
É sempre uma gozação por parte de meus filhos,
quando conto que ele esteve na lanchonete novamente!
Parte
52
Menino Jean – Vocês devem estar lembrados
do caso do menino Jean, que contei dias atrás. Pois entrei
em contato com Vera, a enfermeira dona das kitinetes em Curitiba.
Ela me deu uma ótima notícia: Jean foi submetido a duas
cirurgias e está em casa. Vera não tinha muitos detalhes,
mas fiquei feliz em saber que Jean pode voltar para sua casa, em Forquilhinha,
próximo a Florianópolis.
Feijoada
– Todo ano, sempre no dia de Corpus Christy, fazemos
uma feijoada para alguns convidados, que mudam a cada ano.
Apesar da morte do Pasqual, continuamos a tradição e,
em 2004, mesmo sendo dois dias antes do casamento da Denise, realizamos
a feijoada. Convidamos a família de meu falecido irmão.
Veio minha cunhada, seus filhos, noras e netos. Eu estava carequinha,
e resolvi não usar peruca nem gorro naquele dia. E ainda fiz
questão de ir receber a todos na porta! A reação
era sempre a mesma: espanto por me ver sem cabelos. Mas logo esse
espanto passou e o almoço estava muito bom!
Casamento da Denise – Nos dias que antecederam
o casamento, perguntava sempre o que a Denise achava de eu ir carequinha
em seu casamento. Ela sempre me respondia a mesma coisa: ‘Isso,
vai carequinha. Assim todos vão olhar pra você e eu não
vou ficar envergonhada, pois não serei o centro das atenções!’.
 |
E fui careca.
A Denise entrou cantando, eu e o Fabrício logo atrás
dela, de mãos dadas.O que todos pensaram? Digo que os comentários
foram: ‘A noiva está cantando!’ e, logo em seguida,
‘A mãe da noiva está careca!’ e acabou a
surpresa. Todos já estavam acostumados com meu novo visual!
Parte
53
Formatura do Fabrício – Em setembro, formatura
do meu filho. Meu cabelo havia crescido e eu precisei cortá-lo,
afinal as pontas insistiam em levantar. Primeiro corte após
o reaparecimento de meus cabelos!
Com o cabelo arrumado, roupa nova, fui à formatura. Como já
era de se esperar, todos me olhavam, curiosos, mas eu estava muito
bem comigo! Nada me estressa ou me deixa depressiva quando se trata
da minha luta e vitória contra o câncer de mama! A formatura
foi linda! Diverti-me e me emocionei muito! Nossa felicidade só
teria sido maior se meu marido, Pasqual, estivesse presente para comemorar
conosco esse momento tão especial para meu filho...
Careca Bonita – Uma de minhas visitas, depois
de perder o cabelo, foram duas irmãs do Colégio São
José. Vieram à minha casa e passaram a tarde comigo.
Na hora do café, acabei por tirar o gorrinho que estava usando.
Uma das irmãs disse: “Olha que careca bonita! Você
deveria andar por aí sem gorrinho!”.
 |
No Cabeleireiro
– Na primeira vez que fui ao cabeleireiro após perder
meus cabelos, foi na semana do casamento da Denise. Queria somente
fazer os ‘pezinhos’ do cabelo. Cheguei no salão
e o cabeleireiro, muito amigo e atencioso, tendo conhecimento do meu
estado, pediu pra que eu me sentasse na cadeira. Colocou à
minha volta a capa e tirou meu gorrinho. Todos que estavam no salão
ficaram me olhando. Ele não perdeu a classe e perguntou: “D.
Iris, o que a senhora quer fazer hoje?” No que eu respondi:
“Não sei, estou em dúvida. Meu filho quer que
eu alise meu cabelo, e minha filha, que eu faça um permanente.
O que você acha?” E ele mais que ligeiro: “Pensando
bem, eu deixaria do jeito que está, porque seu cabelo está
lindo!”. As pessoas que estavam à nossa volta nos olhavam
como se fôssemos dois loucos conversando! Foi muito engraçado!
Parte
54
E-mail – Dia 23/03 recebi um e-mail muito bonito,
de um rapaz, hoje casado e com uma filha, que participou anos atrás
da Perseverança, catequese que visava formação
dos adolescentes para a Crisma. Eis uma parte do e-mail:
“Lamento muito o que tenha ocorrido com a Sra. mas com certeza
esse era o plano de Deus, e a Sra. com sua fé e força
de vontade, com o apoio de sua família venceu. Parabéns,
fico feliz em vê-la bem novamente, isso traz uma satisfação
de alegria, e também de alívio, pois infelizmente não
estive presente para dar-lhe apoio quando precisou, mas o faço
agora, e aproveito também para demonstrar o grande respeito
por todo o trabalho que a Sra. juntamente com o Pasqual sempre desenvolveram
em nossa comunidade, e que a Sra. continua agora, através do
Jornal, demonstrando a todos que é possível vencer,
basta não desanimar, acreditar, ter fé, e o apoio de
quem queremos bem. Recentemente tivemos um problema de câncer
com minha sogra, câncer no Útero, o qual felizmente foi
diagnosticado a tempo, já foi retirado, pelo médico
Dr. Neiva, e ontem para felicidade dela a Radioterapia acabou, e não
haverá necessidade de mais sessões, felizmente ela não
precisou fazer Quimioterapia, pois ela também tinha a preocupação
de ficar careca, mas não houve necessidade. Vocês são
vencedoras, e muitas pessoas lhes admiram com certeza. Continue sua
caminhada com esta fé e força de vontade, e que a saúde
lhe acompanhe sempre. Um Abraço afetuoso, Sandro Luis”.
São essas poucas palavras, ou pequenos gestos que me fazem
continuar minha luta contra o câncer e, principalmente, contra
a falta de informação sobre o assunto e seus tratamentos!
Doença
de Paget – No ano passado recebi um e-mail sobre essa
doença. Falava de uma senhora que em poucos meses havia ido
a óbito, após descobrir esse câncer. Não
repassei de imediato, pois acabei encontrando duas versões
sobre a doença. Agora, depois de conversar com o Dr. Neiva,
posso repassar alguns dados.
Parte
55
Informação sobre o diagnóstico da ‘Doença
Mamária de Paget’ - Doença de Paget da
mama é uma forma muito rara de câncer. É caracterizada
por alterações cutâneas que lembram eczema ao
redor do mamilo e mama. Também pode ocorrer nas áreas
cutâneas dos genitais e reto. Quando se espalha a essas áreas
do corpo, a doença de Paget da mama é denominada doença
de Paget extra-mamária. A doença de Paget da mama freqüentemente
indica existência de outro câncer interno. Pode ocorrer
em homens, assim como mulheres. A doença de Paget da mama não
é a doença de Paget dos ossos. (http://www.quatrocantos.com/lendas/179_doenca_paget.htm)
Realmente a doença pode levar a óbito em pouco tempo,
visto que cada organismo é diferente e reage de maneira diferente,
tanto à doença, quanto ao tratamento. Como sempre, é
bom ficar de olho em marcas que começam a crescer na pele,
coceiras sem motivos, pequenos caroços que aparecem... Todo
cuidado e precaução ajudam na hora de iniciar um tratamento
que pode levar a cura!
Depressão: Muita gente comenta que pessoas
com câncer ficam em depressão... Bem, eu não tive
tempo para isso! Meus filhos sempre me animavam, me faziam trabalhar
o corpo e a mente! Além disso, amigas vinham sempre me trazer
alegria, ânimo e serviço.
Uma das amigas veio me visitar e disse: “Como você está
bem de saúde! Vou trazer uma pasta com mensagens para você
escolher, separar e enviar para o Informativo Paroquial”. E
assim fiquei fazendo o trabalho, e a pasta está com as mensagens
todas ‘ainda’ aqui em casa.
Outra amiga vinha toda semana e me motivava para voltar a trabalhar
nos grupos de reflexão, que eles precisavam de minha presença,
que sem o meu trabalho eles estavam se sentindo abandonados e que
era muito importante a minha rápida recuperação
da cirurgia para voltar ao convívio de todos.
Assim, me sentia útil. Para me animar, elas tudo faziam: me
traziam trabalho e, assim, não dava tempo para ‘pensar’
em ficar desanimada, ‘pensar’ na doença, mas me
fazia pensar em me recuperar o mais rápido possível
para voltar a participar de tudo com todos.
Outra amiga me trouxe palavras cruzadas e bons livros para ler e por
em prática o conteúdo.
Parte
56
Aconteceram coisas que, na hora, me deixaram em dúvida se realmente
iriam me ajudar ou não.
Como sabem, minha cirurgia foi num quinta-feira. Na sexta a enfermeira
tirou o curativo e deixou minha cicatriz livre. Pediu que eu fosse
ao banheiro, tomasse um banho e, depois, me olhasse no espelho, olhasse
a cicatriz, olhasse para meu rosto e dissesse: “Eu estou linda!
Sou linda e estou muito bem!”. Na hora me achei horrível,
mas falei para o espelho o que a enfermeira havia pedido.
Logo depois, o médico passou pelo quarto. Cheia de esperança,
perguntei se iria para casa, afinal, Dr. Neiva disse que teria alta
no dia seguinte. O médico me olhou e disse: “Você
já viu o ‘rombo’ que você tem no peito? Você
acha que vou te deixar sair hoje?”. Lá se foram minhas
esperanças...
Quando voltei para casa, no domingo seguinte, todos os dias minha
filha, na hora da limpeza da cicatriz, me colocava de frente ao espelho
e falava: “Você já se olhou no espelho hoje? Viu
como está linda? Já disse isso pra você mesma?
Se ainda não o fez, está na hora!”. Eu me olhava
e me via amarela, com aquele corte enorme, o dreno saindo debaixo
das costelas... Estava horrível, mas me olhava no espelho e
dizia: “Como estou linda hoje!”.
Se isso me ajudou? Ajudou muito. Me fez perceber que, por pior que
a nossa aparência esteja, nosso interior só ficará
‘feio’ se nós permitirmos. Cada vez que me olhava
no espelho e dizia estar bonita, meu interior, minha alma ficava bonita.
Então, foi adeus depressão! Adeus tristeza! Eu me achava
bonita e me sentia feliz!
Hoje, quando pergunto pra Denise o que ela achava de minha aparência
logo após a cirurgia, ela só faz uma careta... Ela também
via que eu não estava bem, mas chegava com entusiasmo e dizia:
“Mãe, você está linda!”. Hoje sei
que ela, meu filho, minha nora e meu genro faziam isso para me animar
e agradeço por terem feito, porque ajudou, e muito, em minha
recuperação!
Parte
57
“Todo dia, ao acordar, agradeço a Deus pela minha vida
e pela saúde, que assim tenho grande chance de continuar vivendo.
As dificuldades vamos superando com fé e, assim, vamos aproveitando
as boas surpresas da vida.
Depois de tantas
provas que Deus colocou em meu caminho, sabia que, um dia, receberia
uma grande graça e muita alegria vinda Dele! Acontecimento
maravilhoso foi o nascimento da minha 1ª neta, dia 20 de abril!
Maria Eduarda nasceu com os cabelos pretos, olhos azuis, calma, sadia,
um anjo a nos fazer companhia. É uma bênção
na família um novo membro que nos traz muita felicidade! É
uma alegria para a casa e para os amigos! Parabéns aos pais,
Denise e Alaor. Obrigado, Deus, por tanto bem e tanta graça!”
Parte
58
Meia verdade - A doença
de Paget
A primeira versão brasileira dessa mensagem surgiu em novembro
de 2001 e se apresentava como traduzida por um médico de Santo
André - SP a pedido de uma psicóloga. O texto é
redigido na primeira pessoa e assinada por Fernanda, uma das vítimas
da doença de Paget. A tradução é de um
texto em inglês de 1999.
Em abril de 2002, houve um novo trânsito da mensagem, dessa
vez intitulada “Patrícia Pillar mandou avisar...”.
A atriz desmentiu a autoria e o suposto pedido de aviso.
O mesmo texto voltou a circular em junho de 2004, dessa vez mencionando
outra vítima, Cláudia, falecida na última segunda-feira.
No mês seguinte, foi a vez da irmã de um amigo, cuja
doença foi diagnosticada em novembro.
Em primeiro lugar, a doença de Paget existe, é uma das
formas de câncer e a sua ocorrência não é
muito freqüente, dizem os especialistas.
Em segundo lugar: tratando-se de assunto de saúde o melhor
a fazer é conversar com o seu médico. Ele dará
a orientação adequada.
Em terceiro lugar: passar adiante mensagens com essa forma de redação,
imprecisa e sem referências confiáveis, pode levar ao
que Taliberti, um dos nossos colaboradores, adverte:
O
alerta sobre câncer de mama é válido, claro,
mas a falsidade da autoria tira toda a credibilidade da mensagem. |
Parte
59
Certamente, a pessoa que criou e iniciou a divulgação
dessa mensagem agiu de boa fé. Não creio, no entanto,
que essa seja a forma adequada de divulgar cuidados com a saúde.
Inventar pessoas e situações são recursos facilmente
desmascarados e não dão credibilidade à mensagem
nem ao conteúdo dela.
Mais uma alerta: em questões de saúde, não se
restrinja à Internet, pois a informação pode
ser falsa ou incompleta. A autora de uma página que comenta
essa mensagem, por exemplo, diz que ela é falsa porque a doença
de Paget é uma doença dos ossos e não um tipo
de câncer de mama.
A verdade é que o nome Paget é associado a um tipo (raro)
de câncer de mama, a um tipo de câncer ósseo e
existe, também, a doença de Paget extramamária.
Conclusão: a doença existe. O caso relatado é
de difícil confirmação. Em caso de dúvida
ou preocupação, converse com o seu médico.
Fonte: http://www.quatrocantos.com/lendas/ 179 doenca paget.htm
“Antes de
saber que estava com câncer, tinha perdido uns quilos e, quando
fui ao médico, ele recomendou que fizesse fisioterapia, para
não perder massa muscular e a força nos braços
e pernas. Quando foi em janeiro de 2003, o Pasqual morreu e, então,
o fisioterapeuta me confortou, dizendo que Deus o queria junto de
Si.
Fiz nova consulta no médico, que disse para continuar a fisioterapia,
e tratou dos outros problemas que eu tinha. Quando em outubro fiquei
sabendo que tinha câncer, marcado os exames e confirmada a data
da cirurgia, no dia anterior fui fazer a última fisioterapia.
Quando cheguei, o fisioterapeuta conversou longamente comigo. Falou-me
como Deus foi bondoso comigo, me preparando para a morte do Pasqual
e, após, me preparando para a cirurgia pois, apesar do diabetes
e da pressão alta, estava tudo controlado para poder fazer
a cirurgia imediatamente. Ele disse que Deus nos ampara, ama com amor
sem medida e que eu não sabia como era grande esse amor por
mim. Tenho sempre em mente as palavras que o Anderson me disse. Me
desejou boa sorte e disse para que eu confiasse em Deus e no que Ele
havia preparado para mim".
Parte
60
Dr. Neiva, quando da consulta anterior à cirurgia, me perguntou
se eu confiava nele e se iria fazer tudo o que ele mandasse para que
eu me recuperasse. Respondi que sim, que confiava inteiramente nele.
Então ele disse: ‘Você vai se cuidar e obedecer,
eu vou fazer a minha parte na cirurgia, e o Todo-Poderoso tomará
conta de nós. Se colocou com tanta confiança nas mãos
de Deus! Eu nunca tinha ouvido de um médico uma expressão
tão profunda. Assim, com esta certeza do amor e do poder de
Deus, tudo transcorreu bem. O médico ficou surpreso com a rápida
recuperação.
Quando comecei a fazer radio e quimio em Curitiba, começou
uma dor no braço direito. Passou-se duas semanas e o médico
radiologista ficou preocupado. Fiz um raio X e ficou constatada um
bursite. Todo dia tomava remédio contra dor, mas quando tinha
que fazer rádio, a dor era muito grande. Fui em um especialista
em ombro e ele receitou antiinflamatório e fisioterapia.
Quando voltei para S. Bento, depois de ficar dois meses em Curitiba,
comecei a fazer a fisioterapia. Passaram-se seis meses e a dor sempre
presente. O médico disse que iria passar em seis meses e de
fato diminuiu, mas o braço esquerdo, que eu usava mais, começou
a doer também.
Fiz ultra-sonografia e constatou-se capsulite adesiva, mais conhecida
por ombro congelado. Tenho feito fisioterapia três vezes por
semana e também acupuntura com a minha amiga Clara. Uma grande
ajuda para não cair em depressão. Na hora da acupuntura
conversamos muito e, entre os desabafos, ficava a alegria da convivência
com a amiga que mora no meu coração. Quando sentia muita
dor, ela aplicava as agulhas, conversava e a dor passava. Muito aprendi
com ela, que sempre admirava minha vontade de viver, e bem, com a
família, os amigos e a vida.
Hoje vejo com quanto amor e dedicação fui tratada, e
ainda sou, por todos. Quantas vezes na casa da Clara, ficamos conversando
sobre as coisas boas que me aconteceram, e sobre as coisas não
tão boas, e com alguns amigos que adoeceram e tiveram que passar
por momentos difíceis. Quando alguém doente me procura
para pedir um conselho, ou só para desabafar, sempre fico à
disposição, pois sei o quanto é importante ter
ouvidos para ouvir, ombro para chorara e palavras para nos animar,
consolar e seguir em frente, sempre com confiança em Deus.
Parte
61
Uma amiga, Maria Geni, veio me procurar por estar cuidando de uma
pessoa que estava começando um tratamento para fazer cirurgia
de um tumor no seio. Ela havia falado do meu tratamento para essa
pessoa, que já estava fazendo quimioterapia e reclamava do
desânimo e da fraqueza que tomava conta do corpo e da mente
dela: prostrava-se na cama e de lá só levantava quando
melhorava bem. Depois que fez a cirurgia (tiraram o tumor, não
o seio) ela estava com medo, então a Maria Geni disse-lhe que
a cirurgia dela era pequena e que em mim haviam feito uma cirurgia
radical, não restando nada do seio e nem dos músculos
peitorais.
Falei então para a Maria Geni fazer o exercício do espelho,
para ela se amar, se valorizar e, principalmente, agradecer a Deus
por estar bem e junto de sua família. Alguns dias depois ela
queria mais informações e queria saber como foi a minha
reação diante de tanta coisa negativa que havia acontecido.
Mandei para ela um álbum com muitas fotos, de quando eu estava
com o meu marido, Pasqual (sem saber o que me aguardava - a morte
dele e, em seguida, minha doença), outras fotos de quando voltei
da cirurgia (cicatriz), das consultas com o cirurgião - estava
igual às fotos de antes da cirurgia, pois nem o Dr. Neiva acreditou
que eu estivesse me recuperando tão bem! Ele disse: ‘Se
eu não tivesse feito a cirurgia, não iria acreditar
que era você’.
Parte
62
As fotos dos pontos turísticos de Curitiba - eu fazia radioterapia
de manhã e, na parte da tarde, apesar do mal estar e fraqueza,
a Denise me levava aos passeios. Às vezes não dava nem
para sair do ônibus, mas mesmo assim me distraía ao ver
tantas coisas bonitas. Quando andava nos lugares que tinha flores
e o verde era exuberante, sempre perguntava para a Denise se ela não
se envergonhava de ter a mãe careca, e ela ria e dizia: ‘Pode
ficar sem a toca, pois está quente e eu não me importo’.
Muitas vezes, nessa hora, eu agradecia a Deus pela vida que ele deixou
eu viver por mais tempo, enquanto apreciava a natureza e as pessoas
que passavam e olhavam com curiosidade minha careca. Sentia-me feliz
e vencedora de mais uma etapa da vida!
Nas fotos das marcas da cirurgia e do mapeamento para a radioterapia,
quando a mulher operada viu tudo e a Maria Geni falou para ela como
foi a minha reação perante a vida e a recuperação,
força de vontade para superar a doença e restabelecer
a saúde, ela pediu para ficar mais uns dias com as fotos, além
da cópia dos artigos que haviam sido publicados no Evolução.
Alguns dias depois ela mandou um recado: ‘Agradeço pelas
fotos, exercícios de recuperação e tudo o que
me disse para fortalecer a mente. O texto que li serviu para melhorar
minha vida e não precisei mais perguntar ao médico sobre
todas as dúvidas que tinha, pois ficou bem claro na minha cabeça
tudo o que tinha vontade de esclarecer’.
Parte
63
Todas as manhãs, quando me acordo, agradeço a Deus por
mais uma noite de descanso, apesar das dores nos ombros. À
noite lembro do Todo-Poderoso, que não nos abandona nunca e
dou graças a Ele pela minha vida e a vida de todos.
Um sábado, estava trabalhando, quando um amigo veio me procurar
com uma jovem chorando desesperadamente. Ela não tinha esperanças
de que sua mãe fosse vencer um câncer no seio. A jovem
contou que a mãe estava fazendo quimioterapia, estava careca
e todos desesperados com a situação de desânimo.
Meu amigo pediu para que eu contasse o que havia acontecido comigo,
e como eu havia vencido o medo, a doença e estava tão
animada e com tanta alegria de viver.
Quando acabei de contar, a jovem já estava sorrindo das passagens
engraçadas que haviam acontecido. Duas semanas depois, a mãe
da jovem me procurou. Disse que estava bem, reagiu com vontade de
vencer e viver melhor a vida que lhe era preciosa. Ela fez quimio,
radio e, agora, fez a cirurgia e está bem. Como é bom
quando podemos de, alguma maneira, ajudar os outros que não
estão acreditando muito em Deus, e estando fracos na fé,
vão desanimando.
Parte
64
“Tudo muda na vida da gente quando recebemos o diagnóstico
de câncer, mesmo que não seja na gente, mas com alguém
próximo. Foi o que aconteceu comigo. Quando minha mãe
voltou da consulta, naquele primeiro dia de setembro de 2003, falou
o que o médico disse e começou a chorar, o mundo parou.
Eu não sabia o que fazer. Deu um branco. Aí então,
propus para que pensássemos em uma coisa de cada fez: primeiro
os exames, depois a cirurgia, radio e quimio... Foi o que fizemos.
Mas, acredito, o mais importante, foi não esconder a doença.
Imaginem se minha mãe tivesse optado esconder o câncer...
Como poderia ela (e nós), ficar por mais de um ano escondida,
dentro de casa, para que ninguém a visse careca? Seria impossível...
Hoje penso em tudo que mudou, e me perguntou se ficou melhor ou pior...
Tem coisas que melhoraram, outras, infelizmente, pioraram. Mas minha
mãe está aí, curtindo a netinha e nos dando muita
alegria! Pela recuperação dela, acredito que tudo valeu
a pena! Deus, a família, o médico e os amigos tiveram
um papel importantíssimo nessa caminhada, e ainda têm.
Todos sabemos: a luta não terminou. É uma caminhada
árdua, de mais quase oito anos. Mas com força e fé,
tenho certeza que superaremos tudo!”
 |
Estou muito feliz!
Domingo, 12/06, foi o batizado da minha netinha! Entre amigos, as
vovós, tios e tias, foi uma celebração simples,
mas cheia de significado e fé. Foi realizado na Capela do Colégio
Divina São José, pelo Pe. Nivaldo, o mesmo que realizou
o casamento de minha filha. Por coincidência, ao completar um
ano de casamento, batizaram a filha. Foi muito bom!
Parte
65
 |
Certa vez, quando
consultava o médico, conversávamos e então eu
falei: ‘Que bom que o Pasqual faleceu, porque nem sei como ele
iria reagir com tudo o que aconteceu comigo. Talvez ia sofrer muito,
ficaria triste, iria querer fazer o melhor, o que eu mais gostasse
para aliviar meu sofrimento, meu desânimo’. Então,
brincando, eu disse: ‘Pois olha só: desbundei (emagreci
passei de
106 para 69 quilos), despeitei (retirei a mama esquerda) e carequei
(perdi os cabelos devido à quimiote-rapia). Ainda bem que não
perdi os dentes!’. O médico riu e me deu um recado muito
bom: ‘O Pasqual não iria deixar de te amar pela falta
dessas coisas, porque ele amava a tua pessoa, o teu interior, não
o teu corpo. O amor supra tudo o que vêm atrapalhar. Esses fatos
não iriam estragar o relacionamento de vocês. Veja só:
em 3.000 cirurgias como a sua que eu já fiz, somente 6 casais
se separaram após a cirurgia, alegando a falta da mama ser
o motivo; um casal se separou após a cirurgia, mas já
estavam com problemas de relacionamento antes. O índice é
muito baixo. Não se preocupe. Não é a falta da
mama que acaba um casamento.’
 |
Eu,
Pasqual e sua irmã, Palmira,
na última visita do Pasqual à Rodeio
|
Parte
66
Quando foi marcada a cirurgia, o médico me disse que, quando
eu estivesse me recuperando, não ouvisse certos comentários
e pedisse para as visitas se retirarem se estivessem falando coisas
negativas.
Numa tarde, vieram duas senhoras me fazer companhia e conversarmos.
Elas se admiraram em me ver bem e eu fiquei feliz por ver a alegria
delas mas, em seguida, falaram: ‘A fulana também estava
bem, mas um mês depois morreu.’. A enfermeira que me acompanhava
ouviu e falou para elas: ‘Está na hora de vocês
irem embora, porque a Iris precisa descansar’.
Outra vez passou uma “amiga” aqui na rua, em frente à
lanchonete e eu estava varrendo. Ela parou para perguntar como eu
estava e me admirei, porque fazia tempo que não falava com
ela. Ela me disse: ‘Nós (outras “amigas”)
só vemos você de longe, não chegamos perto para
não “pegar” a doença’.
Como o médico disse: muitos comentários não devemos
ouvir, pois são pessoas tão negativas e sem conhecimento,
que não sabem que o câncer não é contagioso,
que quando a gente visita alguém em recuperação,
devemos cuidar com o que falamos, que seja positivo e não desanimador.
Agora, dias atrás, encontrei a mãe de uma amiga na rua
e ela me olhou com surpresa e disse: ‘Não me conformo
que você está viva, pois todos acreditavam que você
morreria e não aconteceu, e vejo que você está
bem’.
Cuidado quando você se assusta, para não falar negativamente
ao paciente em recuperação. Eu me preparei bem para
escutar e ver a reação das pessoas, mas quando a gente
fica doente, existe a discriminação que nos entristece
e, muitas vezes, nos abala. Mas, graças ao bom Deus, consegui
superar esta fase e estou conseguindo ajudar muita gente que precisa
de boas palavras.
Parte
67
Dias atrás fui a um casamento. Estava conversando com o José
Maurício, meu sobrinho e afilhado, que me levou à Campo
Largo e Curitiba, diversas vezes, e com a Dra. Marta, amiga de muitos
anos, que mora em São Paulo. Dra. Marta me abraçou,
me beijou, segurou minhas mãos e disse: ‘Você é
uma vencedora. A maneira como lutou e venceu é, para nós
um exemplo e nos orgulharmos de você’.
O José Maurício fez o seguinte comentário: ‘A
família toda se surpreendeu com a tua reação
positiva diante de uma doença tão grave’. Palavras
como estas nos fazem acreditar ainda mais na bondade humana. São
essas pessoas às quais o Dr. Neiva se referia, antes da cirurgia:
ouça somente as pessoas que têm algo bom a te dizer.
Em minha família, a esposa de um sobrinho perdeu a mãe
no ano passado, também por causa do câncer. Aconteceu
de nos encontrarmos em uma festa. Cheguei para cumprientá-la
e ela já começou a chorar e se lamentar pela perda da
mãe. Saí da frente dela de imediato. Pouco antes a Denise
a tinha cumprimentado. Ela quis se lamuriar e a Denise disse: ‘Não
adianta ficar chorando e se lamentando. Meu pai morreu e eu tratei
de tocar a vida. É isso que a gente tem que fazer: viver’.
Parte
68
Quando paro para pensar em tudo o que aconteceu, só posso agradecer
por estar viva.
Hoje, revendo as fotos e relembrando essa caminhada, imagino o que
teria sido este último ano e meio sem minha mãe.
Certamente a presença física dela é muito importante
mas, como pessoa, como amiga, é muito mais, afinal foi ela
que nos ensinou o que sabemos, nos orienta ainda hoje e torce por
nós.
Então, me pergunto: o que eu deveria fazer para ela, além
de incentivar, apoiar e acompanhar sua caminhada e sua luta pela vida?
 |
Em
frente ao consultório |
Muitas vezes
eu tive vontade de chorar, mas sempre procurei, perto dela, estar
alegre e confiante. Muitas vezes tive vontade de desistir, porque
o caminho era muito difícil. Mas não fiz porque sabia
que minha mãe nunca desistiria de mim ou de meu irmão.
Agora, a cada resultado de exame que ela faz, fica a torcida para
que esteja normal. E a alegria que vem quando se vê o resultado
é muito grande! Claro que, há quatro meses atrás,
o exame estava um pouco alterado. Preocupação novamente...
Mas, assim que mostrou os exames para o Dr. Neiva, a tranqüilidade
retornou, porque ele disse que nem levaria essa alteração
em conta, uma vez que era mínima.
Assim vamos vivendo: cada dia de cada vez. Aprendemos que a vida só
fica complicada quando queremos nos preocupar com tudo de uma só
vez. Quando vamos resolvendo cada coisa a seu tempo, tudo fica fácil!
Parte
69
Quando fui ao Instituto Halsted na semana passada para consulta de
controle, encontrei pessoas de S.Bento que estavam fazendo tratamento.
Enquanto esperamos, conversamos com o homem que estava aguardando
a esposa, que tinha feito a primeira sessão de quimioterapia
e de radioterapia. Quando ela saiu, que surpresa! Era uma amiga, a
Helena, que se emocionou ao me ver. Estava acompanhada da filha, que
de imediato disse: ‘Eu quis levar a mãe até a
sua casa para conversar, pois leio todas as semanas o artigo no jornal,
mas não deu para levá-la, pois tínhamos de trazê-la
para Curitiba’. Deu para sentir a tristeza e o desânimo
da minha amiga diante do início do tratamento, que fará
no caminho da esperança de conseguir vencer a doença.
Anime-se, amiga, pois já venci esta etapa! É difícil,
mas vais vencer esta batalha! Creia no Deus único e poderoso
que tudo pode, e verás que a tua carga será carregada
por Ele e terás muitas alerias, quando repartes o peso da doença,
do desânimo e da dor com amigos e familiares. Posso ver nos
membros de tua família como estás sendo tratada com
muito amor e carinho, e este apoio é muito importante neste
momento do tratamento. Anime-se, pois tens a força e a fé
dentro de você! Deus vai reforçar a tua esperança
nesta caminhada de cura e prevenção!
Parte
70
Na caminhada que estava fazendo para a cura do câncer, estava
com pouco peso e fazia sessão de quimio a cada 21 dias, em
Curitiba. Demorava mais ou menos 90 minutos a aplicação
do medicamento. As enfermeiras, sempre muito simpáticas, delicadas
e prestativas, me atendiam, além da Dra. Cristiane, que parecia
uma mãe, de tão carinhosa.
Também encontrei duas crianças que estavam fazendo quimio.
Pequenas, não mostravam medo por ter de aplicar o soro e a
medicação. Uma delas já estava sem os cabelos
e a outra começava suas aplicações. Os pais estavam
junto com uma delas. Com a outra, a mãe e a avó acompanhavam.
Tinha também uma jovem de 16 anos, já sem os cabelos,
sozinha no quarto; então comentei com a Denise que eu e aquela
senhora idosa, com leucemia já há 15 anos, já
vivemos parte de nossa vida, mas essa jovem e as crianças,
que têm a vida toda pela frente, com tantos sonhos para serem
vividos...
Como é bom saber que a medicina está tão avançada
em relação ao tratamento do câncer, que pode curar
ou estacionar a doença por tempo indeterminado, deixando tempo
para os seus sonhos, com as suas famílias e amizades.
Deus certamente vai orientar nossos cientistas e pesquisadores para
o descobrimento da cura do câncer. Continuemos rezando por todos,
para encontrarem forças para lutar e vencer!
Parte
71
Quando a gente termina de fazer a quimio e a rádio não
pode pensar que terminou, pois não é verdade. Continuo
tomando um comprimido por dia. Além disso, a cada quatro meses,
realizo exames de sangue. Se em um desses exames aparecer alteração
do controle do câncer, o médico pede outros exames, para
verificar onde está a causa.
Um dos exames é a CINTILOGRAFIA, que é um método
de investigação clínica que consiste na injeção
endovenosa ou ingestão de uma substância radioativa com
afinidade eletiva para determinado órgão ou tecido,
permitindo o estudo da distribuição topográfica
do isótopo radioativo nesse órgão ou tecido por
meio de um detector especial chamado câmara de cintilação
ou gama-câmara. O método tornou possível o estudo
anatômico e funcional de vários órgãos
e tecidos, como a tiróide, rim, fígado, pulmões
e cérebro, bem como o trânsito no trato digestivo, especialmente
no esôfago e estômago. Ou seja, a gente ingere ou recebe
um líquido na veia que se ‘gruda’ nos locais onde
existam metástases ou tumores.
Existem outros exames, como a tomografia e o conhecido raio-X. Cabe
ao médico decidir qual, ou quais, irá pedir. Mas em
qualquer um deles, o importante é que seja feito por profissionais
e o laudo feito por médico especialista em cada exame, caso
contrário as dúvidas somente aumentarão.
Parte
72
Como é bom ter muitos
amigos!
No “Grupo de Casais em Cristo”, onde estou há cinco
anos, existe muita solidariedade, amizade, união, fé,
amor ao próximo e tudo mais de bom que se possa imaginar e
viver em um grupo. Quando o Pasqual faleceu, eles estiveram muito
presentes em minha vida, no dia-a-dia. Em uma das visitas que me fizeram,
me convidaram para continuar no grupo, apesar de estar, agora, sem
o Pasqual. Aceitei e continuei a participar com alegria, e pude sentir
o quanto eles me incentivam, respeitam e confiam no meu trabalho,
sempre pedindo para que eu faça alguma tarefa. Vou aos encontros
mensais, às novenas semanais quando posso, e me sinto dentro
de uma grande família. Quando pedem uma palestra ou um trabalho
em grupo, procuro fazer ou convidar alguém para fazer.
 |
Em um dos acampamentos
feitos com os filhos dos integrantes do Movimento
de Casais, no bairro Fundão, fui somente no almoço,
porque estava fazendo quimioterapia e não me sentia muito bem.
Muito solidária, Mariane estava usando um chapeuzinho também.
Na foto, estamos nós três: eu, Mariane e Cristiano, seu
marido.
Este grupo esteve sempre presente na comunidade e na minha vida. É
uma
alegria só! E não deixaram de rezar e pedir a Deus pela
minha saúde.. Como é bom viver assim, sendo amada, valorizada
e incentivada a continuar a vida, acreditando que amanhã será
sempre melhor!
Parte
73
Como descrevi no parte 71, acabada a quimioterapia eu tenho que, de
tempos em tempos, realizar um exame de sangue e, a partir dele, os
médicos optam por pedir ou não exames complementares.
Falei da Cintilografia e, hoje, vou dar uma breve explicação
da TOMOGRAFIA COMPUTADORIZA.
Em uma tomografia
computa-dorizada, os fótons são coletados por um cristal
cintilador ou uma fotomultiplicadora, que convertem a energia incidente
em corrente elétrica, proporcional à energia dos fótons
de raio-X incidentes. Nela, uma fatia do paciente, por exemplo de
10 mm de espessura, é imageada, eliminando a super-posição
de estruturas adjacentes que ocorrem em radiografia convencional.
Parte
74
Temos muitos amigos que se respeitam, alimentam a amizade, o amor,
a união, o diálogo e tantas vezes nossas vidas se cruzam
e somos felizes, porque nos sentimos valorizados como irmãos
e confiamos uns nos outros.
Quando a Denise freqüentou a catequese, era obrigatório
freqüentar os círculos da Escola de Pais. Então,
eu e o Pasqual, participamos por alguns anos, vindo a nos afastar
por motivos particulares. Quando me convidaram para retornar à
Escola de Pais eu já estava viúva, mas tem trabalho
que pode ser feito, e é com alegria que participo do grupo,
que é uma grande família.
Quando fiz a cirurgia, vi o quanto valem as amizades: eles me incentivam
a lutar contra o ‘bichinho’ do câncer. ‘Ele
é pequeno e você é grande.’ ‘Já
venceu uma vez, vai vencer de novo’. Deram exemplos na família
de alguém que teve que tirar o seio e, quatro anos mais tarde,
apareceu nos ossos e agora está fazendo novamente a químio
e está bem.
Com amigos que pesquisam, trazem remédios caseiros, incentivam
na luta contra o câncer, me sinto feliz e amparada, e vejo que,
graças a esse grupo e a Deus, eu e o Pasqual demos uma boa
educação a nossos filhos.
Assim como com a mulher que citei no exemplo, meu câncer voltou,
e também nos ossos. Já comecei novo cilo de químio
e estou muito feliz com o que os médicos disseram.
Parte
75
Quando fiquei doente no hospital e durante o tratamento, sempre vinha
um casal na lanchonete e perguntava pela minha saúde. Quando
melhorei e já estava trabalhando, o casal continuou a freqüentar
a lanchonete. Quando os atendi, a senhora me perguntou “como
a senhora está de saúde?” e lhes contei o que
tinha acontecido, e eles me disseram: “Todos os dias rezamos
pela sua recuperação e pedimos a Deus que lhe devolva
a saúde tão necessária.
Passou-se o tempo, fechamos a lanchonete para reformar, retomamos
o trabalho e o casal de amigos voltou a freqüentar nossa casa
com carinho, amor e simpatia de pais que ficam a cuidar de sus filhos.
Preocupados com a minha saúde, continuam rezando pela minha
recuperação.
Obrigada sr. Osvaldo e sra. Maria de Lourdes por ter uma fé
tão grande que emociona e move montanhas. É muito gratificante
ver a sua constante presença na oração por mim.
Que Deus os abençoe com vida longa e saudável!
Parte
76
Em dezembro fiz os exames de rotina e me queixei para o médico
de uma grande fraqueza e mal estar. Quando ia dormir, parecia que
uma força sugava minha energia, sentia um suor frio e estava
sem apetite. Em março fiz novos exames e levei para o médico:
estava tudo em ordem, mas a fraqueza continuou. O médico deu
uma pausa maior e os exames ficaram para julho.
Dr. Arno, médico do Instituo Halsted, pediu um exame extra,
uma ultrasonografia, que fiz aqui em S.Bento. Quando vieram os resultados,
vi que um exame não estava legal, estava bem alterado. Em Curitiba,
quando o Dr. Arno analisou os resultados, mandou fazer mais três
exames: raio-X de pulmão, tomografia e cintilografia. Fui a
Joinville fazer os exames em uma sexta-feira e em uma segunda-feira.
Na quinta-feira já estava com os resultados: no pulmão
não apareceu nenhum problema; na tomografia também não,
mas a cintilografia mostrava metástase em vários lugares.
O médico recebeu o resultado por fax e, após, marcou
cosulta com urgência.
Parte
77
Em Curitiba a Dra. Cristiane me recebeu como sempre: alegre e muito
comunicativa, com carinho. Então me perguntou: ‘Sentiu
saudades nossas e voltou?’ Pediu o cartão do Instituto,
que eu queria ter guardado apenas por lembrança, não
para usar de novo, marcando novas sessões. Me disse que o tratamento
vai ser longo, em torno de 8 a 12 meses, mas se conseguir estacionar
a doença, venceremos mais uma etapa. Fiz a aplicação
que durou 3 horas. As anteriores eram de uma hora e meia. Durante
os dias que se seguiram, foi a rotina de sempre: pele seca, boca,
nariz e garganta com afta, o corpo todo dolorido como os sintomas
de uma gripe, vômitos e diarréia. Antes isso durava dois
dias. Dessa vez foram cinco dias sem apetite, com desânimo,
lembrando que o cabelo vai cair, que as veias vão doer e mais
febre, que não tinha das outras vezes.
A primeira semana passou. Na segunda estava me sentindo bem. Na terceira,
já voltei para Curitiba, para a segunda sessão de quimio.
Marquei consulta com o Dr. Neiva. Por telefone ele havia dito para
a Denise que eu não precisava consultar com ele antes da terceira
sessão. Fui ao encontro do Dr. Neiva em Campo Alegre. Como
sempre, me recebeu muito bem. Mostrei as fotos da Maria Eduarda (minha
neta), conversamos bastante, me explicou que o câncer nos ossos
é mais fácil de tratar do que o outro que eu tinha na
mama. Me animou dizendo que podemos tratar do problema como se fosse
uma diabetes, através de medicação (quimio) e
alimentação, e pode ficar controlado a vida inteira.
Meu afilhado foi me levar até o hospital e estava muito preocupado.
Como entrou comigo no consultório e ouviu tudo o que o médico
disse, ficou mais tranquilo.
Parte
78
Chegou o dia de ir de volta a Curitiba fazer a quimio. Vinte e um
dias se passam muito rápido e lá estava eu e o Maurício
na consulta com a Dra. Cristiane. Nestes 21 dias emagreci 3,5kg, o
que ela achou muito e que o próximo mês não devo
perder nada. Os sintomas e a demora foram os mesmos, com a diferença
que não tive diarréia nem vômitos, só febre
e mal-estar. Voltei a tomar os sucos, porque não tinha apetite,
mas só por dois dias, então voltei a comer normalmente.
A Dra. Cristiane perguntou por que não perdi meus cabelos.
Eu ri e disse: “Falei pra eles ficarem e eles obedeceram”
(risos). A médica, assim como o Dra. Neiva comentou que eu
não devo desanimar, perder meu bom humor. Não devo deixar
de escrever, de passar a experiência boa para os outros, pois
tudo vai me ajudar, a ter mais fé, enfrentar com amor os desafios
que a vida está me propondo.
 |
O Maurício,
meu sobrinho, conversou muito comigo e disse: “Agora eu sei
por que você volta sempre tão animada após as
consultas! Porque os médicos te dão tantas palavras
de incentivo e mostram que tem casos mais difíceis que o teu”.
Aí está o lugar onde meu espírito consegue captar
as coisas boas. Nos amigos, nos profissionais, nas enfermeiras (todas
vieram me visitar no quarto!), na família, nesses filhos maravilhosos
que tenho. O Dr. Paulo, que me acompanha devido à artrite,
me disse um dia: “Como teus filhos te amam e se preocupam com
você, graças à educação que você
e teu marido proporcionaram. Estás tendo a tua recompensa!”.
Os cabelos começaram a cair e é muito incômodo:
o travesseiro, as roupas cheias de cabelo... Quando bate o vento a
gente vê os cabelos voarem... Da outra vez que cortei os cabelos
choramos, porque é muito ruim saber como nos tratam com desprezo,
como se fôssemos passar a doença para os outros através
do ar... Também, perder a moldura do rosto traz um sentimento
de desapego... As sobrancelhas também caíram... Os cílios
desapareceram, ficando o rosto sem um pelo sequer, durante todo o
tempo do tratamento...
Dra. Cristiane disse que farei 12 aplicações: uma a
cada 21 dias. Isso passa rápido e, assim, posso fazer a corrida
com a Maria Eduarda que também está ganhando cabelos
e está a cada dia mais linda!
Parte
79
Muitas vezes na lanchonete, enquanto trabalho, as pessoas vêm
conversar e perguntam se é verdade que eu tenho câncer,
se faço quimio, etc. Eu me surpreendo com algumas:
- “Verdade que a senhora tem essa doença terrível
e que dói muito fazer quimio? Minha irmã teve câncer
com 35 anos e em três meses morreu!”
- “Quase não te reconheci de tão magra que você
está!”
- “Por que você está usando touca? Você está
com frio?”
- “É verdade que o câncer voltou e você está
mal?”
Se eu estivesse mal eu não estaria trabalhando! Pessoa que
nos falam assim perdem uma boa oportunidade para ficarem caladas e
não irritarem. PELO AMOR DE DEUS! Quando quiserem saber alguma
coisa sobre a doença, peçam informações!
Não usem meu ouvido como pinico e não me tragam desânimo
e preocupações desnecessárias. Saiba ser mais
afetuoso, gentil, antes de ser tratado como você mereceria:
com desprezo.
Mas como sempre, desejo tudo de bom para todos. Peço a Deus
que dê entendimento e saúde, que você que me tratou
assim, não precise nunca enfrentar uma doença, porque
vais sofrer muito por ser tão pessimista. E mais uma vez vou
dizer: O CÂNCER NÃO È CONTAGIOSO!
Quanto a usar touca, eu a uso para proteger minha careca do sol e
do frio, e para não escandalizar essas pessoas tão ignorantes.
Por mim e por meus filhos, ando sem a touca.
Deus sempre nos proporciona coisas boas, novas, maravilhosas, que
logo me fazem esquecer as coisas menos agradáveis. Tenho amigos
que me visitam e telefonam, trazem orações, medalhas,
remédios caseiros, que me estimulam a viver bem, me sentir
importante, e que o meu trabalho é importante para a comunidade.
Só tenho a agradecer a estas pessoas maravilhosas e que trazem
os recados de Deus para mim, e levam os pedidos de recuperação
da saúde para Deus!
Parte
80
Caí em um supermercado (estavam lavando o chão com sabão
e a área não estava sinalizada). Machuquei o joelho,
nada mais grave, mas tive que fazer fisioterapia. Como estava com
pouco peso, o médico receitou mais fisioterapia para fortalecer
os braços e as pernas. Quando terminei a fioso, no dia seguinte
fui para Campo Largo - PR, onde fui submetida a uma mastectomia radical
(retirada total da mama). Dr. Neiva recomendou que, assim que eu voltasse
da anestesia, começasse a fazer fisioterapia. Quando acordei,
a Denise estava do meu lado e imediatamente iniciou os movimentos.
Quando me recuperei da cirurgia, continuei fazendo fisio na clínica.
O ombro direito começou a doer e fiz um Raio-X. O médico
constatou que era bursite. Novamente fazer fisio. Como estava demorando
a melhorar e o braço ficando cada vez mais atrofiado, voltei
para Curitiba e o Dr. Lúcio, especialista em ombro, marcou
uma sessão de fisio em Curitiba. Fiquei dois dias sem dor.
Comecei a fazer acupuntura uma vez por semana e fisio 3 vezes por
semana. Não conseguia dormir deitada, pois os dois ombros doíam.
Dormia sentada na cama ou no sofá. O braço esquerdo
estava muito inchado e precisei fazer drenagem linfática. Aliviou,
mas não resolveu. Fui ao Dr. Paulo e ele receitou 3 tipos de
remédios contra dor. Sempre fazendo fisio, às vezes
mais, às vezes menos, sempre com muita dor. Após duas
semanas usando a medicação, comecei a sentir menos dores.
Os exercícios foram mudados, pois estava com os dois braços
atrofiados, sem poder comer, cozinhar, me vestir, tomar banho, nada
sozinha, nem mesmo o sinal da cruz! Este foi um período muito
difícil, mas felizmente está passando. Como sempre,
minha netinha me dá muita vontade de viver e vencer essa batalha!
Cada dia mais linda e esperta, está com os cabelos crescendo,
como a vovó!
Parte
81
Certo dia, encontrei uma amiga na clínica, que me animou bastante,
contando que ela teve quatro enfartos e sentia muita dor. Numa das
vezes fizeram massagem cardíaca nela e quebraram algumas costelas.
Ela me disse: “Agora sei que de dor a gente não morre.
Rezava muito para passar a dor e, um dia, cessou. Foi uma surpresa
não ter mais a dor. Já estava acostumada com ela”.
Obrigada, Odete, por suas palavras de conforto e confiança
em Deus, que me deram novo ânimo para enfrentar o tratamento
e a dor. Sempre durante as sessões, converso muito com o fisioterapeuta
e íamos descobrindo quantas pessoas estão doentes, com
Câncer. Até mesmo o Dr. Neiva comentou, em uma das minhas
consultas, que em nossa região há muitos casos.
 |
Recentemente
fiquei sabendo de uma conhecida que sempre dizia que nunca ficaria
doente, por isso não precisava fazer os preventivos de mama
e ginecológico. Quando resolveu fazer, o Papanicolau deu positivo,
mesmo assim ela continuava dizendo que não tinha nada. Semana
passada foi operada em Curitiba e, pelo que me contaram, parece que
o médico já não podia fazer muita coisa. Estou
rezando por ela, por mim e por todos que estão doente.
Deus há de dar forças para superarmos nossos desafios!
Parte
82
Sempre nas sessões, converso muito com a fisioterapeuta e vamos
descobrindo quantas pessoas estão doentes, com câncer.
Até o Dr. Neiva comentou, em uma de minhas consultas, que em
nossa região há muitos casos.
Hoje, quando vou à fisio, todos os dias encontro pessoas que
dizem: ‘Hoje completo 30, 40 sessões e não preciso
voltar. Quantas sessões você está fazendo?’.
Não sei quantas já fiz, mas estou melhorando e isso
é o mais importante. Bursite, ombro congelado e, no último
exame (cintilografia), câncer no ombro. Com a aplicação
da quimioterapia a dor deceu. Tomo medicação só
quando tenho muita dor. Hoje já posso me cobrir sozinha na
cama, quando acordo ou levanto à noite, pois antes não
conseguia sequer puxar a coberta.
O Fabrício, meu filho, me ajuda em tudo o que preciso: trocar
de roupa, deitar, me ‘empacota’ com as cobertas nestas
noites frias. Então agradeci a ele pela paciência em
cuidar de mim e ele me disse: ‘Você cuidou de mim 27 anos,
me dando a mão toda a noite para eu dormir. Por que não
posso ajudar um pouco você também? É só
lembrar o que você fez por mim durante tanto tempo’. Obrigada!
Que Deus te abençõe!
Parte
83
Quando fui fazer a terceira sessão de químio, encontrei
uma menina muito linda, chamada Kemili, de dois anos, com leucemia.
Carequinha, muito risonha e que estava bem disposta. E passa rápido
um pensamento: se o câncer desenvolve através da falta
de perdão, mágoa, trauma emocional, como pode uma criança
com dois anos estar com a doença em seu corpo? Como entender?
É muito difícil aceitar essa doença. Neste mesmo
dia levei os resultados dos exames de uma amiga muito querida para
a Dra. Cristiane ver. Como minha amiga estava acamada e com muita
dor, a Dra. sugeriu que fosse internada e fizesse radioterapia. Trouxe
a notícia para ela e a família. Na semana seguinte já
estava no hospital. Ficou internada durante semanas, fazendo a radioterapia
e tomando vitaminas. As dores passaram e pôde se locomover um
pouquinho. A família da D. Matilde, conseguiu agendar consulta
em Curitiba para o mesmo dia que a minha consulta. Lá fomos
nós, no carro da filha dela, a Mara, meu sobrinho Maurício
dirigindo, eu e D. Matilde. Fizemos uma boa viagem. As enfermeiras
levaram D. Matilde na cadeira de rodas e a deitaram na cama à
espera da consulta. Mais tarde, ela veio ao meu quarto, enquanto eu
estava recebendo a químio. Quando voltamos para casa, na despedida,
dei um abraço na D. Matilde e ela me disse: ‘Como Deus
foi misericordioso conosco. Fizemos uma boa viagem!’ Na semana
seguinte ela foi internada no hospital em Campo Alegre, onde seu estado
veio a agravar-se, falecendo a meia-noite do dia 15 de outubro. No
seu sepultamento, muitos familiares e amigos foram levar à
D. Matilde o seu até breve. O pouco tempo que nos conhecemos
e participamos do Grupo de Reflexão ‘Caminhando com Maria’,
foi uma alegria, sempre regada com muita amizade, oração
e graças que recebemos de Nossa Senhora e de Jesus. Sua vida
conosco nos proporcionou muitas bênçãos, exemplos
de vida, exemplos de mãe, de amiga e, também, de doação
aos menos favorecidos. Obrigada D. Matilde! Que do lugar que a senhora
estiver, fique intercedendo por nós!
Parte
84
Como é bom ter amigos! Um veio me visitar depois de dois anos
e oito meses da morte do Pasqual. Disse não ter vindo antes
porque sente muito a falta do amigo. Depois, soube que fiquei doente
e veio ao meu encontro, trazendo solidariedade à nossa amizade.
Conversamos muito e, ao final, ele disse: “Alguns tipos de câncer
são contagiosos”. Que pena! Você está mal
informado! Nenhum câncer é contagioso! O câncer
é uma doença que PODE ser hereditária, mas não
contagiosa!
Outros amigos telefonam todas as semanas para saber como estou passando,
indicar ou trazer remédios caseiros, outros ainda vem pessoalmente
trazer verduras que não têm agrotóxico e falam
que me admiram pela força e perseverança em estar fazendo
o tratamento e a cabeça estar bem. Estou trabalhando e com
vontade de fazer muito mais na vida! Isso me deixa animada para enfrentar
essa fase difícil, onde sinto dores pelo corpo, a língua
e a garganta ficam cheias de aftas, parece que tenho febre, tudo queima
por dentro, as veias doem, sinto fraqueza que quase não consigo
andar, tenho diarréia... Mas isso tudo é motivo para
lutar, pois quero vencer a doença e só fazendo o tratamento
tenho chance.
Agradeço ao meu amigo que trouxe cópias de um livro
sobre alimentação e tratamento, dados sobre o câncer
que já foram descobertos 100 tipos diferentes, 60 tipos de
cura e 40 estão estudando. Assim vejo como a amizade é
importante, pois a corrente de conhecimentos, troca de chás,
receitas e orações me fazem sentir amada pelos amigos
e recebo todos os recado que Deus me envia através deles, os
AMIGOS!
Parte
85
Fomos visitar uma família amiga. Coinversamos muito, falamos
sobre diversos assuntos. Mostrei minha cabeça sem touca. Quando
viemos para casa o Fabrício perguntou: ‘O que será
que eles pensam ao se despedir de você?’. Opções:
- Iris está bem disposta, passeando. Ela está bem.
- Será que ela vai morrer logo?
- Hoje foi uma despedida. Não vou mais vê-la...
- Como ela está bem. Nem parece doente!
- Vai vencer, com certeza!
É interessante imaginar o que os outros pensam a meu respeito,
mas também percebi que, ultimamente tenho recebido muitas visitas,
telefonemas, perguntando como estou e como é bom ouvir vozes
amigas que nos trazem mensagens de otimismo, de fé, de amor,
de esperança. Sempre digo que não estou doente, estou
fazendo um tratamento para melhorar minha saúde, que está
debilitada.
Na última vez que consultei com a Dra. Cristiane, perguntei-lhe:
‘Quanto tempo de vida eu tenho? De que adianta fazer tratamento
se, no fim, o resultado é o mesmo?:’ Dra. Cristiane me
olhou e disse: ‘Não esperava essa pergunta vinda de você.
Com o tratamento, o câncer está estacionado, as dores
estão passando e, assim, você tem qualidade de vida.
Me admirei que você sempre está bem disposta, alegre,
otimista, conta piadas divertidas, conta da Maria Eduarda que já
tem mais cabelos que você’.
Com palavras assim voltei para casa, para junto dos meus familiares,
que sempre me apoiam e me amam.
Parte
86
Uma amiga nos procurou, a Inês, para saber como foi a cirurgia
e com quem eu a havia feito. A Denise conversou com ela. Explicou
tudo, disse para ela dar uma lida na matéria no saite do Evolução.
Então a Inês nos disse que iria levar sua mãe,
D. Mônica, para consultar com o Dr. Neiva. D. Mônica fez
o Papanicolau e deu negativo. Passados dois meses, ela começou
a sentir dores e, nos exames, apareceu um tumor no útero. Fez
a cirurgia, está bem, e começou a fazer a radioterapia
e a quimioterapia em Curitiba.
Conversando com a Inês, indiquei a casa da Vera para ela alugar
uma kitinete e fazer o tratamento, pois D. Mônica não
tem ninguém para ficar de acompanhante e com a Vera é
como uma família: são gentis, agradáveis, cuidadosos
com quem está com a saúde debilitada. D. Mônica:
que tudo dê certo na sua estada em Curitiba. Muita fé
em Deus, que Ele vai lhe dar as forças necessárias para
vencer mais esta etapa do tratamento. Lute para ter a vida, e com
qualidade, pois o que você precisa passar não dá
para transferir para outra pessoa. É uma provação
que Deus te faz passar para testar tua fé Nele.
Ganhei uma oração que faço todo fim de dia:
“Ó Maria, minha querida e boa mãe, colocai sobre
mim a Vossa santa mão, guardai a minha inteligência,
o meu coração e os meus sentidos, para que eu não
me manche com o pecado. Santificai os meus pensamentos, afetos, palavras
e ações, para que possa agradar-vos, a Vós e
a Jesus, vosso filho e meu Deus, e por vós alcançar
o paraíso. Jesus e Maria”, dai-me a Vossa santa bênção.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito anto. Amém.
Parte
86
Mais uma viagem para Curitiba. Desta vez o Maurício não
pôde me levar, porque tinha compromisso.
O Fabrício foi como motorista e companhia. Cheguei às
15:00 e saí às 18:50. Em 21 dias emagreci 2 kg mas,
na consulta, a Dra. Cristiane me animou muito, pois os exames estão
ótimos, não tenho anemia, a coagulação
está ótima, o fígado está bom e o câncer
regrediu. Ela disse ‘em time que está ganhando não
se mexe’. Estou na sexta sessão de quimio. Não
estou tendo tantos efeitos negativos, me sinto bem.
Voltei muito feliz, vocês nem podem imaginar o quanto, pois
com boas notícias, só tenho que agradecer a Deus por
novas oportunidades que está me proporcionando. Agradecer aos
amigos e a minha família o incentivo para continuar o tratamento
e os remédios caseiros, chás e sucos que tomo todos
os dias.
O Maurício esteve me visitando. Como é bom sentir a
alegria quando falei do resultado da consulta. Aquele sorriso contagiante
de estar feliz mesmo com o resultado.
No grupo de reflexão todos agradecemos a Deus pela bênção
da minha melhora. Agradecer o milagre da vida que recebemos gratuitamente
de Deus.
Todos contaram que rezam diariamente citando meu nome nas orações.
Muito obrigada! Que Nossa Senhora derrame suas bênçãos
e proteja a todos!
Parte
87
Hoje fiquei pensando em tudo o que aconteceu com minha mãe...
Lembrei do dia que contei a um amigo nosso que o câncer havia
voltado, agora nos ossos, e que a mãe iniciaria novamente a
quimio... Ele disse, indignado: “Me dá raiva saber que
tem tanta gente que não vale nada e tá aí, bem,
e a ‘tia’ Iris, que sempre ajudou todo mundo, tem que
sofrer tanto”. Não pensem vocês que eu nunca me
revoltei com essa situação.
 |
Certamente que
a primeira coisa em que se pensa é: por que ela? Por que não
fulano ou ciclano... afinal, eles são pessoas que não
ajudam, às vezes até atrapalham... Mas, logo em seguida,
penso: quem sou eu pra julgar? Sabe lá se até não
sou pior do que aqueles a quem me refiro? Sempre que acontece um caso
de doença na família, a gente se revolta. É natural
do ser humano. Mas isso não ajuda em nada. O melhor a fazer
é fortalecer nosso coração com a oração
e pedir a Deus que cure a pessoa adoentada. E, o mais importante,
quando a cura acontece, agradecer a Deus pelo que Ele realizou. Se
você conhece alguém que tem câncer, não
se afaste. Câncer não é contagioso! Vá
visitar a pessoa e lhe fale coisas boas, lhe incentive a continuar
lutando! O pior da luta não é a doença, é
a ausência de amigos e da família...
Parte
88
A Esperança
Que seria de nós se não existisse a esperança?
Essa doce amiga tem o dom de nos fazer sonhar e acreditar que podemos
sempre melhorar o nosso dia e a nossa vida.
A Esperança é como aquela companheira que está
sempre ao nosso lado nos momentos mais difíceis e humildemente
se ausenta na hora da festa, nos deixando saborear o gostinho de vencer.
A Esperança não cobra ajuda, apenas nos estimula a seguir
na luta.
A Esperança não julga, compreende nosso momento.
A Esperança não desiste, insiste em nos fazer feliz.
A Esperança é suave, tem um toque de mãe.
A Esperança é sopro divino, e tem energias renovadoras.
A Esperança é um porto seguro onde podemos ancorar nossos
sonhos.
A Esperança é a mão que nos sustenta nas provas
mais difíceis.
A Esperança é a única que quando todos se vão,
está ali ao nosso lado.
A Esperança sabe das nossas dificuldades, mas conhece nossa
capacidade de mudar.
A Esperança sempre acredita em nós.
A Esperança não morre nunca porque somos eternos, Somos
Filhos de Deus, e DEUS habita em nós.
A Esperança existe para lembrar-nos que após cada tempestade
há um novo dia que se aproxima trazendo o brilho do sol, a
calma dos ventos que se transformam em brisa para acariciar nosso
rosto como toque de Deus.
A esperança é a forma divina de Deus se fazer presente
em nossas vidas.
A Esperança é a fé que nos move para a vida eterna.
A Esperança é seu sonho mais íntimo que a partir
de agora passa a ser chamado de realidade.
Parte
88
Muitas pessoas me procuram para conversar. Veio uma senhora que é
minha conhecida há muitos anos e me animou muito. Disse que
eu não devo me preocupar, pois ela havia passado pela mesma
situação de cirurgia e tratamento há 20 anos
e está bem.
Depois da quimio, não tive mais os sintomas que tinha anteriormente
quando recebia a medicação. Passei bem tranqüila
e muito feliz, pois recebi várias visitas das comunidades.
Estou com saudades do pessoal dos Grupos Bíblicos de Refleão.
Vieram me visitar pessoas dos bairros: Bela Aliança, Centenário,
Rio Vermelho Estação, Jardim São Paulo, Serra
Alta e Centro. Quantas pessoas que me procuraram para contar os seus
problemas de saúde, mas também trazem as soluções
que resolvem suas vidas para melhor.
Enquanto vivemos a experiência de fragilidade na saúde,
podemos perceber a mão de Deus nos acariciando e sustentando
para que o desânimo e a depressão não tomem conta
de nossa vida. Ele nos enche de graças e bens! Podemos sentir
como Ele nos ama e não nos abandona!
Parte
89
Grupos encerrando atividades, amigos secretos sendo revelados, convites
renovados para trabalhar nas pastorais em 2006. Quantas coisas boas
e bonitas acontecendo! Se fizer uma avaliação deste
ano, eu digo que foi muito bom, maravilhoso, cheio de encantos e alegrias!
E muitos perguntariam: ‘você tratando tua saúde,
fazendo quimioterapia e achou que foi tudo maravilhoso?’. Bem,
pois as coisas positivas me surpreenderam: com a chegada da Maria
Eduarda em abril foi só festa. Como diz a Dra. Cristiane, veio
em boa hora esse anjo para me animar, pois todo dia tem novidades:
um dia comeu algo diferente, outro perdeu os cabelos, ficou careca
como eu. Para quem vai crescer os cabelos mais rápido? Vai
se desenvolvendo e fico na expectativa da próxima etapa do
crescimento. Cada dia uma alegria na vida e isso vai me animando,
sentindo cada vez mais vontade de viver, e com alegria, pois a presença
deste anjo na minha vida faz com que eu viva muito mais feliz e agradecida
a Deus pelo presente que Ele me deu. Agora balbucia, grita, começa
a gatinhar, ganhou dois dentinhos. Isso enleva meu espírito
com amor e fé em prece de agradecimento ao bom Deus que me
proporciona tanta alegria e bem estar. E nesse clima de amizade, e
com a presença deste anjo chamado Maria Eduarda, peço
para todos os familiares e amigos as bênçãos de
Deus, em um Natal rico em saúde e que 2006 seja cheio de realizações
e alegrias!
Parte
90
 |
Quando fui para
a consulta com a Dra. Cristiane, levei os resultados dos exames. Estava
tudo bem: rim, fígado, anemia, etc., então dispensou
os exames para a próxima consulta. Só que havia aparecido
umas bolhas na cintura, com o exame descobriu que era varicela. Me
receitou um remédio - 42 comprimidos custavam R$ 320,00, para
tomar em uma semana de tratamento. Como estava muito caro, pedi ajuda
para a Prefeitura e para a Rede Feminina de Combate ao Câncer.
Quero deixar meu agradecimento a todos que ajudaram. Neste ciclo de
quimioterapia não tive nenhum efeito desagradável por
causa da medicação. Quando o Fabrício lembrou:
‘Amanhã temos que ir à Curitiba’, eu lhe
disse: ‘Nem me lembre que já chegou a hora de voltar
e fazer a quimio novamente’. Então, pensei um pouco e
disse: ‘Que bom que eu vou a cada 21 dias para Curitiba. Aproveito
para por os assuntos em dia, receber o incentivo da Dra. Cristiane,
contar como está e mostrar as fotos da Maria Eduarda (ao lado),
conversar com as enfermeiras, encontrar alguns pacientes que a gente
já conhece. Cada um conta como está passando e os efeitos
que sente durante o tratamento’. Por
falar em Maria Eduarda, ela está cada dia mais linda! Agora
está fazendo natação, e adora ir para suas aulas!
Parte
91
Muita gente acha estranho eu ficar feliz em fazer quimioterapia, mas
é para pensar: e quem tem problema de rim e precisa fazer hemodiálise
dia sim, dia não, é muito mais sofrido, não acha?
Fiquei muito feliz com uma visita que recebi dias atrás. Meu
amigo, Zé Moreira, que há muito não via, que
passou por uma experiência difícil: ficou três
meses no hospital, após descobrir que estava com leucemia.
Fez o tratamento em Joinville. Que bom que você venceu, Zé!
Agora é só fazer o tratamento e o controle!
 |
Dra.
Cristiane e Iris Maria Rosá |
Sempre que vou
a Curitiba, só fico no Intituto para receber a medicação
e, em seguida, volto pra casa. No fim de dezembro, pedi para ir pela
manhã e encher os olhos, vendo as vitrines com coisas bonitas,
novas, coloridas, modernas... Sair da mesmice. Foi muito agradável
o passeio! Valeu passar uma manhã diferente. Então,
uma semana após a aplicação, comecei a sentir
os efeitos da quimio: aftas na boca e no nariz, diarréia, olhos
inflamados, dores pelo corpo (como se fosse uma gripe forte), falta
de apetite e muita fraqueza.
Mas só faltam três aplicações! Está
passando rápido! Nesta última vez, dia 18/01, o José
Maurício foi me levar. Aproveitamos para por em dia nossos
assuntos: educação e formação dos filhos.
Parte
92
Muitas pessoas passam pela minha vida e Deus aproveita a oportunidade
para me mandar as mensagens maravilhosas.
D. Lisete é uma pessoa maravilhosa, que lutou e muito contra
o câncer, e é uma vencedora que, com muita fé,
oração e confiança, recebeu a cura. Hoje ela
passa uma mensagem muito positiva. Ela tem o dom da Palavra e usa
para ser a mensageira do Divino, animando, mostrando que, tendo fé,
conseguimos os milagres do dia-a-dia, tão pouco notados, pois
todos têm pressa e não percebem as pequenas e preciosas
mensgens e milagres da vida.
Quando a D. Lisete disse ‘Confie em Deus. Eu tive de fazer muitas
cirurgias, depois de três anos voltou, fiz o tratamento e Deus
usou de misericórdia para me livrar da doença e reestabelecer
minha saúde. Confie no Deus maravilhoso que nos dá a
vida, basta ter fé, confiar e se entregar nas mãos Dele,
através da oração’.
D. Lisete, que Deus lhe abençoe!
Parte
93
Chegamos em Curitiba antes do horário da consulta, que era
14:30 mas, como havia uma emergência, fui atendida somente às
16:30. Durante esse tempo, ficamos conversando (os pacientes). Uma
senhora disse que fez rádio e químio há três
anos e continua tomando o remédio, mas o câncer não
se manifestou mais.
Outra senhora falou que estava acompanhando uma amiga há quatro
anos, quando o câncer se manifestou no intestino. Essa senhora
tem um quarto preparado em seu apartamento e em sua casa de praia
para a amiga, a acompanha em cada sessão de químio e
disse que a amiga é mais que uma irmã para lá,
que está sempre a incentivando, rezando junto, mostrando a
fé em Deus e a boa hospedagem à família. Também
contou que é voluntária no hospital, onde faz visitas
todas as semanas. Passou a receita de vários remédios
para o câncer: babosa, leiterinho de goiás, sucos...
Havia um jovem senhor que nos contou sua história: no dia 1º
de janeiro de 2005 sentiu-se mal. Depois de muitos exames e uma biópsia
em junho, descobriram que era câncer no baço. Em outubro
foi operado. Mostrou o corte: está bem cicatrizado. No dia
1º de janeiro de 2006, sentiu-se mal novamente e foi procurar
o médico. Depois de alguns exames, descobriram que era câncer
no intestino e na cabeça. Está fazendo rádio.
Então, ele comentou que na conversa com o médico, o
profissional disse que o pior câncer é aquele que dá
nos ossos. Em seguida ele me perguntou ‘e você, onde tem
câncer?’. Falei que tive câncer no seio e que agora
está nos ossos. O senhor ficou tão sem graça
que ficou em silêncio. Acho que ele queria desaparecer dentro
da xícara de chá que estava tomando.
Precisa pensar bem antes de falar alguma coisa para não passar
vergonha!
Parte
94
Quando voltamos de Curitiba, o José Maurício comentou
que um amiga médica tinha conversado com a Denise e o chamou
para conversar alguns dias depois. Comentou que o câncer em
meu organismo está no fígado e que ele ficasse prevenido
para alguma surpresa e que precisaria me ajudar. José Maurício
foi na próxima consulta em Curitiba para ver o que a Dra. Cristiane
ia falar. Ela disse que tinha uma doença no fígado (esteatose)
e que era provocada por alguns remédios. Durante três
meses o José Maurício me acompanhou. No dia seguinte
à aplicação da químio, comentei com a
Denise e o Fabrício, e a Denise, após comentário,
me disse: ‘Mâe, é verdade. Você tem câncer
no fígado. Mas como a médica disse para não comentar
nada, já que você estava achando que era esteatose’.
Na hora fiquei muito chateada por saber desta forma e que me
esconderam a verdade. PEnsei em brigar com meus filhos, mas à
noite pensei bem e não falei nada. Pensei como meus filhos
devem ter sofrido em saber do câncer e cada vez que eu falava
alguma coisa eles sofriam por saber que estava também no fígado.
Como meus filhos foram maravilhosos me poupando do sofrimento. brigado
por ester gesto!
Parte
95
Alguns dias se passaram e o José Maurício veio almoçar.
Quando comentei com ele: ‘Lembra daquela conversa que tivemos
do câncer no fígado? É verdade e a médica
e meus filhos sabiam’. Foi enorme a surpresa e a tristeza que
tomou conta dele. Não teve resposta para mim e assim vou vendo
quando ele cuida de mim, me ama e gosta de dialogar. Nossas viagens
são animadas e, quando chegamos de volta, ainda temos assunto
para passar parte da noite conversando. Como é bom ter ao meu
lado uma pessoa tão querida e prestativa como você, José
Maurício. Um dia você será recompensado e agora
já tens as bênçãos de Deus e a proteção
de Nossa Mãe do céu!
Esteatose - O acumulo de gordura no interior dos hepatócitos
é um mecanismo natural, utilizado para estocar energia. A quantidade
de energia acumulada na gordura é muito maior que no açúcar
ou na proteína, podendo fornecer ao animal grande quantidade
de energia nos momentos de necessidade. O fígado mantém
dois grandes estoques de energia: a gordura e o glicogênio,
que e uma glicose alterada para ser estocada. Quando permanecemos
em jejum e o nível de açúcar no sangue diminui,
hormônios enviam sinal ao fígado para transformar o glicogênio
em glicose e manter o organismo funcionando. Se a falta de comida
persistir, a gordura começa a ser utilizada, mas este processo
é mais demorado. Alem disso, estudos sugerem que as células
esteladas do fígado tentam controlar os níveis de colesterol
no sangue transportando o colesterol para dentro do fígado.
Os coelhos, por exemplo, que não tem células esteladas,
sofrem muito mais com o colesterol.
Parte
96
Sempre tive um sonho: ser doadora de órgãos. Pensava
que, um dia, quando chegasse a hora da passagem para a eternidade,
deixaria meus órgãos para serem doados. Sempre avisei
meu marido que, quando morresse, era para doar tudo que desse para
aproveitar. O Pasqual era doador de órgãos e, quando
renovou a carteira de motorista, desistiu da idéia, porque
achou que os órgãos eram comercializados. Eu continuei
como doadora. Imaginava como ficaria feliz quem recebesse o coração
que continuaria amando as pessoas...
Quem ganhasse os rins para não precisar mais fazer hemodiálise...
O pulmão para dar alívio na respiração...
O fígado, que processa as reservas de ferro, vitaminas e minerais
no corpo... Os olhos para quem já não via as paisagens
que Deus nos deu, ver o sorriso de uma criança, poder olhar
os olhos do ser amado e perceber todo o amor que é transmitido
através de um simples olhar... Doar o maior órgão,
que é a pele, para quem estivesse com dores de queimaduras...
Poder aliviar o sofrimento de tantos com os órgãos que
eu não iria mais usar...
 |
“SE
VOCÊ TEM UM BOM CORAÇÃO... SEJA UM DOADOR
DE ÓRGÃOS.”
|
O sonho se desfez
quando, na primeira consulta, o médico perguntou: ‘você
é doadora de órgãos?’ Eu respondi que sim.
Ele disse: ‘Era doadora, agora não é mais. Mas
seu eu precisar de um órgão, posso buscar? Pois não
tenho medo do câncer.’ Assim é a vida... Quem quer,
não pode, quem pode não faz... Um sonho desfeito para
mim, mas que VOCÊ pode realizar! Lute para não perder
de vista! Sonhando bastante, ao menos 50% poderás realizar.
Embale teus lindos sonhos para que se tornem realidade, não
como o meu, que se desfez... Seja doador de órgãos!
Você fará algumas pessoas felizes!
Parte
97
Um sábado desses, logo cedo, recebi uma ligação
de Curitiba, da minha sobrinha Cristiane, que esteve estudando no
Chile, voltou para o Brasil - para morar em Brasília - e estava
dando um curso em Curitiba, para moças.
Ela perguntou como eu estava e o que tinha acontecido, pois ela não
sabia de nada: da cirurgia, do tratamento, etc. A Rosália,
mãe dela, lhe disse que eu não estava muito bem. Ela
foi falando que era para me preparar, rezar mais, ficar mais perto
de Deus, pois quando chegamos ao fim, devemos estar mais unidos a
Deus. Agradeci as palavras dela e passei a falar: ‘Se eu desanimar
e ficar acamada, vai ser mais difícil para mim e para meus
filhos. Se eu ficar chorando e me lamentando, não vai melhorar
em nada minha vida, pelo contrário, vou me sentir sem fé
e nada vai me ajudar, pois quanto menos
acreditamos, menos força para vencer temos’. Cristiane
pediu para eu me calar e disse: ‘Não sabia que você
está tão bem. Em vez de te consolar, você é
que está me consolando. Vou pedir para as amigas rezarem para
você continuar assim’. Desejou tudo de bom e desligou.
Na segunda-feira seguinte, recebi a visita do Isino e da Rosália,
os netos e uma filha de Joinville, da Nilda, minha cunhada, e da Eldinéia,
minha afilhada. Todos admirados por eu estar trabalhando na lanchonete
e cuidando da Maria Eduarda. Achavam que eu estava tão mal
que precisava ficar acamada.
Não é assim que devemos agir! Desanimar, jamais! Vamos
aumentar nossa fé, se achegar mais a Deus, rezar pelos necessitados,
pedir a Nossa Senhora que nos proteja.
Obrigada pela visita, queridos familiares!
Parte
98
Chegou o dia de iria para Curitiba. O José Maurício
me atendeu. A Dra. Cristiane, como sempre, nos atendeu com muita cordialidade,
com afetuoso abraço e beijo. Eu lhe disse que ela estava mentindo
quanto ao meu estado de saúde e que não confiava mais
nela, porque não me disse que o câncer também
estava no fígado. Ela ouviu e me disse: ‘Mudou alguma
coisa na tua vida agora que sabes que tens câncer no fígado?
O laudo original está com você, eu só tenho uma
cópia, você não leu?’. Eu lhe disse: ‘Li,
mas não entendi, pois não compreendo as palavras técnicas
que lá estão’. Dra. Cristiane leu, explicou, pediu
mais um exame para ver como está o fígado, pois o exame
que apresentei para ver como está o câncer baixou. Este
mês faço a tomografia que a Dra. Cristiane quer ‘esfregar
no meu nariz, pois melhorou bem o fígado’.
Isso que é incentivo! Depois de ouvir o paciente desabafar,
lhe passar confiança e vontade de ir à luta com mais
fé, com mais vontade de viver! Agradeço as palavras
e rezo a Deus para que te proteja e continue esta profissional maravilhosa!
Parte
99
Amigo de nossa família, o José Moreira Bastos, mais
conhecido por ‘Zé Pintor’, esteve no hospital fazendo
tratamento contra a leucemia por três meses. Quando voltou para
casa, veio me visitar. Como senti alegria e aconchego naquele abraço
amigo! Comentou o internamento, o tratamento e como estava feliz de
volta à sua casa. O Zé me disse: ‘Já que
não pode ir me visitar, porque estás trabalhando, então
eu virei mais vezes te visitar!’. Nas outras duas vezes que
me visitou, pude sentir a alegria da comunicação, da
amizade, seu sorriso, sua felicidade em estar no nosso convívio.
O Zé me disse: ‘Estou te ganhando. Estou na tua frente.
Terminei a quimioterapia e volto em março para fazer os exames
e uma visita aos médicos, enquanto você faz químio
até final de março!’ Demos boas risadas juntos
e o Zé prometeu voltar mais vezes para conversar. Em um sábado
avisaram que ele havia se sentido mal e o levaram para o hospital,
de onde já foi encaminhado para Joinville, onde ficou na UTI.
Na segunda-feira a sobrinha dele ligou avisando de seu falecimento.
À noite fui até a capela para me despedir do Zé
e levar um pouco de conforto para sua esposa. Havia muitas pessoas
conhecidas, entre elas o Bráulio e a Belinha, que também
participavam no Grupo de Jovens. Belinha disse que tinham se programado
para ir visitar o Zé, mas não deu tempo, ele partiu
para a eternidade. Falei para a Belinha: ‘Então se programe
para me visitar, antes que chegue a minha hora, porque depois não
adianta querer me visitar.’
Parte
100
No trabalho, no dia-a-dia, muita gente passa para conversar, ou se
surpreende achando que eu estou acamada e me questiona. Um jovem vindo
de Joinville pediu um lanche e, em seguida, perguntou: ‘Você
está com frio?’. Respondi: ‘Não, mas estou
fazendo tratamento e estou sem os cabelos’. E ele: ‘Queria
ter certeza que você tem câncer. Eu também tenho.
Fiz cirurgia no intestino, fiquei com uma bolsa coletora, houve outra
cirurgia para ligar o intestino e retirar a bolsa. Na segunda vez
notaram também que o fígado tinha câncer. Felizmente,
depois da biópsia verificou-se que era benigno e estou curado.’
Desejou-me tudo de bom e disse que a medicina está muito avançada
e, graças a Deus, muitas pessoas serão curadas.
Outra amiga perguntou para minha funcionária como eu estava,
pois não sabia o que falar comigo. Achava que eu estava de
cama e ela não teria palavras de conforto. Ficou muito surpresa
quando me encontrou trabalhando na lanchonete e passou a tarde conversando
vários assuntos. Quando foi embora, ela me disse que a tarde
estava muito agradável e que aprendeu sobre muitas coisas.
Parte
102
Fez um ano (20/04) que minha neta, Maria Eduarda, nasceu. Foi um ano
com muita preocupação e amor multiplicado para a família.
Foram momentos de felicidades, impossíveis de relatar, mas
você também pode viver a emoção de conviver
com uma criatura maravilhosa que sempre trouxe muita paz e esperança.
Um anjo que preenche minha vida, pois todo dia é uma festa
com as novidades que este anjo sempre traz. Um dia é a atenção
dela para a história que a gente lia, outro dia que ela tinha
crescido e engordado... Deus sempre lhe deu boa saúde. Quando
fico com ela é sempre uma festa de vida, de renovação,
de alegria. Além da beleza, dos seus olhos azuis, do sorriso
meigo, do carinho que me dá quando me beija e abraça,
quando pega minhas orelhas e procura meus cabelos (quase inexistentes),
quando tira a minha touca... Realmente este anjo chegou no momento
importante e delicado de minha vida. Maria Eduarda, que Deus conserve
tua inocência e alegria de viver. Admirando você, acredito
que Deus não está desanimado com a humanidade, pelo
contrário, acredito que Ele ama e confia no povo, colocando
no meio de nós anjos de luz e de fé. Maria Eduarda,
obrigada por você existir! Deus te encherá de graças
pela vida afora e você será um pessoa muito feliz!
Parte
103
Fui em uma festa de aniversário e lá encontrei uma pessoa
que está fazendo tratamento para melhorar sua saúde
há 10 anos. Primeiro, apareceu em uma mama, que retiraram.
Depois apareceu na outra que também retiraram. Agora apareceu
no pescoço. Não fizeram cirurgia, mas está fazendo
quimioterapia. Esta pessoa está com esperança e alegria
ao dizer que a medicina está cada vez mais avançada.
Isso me passa força para continuar meu tratamento e acreditar
cada dia mais em Deus, que nos dá o sofrimento conforme nós
o agüentamos...
O SORRISO NÃO
TEM PREÇO
De graça recebemos e de graça devemos dar. A fome maior
do mundo é a CARÊNCIA DE AFETO.
Quando nos encontramos em situações difíceis,
aprendemos a valorizar os pequenos gestos.
Um simples sorriso, pode reacender o entusiasmo numa pessoa desanimada
e triste.
Sorria, sinceramente. Dê de graça, o que de graça,
você recebe! Sorria...
Parte
104
Quando vou a Curitiba, sempre tem alguma pré-ocupação...
Ou é apresentação de exames, ou não estou
me sentindo muito bem...
Quando olhei os resultados dos exames de sangue e da tomografia, já
fiquei contente, em casa, com a família, pois mostrava que
o câncer não estava mais no fígado, somente em
alguns ossos! O Fabrício me levou para a consulta. A Dra. Cristiane
olhou todos os exames com atenão e disse: ‘A próxima
filha deve se chamar Vitória! Vencemos mais uma etapa!’
Depois de explicar bem, ela propôs fazer um reforço de
três sessões de químio. Olhei para o Fabrício,
que falou: ‘Você que sabe...’. A Dra. Cristiane
também disse que a última palavra seria minha.
Continuar... Mais três vezes... Sentir mal estar, ir para Curitiba,
mais dores para aplicar a químio, etc, etc... Vou fazer o reforço!
Mais três vezes para ir à Curitiba, passear, conversar
com quem for me levar. Quem já fez 20 sessões, não
vai se desencorajar agora! Vou fazer as três aplicações!
Acreditar mais nas orações que todos estão fazendo
e que Deus já está me dando mais uma chance para viver
mais e com mais qualidade de vida!
Parte
105
Muitas pessoas não se amam o suficiente e se entregam ao desânimo,
depressão e a saúde fica abalada. Não se cuidando,
a doença aproveita a oportunidade e se instala para não
sair mais. Tinha uma amiga que teve um bebê, hoje com quatro
anos, que foi desenvolvido nas trompas, nasceu ao seis meses, com
900 gramas, através de uma cesárea. Desde que fez a
cirurgia, o corte não fechou mais. Ela fazia curativo todos
os dias, mas o problema continuava. Foi tratando a saúde pelo
Estado, onde tudo é demorado, a gente sabe. Minha amiga, acomodada,
com dificuldades com o bebê, desanimada, foi ficando com a saúde
mais debilitada. Quando conseguiu os exames (radiografias, ultrassonografia
e consulta) para mostrar ao médico, já estava com câncer
nos braços e no local da cirurgia. Quando foi exposta para
ela a situação da sua saúde, ela ficou desesperada,
não quiz fazer radioterapia nem quimioterapia. Como a situação
estava grave, mais pessoas conversando com ela, concordou em fazer
o tratamento, mas era tarde demais: em quatro meses veio a falecer.
Quando ela teve o filho, tinha 140 quilos, quando faleceu estava somente
com 40 quilos. Quando presencio um fracasso desses, vejo o sofrimento
dos familiares, que ficam e tinham a esperança de cura, e buscam
na saudade, preencher a ausência do ente querido. Não
me abalo, pois minha fé é grande e me sinto estimulada
a continuar o tratamento. Que Deus dê forças suficientes
para que a família da minha amiga possa superar as dificuldades
e a saudade.
Parte
106
Novamente em Curitiba para fazer a primeira das três sessões
de reforço da quimioterapia. Quem me levou desta vez foi o
Zé e a Lúcia Mello. Na recepção do Instituto
as atendentes perguntaram: ‘Consulta?’ Sim e químio,
reforço.
Na consulta com a Dra. Cristiane aproveitei para perguntar do fígado.
Quando o câncer começa no fígado, não tem
cura, mas no meu caso, foi uma metástase (célula com
câncer) que originou-se do câncer inicial, que era na
mama, e foi se alojar no fígado, entre outros lugares, como
os ossos. Mesmo sendo primário, no fígado, dependendo
o estágio, até tem cura, mas é preciso muita
paciência, fé, vontade de viver, acreditar em Deus, no
médico, no remédio e, principalmente, querer vencer
a doença e viver!
Quando fui para o quarto, as enfermeiras perguntavam: ‘Reforcinho?
Achamos que só vinha nos visitar, mas é bom se prevenir,
fazer mais o reforço para garantir a saúde’.
Conversamos muito e, assim, passou mais um dia de tratamento. Vamos
ver as reações durante os próximos dias.
Parte
107
Hoje eu, Denise, terei que escrever. Sei que o comentário está
geral. Os fatos: minha mãe está internada, ficou 4 dias
na UTI e agora está no quarto. Os boatos: não esteve
ligada a nenhum outro aparelha que não o monitor cardíaco.
Para que não haja dúvidas, vamos ao que aconteceu: Dia
17/05, dia da segunda sessão de reforço da quimioterapia,
a mãe foi à Curitiba com o José Maurício.
Tudo normal, afinal esta seria a 22ª sessão.
À noite, em casa, quando o telefone tocou, na hora disse a
meu marido: ‘É a
mãe’. E ele disse: ‘Convide-a para o jantar’.
Atendi e era meu primo, dizendo que, ao final da sessão, a
mãe disse não estar se sentindo bem. A Dra. Cristiane
a examinou e constatou uma taquicardia; disse que era reação
da químio. Ao ir para o carro, a mãe disse estar se
sentindo mal e com dificuldade para respirar. Novamente a Dra. Cristiane
a examinou e pediu para que fosse ao hospital, porque no Instituto
não havia nada que ela pudesse fazer. Então foram ao
Hospital São Vicente. A mãe continuava com taquicardia
e, o mais preocupante, estava entrando água no pulmão.
Imediatamente a mãe foi submetida a um eletro e foram feitos
raios-X dos pulmões. Novamente meu primo ligou e pediu para
irmos à Curitiba, porque a mãe ficaria internada e ele
não sabia o que fazer. Foi uma correria: pega umas peças
de roupa, imprime um mapa, pega endereço e telefone do hospital
e sai correndo.
Parte
108
Entre a primeira ligação às 18:50 e a segunda
às 20:45, procurei o endereço do hospital e o telefone.
Meu marido localizou um mapa, já pensando na possibilidade
de termos de ir. Saímos eu e meu irmão. Apreensivos,
sem dúvida, querendo que a distância fosse menor e nós
pudéssemos chegar antes. O celular ficou fora de serviço
e, quando voltou, vi que o José Maurício havia tentado
ligar. Retornei a ligação e ele perguntou onde estávamos.
Falei que havíamos passado o Posto 21 e que em uns 45 minutos
chegaríamos. Foi aí que ele nos assustou. Disse assim:
‘Quarenta e cinco minutos? Então vocês não
vão mais ver a tia’. O quê? Na hora o Fabrício
parou o carro. Pedi para o José Maurício repetir, e
ele: ‘Vocês não vão mais ver a tia, porque
a médica a está levando para a UTI’. Ufa! Que
susto! Falamos com a mãe pelo telefone e ela pediu para que
voltássemos para casa, mas não obedecemos.
Chegamos em Curitiba, segui o mapa até onde pude, aí
paramos e pedimos informações: estávamos a duas
quadras do hospital. Chegamos e a diferença no tratamento dos
funcionários para conosco foram gritantes. O segurança,
muito atencioso, chamou o outro que estava na recepção
na hora em que a mãe deu entrada no hospital. Este segundo
segurança respondeu às nossas perguntas e nos encaminhou
à UTI. Como ele não podia abandonar seu posto, pediu
para dois enfermeiros que estavam subindo, para nos mostrarem o caminho.
Logo ao subir a rampa vimos o José Maurício e fomos
conversar com ele, que estava muito apreensivo. A primeira coisa que
ele nos disse foi: ‘Desculpa por não ter conseguido levar
a mãe de vocês de volta pra casa’.
Parte
109
Os primeiros exames que a mãe fez no hospital foram o eletrocardiograma
e o raio-X. Para quem não sabe o que são esses exames
ou tem dúvidas, segue uma breve explicação:
O Eletrocardiograma (E.C.G.) é o registro
extracelular das variações do potencial elétrico
do músculo cardíaco em atividade.
As ondas de despolarização e repolarização
que se propagam ao longo das fibras cardíacas podem ser consideradas
dipolos em movimento como momentos dipolares variáveis. Estes
dipolos determinam campos elétricos variáveis que podem
ser detectados pela medida da diferença de potencial através
de eletrodos colocados na superfície cutânea.
Desta forma, os potenciais gerados pelo coração durante
o ciclo sístole-diástole (contração/relaxamento)
podem ser registrados aplicando-se eletrodos em diferentes posições
do corpo. Na prática, existem locais padronizados onde os eletrodos
de registro são colocados, de acordo com orientações
pré-estabelecidas. Na realidade, o que se mede é a diferença
de potencial elétrico entre dois pontos no campo elétrico
gerado pelo dipolo elétrico cardíaco ao longo do ciclo
cardíaco. Os pontos de medida são escolhidos e padronizados,
originando as várias derivações.
Parte
110
Normalmente são colocados 5 eletrodos à superfície
corporal: um em cada punho, um em cada tornozelo e um móvel
que pode ser colocado na superfície torácica sucessivamente
em seis posições diferentes. Por convenção,
o eletrodo do punho direito recebe o nome de R (right), o punho esquerdo
de L (left) e o do tornozelo esquerdo de F (foot). O eletrodo do tornozelo
direito é ligado ao fio terra.
Estes eletrodos podem ser ligados entre si de 15 maneiras diferentes.
Todavia, somente 12 são utilizadas na prática médica.
Cada uma destas ligações é conhecida como uma
derivação do eletrocardiograma.
Raio-X - No fim da tarde de 8 de novembro de 1895, quando todos haviam
encerrado a jornada de trabalho, o físico alemão Wilhelm
Conrad Roentgen (1845-1923) continuava no seu pequeno laboratório,
sob os olhares atentos do seu servente. Enquanto Roentgen, naquela
sala escura, se ocupava com a observação da condução
de eletricidade através de um tubo de Crookes, o servente,
em alto estado de excitação, chamou-lhe a atenção:
“Professor, olhe a tela!”. Nas proximidades do tubo de
vácuo havia uma tela coberta com platinocianeto de bário,
sobre a qual projetava-se uma inesperada luminosidade, resultante
da fluorescência do material. Roentgen girou a tela, de modo
que a face sem o material fluorescente ficasse de frente para o tubo
de Crookes; ainda assim ele observou a fluorescência. Foi então
que resolveu colocar sua mão na frente do tubo, vendo seus
ossos projetados na tela. Roentgen observava, pela primeira vez, aquilo
que passou a ser denominado Raio-X.
O parágrafo acima pode ser uma dramatização do
que de fato ocorreu naquele dia, mas o fato que a história
registra é que esta fantástica descoberta teve estrondosa
repercussão, não apenas na comunidade científica,
como também nos meios de comunicação de massa.
Por exemplo, em 1896, menos de um ano após a descoberta, aproximadamente
49 livros e panfletos e 1.000 artigos já haviam sido publicados
sobre o assunto. Um levantamento feito por Jauncey no jornal norte-americano
St. Louis Post-Dispatch, mostra que, entre 7 de janeiro e 16 de março
de 1896, quatorze notas foram publicadas sobre a descoberta e outros
estudos relacionados.
Parte
111
Todavia, as mais conhecidas referências a essa descoberta tendem
a minimizar o mérito do seu autor, enfatizando o aspecto fortuito
da observação. Essa visão distorcida que se tem
do trabalho de Roentgen só é eliminada quando se toma
conhecimento dos seus relatos. Com 50 anos de idade na época
da descoberta dos raios X, e menos de 50 trabalhos publicados, Roentgen
tinha como temas prediletos as propriedades físicas dos cristais
e a física aplicada (em 1878 apresentou um alarme para telefone,
e em 1879, um barômetro aneróide). Sobre os raios X publicou
apenas três trabalhos, e ao final da sua vida não chegou
a ultrapassar a marca dos 60. Para um detentor do Prêmio Nobel
de Física, esta é uma quantidade relativamente inexpressiva.
Essa “pequena” produção talvez seja conseqüência
do seu rigoroso critério de avaliação dos resultados
obtidos. Pelo que se sabe, ele era tão cuidadoso, que jamais
teve de revisar os resultados publicados. Lendo seus dois primeiros
artigos sobre os raios X, percebe-se a acuidade do seu trabalho.
Além da inegável importância na medicina, na tecnologia
e na pesquisa científica atual, a descoberta dos raios X tem
uma história repleta de fatos curiosos e interessantes, e que
demonstram a enorme perspicácia de Roentgen. Por exemplo, o
físico inglês Sir William Crookes (1832-1919) chegou
a queixar-se da fábrica de insumos fotográficos Ilford,
por lhe enviar papéis “velados”. Esses papéis,
protegidos contra a luz, eram geralmente colocados próximos
aos seus tubos de raios catódicos, e os raios X ali produzidos
(ainda não descobertos) os velavam. Outros físicos observaram
esse “fenômeno” dos papéis velados, mas jamais
o relacionaram com o fato de estarem próximos aos tubos de
raios catódicos! Mais curioso e intrigante é o fato
de que o físico alemão Philipp Lenard (1862-1947) “tropeçou”
nos raios X antes de Roentgen, mas não percebeu. Assim, parece
que não foi apenas o acaso que favoreceu Roentgen; a descoberta
dos raios X estava “caindo de madura”, mas precisava de
alguém suficientemente sutil para identificar seu aspecto iconoclástico.
Para entender porquê, é necessário acompanhar
a história dos raios catódicos.
Raios X podem ser produzidos quando elétrons são acelerados
em direção a um alvo metálico (Veja o capítulo
sobre A Descoberta dos Raios X para uma descrição histórica).
O choque do feixe elétrons (que saem do catodo com energia
da ordem de 30 Kev) com o anodo (alvo) produz dois tipos de raios
X. Um deles constitui o espectro contínuo, ou bremsstrahlung
em alemão, e resulta da desaceleração do elétron
durante a penetração no anodo. O outro tipo é
o raio X característico do material do anodo. Assim, cada espectro
de raios X é a superposição de um espectro contínuo
e de uma série de linhas espectrais características
do anodo.
Parte
112
Ficamos esperando no Hospital, até que o enfermeiro da UTI
veio para fora e nos disse que um poderia entrar. Eu entrei e fui
ver a mãe. Ela estava sentada na cama, com soro no braço,
eletrodos no peito e uma máscara para oxigênio, que ela
não estava usando. Em cima da mesa havia um saco vermelho,
que o enfermeiro disse conter todos os pertences da mãe. Conversamos
um pouco. Ela quis me contar o que havia acontecido, mas disse que
não precisava, para não cansá-la, mas percebi
que ela estava bem lúcida e ciente do que havia acontecido.
Fiquei o tempo que me foi permitido e, ao sair, falei com o médico
responsável, Dr. Everson, que me disse que o histórico
médico da mãe poderia ser a causa da taquicardia, assim
como a quimioterapia ou mesmo um princípio de enfarto, mas
que só seria possível determinar a causa após
a saída dela da UTI, quando seriam feitos alguns exames.
Saí da UTI mais tranqüila. Encontrei os dois no corredor
e descemos, para decidir o que fazer. Cada um ligou para casa. Decidimos
voltar a São Bento e, no dia seguinte, eu e o Fabrício
voltaríamos a Curitiba para conversar com a médica e
ver o que seria feito dali para frente. Cheguei em casa por volta
das 1:30h da manhã e tratei de dormir um pouco. No dia seguinte,
meu marido ficou com a Duda em casa pela manhã e eu voltei
para Curitiba. A médica disse que o que deflagrou a crise de
taquicardia foi a quimioterapia. Disse também que, quando a
mãe chegou ao hospital o coração dela não
batia, ‘tremia’. Tudo foi feito para que os batimentos
fossem normalizados. Ela teria que ficar mais um ou dois dias na UTI,
uma vez que a medicação que estava sendo dada a ela
só podia ser ministrada na UTI.
Ficamos esperando a visita. Entramos e ficamos com a mãe por
meia hora. Demos-lhe o almoço, que os enfermeiros deixaram
para que a gente aproveitasse com ela. O coração continuava
acelerado, com batimentos entre 124 e 133 por minuto. Conversamos
muito. Ela preocupada com a casa e o trabalho e nós preocupados
com ela. Avisamos que à noite não iríamos visitá-la,
só voltaríamos no outro dia. Nos despedimos e voltamos
para casa.
Parte
113
Depois de visitar a mãe na UTI e conversar com a médica,
voltamos para casa com os números de telefone, para ligar a
qualquer hora. Na sexta-feira, fiquei para trabalhar e o Fabrício
e a Jaqueline foram para Curitiba. A mãe continuava na UTI,
com uma redução nos batimentos, mas ainda muito elevado.
A médica estava contente com o progresso da mãe, e disse
querer tirá-la o quanto antes da UTI, para evitar infecções.
Apesar disso, a mãe só foi levada ao quarto na segunda-feira.
Para a transferência alguém da família precisava
estar lá. Pedi ao José Maurício para me levar,
porque o Fabrício não podia. Chegamos no Hospital por
volta das 15:00. A informação que eu tinha é
que a mãe já estaria no quarto, mas ela ainda estava
na UTI. Subi para ter maiores informações. Depois de
muita espera, ela foi transferida para o setor 3, com umas enfermeiras
muito legais. Chegou ao quarto de cadeira de rodas, usual no hospital
– pacientes não podem se locomover de outra forma. A
mãe parecia bem, mas quando foi passar da cadeira para a cama,
me preocupei... Começou a ofegar, como se houvesse caminhado
por quilômetros... As enfermeiras a deitaram e eu precisei sair
do quarto e ir ao estacionamento por alguns minutos. Quando voltei,
o José Maurício segurava a mãe sentada na beira
da cama. Ele me disse: ‘Mal você saiu, a tia pediu para
sentar porque estava sem ar’. Ficamos no quarto por muito tempo.
Liguei para a médica, que disse que iria passar em uma hora.
Ficamos esperando. Eram quase 21:00 quando liguei novamente para a
médica. O que ouvi: ‘Estou com uma emergência aqui
em outro hospital, não sei que horas vou conseguir ir ver tua
mãe, mas vou ainda hoje. Não adianta vocês ficarem
me esperando’. Chamamos o enfermeiro e explicamos que a mãe
não conseguia ficar deitada. Ele disse que o jeito era colocá-la
na poltrona. Não era confortável, mas ao menos não
oferecia risca de uma queda grave. Arrumamos a mãe na cadeira,
nos despedimos e saímos. Quando chegamos no carro o José
Maurício me disse: ‘Eu fiz questão de vir hoje
com você pra ver a tia melhor, mas ela estava do mesmo jeito
que na quarta. Não gostei de ter que deixá-la assim,
com a cabeça meio caída. Estava muito desconfortável,
dava pra ver. Mas já que não tem jeito, vamos pra casa’.
Parte
114
Enquanto esperávamos a mãe na porta da UTI, para irmos
com ela ao quarto, liguei para a médica, Dra. Edilamar, e ela
me disse o seguinte: ‘Estive conversando a Dra. Cristiane e
ela me disse para investir na sua mãe, porque ela tem uma netinha
que precisa ver crescer e dois filhos que já perderam o pai.
Disse que é para eu fazer todo o possível para que tua
mãe melhore e possa ir para casa. É o que vou fazer’.
No outro dia, conversei com a médica pelo telefone. Ela me
falou que ficou com a mãe por cerca de 1 hora, até que
a mãe ficou mais tranqüila, mas que não conseguiu
ir vê-la antes da meia-noite. Disse que era para termos calma,
que agora, no quarto, a mãe começaria a progredir, apresentar
melhoras maiores. Falou que iria começar uma série de
exames, para descobrir o que realmente havia originado aquela taquicardia.
Devido ao tempo de UTI e a impossibilidade de usar as veias do braço
esquerdo, a mãe acabou contraindo uma infecção,
que acabou por passar de uma flebite generalizada no braço
direito a uma trombose. O braço dela ficou muito, muito inchado.
Na segunda, quando passou para o quarto, ela estava com o braço
enfaixado. Nos dias subseqüentes, seu braço era submetido
a compressas quentes e massagens, além de medicamento intravenoso
contra infecção. Demorou alguns dias para a inflamação
ceder, o que fez com que demorasse a realização do cateterismo,
pois os médicos avisaram que só poderiam realizá-lo
após a inflamação ceder, devido o risco de um
‘trombo’ (pedaço de inflamação) soltar-se
do braço e ir para dentro do coração, ocasionando
uma parada cardíaca.
Parte
115
Na terça-feira, dia 30/06, o Fabrício e eu fomos visitar
a mãe. Ela estava melhor, sem falta de ar. O braço continuava
inchado. Quando chegamos, ela não estava no quarto. Ficamos
aguardando no corredor. Quando as enfermeiras a trouxeram para o quarto,
pediram para que ficássemos fora, pois o médico iria
colocar um cateter sub-clavicular (logo abaixo do ombro), para que
a mãe pudesse continuar recebendo os medicamentos, uma vez
que no braço era impossível. Demorou algum tempo, o
médico saiu e entramos. Tinha uma enfermeira, a Sandra, que
estava indignada, porque o médico não havia conseguido
fazer e, por causo disso, à noite a mãe seria levada
para o centro cirúrgico para a colocação de um
cateter jugular (no pescoço). Ficamos conversando por um bom
tempo. A mãe estava bem melhor. O braço já estava
mais desinchado e doía menos.
Na quarta-feira, meu primo, o José Maurício, foi comigo
visitá-la. Ficou bem mais feliz, porque a viu sentada, conversando,
sem falta de ar, com o braço melhor. Deu pra ver a alegria
dele de ver a sua tia melhor! Como meu marido estava em S.Paulo, combinamos
que, quando ele chegasse em Curitiba, eu iria buscá-lo na rodoviária,
para que ele pudesse visitar a mãe. O José Maurício
e a mãe ficaram curiosos para ver como eu conseguiria entrar
com meu marido, uma vez que já era fora do horário de
visitas e já havia alguém com ela. Mas dei um jeitinho
e ele conseguiu entrar! Foi muito boa esta visita. Todos saíram
bem, contentes com a melhora apresentada pela mãe.
Parte
116
Depois da visita da quarta-feira, voltamos para São Bento muito
animados. Tínhamos certeza de que a mãe estava bem.
Já estava há uma semana no hospital. Conversei com a
médica na quinta, por telefone. Iriam aguardar um pouco ainda
para fazer o cateterismo. Como a inflamação do braço
estava demorando muito para sair, resolveram fazer uma incisão
e retirar a inflamação. Depois de vários dias
com medicação, a inflamação estava concentrada
em um só ponto, o que facilitou o procedimento.
Nos dias que se seguiram não fui mais a Curitiba. Fiquei por
aqui, trabalhando e dando mais atenção à minha
pequeninha. No fim de semana, o Fabrício e a noiva foram para
Curitiba. O Fabrício passou o domingo todo no hospital, fazendo
companhia para a mãe. Ele conseguiu uma mini-TV emprestada
e, assim, ao menos o tempo passava mais depressa.
Começa uma nova semana. Finalmente o cateterismo será
realizado e saberemos o que aconteceu no dia 17/05, quando a mãe
se sentiu mal e foi internada... Ficamos aguardando notícias...
À tarde, ligamos para a médica. O cateterismo havia
sido realizado sem problemas. O que realmente aconteceu com a mãe
foi um princípio de infarto. Chegamos a conclusão de
que o melhor foi a mãe ter ficado em Curitiba, ao invés
de tentar vir para casa.
Parte
117
O cateterismo foi realizado. Uma pequena incisão na virilha,
alguns minutos de exame e pronto, já retorna ao quarto. Através
desse exame descobriu-se que o que aconteceu no dia do internamento
da mãe foi um princípio de enfarto. Isso mesmo: enfarto.
O que ocasionou isso? As doenças anteriores da mãe:
diabetes, pressão alta, hipertireoidismo e a própria
quimioterapia, que acabou por inflamar o coração e desencadear
o episódio. Ainda bem que a mãe estava em Curitiba,
optou por ir a um hospital lá e foi prontamente atendida e
medicada. Cateterismo Cardíaco - Exame cardiológico
invasivo feito para diagnosticar ou corrigir problemas cardiovasculares,
como por exemplo, a visualização de um estreitamento,
geralmente formado por uma placa de gordura, na artéria coronária.
O médico faz um corte de 2 a 3 centímetros de largura
próximo à prega do cotovelo, no braço direito
ou esquerdo, e seleciona um vaso sangüíneo (veia ou artéria).
Também pode ser feito pela virilha. Por esse corte é
introduzido o catéter (sonda de 2,7 milímetros de diâmetro
e um metro de comprimento), que percorre o vaso até chegar
ao coração. Pelo catéter é injetado um
líquido de contraste radiológico, a base de iodo, que
permite visualizar, por meio de um aparelho de raio-X, os vasos e
cavidades do coração. As imagens internas do coração
e/ou vasos são registradas com tecnologia digital (vídeo
digital e/ou câmara multiformatos laser que auxiliam na análise
posterior do exame. O cateterismo é realizado por uma equipe
composta por técnico de raios-X, enfermeira(o) especialmente
treinada(o) e dois cardiologistas com experiência em procedimentos
de cardiologia intervencionista. Dura entre 30 e 60 minutos, em média,
conforme o procedimento realizado. Feito na sala de cateterismo, com
o paciente acordado (anestesia local), deitado sob um aparelho de
raio-X. Só em criança é usado anestesia geral
para evitar agitação.
Parte
118
Mais um dia de hospital... A mãe perdeu, de uma hora para a
outra, a sensibilidade e a força no pé direito. Vamos
fazer exames... Realizaram, então, um Ecodopler de membros
inferiores. Ecodoppler vascular - O ultra-som foi
descoberto para fins militares e com o fim da 2ª guerra mundial
utilizado para a medicina. O desenvolvimento incessante dos últimos
anos produziu sondas cada vez mais sensíveis, o ecocolordoppler
pode ser utilizado com maior precisão para análise de
diversas regiões. Cardíaca; ecocolordopplercardiograma;
artérias carótidas e vertebrais; artérias renais;
artéria aorta e principais ramos; artérias ilíacas;
artérias dos membros inferiores; artérias dos membros
superiores; veias dos membros inferiores; veias dos membros superiores;
veia cava e ilíacas; veias jugulares.
Estreitamentos, alargamentos, orifícios ou oclusões
podem ser bem documentados, quantificados, classificados e acompanhados
sem a necessidade sofrimento ao organismo.
Para a realização do exame é necessário
agendar um horário. Vários segmentos são visualizados,
testados e registrados em papel. Caso o exame encontre-se em estado
de normalidade ou tenha pequenas anormalidades ele será realizado
em curto tempo. Caso o exame apresente anormalidades, ou seja, realizado
após cirurgias este tempo poderá ser ultrapassado. Isto
pode gerar algum atraso na programação prévia.
Para o EXAME VENOSO DE MEMBROS INFERIORES o paciente necessita ficar
em pé em cima de um banco de madeira com o segmento a ser examinado
descoberto. Para homens é sempre solicitado o uso de um traje
de praia durante o exame, como, por exemplo, a sunga. Os demais exames
são realizados em decúbito dorsal, ou seja, deitado.
Os EXAMES EM REGIÃO ABDOMINAL necessitam de preparo prévio
com o uso de laxantes e jejum. Todas as informações
serão dadas pela atendente de acordo com o exame a ser realizado.
Os resultados com freqüência são entregues logo
após a realização do exame com raras pequenas
exceções.
Parte
119
Com a realização do cateterismo a médica pôde
saber o que aconteceu no dia 17/05 e fazer um prognóstico do
que faria para ajudar a mãe. Decidiu por realizar duas angioplastias.
Seriam necessárias três, mas como pode ocorrer trombose,
os médicos realizam apenas uma ou duas em cada intervenção.
A angioplastia foi marcada para a semana seguinte.
Angioplastia - É uma técnica que utiliza
um minúsculo balão inflado dentro da artéria
obstruída com placas de gordura e sangue, além de uma
minitela de aço que, aberta, facilita a passagem do sangue.
O procedimento é usado desde 1983 nos EUA e chegou ao Brasil
na década atual. Agora, os pacientes também recebem,
durante a operação, uma substância que impede
o reinfarto.
A substância abciximab, descoberta recentemente, impede a união
de plaquetas - células sanguíneas que impedem os sangramentos.
O abciximab torna mais eficiente a cirurgia e reduziu para 4% a mortalidade
entre infartados atendidos em hospitais.
Não pode ser usada em pessoas com mais de 80 anos; pacientes
que sofrem de doenças hemorrágicas, pois o remédio
impede a coagulação; quem fez a cirurgia nos últimos
6 meses; quem sofreu derrame cerebral nos últimos dois anos.
Derrame é uma hemorragia em um vaso do cérebro.
Parte
120
Durante os dias que antecederam a angioplastia, entramos em contato
com a Dra. Edilamar, para saber como seria esse procedimento. Ela
nos explicou que não duraria mais de 20 minutos e que, depois
do procedimento, a mãe teria que permanecer 24 horas na UTI.
Depois deste período na UTI, ela seria novamente transferida
para o quarto e ficaria por mais dois ou três dias, recebendo
alta hospitalar depois disso. A angioplastia foi marcada para a quinta-feira,
dia 22/06. Me ligaram do hospital e pediram a presença de um
familiar durante o tempo de procedimento. Meu primo José Maurício
foi comigo. A princípio a angioplastia era para ser às
8:00, mas acabou sendo feita por volta das 11:00. Ficamos todo o tempo
com a mãe, no quarto. A acompanhamos para o centro cirúrgico,
aguardamos o final do procedimento e depois fomos até a porta
da UTI. Quando a mãe saiu do centro cirúrgico, saiu
bem, conversando com a gente. Saímos, então, para almoçar.
Eram 11:30, e a visita na UTI começa às 12:00. Praticamente
‘engolimos’ a comida e voltamos para o hospital.Esperamos
entrada na UTI, que atrasou, devido a procedimentos em um dos pacientes.
Ficamos com a mãe até que vieram nos pedir para sair.
A médica passou por lá também e disse que tudo
havia corrido bem. A mãe iria descansar agora, e ficar em observação,
que era praxe neste tipo de procedimento. Nos despedimos e voltamos
para São Bento.
Parte
121
A mãe estava novamente na UTI, mas apenas para observação.
Ficaria 24 horas, depois passaria para o quarto, onde ficaria mais
dois dias, só então podendo ter alta. Na quinta ela
foi submetida à angioplastia. Na sexta, quando ligamos para
falar com a médica, a mãe já estava no quarto
e, o melhor, receberia alta já no sábado pela manhã!
Nem acreditamos em notícia tão boa! Acordamos cedo e
fomos para Curitiba para buscá-la. Ficamos no hospital até
perto do meio-dia, porque a Dra. Edilamar não conseguiu passar
por lá antes de sua pós-graduação... Ficamos
esperando, não havia outro jeito! Assim que a médica
assinou a alta, colocamos a mãe no carro e voltamos para casa.
Depois de 24 dias, finalmente ela viu onde o hospital ficava e como
ele era por fora. Mas, o mais importante: estava voltando para casa,
e bem!
A mãe estava com muita saudade e curiosa para ver a reação
da Duda. Foi muito engraçado! Levei a Duda na casa da ‘vovó’.
A Duda ficou olhando, desconfiada.... A mãe falava com ela
e nada, nem olhava.... Aí a mãe começou a cantar
a musiquinha dela.... A Duda sorriu, virou para a ‘vovó’,
mas ainda não reconheceu... Ficou assim o fim de semana. Quando
a mãe cantava, ela reconhecia a voz, mas quando olhava, não
reconhecia a pessoa. Na segunda tudo voltou ao normal: a Duda pulando
no colo da vovó, na maior alegria!
Parte
122
Depois que a mãe voltou de Curitiba, veio com dificuldades
para caminhar, porque, devido ao tempo de internação,
ficou com o que os médicos chamam de ‘pé diabético’
– pela falta de movimentação e dos remédios,
a diabetes alterou demais e acabou por diminuir a sensibilidade do
pé direito. Tudo indica que, ao começar a caminhar mais
e retornar o uso diário de seus remédios, tudo volte
ao normal. Dentro de 60 dias, a contar da alta, a mãe deverá
voltar para novos exames. Um abraço! Denise.
“Voltei para Curitiba para consulta, com o resultado dos exames
de sangue, com a Dra. Edilamar, Dra. Cristiane e Dr. Richard. Ficou
combinado que me internaria para fazer os exames dentro do hospital,
porque seria menos cansativo. A Nora Lea e a Denise me levaram para
Curitiba, e começou uma nova etapa do tratamento. Ao retornar
ao Posto 3 do hospital, reencontrei novos(as) enfermeiros(as) e os
que eu já conhecia e tinha feita amizade. Dois exames foram
feitos em uma clínica fora do hospital: cintilografia óssea
e cintilografia coronariana. Exame demorado e, por causa da imobilidade
do meu braço, com muitas dores. No primeiro exame fui à
clínica às 14h e retornei ao hospital às 20h.
No segundo exame, fui às 11h e retornei às 17h. O tratamento
é nota mil: são atenciosos, simpáticos e isso
contribui para a melhora da minha saúde.
Parte
123
No quarto passam muitos pacientes, boas companhias, se formam boas
amizades. Conheci a Josy, jovem mãe de dois filhos –
Karina, 16 anos e Kaio, 14 anos –, muito divertida, fez ‘festa’,
apesar dos problemas de saúde. Me ajudou muito, alcançando
o telefone, me acompanhando até o banheiro, fazendo o ‘trenzinho
da alegria’. Deus põe em nossa vida sempre o que precisamos
e assim, só podemos agradecer, pois Ele já supre as
nossas necessidades. Como foi bom conhecer, fazer amizade e repartir
os segredos e bons momentos no hospital com a Josy, pessoa que lutou
e luta muito para manter uma família unidade e que se amam
muito. Teu exemplo é para ser seguido. Trocamos endereço
para continuar alimentando nossa amizade. Obrigada por você
ser assim tão abençoada por Deus!
Olá! Enquanto estive hospitalizada, minha filha Denise escreveu
para vocês. Agora, vou contar as coisas como eu vivenciei, desde
o momento em que me senti mal no Instituto Halsted e fui hospitalizada.
Só tenho que agradecer a meu sobrinho José Maurício,
a meus filhos, aos amigos que foram me visitar e a todos que sempre
rezaram por mim. Deus há de recompensar a todos!
No fim da aplicação do medicamento no Instituto Halsted,
senti falta de ar e fui internada no Hospital São Vicente com
taquicardia. Fui direto para a UTI. Quem teve o maior susto foi o
José Maurício, que estava me acompanhando.
Parte
124
Na hora comunicou meus filhos e me fez companhia. Fiquei cinco dias
na UTI, sendo monitorada 24 horas por dia, para saber como meu coração
estava se comportando. No sábado tinha poucos pacientes internados
e, como eu já tinha feito amizade com os enfermeiros(as), ficamos
conversando. Eu estava sentada na poltrona, com o braço muito
inchado, com flebite, por causa do soro, e os enfermeiros ficaram
fazendo compressas para melhorar, aproveitando para conversar se nos
conhecermos melhor. Lá, no momento de descontração,
de troca de segredos, muitos contaram seus dramas da vida e também
suas alegrias e dificuldades. Tem pessoas que trabalham em dois hospitais
e ainda estudam à noite para se formar e poder ajudar melhor
os pacientes. Deu para ver e sentir o interesse em crescer, melhorar
de vida e se realizar como pessoas com grandes sonhos!”
“Uma noite, quando acordei na UTI, estava com muita falta de
ar e não consegui bater a sineta para chamar a enfermeira.
Uma paciente, que estava na outra cama, percebeu que eu estava passando
mal e chamou por socorro. Veio a enfermeira, que disse para me acalmar,
deixar o oxigênio no lugar e ver que já ia melhorar.
Chamaram o médico e ele aplicou vários medicamentos,
até que eu melhorei. Com o coração disparado,
a sensação é de morte.
Parte
125
Tiraram o soro e, no dia seguinte, fui para um quarto na enfermaria.
A médica veio e conversou. Explicou o que havia acontecido
no coração – princípio de enfarto –
e que o braço estava com trombose, além de que eu precisaria
fazer uma série de exames para ver como agir dali para frente.
A médica olhava para mim e chorava muito. Disse que eu não
estava mal e que, um dia, me contaria por que chorava. Como eu sentia
muita dor no braço e fraqueza, e não conseguia sair
da cama ou comer, ou tomar banho sozinha, precisava sempre da ajuda
das enfermeiras, ou da boa vontade de visitantes e da paciente que
dividia o quarto comigo. Foram dias difíceis e que me marcaram
muito, pois senti como somos pobres e não podemos fazer nada
sozinhos. Nem a campainha eu conseguia tocar sozinha...
Parte
126
“Todos os dias fazia algum exame. Me levavam na cadeira de rodas
ou de maca para os departamentos de exames, além dos exames
de sangue, que eram realizados no quarto mesmo. As injeções
eram aplicadas na barriga, porque no braço não dava,
por causa da trombose. Tinha febre e a diabetes subiu muito, o que
levou a médica a prescrever insulina todos os dias, de duas
em duas horas. A médica vinha todos os dias, pela manhã
e à noite. Numa das visitas, ela chorou e me disse que ela
me via sofrer com tanta dor, em silêncio e que, mesmo assim,
sorria e conversava com todos. Me disse que havia algo diferente em
mim, que suportava tudo com muita fé. Que Deus é misericordioso,
que vai olhar para mim e me amparar. Como eu estava muito fragilizada,
chorei muito junto com a médica, que não se conformava
com meu jeito sereno de viver e aceitar as coisas que não posso
mudar. Ela esteve na assembléia e pediu para todos rezarem
pela minha saúde, e perguntou se eu conhecia a leitura na Bíblia
que falava da ovelha que vai em silêncio para o sacrifício,
enquanto que o cabrito vai berrando muito. Pediu para eu pensar bem
na Palavra. Foi um susto. Eu, em silêncio, pensei: vou morrer,
pois dava essa impressão. A pessoa que estava internada no
mesmo quarto gemia e gritava, dia e noite. Então comparei a
passagem bíblica conosco. Enquanto ficava sem poder dormir,
nem de dia, nem de noite, rezava por todos que precisavam”.
Parte
127
“Perdi peso e me sentia muito fraca. Não conseguia nem
segurar a cabeça, quando iam me deitar. Durante os dias que
passei no hospital, recebi muitas visitas de S.Bento, para me fazer
companhia, me ajudar e rezar por mim. A Denise que sempre tinha que
arrumar alguém para cuidar da Maria Eduarda, o Fabrício
que faltava no serviço para ir me visitar, a Jaqueline, a Melita
e sua nora, Élia, Ingrid, José Maurício, Rosi,
Leandro e Elisete, Alaor e o Bráulio. Além das visitas
que vinham ver minha colega de quarto. Fiquei muito feliz com a companhia
dos filhos e dos amigos, pois a solidão dói muito. Fizeram
o trabalho das enfermeiras, me deram comida e água na boca.
A alegria da partilha nos bons e nos maus momentos me fizeram rir
e todos que me visitaram ficaram contentes em ver que a cada dia eu
ia melhorando. Como Deus é bom e sabe pôr as pessoas
certas nos nossos caminhos. Quero agradecer, do fundo do coração,
por ter tantos amigos e merecer atenção e preces de
inúmeros amigos, que continuam rezando sem poder me visitar,
pis estava no hospital, em Curitiba”.
Parte
128
Em nossa vida passam muitas pessoas diferentes. Que bom que Deus me
deu a oportunidade de conhecer e partilhar alguns dias no hospital,
de gente que é doente e, mesmo assim, muito divertidas ou mesmo
estressadas. Tive a sorte de dividir o quarto com uma senhora que
era estressada e viciada por telefone. Tinha dois celulares e ainda
usava o telefone do quarto! Faltavam mãos para tantos telefones
tocando e ela se estressando e me estressando também. Pediu
alta e foi embora. Ela havia tido um enfarto. Outra senhora que passou
dois dias no quarto foi a Sra. Vani, 80 anos, uma simpatia. Contava
a sua vida da infância, juventude, e sobre sua família,
seus sofrimentos e alegrias, desfilava no quarto mostrando como era
60 anos atrás, como usavam roupas bordadas, luvas, as dificuldades,
a educação dos filhos, enfim, foi um prazer conhecer
toda a família que ela me apresentou. Foram momentos que ficarão
para sempre gravados em meu coração, pois a filha da
D. Vani me ajudou, me dando o almoço e me tratou com muita
delicadeza. Outra senhora era uma professora que não via a
hora de voltar para seus alunos. Não quis fazer os exames porque
iriam demorar dois dias e ela não agüentava ficar longe
das crianças, seus filhos e alunos.
Parte
129
A última pessoa que ficou no quarto era a D. Marina... Ri muito
na sua companhia, mas também, em silêncio, sofri, chorei
e rezei por ela. Ela gritava muito e dizia que tinha dores e falta
de ar. Quando foram pôr o soro nela, ela gritou muito. A enfermeira
pediu para ela não fazer tanto estardalhaço e ela dizia
‘sou manhosa e grito e pronto’. Às vezes as enfermeiras
diziam para ela silenciar como eu, que estava com dor e não
gritava, e ela respondia ‘sou manhosa, grito... se a tia não
grita, problema dela’. Deu um problema no pulmão e ela
teve que fazer um dreno, e então aumentou o seu sofrimento...
Mas a D. Marina chamou a enfermeira todas as vezes que precisei. Falava
muito sobre fofocas nas famílias e seus filhos todos os dias
a visitavam e lhe traziam alimentos, pois ela não gostava da
comida do hospital. Os remédios orais ela só tomava
com água mineral com gás. Me perguntei muitas vezes
por que tive de ficar no hospital tanto tempo e acontecendo tantas
coisas. Tenho uma missão, mas não sei qual é.
Que Deus me ilumine para descobrir! Foi uma boa experiência
minha estada no hospital.
Parte
130
A cada nova estada no hospital, novas experiências, novos amigos,
novas histórias. Apesar de ficar no hospital ser muito deprimente,
a gente sempre acaba por aprender alguma coisa. Por ter feito amizade
com os enfermeiros do setor três, quando fui internada novamente,
para a realização de exames, a Denise pediu para que,
se possível, eu fuçasse em um quarto no mesmo setor.
Quando subi, foi uma fila de enfermeiros para me cumprimentar, que
até foi engraçado! Até a chefe da enfermagem
veio me ver! Sempre muito carinhosos com todos, teve um enfermeiro
que passou muito tempo comigo, conversando, me contando sobre sua
vida. Além de uma paciente, acabei me tornando amiga e até
confidente. São essas coisas que nos fazem viver cada dia com
mais esperança de sair do hospital e ajudar os outros, nem
que seja contando a minha história!
Parte
131
“Depois da temporada de 24 dias no hospital, entre maio e junho,
a mãe voltou para casa, para ficar 60 dias em repouso e, depois,
retornar ao hospital para refazer vários exames e ver se precisaria
ou não fazer a terceira angioplastia com colocação
de ‘stent’. O tempo, no hospital, passa devagar.... Em
casa, parece um foguete! Logo chegou o dia de retornar. Aproveitamos
para marcar com um ginecologista, com a oncologista e com a cardiologista.
Por que ginecologia? Bem, depois que a mãe voltou para casa,
teve um pequeno sangramento. Foi consultar aqui, com um ginecologista,
que quis submetê-la a uma curetagem. Como ela estava muito fraca,
não aceitou. O ginecologista, depois de fazer um ultra-som,
localizou um nódulo no útero, por isso queria fazer
a curetagem, para mandar o material para biópsia. Como tínhamos
que levá-la novamente para Curitiba, optamos por marcar consulta
com um ginecologista que a Dra. Edilamar, cardiologista da mãe,
conhecia e que trabalhava no Hospital São Vicente também,
para facilitar. O dia foi corrido: passamos a manhã no hospital,
para que a mãe fosse atendida pela Dra. Edilamar. Foi encaminhada
para um ECG de rotina. Depois disso, fomos ao Instituto Halsted, conversar
com a Dra. Cristiane, a oncologista. No final da tarde, fomos ao consultório
do Dr. Riszart, o ginecologista. Este último, muito simpático.
Decidiu que faria a curetagem assim que a Dra. Edilamar pedisse o
internamento da mãe para a realização dos exames.Fim
do dia: na semana seguinte a mãe voltaria para o Hospital São
Vicente para realização de exames, da curetagem e, quem
sabe, da angioplastia”.
Parte
132
Depois de passar mais uns dias em casa, a mãe voltou para Curitiba,
para fazer a curetagem e alguns exames. Com o problema de coração,
a mãe necessita de cuidados especiais antes de qualquer intervenção
cirúrgica, mesmo sendo considerada simples, como a curetagem.
Ficou por uns dois dias sendo medicada e, então, foi submetida
à curetagem. Até agora não pegamos o resultado
da biópsia, mas, como o Dr. Riszart não entrou em contato
conosco, com certeza não era nada grave. Nesta mesma internação,
Dra. Edilamar achou conveniente que se fizesse a colocação
do terceiro ‘stent’, que foi feito sem sobressaltos. Depois
de se restabelecer da curetagem, a mãe estava de alta e voltou
para casa.
Passados mais alguns dias, voltamos com a mãe para Curitiba,
agora para consultar um especialista em circulação,
com quem a Dra. Edilamar, muito atenciosa, conversou e marcou uma
consulta. Por um capricho do destino, a mãe acabou consultando
com um médico com o mesmo nome, mas que é especialista
em oncologia. Tudo tem um motivo. Ao examinar a mãe, Dr. Marcelo,
oncologista, disse que essa dor no braço esquerdo, constante
nas últimas semanas, e o inchaço no mesmo braço,
seriam decorrentes de um tumor, mas ele queria ter certeza. Para isso,
pediu uma série de exames de sangue e uma tomografia. Quando
vieram os resultados, a confirmação: a mãe está
com um tumor na axila, além das metástases nos ossos
e no fígado, que ela já tinha desde junho de 2005. O
que fazer? Começar a quimioterapia o mais rápido possível.
Dr. Marcelo pediu que fosse implantado um cateter permanente, para
que o braço direito da mãe não fosse mais tão
judiado. Internamento novamente no Hospital São Vicente.
Parte
133
Por três dias a mãe ficou internada e o médico
que iria fazer a colocação do cateter, se negou. Voltamos
para casa, mas com o dia e hora marcada para a colocação,
com outro médico. A mãe voltou a internar-se e, agora,
o procedimento foi feito. Era sexta-feira, dia 27 de outubro. Tudo
transcorreu bem, a mãe voltou para casa no mesmo dia.
Na terça-feira, 31 de outubro, a mãe começou
a vomitar à noite. Ligamos para a médica, Dra. Edilamar,
e ela pediu para que levássemos a mãe para tomar um
ampola de plasil. Assim fizemos e o enjôo e as náuseas
passaram. Durante a madrugada, a mãe começou a sentir
muitas dores na região direita do abdômen (barriga),
mas não chamou o Fabrício. De manhã, o Fabrício
me ligou e avisou que a mãe não estava muito bem. Fui
para a casa dela e liguei para o Dr. Marcelo, pois imaginei que a
dor seria decorrente do tumor no fígado, devido a região
que a mãe apontava que doía. Ele estava em reunião
e não poderia atender. Liguei então para a Dra. Edilamar,
expliquei o quadro e ela pediu para que levássemos a mãe
imediatamente para Curitiba, para ser examinada e medicada. Liguei
para o Fabrício, arrumei umas roupas e fomos. A mãe
foi gritando de dor daqui a Curitiba. Quando estávamos chegando
no Ceasa, a secretária do Dr. Marcelo me ligou e pediu para
que fôssemos direto ao consultório, que o doutor queria
vê-la. Chegamos lá próximo ao meio-dia. A mãe
recebeu uma injeção de morfina e ficou alguns minutos
sem dor. O médico nos encaminhou para o Hospital Nossa Senhora
das Graças, para internamento de emergência, para que
ele pudesse realizar exames e ver o motivo de tantas dores. Chegamos
ao hospital às 12:30. A mãe foi atendida. Aguardamos.
A mãe foi medicada. Aguardamos. A enfermeira veio fazer o punção
do cateter para a colocação do soro. Aguardamos. Quando,
finalmente, entramos com a mãe no quarto, a dor já havia
cedido um pouco e ela finalmente pôde dormir, já eram
15:40.
Parte
134
Deixamos a mãe no quarto e fomos até a Unimed, liberar
a quimioterapia que, a princípio, estava marcada para aquela
semana, mas que não sabíamos se seria feita ou não.
Aproveitamos para fazer um lanche e voltamos ao hospital. A mãe
já estava um pouco melhor, sem dor ao menos. Ficamos um pouco
com ela e, como já eram quase 18:00, resolvemos voltar para
S.Bento. Pelo visto, começaria mais uma maratona S.Bento-Curitiba-S.Bento.
Na sexta-feira, dia 03/11, fui cedo para Curitiba, passar o dia com
a mãe. Ela estava sentada quando cheguei. Reclamava de dormência
nos pés e fraqueza, mas disse que a dor do lado direito havia
passado, que ela somente sentia o corpo dolorido. A dor no braço
continuava. Passei o dia todo com ela, saindo apenas para almoçar.
Quando estava saindo do hospital, encontrei o médico. Conversei
com ele sobre os remédios que a mãe tomava em casa e
que não estavam sendo ministrados do hospital e ele disse que
tomaria uma providência. Voltei para casa mais tranqüila,
vendo a mãe melhor.
No sábado, o Fabrício foi para Curitiba com a Jaqueline,
passar o fim de semana com a mãe. A mãe gostou muito
da companhia, mas, como sempre, disse que não precisava, que
devíamos ficar em casa e não ficar indo para lá,
que lá ela estava bem cuidada. Claro que nunca damos ouvimos
a esses pedidos dela!
Parte
135
Na terça-feira à noite a Jaqueline me ligou e disse
que haviam ligado do hospital, avisando que a mãe tinha sido
transferida para a UTI. Quarta pela manhã liguei para o Fabrício
e disse que estava indo para Curitiba, ver a mãe. Ele disse
que não precisava, porque o médico havia dito a ele,
na noite anterior, que a mãe só foi para a UTI porque
o plantonista daquela noite não conhecia o caso dela e ele
achou que ela estaria melhor assistida na UTI. Fui assim mesmo.
Cheguei ao hospital tarde. Só tinha mais 15 minutos de visita.
Fui até a UTI e, logo que cheguei, vi que a mãe estava
recebendo sangue. A enfermeira informou que era porque a anemia dela
havia se acentuado. A médica da UTI me chamou para conversar.
Disse que não havia solicitado um exame que o outro médico
pedira por achar muito risco para o momento e que, através
dos exames já feitos, fora constatado que havia realmente pedras
na vesícula. Voltei o lado da cama da mãe e ela não
conversou comigo. Fiz algumas perguntas, mas não eram respondidas.
Então, veio a enfermeira e me pediu para sair, que o horário
de visitas havia terminado. Me despedi da mãe e ela me disse
‘Obrigada pela visita de médico’. Foi tudo o que
me disse naquele dia... Voltei para casa preocupada...
Parte
136
“Como nuvem passageira é nossa vida, e quem nos leva...
Quem nos leva é o sopro do Senhor.
Acreditamos que ao Senhor pertence tudo.
O que Ele fez, Ele fez foi por amor.
Como nuvem passageira
é nossa vida, e não importa,
Não importa nem dinheiro nem poder
Feliz daquele que ao chegar aquela hora,
Está sereno e preparado pra morrer.
Somos todos como
nuvem passageira,
Não importa quantos anos viveremos,
Ao chegar a nossa hora derradeira
O Senhor perguntará o que fizemos.
Lá no céu
só vão entrar os amorosos,
Os que amaram como Deus mandou amar.
Quem lutou pra ver feliz outras pessoas,
Eternamente lá no céu irá morar...”
(Pe. Zezinho)
E a luta terminou...
1:30 da madrugada do dia 16 de janeiro de 2007, IRIS MARIA
ROSÁ deu preferência por entregar-se à
Nossa Senhora e, em seu colo, seguir seu destino rumo ao descanso
eterno... Foram 3 anos e 3 meses de vitórias e derrotas, alegrias
e tristezas... Enquanto uns reclamavam de uma dor de cabeça,
a IRIS não reclamava do gosto amargo na boca, da dor no braço,
da queda de cabelos, da dor na ponta de todos os dedos.... E o mais
incrível é que, quem quer que viesse e fizesse a pergunta
‘Como você está?’, a IRIS respondia: ‘BEM’...
Quanta luta... Que exemplo!
Como disse o Pe. Nivaldo na celebração antes do sepultamento:
‘Não importa como se morre. Importa como se vive’!
Parte
138
Vou continuar contando a luta de minha mãe até o dia
de seu falecimento... Foi triste, foi duro, mas estávamos nos
preparando para isso. Como a mãe, sempre dizíamos que
ela estava bem, pois estava. Mas o fígado teimou em parar de
filtrar o sangue, e tudo foi piorando rapidamente.
Conforme contei na última semana de dezembro, minha mãe
havia sido transferida para a UTI, para cuidados constantes. Quando
voltei naquela noite para São Bento, sentei e escrevi um e-mail
para o Dr. Marcelo, reclamando, pois ele nos dizia que a mãe
estava melhor e eu fui para lá e a encontrei pior... Ele me
respondeu que o ‘melhor’ a que ele se referia era que
a dor havia cessado. Colocou o seguinte: ‘Se a mãe for
morrer agora, ela morre sem dor. É a isso que me refiro. Ela
está melhor, pois está sem dor.’ Deste momento
em diante, sabia que teria que preparar para a perda... Na sexta-feira,
dia 10/11, foi feita a quimioterapia... No domingo havíamos
combinado que o Fabrício iria pela manhã ficar com a
mãe e eu iria à tarde, com o Alaor e a Maria Eduarda.
Conseguimos autorização do médico e do hospital
para entrar com a Duda no quarto. Meu irmão foi. Quando estava
chegando em Curitiba, me ligou e disse que a mãe estava de
alta e que ele daria um jeito de trazê-la para casa, pois não
sabíamos que ela viria no domingo e ele não havia levado
nenhuma roupa... Foi muito bom vê-la chegando em casa, mas tivemos
que pedir ajuda aos bombeiros, pois ela estava muito fraca e não
conseguia subir as escadas de casa. Quero deixar aqui nossos agradecimentos
aos bombeiros que sempre em nossas solicitações, se
mostraram prestativos e atenciosos.
Desta temporada de hospital a mãe voltou para casa com os pés
inchados e muito fraca. Tinha dificuldades de levantar da cama, ir
ao banheiro, ir à sala assistir televisão... Mas, todos
os dias, a incentivávamos a continuar lutando, a não
se entregar, a fazer um esforço e sair do quarto, e ela fazia.
A Duda, companheira da vovó, ajudava alcançando a ‘badala’
(bengala), levando a vovó pela mão, fazendo companhia
na hora do café. Sentava na cama com a vovó e cantava
para ela. Para a mãe, era uma felicidade constante ter o ‘meu
anjinho’, como ela chamava a Duda, ao seu lado.
Parte
139
No dia em que visitei a mãe na UTI, o que me fez reclamar para
o médico, a mãe nem conversou comigo. Depois que ela
voltou para casa, perguntei se ela lembrava de eu tê-la visitado.
Ela disse que sim. Então perguntei porque ela não falou
comigo. Ela disse que, na cabeça dela, ela falou, ou melhor,
brigou comigo por que um homem que estava no quarto disse a ela que
a Duda havia morrido em um acidente de carro e que eu havia ganho
R$ 10 mil para não contar pra mãe. Então ela
ficou muito braba e ficava esperando que eu falasse alguma coisa sobre
o acidente. E eu perguntei sobre a transfusão, sobre a sopa
que ela estava tomando, sobre como ela estava se sentindo... E a mãe
não me respondia nada... Isso tudo foi efeito da medicação
contra dor que a mãe estava tomando: ela tinha alucinações.
Tanto que, na sexta, quando o médico a transferiu novamente
para o quarto, ele perguntou pra mãe se ela ainda via monstros,
e ela respondeu que não.
Depois de 11 dias no hospital, mãe de volta em casa, se recuperando.
Na quarta-feira, dia 15/11, nova sessão de quimioterapia. O
Zé Mello levou a mãe e eu fui de companhia. Tudo transcorreu
normalmente, apesar da inquietação da mãe, e
a vontade de sair da sala, de ir embora. Depois da sessão,
consulta com o Dr. Marcelo e retorno para casa. A mãe estava
feliz. Estava voltando a mexer o braço que há um ano
e meio não conseguia mover nem os dedos da mão! Era
o efeito esperado da quimioterapia! As sessões de quimioterapia
agora eram semanais, mas os efeitos mais brandos. Na sessão
seguinte, novamente fui com a mãe. Ela estava mais calma. Demorou
um pouco para que as enfermeiras conseguissem puncionar o cateter,
mas a sessão foi muito boa. Novamente consulta com o Dr. Marcelo.
Ele chegou no consultório, olhou para a mãe e disse:
‘Sem olhos amarelos? Você está bem, pode ir para
casa, não vou te consultar hoje’. Ameaçou sair
e disse: ‘Já venho te atender’. Voltou, sentou
na frente da mãe e disparou: ‘Aquele dia que te internamos,
nem eu nem ninguém da equipe acreditava que você sairia.
Você ia morrer. A gente fez a quimioterapia para diminuir a
dor, porque achávamos que você não iria resistir.
Mas saiu do hospital e está aqui. Posso dizer que foi um milagre.
A bola bateu na trave e voltou’. Ouvir isso assim, ‘na
lata’, assusta, mas, ao mesmo tempo dá esperanças.
Na semana seguinte, contagem de plaquetas muito baixa e quimioterapia
suspensa.
Parte
140
Mais uma semana passou e retornamos a Curitiba para nova sessão
de quimioterapia. Desta vez a mãe estava mais tranqüila.
A sessão transcorreu bem, sem sobressaltos. Um único
pequeno contratempo: houve dificuldade em pulsionar o cateter para
iniciar a sessão, mas depois, tudo muito bem! Novamente fomos
para o consultório do Dr. Marcelo. Conversou com a mãe,
mostrou-se feliz por haver melhoras no quadro. Chamou a enfermeira
para fazer um curativo debaixo do braço esquerdo da mãe,
que, por falta de movimentação, começa a exalar
um odor ruim, por ficar sempre úmido. Já começa
a dar uma úlcera de contato. A enfermeira, Neusa, atendeu com
muita atenção e me mostrou como fazer o curativo, três
vezes ao dia. Na volta para casa, como sempre, a mãe pediu
para parar no posto e comprar um pastel de pizza e um quindim pra
ela, além de lanche para o Fabrício e a Jaque, o Alaor
e a Duda e nosso motorista. Viagem tranqüila.
Cada vez que eu voltava de Curitiba com a mãe, depois de consultar
com o Dr. Marcelo, chegava em casa e contava para meu marido o que
o médico havia dito. Meu marido sempre me alertava para não
ficar muito animada, porque a situação era grave. Ele
sempre me pedia para ir me preparando. Ao mesmo tempo que eu sabia
que era isso que deveria fazer, me lembrava das palavras otimistas
do Dr. Marcelo e ‘deixava para depois’... Minha razão
me fazia ficar preparada e meu coração me fazia ter
esperanças. É um sentimento difícil de explicar.
Parte
141
Nem lembro quantas sessões de quimioterapia a mãe fez
entre novembro e janeiro, quando faleceu... Lembro que umas duas sessões
foram canceladas por baixa contagem de plaquetas. Mas apesar do cansaço,
era bom ir com ela para Curitiba e vê-la voltar animada com
o que o médico dizia, ou com os progressos que ela mesmo conseguia,
como mexer o braço esquerdo.
Tenho certeza de que a mãe sabia que iria morrer assim, rápido.
Ela sempre sabia de tudo. Na semana entre Natal e Ano Novo, minha
mãe enfraqueceu bastante. Parecia que ela havia se entregado
de vez à doença. Eu insistia em fazê-la sair da
cama, ir pra sala, ir almoçar conosco na cozinha, mas nem sempre
ela aceitava. Passamos a noite de Ano Novo com ela, eu, meu marido
e a Duda. Ela praticamente nem comeu. Quando chegou na cozinha, olhou
meu marido que terminava de servir à mesa e disse: ‘O
cheiro está delicioso. O gosto também deve estar, mas
eu sinto tudo amargo’. Depois que fomos pra casa, meu marido
disse: ‘Não gostei nada do que a D. Iris disse. Minha
avó também sentia tudo amargo nos últimos dias
de vida e chegou a pedir vinagre para beber, para sentir o gosto’.
No domingo, dia 31/12, fomos até Oxford, na padaria, e trouxemos
um pedaço de torta de maçã. Deixei pra mãe
e, na segunda, quando cheguei na casa dela, me disse toda feliz: ‘Deni,
a torta estava uma delícia! Senti o sabor da canela! Tinha
bastante canela!’. Acho que foi o último sabor que a
mãe sentiu...
Parte
142
Dia 4 de janeiro o Fabrício levou a mãe para Curitiba,
com a Jaqueline. A viagem transcorreu normalmente, a mãe comendo
pouco, com uma infecção na garganta, proveniente da
baixa imunidade, decorrente das constantes quimioterapias...
 |
Na sexta-feira,
dia 05/01, cheguei na casa da mãe perto das 11:00 e ela ainda
estava deitada. Fui no quarto, puxei as cobertas e, antes de poder
dizer alguma coisa ela me pediu: ‘Não briga comigo, Deni,
mas eu não quero sair da cama. Só me ajuda a ir ao banheiro
e me deixa deitar de novo. Não briga comigo...’. Quase
não teve forças para se levantar. O único lugar
em que a mãe ia, durante seus últimos dias, era no banheiro.
As únicas coisas que conseguia comer eram uva e melancia...
Nem o caldo que fazíamos ela queria tomar... Foi definhando
cada vez mais... Vi minha mãe perder o brilho de vida dos olhos...
Na quinta-feira, dia 11/01, fui com a mãe para Curitiba. Quem
nos levou foi o Zeca, afilhado querido dela. Ela estava bem, apesar
de fraca. Chegamos ao IOHC - Instituto de Oncologia e Hematologia
de Curitiba, onde a mãe fazia a quimioterapia e logo fomos
atendidos. Deixei o Zeca entrar com ela. Depois, ele saiu e eu entrei.
Estranhei a demora das enfermeiras em pulsionar o catéter para
começar a quimioterapia. Então, uma das enfermeiras
veio e nos disse: ‘Dr. Marcelo mandou suspender a sessão
e pediu para que a senhora vá ao Hospital Nossa Senhora das
Graças e consulte na emergência, porque sua pressão
está 8X5 e sua temperatura está 37º’. Lá
fomos nós, novamente para o hospital. De novo o Zeca teve que
levar a tia Iris para o hospital...
Parte
143
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Chegamos no Hospital
Nossa Senhora das Graças por volta de umas 11:30. Já
quando paramos o carro, pedi ao segurança uma cadeira de rodas.
Enquanto a enfermeira levava a mãe para dentro do hospital
e o Zeca estacionava o carro, fui à recepção
fazer os papéis para atendimento de emergência. Não
demorou muito e fomos atendidas. O médico da emergência
examinou e disse para mãe: ‘Tem duas opções:
te dou um soro, tua pressão normaliza, você faz a quimioterapia
e volta pra casa ou, como você está um pouco fraca e
não consegue comer direito por causa dessa infecção
na garganta, você fica uns dois dias aqui, com soro, e se fortalece’.
A mãe preferiu a segunda opção e, então,
o médico solicitou o internamento. Fui assinar os papéis
de internamento, enquanto o Zeca ficou com a mãe. Quando voltei,
o Zeca saiu. Na hora em que as enfermeiras vieram para levar a mãe
para o quarto, chamei o Zeca na sala de espera, e subimos juntos.
A mãe acabou ficando no mesmo quarto em que foi internada pela
primeira vez neste hospital.
A mãe estava bem acomodada no quarto, então saímos
para ‘almoçar’ perto das 15:00. Fizemos um lanche
e, enquanto fui ao mercado comprar sabonete, pasta de dente, escova...
o Zeca voltou para o hospital. Ficamos com a mãe mais um pouco
e ela pediu para voltarmos durante o dia ainda, para que não
ficasse preocupada de que estávamos na estrada à noite.
Ainda brincamos com o Zeca que ‘você não vai querer
trazer mais a tia para Curitiba, porque as últimas vezes que
você veio, não conseguiu levá-la de volta pra
casa’... Nos despedimos e voltamos. Na viagem de volta, disse
ao Zeca que, quando entrei no hospital, senti que a mãe não
voltaria pra casa... No dia do enterro da mãe, ele chegou e
me disse: ‘Deni, no dia que levei a tia pra Curitiba, que a
gente entrou no quarto pra deixar ela, eu sabia que ela não
ia sair de lá viva, mas guardei pra mim’.
Parte
144
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Chegamos em casa
antes das 19:00 naquele dia. Meu marido perguntou como foi, e falei
que a mãe teve o problema com a pressão e teve que ficar
hospitalizada. Depois que a Duda dormiu, fiquei conversando com meu
marido e disse a ele: ‘Hoje, assim que entrei na emergência
do hospital, senti que a mãe não volta pra casa...’.
Foi uma sensação, como que um aviso. A sexta passou
e não fomos para Curitiba. Ligamos para umas amigas e elas
foram passar a tarde com a mãe. No sábado, o Fabrício
e a Jaqueline passaram o dia com ela e, conversando com o médico,
conseguiram permissão para que eu levasse a Duda para visitá-la
no domingo.
Domingo pela manhã, quando estava terminando de arrumar as
coisas para ir a Curitiba, o Fabrício me liga: ‘Você
vai para Curitiba? O médico acabou de ligar avisando que a
mãe piorou e que é para a família ir pra lá’.
Disse que já estava saindo e que ele esperasse em casa até
que eu chegasse em Curitiba e verificasse a situação,
se realmente era necessário que ele também fosse. Saímos.
Quando entramos no hospital, vi uma mensagem do Fabrício no
celular: ‘Médico ligou novamente. Mãe piorou mais.
Estou saindo’. Entramos, fomos até o quarto e tive um
choque, parei na porta pelo susto. Não esperava ver a mãe
daquele jeito. Sabia que ela havia piorado, mas não pensei
que a tal ponto... Ela estava imóvel, com a máscara
de oxigênio, respirando profundamente mas sem ritmo e com os
olhos cobertos por uma gaze...
Entramos no quarto, cumprimentamos ela, lhe abraçamos, beijamos
e ela não esboçou nenhuma reação... Aqueles
olhos parados, opacos, sem vida...
Parte
145
A Duda não quis beijar a vovó porque ficou com medo
da máscara de oxigênio, mas logo foi se acostumando com
o lugar e começou a brincar pelo quarto, dançando e
chamando a vovó. Vez por outra pedia para deitar na cama, junto
com a vovó, e ficava cantando para ela, fazendo carinho no
braço, mas a mãe não reagia...
O Fabrício e a Jaqueline chegaram logo depois do meio-dia,
então aproveitamos para ir almoçar. Na volta, conversei
com o chefe de enfermagem. Pedi para que ele fosse sincero comigo,
não se importando com o que pudesse parecer o que iria me dizer.
Ele disse: ‘Sabe, pensei que tua mãe fosse morrer antes
do almoço, mas tua cunhada me falou que ela é uma lutadora,
e é mesmo. Mas acho que dessa noite não passa... Quer
um conselho? Peça para o médico começar a sedá-la,
para que ela relaxe um pouco e consiga descansar melhor...’.
É duro ouvir uma coisa dessas, mas faz parte da vida da gente,
quando se tem alguém doente na família.
Combinamos que eu ficaria em Curitiba, aquela noite, uma vez que o
Alaor havia entrado em férias e eu não precisaria me
preocupar com a Duda. Os enfermeiros também pediram para que
alguém da família ficasse, pois, segundo eles, a única
prescrição deixada pelo médico foi ‘Hidratação,
conforto e companhia’, pois não havia mais volta do estado
em que a mãe estava. Fui com o Alaor até a saída
da rodoviária de Curitiba, para que a Duda dormisse e não
me visse ficar em Curitiba, para evitar que ela voltasse chorando.
Voltei de ônibus para o hospital, comprei um lanche e uma revista
e fui para o quarto. Pelas 18:00 o Fabrício saiu para vir embora
e eu fiquei, sozinha, com a mãe imóvel na cama.
Por volta das 20:20, as enfermeiras vieram no quarto para trocar a
roupa de cama e as fraldas da mãe. Então parece que
a mãe ‘acordou’. Ficou muito agitada, querendo
tirar a máscara de oxigênio. Fui para o lado da cama
dela, peguei sua mão, chamei e ela me olhou.
Parte
146
O brilho tinha voltado à seus olhos, mas ela não conseguia
falar. Segurando sua mão, disse: ‘Mãe, se você
me entende, aperte minha mão’. Ela apertou firmemente,
me olhando fixo. Continuei: ‘Você ouviu a Duda o dia todo
aqui, cantando pra você e fazendo bagunça?’ Ela
apertou minha mão novamente e seus olhos se encheram de lágrimas.
‘Mãe, você está com dor?’ Ela soltou
minha mão e eu fiquei feliz por ela estar confortável,
sem dor. Aí, fiz uma pergunta para a qual já sabia a
resposta: ‘Mãe, você quer ir para casa?’
Ela agarrou minha mão e fixou os olhos nos meus. Seu olhar
foi suplicante, mas cheio de amor. Eu sabia que sua maior vontade
era morrer em casa, mas a gente não tinha muito o que fazer...
Foi a última vez que vi minha mãe com os olhos vívidos,
se comunicando comigo...
Durante a madrugada a mãe ficou agitada mais duas vezes, mas
não me ‘respondeu’ mais nada. Pela manhã,
quando os enfermeiros vieram dar banho na mãe, ela parecia
desperta. A enfermeira perguntou para a mãe se estava tudo
bem e ela, em um grande esforço, balbuciou um ‘sim’
quase inaudível. Foi sua última palavra.
Perto das 10:00 o capelão do hospital veio ao quarto, fez uma
oração e deu a Unção dos Enfermos para
a mãe. Ela estava agitada. Ficava mexendo os pés e já
estava ficando de atravessada na cama, com os pés para fora.
Pelo meio-dia chegaram as irmãs Maria Madalena e Irmã
para fazer uma visita, mas sem saber que a mãe estava assim,
tão mal. Acabei cedendo aos pedidos da Ir. Maria Madalena e
saí com ela, deixando a Ir. Irmã com a mãe, pois
ela queria fazer uma oração especial pela mãe,
para que ela descansasse sem medo e sem dor.
Logo após o almoço, passou pelo quarto uma médica
da equipe do Dr. Marcelo, e me perguntou se precisávamos de
alguma coisa. Pedi a ela que desse algum medicamento para que a mãe
se acalmasse, pois estava querendo ‘sair da cama’.
Parte
147
Ela prontamente atendeu, pedindo aos enfermeiros que começassem
a ministrar morfina a cada duas horas e iniciaram também a
sedação. Por volta das 14:30, a mãe estava bem
tranqüila. Meu irmão e minha cunhada já haviam
chegado. As irmãs ainda estavam conosco.
Fui ao posto de enfermagem e pedi uma lista telefônica, para
ligar para algumas funerárias e ver o procedimento para trazer
a mãe para casa, quando ela falecesse. Deixei tratado com uma
funerária que, assim que a mãe falecesse, iria ao hospital
pegar a mim ou meu irmão, levaria até a loja para escolher
o caixão e, depois disso, ficaria responsável por todo
o serviço, tanto burocrático quanto com o corpo.
Nosso primo, Zeca, também foi ao hospital naquela tarde. Queria
ver a tia pela última vez com vida, mesmo tendo a impressão
de que ela não estava mais ali, conosco. Acabei voltando para
casa com ele, e o Fabrício ficou com a mãe, para passar
aquela noite. O que aconteceu depois da minha saída do hospital,
quem vai contar é o Fabrício, que vivenciou esses momentos.
Por Fabrício
Rosá
Quando cheguei ao hospital naquela tarde de segunda-feira junto com
minha noiva fiquei ainda mais entristecido, pois os fatos estavam
ali, aquilo tudo não era um sonho ruim. No dia e noite anteriores
eu não havia descansado nada, tampouco conseguido dormir. Passei
o dia falando com os médicos de minha mãe, em especial
com o querido e sempre atencioso Dr. Marcelo.
Parte
148
Por mais que eu soubesse que a situação em que minha
mãe se encontrava era irreversível, continuava questionando
cada um dos médicos sobre o estado em que ela se encontrava.
Eu esperava um milagre. A estes médicos, que com incomparável
atenção, carinho e dedicação, cuidaram
de minha mãe até o último instante, dedico enorme
carinho e sempre estarão presentes em minhas orações.
Na manhã de segunda-feira eu e minha noiva tratamos de providenciar
uma série de documentos e preparativos para irmos para Curitiba
antes do meio-dia. Afinal de contas, a realidade era palpável
e minha mãe não mais retornaria para casa. Nesta mesma
manhã tentamos, também, entrar em contato com algum
médico que tratava de outras doenças de minha mãe
em São Bento do Sul para tentarmos uma transferência
para sua terra natal, a fim de que ela passasse seus últimos
momentos na cidade que ela tanto amava. Como todos sabem, isso não
foi possível. Por volta de 11:00 do dia 15 de janeiro de 2007
partimos rumo a Curitiba.
Por mais que houvéssemos nos preparado para tudo isso, ou achávamos
que havíamos nos preparado, a chegada ao quarto nº 343,
do Hospital Nossa Senhora das Graças, por volta das 12:30,
foi o momento mais triste de minha vida. Essas primeiras horas em
que passei com minha mãe no dia 15 de janeiro de 2007 –
logo ao chegar a Curitiba –, como relatei para alguns amigos
mais especiais, foram horas que eu, de todo coração,
gostaria de ter apagado de minha memória e de ter afastado
minha mãe de todo aquele sofrimento. Desejei que ela jamais
tivesse passado por todo aquele sofrimento. Desejei que fosse a mim
que Deus tivesse reservado tal provação.
Parte
149
Cheguei e fui imediatamente para perto de minha mãe. Beijei-a
com todo o amor que tenho no coração. Abracei-a. Acariciei-a
com ternura e a confortei em meus braços. Minha mãe
estava sofrendo como nunca vi alguém sofrer. Ela estava muito
agitada. Torcia-se em seu leito e tinha uma expressão de quem
pedia ajuda de maneira desesperada. Eu a chamava e ela fixava seu
olhar no meu. Pedia para que ela se acalmasse, pois eu estava ali
para cuidar dela e lhe tirar toda sua dor. Solicitamos ao médico
para que providenciassem alguma medicação para cessar
aquele sofrimento. As irmãs Maria Madalena e Irma, amigas de
longa data, por quem tenho imensurável gratidão e amor,
ficaram cuidando de nossa mãe para que eu, minha noiva e minha
irmã pudéssemos almoçar. Voltamos do almoço
e minha mãe ainda estava agitada, porém percebíamos
que ela estava se acalmando. Havia sido medicada e, logo após,
iniciaram a sedação. Naquele momento não pude
mais agüentar. Sentei no chão, em um cantinho do quarto,
e, sabendo que estava perdendo minha mãe para sempre, chorei
como nunca havia chorado em minha vida.
Por volta das 17:00, com minha mãe já sedada e tranqüila,
minha irmã e meu primo Zeca, que considero um irmão,
assim como minha mãe o considerava como filho, voltaram para
São Bento. Logo após o Dr. Giovanni passou no quarto
para ver minha mãe. Falamos com ele e, novamente, perguntei
se nada mais poderia ser feito. A resposta foi a mesma: “É
só aguardar. A única coisa que podemos fazer é
darmos conforto para ela descansar em paz”. Passei a tarde toda
ao lado de minha mãe. Conversei muito com ela. Não parei
de fazer carinho nela, beija-la e tranqüilizá-la. Falei
para ela o quanto a amávamos, o quanto ela era importante e
o quanto significava para sua família e amigos.
Parte
150
Lhe falei sobre toda a admiração que sentia por ela,
por seu exemplo de vida e amor incondicional. Procurei deixá-la
confortável, mantendo seus olhos e lábios sempre umedecidos.
Algumas vezes ela fechava os lábios quando eu os molhava e
suspirava, agradecendo por aquele conforto. Incontáveis as
vezes que me afastei para chorar.
Passei vários momentos em silêncio, apenas fazendo carinho
e segurando a mão de minha mãe. Senti um movimento mínimo
em seus dedos tentando apertar minha mão. Talvez o último
carinho de mãe.
A noite se avizinhava. A mãe estava ficando visivelmente
mais fraca a cada hora que se passava. Eu e minha noiva continuávamos
com nossas atenções voltadas para minha mãe.
Saí do quarto algumas vezes durante aquele dia para ir orar
na capela do hospital. Pedia que minha mãe pudesse descansar
em paz.
Naquela noite, bem como durante toda a tarde, confortei minha mãe
e lhe disse que ela podia descansar em paz, pois sua missão
neste mundo havia se cumprido. Ela havia criado uma família
maravilhosa e, junto com meu pai, proporcionou tudo que seus filhos
necessitavam nesta vida. Disse à minha mãe que ela deveria
descansar pois nós estávamos bem e que ela não
deveria se preocupar conosco.
Os enfermeiros, sempre atenciosos, carinhosos e prestativos, vinham
ao quarto constantemente para trazer medicação, verificar
a febre, dentre outros diversos cuidados. Sempre nos traziam uma palavra
de conforto ou um agradecimento pelo que viveram com minha mãe
nesses poucos dias. Nessas horas eu via a confirmação
do quão especial fora minha mãe.
Parte
151
Por mais que nos preparamos e procuramos aceitar os desígnios
de Deus, ninguém quer perder um ente querido, quiçá
aquele que lhe deu a vida. As forças de minha mãe se
esvaiam lenta e gradativamente. Por volta das 22:00 iniciei a oração
do terço junto de minha mãe. De mãos dadas com
ela, rezei o terço da maneira que eu sabia. Não havia
mais nada em que se apegar, somente orar e entregar tudo nas mãos
de Deus. Resolvi rezar um rosário. Minha noiva veio me
acompanhar na oração. Ao final daquele rosário
minha noiva resolveu continuar rezando o terço enquanto eu
me deitei na cama ao lado de minha mãe.
A madrugada chegara. A noite estava quieta e o hospital, em silêncio.
Eu estava deitado ao lado da cama de minha mãe e ouvi minha
noiva me chamar dizendo que a mãe estava ficando mais fraca.
Fiquei ao lado de minha mãe, olhando seu semblante e acariciando-a.
Enchendo-a de beijos e carinho e lhe dizendo que podia descansar em
paz. Não sei como, ou por que, mas experimentei uma tranqüilidade
que jamais pensei que sentiria num momento como aquele. A respiração
de minha mãe estava bem curta e fraca, bem diferente daqueles
longos e descompassados suspiros que a acompanhavam há mais
de um dia. Chamamos um enfermeiro que a examinou e disse que ela estava
prestes a descansar.
Parte
152
Ficamos ali, eu e minha noiva, fazendo o que podíamos; dando
conforto, carinho, atenção e amor. O tempo passava devagar.
Minha noiva perguntou se deveria ligar para minha irmã e eu
disse que deveríamos esperar que a mãe descansasse.
Lentamente a respiração de minha amada mãe foi
cessando. Acariciei-a e a beijei. Sua respiração cessara,
mas seu coração ainda batia. Sua força de viver
era incrível. Após alguns instantes, Iris Maria Rosá,
amada esposa, amada mãe e amada avó, deixava este mundo
para se encontrar com seu amado e saudoso esposo junto de Deus, sendo
acolhida nos braços de Nossa Senhora. 16 de janeiro de 2007,
1:30; minha mãe falecera com um semblante tranqüilo.
Chamamos o enfermeiro que a examinou e apenas disse que iria chamar
o médico de plantão para confirmar o óbito. Ligamos
para minha irmã para que ela desse a notícia aos amigos
e familiares de São Bento, bem como providenciasse tudo em
São Bento do Sul para o velório e sepultamento. O médico
plantonista chegou e perguntou como haviam sido os últimos
instantes de minha mãe, pediu licença e a examinou.
Após alguns instantes confirmou o óbito e se pôs
a disposição para qualquer necessidade que tivéssemos
no hospital. Logo após chegaram os enfermeiros e pediram para
que deixássemos o quarto para que eles pudessem transportar
o corpo até o necrotério. Deixamos o quarto e fomos
resolver as questões burocráticas no hospital e na funerária
para liberarmos o corpo de minha mãe e transportá-lo
para São Bento do Sul.
4:00 deixamos Curitiba com meu amigo Paulo que foi nos buscar junto
com meu primo Zeca, que ficou na funerária para acompanhar
o traslado do corpo até São Bento. Fizemos tudo o que
estava ao nosso alcance. Ficam as lembranças maravilhosas e
o exemplo de vida da mãe, da avó, da mulher. Fica apontada
a direção e plantada a semente. A saudade é enorme!
Seguimos em frente nos espelhando em nossos pais. Sabemos que eles
nos olham lá do alto.
Por
José Maurício Knop
Parte
153
Quando a Jake me ligou dia 04/01/07 para levar a madrinha a Curitiba,
eu estava muito ocupado na empresa, pois havíamos voltado das
férias, falei que ligaria de volta para confirmar se poderia.
Na segunda dia 08/01/07 liguei para dizer que não
poderia ir, pois estava com muitos problemas, mas quem atendeu o telefone
foi a madrinha. “Você vai me levar à Curitiba”,
com tanto carinho foram as palavras que não consegui dizer
não.
Na quarta-feira 10/01/07, não gostei de ver a madrinha
naquele estado, tão fraca, quase não falava, me abraçou
e sussurrou no meu ouvido, “que bom que você vai me levar
a Curitiba”.
A viagem foi num silêncio... únicas palavras eram
da Denise, mãe quer água, resposta era sim, sempre com
um sorriso, ela olhava para mim. Fomos no médico, e após
para Unimed, no estacionamento enquanto esperávamos a Denise
voltar, ela conversou comigo. Zeca já está tudo decidido
entre a Denise e Fabricio, só não assinei porque quero
que eles usem o dinheiro do seguro para o inventário. Brinquei
com ela dizendo, “para tia, a gente vai pra casa ainda”,
ela sorriu pegou na minha mão, ficamos em silencio até
a Denise voltar.
No Hospital Nossa Senhora das Graças, a Denise contou em detalhes,
como tudo aconteceu.
Na segunda-feira a tarde dia 15/01/07, quando vi a madrinha,
me choquei... não tem palavras para descrever esta cena, Denise,
Fabricio e Jake, saíram para falar com o médico ou almoçar
não me lembro, mas só tenho a agradecer por vocês
me deixarem sozinho, pois chorei... falei com ela, olhar parado, agradeci
por tudo o que ela me ensinou, queria ver ela pela última vez
com vida, mas tinha impressão de que ela não estava
mais ali.
Parte
154
Não estava dormindo quando a Denise ligou: “Às
1:40 dia 16/01/07, a mãe descansou...”
Fui para Curitiba com o Paulo e encontramos o Fabricio e Jake
no Hospital, pediram que eu ficasse na funerária, para acompanhar
o translado da madrinha até São Bento.
Bom, posso falar agora com certeza, de que nada acontece por acaso.
Pois não tínhamos uma amizade tão grande, até
o momento que eu não lembro a data, Denise me ligou para levar
a Madrinha consultar com Dra. Neiva em Campo Alegre.
Participei desde o momento da notícia da doença. Viagens
para Curitiba, Campo Largo e varias quimioterapias em Curitiba. Porque
falo sobre isso agora, pois bem, dentre tantas viagens a madrinha
comentou: ‘a última vai ser com você, Zeca’.
Agora lá estava eu, Funerária Santo Antonio, esperando
a madrinha para sua última viagem até São Bento
do Sul.
Por
Denise Rosá Branco
Voltei para casa na segunda-feira e, quando cheguei, minha sogra e
minha cunhada estavam aqui. Minha sogra fez minha cunhada ficar conosco,
para tomar conta da Duda e eu poder descansar. Tomei um banho e pensei
em jantar e dormir, mas a Duda queria atenção, meu marido
queria atenção e o sono acabou passando. Fui me deitar
perto das 23:00. Estava assistindo TV com meu marido quando o telefone
tocou. Olhei para ele e disse: ‘A mãe morreu’.
Atendi e era o Fabrício, com a voz calma, que disse: ‘Deni,
a mãe descansou. Ela parou de respirar e, por um tempo ainda,
vi seu coração pulsar, então tudo parou. Era
1:30”. A luta havia chegado ao fim. A mãe havia descansado.
Parte
155
Fiquei encarregada de arrumar tudo por aqui, enquanto o Fabrício
providenciava as coisas necessárias em Curitiba, para trazer
a mãe para casa. Liguei para alguns amigos ‘chave’,
que eu sabia que avisariam a todos os que conheciam a mãe.
Liguei para o Zeca e o Paulo, um grande amigo nosso, para que fossem
a Curitiba buscar o Fabrício e acompanhar a mãe na sua
viagem para casa. Prontamente os dois atenderam. Passaram aqui em
casa para pegar as roupas e a prótese da mãe, para que
ela ficasse bem bonita em sua última aparição
pública. Acordei minha cunhada, pedi para que ela fosse ficar
na casa de minha mãe, caso alguém ligasse. Aí
aconteceu algo muito estranho e, ao mesmo tempo, interessante. A Duda
resmungou no quarto dela e o Alaor foi olhar. Voltou com os olhos
arregalados: ‘Deni, você não vai acreditar nisso.
A Duda me olhou, mas estava dormindo, e disse ‘vovó morreu’,
e continuou dormindo’. Poucos minutos depois, a Duda acordou,
veio pro meu colo e eu perguntei: ‘Você viu a vovó?’.
Ela disse: ‘Vi. Vovó veio e pegou minha mão’.
Tem coisas que acontecem e a gente nunca poderá explicar...
Acabamos todos indo para a casa da mãe. Deixamos tudo o que
podíamos pronto, para o café e o almoço, por
causa dos parentes que vêm de outras cidades. Eram 4:30 e o
Fabrício ligou novamente, avisando que estava voltando com
o Paulo e que o Zeca ficaria na funerária, até a mãe
estar pronta para a viagem. E a Duda sem dormir... Finalmente, entre
5:00 e 5:30 consegui colocá-la na cama com minha cunhada.
Parte
156
Às 6:45 o Zeca me liga: ‘Deni, estamos chegando no Mato
Preto’. E eu, meio incrédula: ‘Mas como? Vocês
saíram às 5:00 de Curitiba, como já estão
no Mato Preto?’ E o Zeca: ‘O cara da funerária
anda mesmo e eu precisei acompanhar’. Liguei para a Belinha,
que havia entrado em contato com a capela mortuária e avisei.
O responsável pela capela nem havia chegado para abri-la e
a mãe já estava lá. Cheguei logo depois.
A mãe estava linda, mas com uma aparência cansada. Com
a roupa que escolheu para ir ao meu casamento, sua toquinha preferida
e a prótese que havia ganho poucos meses antes da Rede Feminina
de Combate ao Câncer, e que nem chegou a usar, estava linda!
Não quis ficar o tempo todo ao lado do caixão. Pensei
que ficar à distância daria oportunidade a todos que
viessem se despedir de chegar perto dela. Acabou que algumas pessoas
nem me viram, mas tudo bem. O dia passou lento e tranqüilo. Logo
que a Duda acordou, meu marido foi em casa buscá-la e levou-a
para ver a vovó. Chegou na capela, foi perto do caixão
sem cerimônia. Peguei ela no colo. Ela olhou para a vovó,
se virou pra mim e disse: ‘Dois, mamãe’. O Alaor
ficou me olhando, sem saber do que a Duda falava. Eu disse: ‘Claro
filha, a vovó tem dois seios, sim’. A Duda, tão
acostumada com a vovó sempre sem a prótese, estranhou
quando a viu no caixão com ela. Não quis beijar a vovó
porque estava ‘gelado’, mas volta e meia chegava perto
para olhá-la.
Parte
157
Chegou a hora do enterro. Fomos para a igreja, para a celebração
de corpo-presente. Na segunda-feira, quando voltei de Curitiba, liguei
para o Milton e pedi que ele ‘tirasse’ uma música
do Pe. Zezinho, que fala sobre este momento, da morte, e pedi para
que ele, o Cláudio e o Vilson tocassem na celebração,
assim que a mãe morresse. Como não havia volta, fui
deixando tudo pronto. Foi o que aconteceu. Cantei junto com meus amigos
na celebração. Fui forte, até a hora que fomos
cantar a música do Pe. Zezinho, e minha filha veio pro meu
colo. Quase não consegui chegar ao final da música.
Muita gente se emocionou por ver a Duda no meu colo, naquele momento.
Na hora de fechar o caixão, fui me despedir da mãe.
Eu a amava (amo) tanto! Foi esse o único momento desde que
ela foi internada em que eu chorei. A Duda ficou braba porque estavam
fechando o caixão da vovó e me deu um tapa, querendo
que eu impedisse aquilo. Voltamos ao cemitério. Foram feitas
as orações e cantos. A mãe, enfim, era colocada
em sua ‘última morada’. Junto a nosso pai, descansaria
eternamente, certa de que havia sido uma vencedora e, além
de tudo, um exemplo de força e vontade de viver!
A cada dia que
passa mais lembranças me vêm à cabeça...
Quanta coisa boa fiz com minha mãe... Quantos momentos inesquecíveis
passamos juntas, até mesmo quando ela já estava adoentada...
Parte
158
Muitas dúvidas me consomem... E se o tumor intercostal tivesse
sido descoberto antes... E se a medicação oral tivesse
sido suspensa antes... E se... E se... Nenhuma dessas perguntas terá
resposta, ao menos não nessa vida. Quem sabe, um dia, ao me
reencontrar com minha mãe, ela terá alguma resposta
a me dar...
Dia 17/05, ao ler, ou melhor, reler o que meu primo Zeca escreveu,
lembro de tudo o que minha mãe me falou sobre a morte de vários
amigos nossos, inclusive sobre a morte de meu pai... Minha mãe
tinha um dom, ou um sexto-sentido, sei lá, uma premonição,
que raramente falhava. No dia em que meu pai faleceu, falei com eles
por telefone 3 horas antes do afogamento. Conhecia muito bem minha
mãe, e senti que ela sabia de alguma coisa mas, assim como
ela, guardei em meu coração. Quando cheguei em São
Francisco, a abracei e, olhando fundo em seus olhos, disse-lhe: ‘Você
sabia que o pai iria morrer. Hoje de manhã, quando falei com
você, você já sabia’. E ela me respondeu:
‘Pensei que fosse EU que iria morrer, porque não estava
me sentindo bem’. E hoje tive essa mesma sensação,
ou certeza, sei lá. Quando meu primo escreve que ‘ela
ficou segurando minha mão em silêncio’, tive a
certeza de que, naquela manhã, em Curitiba, minha mãe
sabia que iria morrer e guardou para si. E eu, com tanta coisas na
cabeça, com esse turbilhão de emoções,
só consegui perceber isso hoje.
Parte
159
Sinceramente não sei o que é mais difícil: lembrar
de tudo que vivi com minha mãe ou a saudade que tenho dela...
Não consigo ler uma só parte da história da vida
de minha mãe sem chorar... Ela era tão forte, tão
alegre, com tanta vontade de viver e teve que partir tão cedo...
E a cada vez que me pego a tentar achar a razão para que isso
tenha acontecido, me lembro de uma música do Pe. Zezinho: “Admito
que eu já duvidei, depois daquela morte repentina num farol.
Depois que dos meus olhos Deus levou a luz do sol, depois daquela
perda sem aviso e sem sentido. Admito que eu já duvidei.
Admito que briguei com Deus, porque não respondeu quando eu
lhe perguntei por quê.
Ele, que tudo sabe, tudo pode, tudo vê, parece que não
viu, nem me escutou lá no hospital.
Admito que eu fiquei de mal!
Doeu demais e, quando dói do jeito que doeu, a gente chora,
grita e urra e põe pra fora aquela dor, e desafia o criador
e quem se mete a defendê-lo. Comigo não foi diferente
do que foi com tanta gente que perdeu algum amor. Briguei com Deus,
briguei com Deus. E se eu briguei foi por saber que Deus ouvia.
Admito que eu me revoltei: onde é que estava Deus com seu imenso
amor? Se Deus é amoroso, então por que deixou? Por que
tinha que ser do jeito como foi?
Admito que o desafiei, por não achar sentido no que Deus fez,
e nem me perguntei por que será que o fez.
Briguei com quem levara alguém que eu tanto amei! Admito que
eu já blasfemei. Briguei com Deus, briguei com Deus. Briguei
com Deus, mas acabei no colo dele.
Admito que voltei pra Deus e até nem sei dizer por que foi
que voltei. Eu acho que voltei porque não me calei. Voltei
porque, talvez, não sei viver sem crer. Admito que voltei pra
Deus.
Admito que inda creio em Deus, mas tenho mil perguntas a doer em mim.
Eu tenho mil perguntas para lhe fazer, espero que Ele um dia queira
responder!
Ele sabe o que é que eu penso dele...”
Parte
final
Por mais que a gente diga que está preparado para a morte de
alguém, é mentira. A gente sempre fica a se perguntar
por que e a imaginar ‘se’... No fundo a gente precisa
encontrar um responsável pela morte, mas isso nem sempre é
possível.
Quando a mãe me perguntou há 4 anos ‘Por que você
acha que teu pai ia morrer?’ e eu respondi ‘Morreu por
ser teimoso’, hoje imagino que, se perguntassem por que acho
que minha mãe morreu, responderia “Porque ela cansou
de ser um fardo para nós’. Mas o que ela talvez não
sabia é que NUNCA foi um fardo em nossas vidas.
Tenho certeza de que fiz tudo o que pude para confrontá-la
e ajudá-la até o fim.
Gostaria de ter feito muito mais. Gostaria de não ter brigado
com ela na sua última semana de vida só porque ela já
não tinha mais forças e ânimo para sair da cama
e eu insistia nisso... Mas instintivamente sabia que, quanto mais
cedo ela ficasse só na cama, mais cedo perderia suas forças
e eu não queria isso, por egoísmo talvez, ou por medo
de perdê-la e nunca mais poder abraçá-la...
Agora, nessa madrugada, ouvindo a chuva lá fora, tive a coragem
de escrever
sobre minhas dúvidas e sentimentos... Sozinha, no escuro...
Lembrando, mais uma vez, daquela mulher incrível a quem a vida
inteira eu chamei de MÃE, e a quem aprendi a admirar com seus
defeitos e suas qualidades, seus medos e sua força.
Pra mim ela foi um exemplo. Espero que a sua luta tenha servido de
exemplo para muitos outros!
Fique com Deus, minha mãe! Te amo!
Sugestões:
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